Notas iniciais
POV Lis
…
Are you the one?
The traveller in time who has come
To heal my wounds to lead me to the sun
To walk this path with me until the end of time
….
Estou em casa em pleno fim de semana a noite, nada fora do comum, estou basicamente largada no sofá com um gato amuado em meus braços escutando minhas músicas depressivamente românticas. Desde que eu e Luke voltamos de Stormville as coisas estão diferentes, já faz uma semana desde aquela noite e desde então não sei definir como estamos. Nem dá para dizer que estou apaixonada, é como se ele estivesse me mantendo longe disso.
Ele não vem muito aqui em casa e quando vem é tão rápido que mal dá para alguma coisa acontecer, desde o dia que dormi na casa dele não voltei mais, não porque eu não quis, porque ele nunca me convida. Temos nos encontrado sempre no terraço, nem na faculdade nos vemos direito, um oi aqui e ali, um beijo rápido no corredor e depois ele some...
Tento reprimir a ideia de que ele está fugindo de mim, não quero pressioná-lo por algo a mais, no entanto, essa situação está sendo difícil para mim, eu o quero tanto... Mas às vezes tenho a impressão que ele está distante ou que está tentando manter as coisas superficialmente.
Definitivamente estou enlouquecendo, sei que ele me quer, sinto em seus beijos, sinto quando me toca delicadamente, porém, quando olho em seus olhos vejo que há alguma coisa entre nós, algo que o impede de ser totalmente meu. E o mais estranho é que a cada dia que passa eu me sinto mais ligada a ele.
...
Are you the one?
Who sparkles in the night like the fireflies
Eternity of evening sky
Facing the morning eye to eye
Are you the one?
Who'd share this life with me
Who'd dive into the sea with me
…
Ele não está aqui agora porque precisou viajar esse fim de semana, coisa de família, mas me prometeu que no domingo a tarde estaria aqui e faríamos um passeio romântico. Não consigo entendê-lo, suas atitudes não condizem com suas palavras e seus olhos não refletem aquilo que seu corpo demonstra.
Mas o que eu poderia esperar de um cara que exala mistério pelos poros? Que eu mal conheço? Mas por quem me deixo levar a cada dia mais? Afundo mais um pouco no sofá e de repente lembro-me do meu celular que há um tempo não vejo.
Como era de se esperar lá está inúmeras ligações e mensagens de Sam, eu prometi que ligaria dias atrás, fiquei tão ocupada com os trabalhos atrasados da faculdade que esqueci completamente, ela não sabe de Luke, mas desconfia de alguma coisa.
Tento me redimir com uma mensagem de texto:
– Oi Sam! Desculpa o sumiço, é que esses dias têm sido bem ocupados...
Para minha surpresa ela está online e me retorna quase que imediatamente:
– Por Deus Lis! Quer me matar de preocupação? Você não me atendia, nem retornou minhas mensagens... Achei que o pior tinha acontecido... Não faz mais isso comigo! Estou do outro lado do mundo, mas ainda posso ir aí te dar sermão...
Eu tive que rir dessa vez, essa era a minha melhor amiga, ela me conhecia tão bem e sempre me dava um daqueles sermões de irmã mais velha, eu amava isso nela. Tive que me desculpar:
– Desculpa mesmo tá? Não foi minha intenção te preocupar.
– Eu sei que não, tá desculpada! Eu não consigo ficar brava com você amiga. Me conta então, a verdadeira razão da sua “ocupação”.
– Sam, eu já disse que é a faculdade...
– Não Lis, nem vem com essa! Eu sei que tem algo mais, me conta por favor...
Eu não resisto quando ela apela mesmo, não que eu não quisesse contar sobre Luke e nossa relação pra lá de estranha, mas é que tá tão indefinido que nem sei por onde começar.
– Tem um cara...
– Ah! Eu sabia!! Me conta tudo!
– Meus deuses! O que eu faço com essa minha amiga?
