A privada do avião…
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Estou olhando os lindos aviões pousarem e me lembrando do emprego que um dia eu tive. Foi tudo por causa de um erro que o perdi. Ainda me lembro claramente da demissão, até porque foi ontem. Mas ainda é tão difícil aceitar.
Meu copiloto, Jônatas, apareceu bem do meu lado. Esse viado!
—Veio olhar os aviões?
—Não, vim fazer um tour para a caridade.
—Sério?
—Não!
Ficamos em silencio enquanto observo a porcaria da mangueira ser colocada na traseira do avião. Por causa disso eu fui demitido.
Ainda me lembro bem do voo. Estávamos em uma boa altitude, o céu estava limpo, as nuvens brancas… quando de repente os aparelhos começam a dar problema. Peso demais.
Não me pergunte quem foi, mas conseguiu entupir a privada. Sério, não entendo como um monte de alimentos processados no corpo de uma pessoa pode ser mais pesado do que esses alimentos fora dela, mas depois que alguém idiota deu descarga o problema começou:
—Senhor, a privada entupiu.
—Obrigado Jônatas, o que eu faria sem alguém pra me dizer coisas obvias o tempo todo?
—Aff, viado, só quero ajudar.
—Então me fala o que eu faço com essa carga?
—Esvazia.
—Não vou esvaziar em pleno voo! Vou perder a droga do meu emprego se fizer.
—Então mata a gente ué. Só me beija antes.
—Como é?
—Se sabe que eu não vou morrer assim né? Foi só um incentivo.
—Me poupe.
Dei um tapa na cara dele que ele logo devolveu. A gente ficou se batendo uns dois minutos antes da vadia da comissária de bordo dá um soco na minha cara. Esse bujão de gás me paga:
—Dá pra parar com as viadagens e subir esse pássaro logo?
—Não dá, a privada tá entupida.
Vi o chão se aproximando, estávamos perdendo altitude, a coisa era séria e ia todo mundo morrer até que peguei os controles e apertei o botão de saída da privada. Aliais, foi por causa disso que eu fui demitido.
Talvez eu pudesse ter evitado, mas aquela altura já era tarde demais.
A merda já foi pelos ares.
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