A princesa proibida

5 Lembre-se de quem é o inimigo


Notas iniciais
Como prometido, quarta-feira e aqui estou. Espero que gostem, seus lindos.

— Ora, ora. O que temos aqui? Então esta é a famosa filha de Simba. -Zira constatou ao ouvir o filho chamar a menina de Kiara. A princesa estremeceu com o tom ameaçador e o brilho sádico dos olhos da mulher.

Era uma mulher magra, mas de curvas marcantes no vestido longo e preto. Seus cabelos cacheados não possuíam controle algum, o nariz arrebitado, o rosto largo de maxilar quadrado, pele branca, mas não tanto quanto a da princesa e lábios carnudos avermelhados. Porém, o que chamava atenção na figura a sua frente era o andar controlado e selvagem como o de uma leoa, impondo temor na terra onde pisava. Seus olhos possuíam algo de sombrio, mesmo mascarados no falso sorriso cortês que a bela mulher lhe apresentava.

— Muito prazer... quem é a senhora? -Kiara tentou reagir naturalmente, porém sua voz falhava por conta do medo. A princesa estava tentando ganhar tempo, já sabia de quem se tratava.

— Meu nome é Zira, querida. E o prazer é todo meu. -apresentou-se em falso tom polido. Ela passou a se aproximar mais da menina, que recuava. Então, a mais velha, lentamente, colocou a mão atrás das costas onde guardava uma faca na faixa do vestido.

— Fuja Kiara! -gritou Kovu ao perceber as intenções de sua mãe, antes que Zira pudesse retirar a faca e atacá-la.

A garota seguiu o conselho e virou-se para correr, mas antes que o fizesse, um homem ruivo apareceu em um cavalo branco e parou abruptamente, colocando-se entre ela e a mulher ameaçadora. Estava salva. Era seu pai. Zira afastou-se alguns passos com ódio.

— Pai? – Simba apenas olhou-a friamente de canto, claramente decepcionado.

— Zira. -constatou o rei com firmeza.

— Simba. -falou o nome com desprezo.

— O que está fazendo aqui? Este lado do Olho d’Água pertence às terras do Reino.

— Essas terras pertencem a Kovu. Ele é o legítimo rei! -soltou quase como um rosnado. Simba, com fúria, tirou sua espada e apontou-a para o pescoço da exilada.

— Pegue o menino e saia! Agora! -bradou com autoridade. -Sabe muito bem a penalidade de sair das terras dos exilados e pisar aqui.

— Mas a criança não conhece. – respondeu dramaticamente e melancólica. -Contudo, se precisa de um pedaço de carne: pegue-o. – puxou com brutalidade o braço do filho e o jogou na presença do rei, que revirou os olhos. Tanto Kovu quanto Kiara batiam os dentes, amedrontados.

— Saia, antes que eu mude de ideia. – Zira percebeu que não seria estratégico travar um duelo no momento, estavam em desvantagem em relação ao rei e sua escolta.

— Até logo, Simba. -despediu-se com um sorriso cínico, deixando claro de que aquilo não acabara ali. Ela levantou o menino do chão e o puxou novamente em direção a suas terras. E Simba fez o mesmo com sua filha. Porém, antes de virar as costas, Kiara acenou tristemente para o recente amigo, que devolveu o cumprimento.

Simba, sem dizer uma palavra, colocou Kiara em seu cavalo junto a si e retornaram com seus soldados ao castelo. Foram por um caminho mais longo, que não os faria passar pelos vilarejos, pois, se assim o fizessem, seriam abordados pela população e Simba não estava com humor para ser gentil no momento.

— No que estava pensando, Kiara? -Simba perguntou numa calma contida ao atravessarem os portões e sair elegantemente do animal de montaria.

— Me desculpe, papai. Eu vi os portões abertos e não resisti. -ela disse envergonhada.