– Sem enrolação! Quero saber tudo.
Fui para a varanda e me sentei olhando o céu estrelado de Atlanta, lá embaixo as luzes dançavam e as pessoas se divertiam, porém, para mim o que me fazia feliz eram aqueles pequenos momentos meus, a simplicidade das coisas ao meu redor.
Mais uma vez senti saudade daquele idiota, do meu idiota, após um longo suspiro começo a contar toda a história do Luke, como nos conhecemos, de quando dormi na cama dele, de quando ele me encontrou em Stormville, só ocultei a parte do jardim, ainda era cedo para falar alguma coisa. Agora nos falávamos no telefone, a cada revelação Sam soltava suspiros ou gritinhos de admiração, por fim ela me disse:
– Cadê a minha amiga tímida e introvertida de antes? O que aconteceu?
– Eu não sei Sam, acho que resolvi seguir teus conselhos e me abrir para a vida.
– Não tão rápido Lis, você mal o conhece... Me prometa que vai ter cuidado?
– Eu vou tentar, a gente só precisa conversar mais, eu sei que ele gosta de mim Sam.
– Por favor, só me prometa que vai se cuidar?
– Eu prometo!
– Ok, e o baile? Esse ano você vai? Me diz que você vai.
– Eu convidei ele!
– Uau! Tomando a iniciativa de novo! Essa é a minha garota! E ele vai?
– Sim, eu nem acredito! Meu primeiro baile!
– Por sua opção! Quantas vezes eu te convidei para ir comigo e Jack?
– Jamais eu iria segurar vela para você amiga! O Theo me convidou...
– Sério? Depois de anos ele começa a te notar justo agora que tem alguém na sua vida! Jura? E o que você disse?
– Eu agradeci o convite, disse que ia com outra pessoa.
– Ele sabe sobre o Luke?
– Ele nos viu juntos um dia desses, graças aos deuses não trabalhamos mais juntos! Ele ficou muito saidinho de repente, mas depois que me viu com o Luke não me perturbou mais.
– Ah amiga... Eu achava que vocês formavam um casal lindo! Mas sempre odiei o fato dele te ignorar.
– Verdade, mas agora tem o Luke, eu não preciso me preocupar mais com o Theo né?
– Certo, mas me conta como foi lá em Stormville com a Mya e o Rick?
– Eles me receberam bem, tia Mya estava toda amorosa, pediu perdão e tudo, nós nos entendemos. Estou feliz por isso.
– Fico feliz por você também Lis, eu fico mais tranquila sabendo que você está bem. Quando saí daí você estava tão triste...
– Agora eu estou bem, tô focada no fim do curso, o que eu vou fazer com a minha vida, é o penúltimo ano né? E esse baile tá me deixando tão nervosa!
– Relaxa Lis! Vai dar tudo certo!
– Eu espero que sim, amanhã vou sair para comprar o vestido.
– Já? O baile é só daqui a algumas semanas.
– Eu sei, mas já quero deixar adiantado. Depois do baile teremos o recesso de verão e depois o último ano, tudo tem que ser especial.
– E vai ser amiga, como você merece!
– Queria que você estivesse aqui...
– Eu sei... Eu também queria estar aí...
Depois continuamos falando sobre muitas coisas, sobre como a vida dela com Jack estava maravilhosa e que logo planejariam um filho. Ela estava bem e feliz, isso era o que importava para mim. Após desligar fiquei mais um pouco na varanda pensando em Luke, ouvindo minhas músicas melódicas e tristes, desejando fortemente que ele estivesse comigo. Onde estaria agora, meu deus da beleza de olhos verdes?
...
Are you the one?
Who'd share this life with me
Who'd dive into the sea with me
Are you the one?
...
