No topo de uma acácia seca, já sem as folhagens, uma coruja fêmea bicava o tronco com insistência, em busca de água. Não chovia há dias. Provavelmente não teria resultado, mas persistia, precisava continuar. Vários animais sob sua proteção, já estavam desmaiando pela sede e falta de alimentos. Quando o vento sopra em suas penas, com uma mensagem de esperança. A coruja para de bicar o tronco da árvore e descer para o galho mais baixo. Pia para chamar atenção de todos os animais da savana. A girafa ergue o pescoço.

- Encontrou água, mestra? — A girafa Zuri pergunta em expectativa.

- Melhor do que isso, minha aluna. – A mestra Oris responde. – O que eu tenho é a esperança que os ventos trouxeram até nós.

- Como podemos acreditar nisso? — O elefante Abasi pisa firme, o que faz a terra tremer sob suas patas. – Meu filhote quase não consegue ficar de pé. Essa seca está nos matando pouco a pouco, mestra.

- Deixa ela falar, Abasi. – A girafa Zuri repreende o elefante. – Prossiga, mestra Oris.

- Obrigada, Zuri. – A mestra Oris pia em agradecimento. E então seu tom de voz se altera. — O que agora é luto, o que agora se dissolve sob nossos pés se transformará. O deserto dará lugar a uma terra fértil, onde o verde predomina. Um rei se levantará da terra. Ele trará a paz a nosso reino e nos unificará com grande poder.

O silêncio cresce, varrendo todo o ambiente. Até o elefante Abasi, cético segundo atrás, se curva em referência e os outros animais seguem seu exemplo, se curvando com respeito. A promessa de um rei forte era tudo o que precisavam. Os papagaios cantam com fôlego renovado. A coruja Oris observa a cena, emocionada.

Então, o vento sopra em suas penas mais uma vez, com outra mensagem. Mas aquela a mestra não teria permissão de proclamar.



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