— É por isso que não te deixo sair! Viu o que aconteceu? Aquela era Zira! Se eu não tivesse chegado a tempo... – ele pressionou os olhos com o polegar e indicador. – Você foi imprudente, Kiara. Estou decepcionado com você. – e aquelas palavras doeram nela mais do que tudo o que já havia ouvido, mais do que a dor de sentir-se presa a aquele castelo. Uma lágrima escorreu de seus olhos.

— Me perdoe, papai. -ela implorou com os olhos marejados. Simba sentiu seu coração apertar e suavizou o olhar. – Eu não faria de novo.

— Kiara, você será uma rainha um dia. Deve saber que há um preço alto a se pagar pela sua coroa: você não pode fazer tudo o que quer. – Simba explicou.

— Mas ser rei não é isso? – Kiara perguntou com ar inocente, seu pai riu.

— Não. É bem pelo contrário. O rei deve sempre pensar no bem maior. Deve pensar naquilo que é melhor para o seu povo. Com o tempo você vai aprender. – falou com sabedoria. – Mas ainda está de castigo. — voltou a falar sério. – E eu não quero mais ouvir sobre sair do castelo até os seus 18 anos. Minha vontade era nunca mais deixa-la sair por sua imprudência, mas como dei minha palavra... -deixou a frase no ar, arrependendo-se amargamente do dia em que jurou pela honra cumprir o desejo de aniversário da filha. Jamais pensou que ela pediria algo do tipo.

— Mas pai..

— Basta Kiara. Agora vá para seus aposentos. Ficará uma semana sem ler livros e sem passear nos jardins. – disse firme.

— Está bem. – de cabeça baixa, a menina seguiu para seu quarto acompanhada de dois soldados.

Ao chegar em seu quarto, a jovem princesa jogou-se em sua cama de dossel com cortinas brancas quase transparentes e fechou os olhos. O aposento era grande e bem decorado com paredes claras, desenhos dourados no teto abobadado e alguns quadros de molduras de ouro que retratavam a família real. Havia uma lareira na parede oposta à cama, que aquecia o recinto no inverno rigoroso de Reichstein. Na lateral, haviam 3 janelas de formato arredondado e estreito que iam desde o teto até quase o chão, deixando o quarto bastante iluminado durante o dia. A maior parte da decoração era baseada em ouro, como a penteadeira, lustre e moldura do espelho. O único detalhe em mármore era a banheira quadrada no canto do local. Não era tão sofisticado quanto o de seus pais, mas era agradável.

Sim, ela estava arrependida por ter magoado seu pai ao desobedecer-lhe, porém não se arrependera da aventura ao lado de Kovu. Ao pensar no menino magricela e arrogante, um sorriso veio aos seus lábios. Jamais imaginou que o exilado petulante pudesse tornar-se seu amigo ao final do dia. Ele faria falta, de fato. Por mais que se conhecessem por pouco tempo, ela jamais o esqueceria. Só esperava poder vê-lo novamente um dia: o filho de Zira.

Notas finais
E aí? O que acharam? Sei que não foi o capítulo com a reação de Simba que muitos esperavam. Ele é super protetor, mas ama sua filha e ela ainda é pequena para uma punição severa. Por isso, peguei leve na reação. Já o próximo está mais interessante. É sobre a reação da Zira e um pouco do mundo dos Exilados.. posso dizer que se querem ver madness, é com ela mesma. Eu pensei em Zira como Belatrix Lestrange (de HP), interpretada pela Helena. Acho que elas têm o mesmo nível de loucura e sadismo no olhar. Me dê um R, me dê um E, me dê um V, me dê um I, me dê outro E, me dê um W, me dê um S... o que isso forma? Exatamente, então comentem pelos lindos olhos de Kovu. O capítulo não foi láaaa essas coisas, portanto, se eu tiver uns 4 comentários no mínimo, postarei o próximo nesse final de semana. Bjs da Leninha.