POV Loki
Que fim de semana mais chato eu tinha pela frente! De volta a Asgard para comemorar o aniversário de Thor, Frigga havia me implorado para não perder o grande baile real em honra a Thor. Queria que Lis estivesse aqui comigo, nesse momento estou em meu quarto lendo um pouco, tentando ler na verdade, estou pensando nela... Em como tenho sido um idiota em minhas atitudes, um fraco por não lhe dizer a verdade. Como ela consegue me neutralizar apenas com um sorriso?
Estou perdido em pensamentos quando Frigga entra em meu quarto e fica parada na porta me olhando, conheço aquele olhar, conheço aquele sorriso, conheço tão bem a mãe que eu tenho.
– Mãe! Quantas vezes tenho que dizer para bater na porta antes de entrar? Já não sou mais um menininho.
– Eu sei querido! Você estava tão concentrado em seus pensamentos eu não quis atrapalhar.
– Você nunca atrapalha mãe!
– Obrigada meu filho, eu estou tão feliz em vê-lo assim...
– Pode parar aí mãe, não diga a palavra, por favor.
– Sim, você a ama! Está apaixonado! Eu te conheço tão bem meu querido Loki!
– Mãe não...
– Por que não? Por que resiste a algo que você já sente?
– Porque não é o certo! Porque eu estou mentindo, ela nunca vai confiar em mim...
De repente estou desabando no colo de minha doce mãe, ela é a única criatura dos nove reinos que me compreende, me aceita e me ama com todas as minhas estranhezas. Quero chorar, mas não consigo, não vou demonstrar mais fraqueza ainda. Então me deixo afundar no carinho de Frigga, sua voz me embalando como quando era criança, me dizendo que tudo vai ficar bem e que eu serei muito feliz ainda, quero acreditar, mesmo, mas eu sei que isso nunca será possível.
Após um longo sono acordo e me visto para o baile de Thor, uso minha armadura verde e dourada, meu elmo dourado, caminho em direção ao salão de festas e peço aos deuses que a noite seja breve, porque pela manhã pretendo estar com Lis em Midgard.
Logo na entrada dou de cara com Thor todo animado, já com seu caneco de hidromel pela metade, dou-lhe um abraço rápido, mas ele quer conversar e me puxa para um canto na sala.
– Senti sua falta irmão, por que demorou tanto para vir? A princesa está o prendendo não é?
– Não diga asneiras Thor! Ela é uma moça insuportável e durona, não faço questão de tê-la.
Tenho que mentir, a única pessoa para quem confessei meus sentimentos foi Frigga e será a única, mas não gosto do rumo que essas conversa nos leva.
– Então quando ela vier para Asgard eu poderei cortejá-la?
Senti meu sangue subir, mas me controlei, uma briga agora só iria confirmar meus sentimentos e deixaria nossa mãe triste. Então apenas visto a cara da ironia e da mentira e lhe digo:
– Faça o que quiser, meu dever é apenas revelar a verdade a jovem.
– Ótimo! Assim que ela pisar em Asgard eu a tomarei para mim.
– Tenha modos Thor! Pelos deuses! Lembre-se que ela é uma donzela...
– Você sabe como eu adoro donzelas...
– Idiota! E lady Syf? Você já não a tem? Está prometido a ela lembra-se?
– Eu não a amo! Syf é como uma irmã para mim, não posso me casar com ela.
– Diga isso ao pai de todos, se tiver coragem.
Thor apenas sorriu e depois seguimos até a mesa do jantar, queria matá-lo só por pensar em possuir Lis, ela é minha e eu a protegerei de idiotas como Thor.
O jantar foi como de costume, muita conversa e música alta, Thor bêbado, Odin e Frigga se retiraram cedo, todos muito animados, menos eu. Assim que terminou a refeição eu me retirei para a varanda do salão de festas. Lembrando da noite em que estava com Lis no terraço do edifício e como ela se deliciou com o céu estrelado, imagina se estivesse aqui onde tudo é maior e mais lindo, ela ficaria extasiada.
Estou sorrindo de repente só ao me lembrar de seus beijos inocentes e sua tentativa ingênua de me seduzir naquela noite, se ela soubesse o efeito que tem em mim saberia que só basta respirar para que eu a deseje... Estou saboreando minhas lembranças, mas ao mesmo tempo penso no que devo fazer, ao contar sua origem devo trazê-la para Asgard onde deve se preparar para assumir o reino de Enuton.
Thor tem razão, ela terá que vir para Asgard em breve, Odin já me cobrou que eu o faça mais rápido possível, em Midgard ela não estará segura. Eu prometi a ele que depois do baile eu diria a verdade. Sei como aquele baile midgardiano é importante para Lis.
Estou perdido em mil pensamentos quando uma voz feminina me acorda:
– Olá príncipe Loki!
Viro-me rapidamente e vejo Lady Syf andando sensualmente em minha direção, sei que ela tem uma espécie de atração por mim, também não concorda em se casar com Thor, ela costuma dizer que uma guerreira nunca deveria se casar.
Nunca quis nada com ela, ela é extremamente linda e sexy, mas a sua beleza é selvagem e controladora e isso não me atrai nenhum pouco. Syf sempre tentou se aproximar de mim, mas eu sempre a cortei e me afastei rapidamente.
– Olá lady Syf!
Tento manter a calma e ser o mais educado possível, não gosto de ofender ou machucar mulheres e Lady Syf apesar de estar longe de ser uma doce e inocente donzela ainda era uma mulher e linda, por sinal. Thor era um idiota por dispensá-la, eles combinavam perfeitamente, mas ambos não conseguiam ver isso.
– Sempre se esgueirando solitário pelo palácio... Nunca perde o hábito não é mesmo?
Apenas sorrio sem graça, ela continua vindo em minha direção:
– Você tem estado muito ausente em Asgard, tenho notado com tristeza sua ausência em nossas batalhas e jantares. Por onde anda meu príncipe?
Minha estadia em Midgard e a princesa perdida eram assuntos confidenciais e apenas eu, Thor, Frigga, Odin e Heimdall sabiam, até que tudo se esclarecesse seria uma missão secreta. Thor guardou segredo até de seus amigos.
– Estou resolvendo assuntos de Odin, isso tem me consumido muito tempo.
– Entendo, afinal, você é o erudito aqui, não é Loki? Será que é por isso que não me dá uma chance?
Finalmente ela chega onde quer me pressiona contra a parede e encosta-se a mim toda mansa e cheia de más intenções, se fosse outro homem a tomaria nos braços e a possuiria ali mesmo, mas eu não estava interessado, amava minha pequena Lis e ansiava por ela. Empurrei delicadamente Lady Syf e disse-lhe segurando com firmeza e encarando seriamente seus olhos:
– Eu não a quero! Eu não a amo! Quando vai entender isso? Você pertence a Thor, pare de se oferecer para mim!
Talvez eu tenha sido muito rude, mas foi o suficiente para ela se afastar rapidamente se soltando de minhas mãos e com os olhos marejados me diz esbravejando todo seu ódio por mim:
– Eu não pertenço a ninguém! E eu não estava me oferecendo Alteza, estava apenas querendo a companhia de alguém que considerava importante, mas agora não é mais nada.
E foi embora me deixando sozinho novamente, meus deuses! Eu precisei ser tão rude para que ela entendesse de uma vez por todas que eu não a quero? Sinto-me meio mal, mas ao mesmo tempo aliviado. Volto para o meu quarto e tento dormir um pouco.
Pela manhã Odin e Frigga consomem todo meu tempo com questões políticas e do reino e não consigo voltar a tempo para minha amada princesa, então quase no fim da noite volto a Midgard e após um banho rápido e pensar em mil desculpas para amenizar a raiva que ela deveria estar sentindo de mim, reúno toda minha coragem e com um buquê de rosas azuis da meia noite bato na porta do apartamento de Lis, que Odin esteja comigo.
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