Notas iniciais
E chegamos ao último e definitivo capítulo da minha fanfic que tanto amei escrever!! Eu sei que decepcionei vocês com o final, mas foi o melhor que encontrei dentro do universo que envolve o Loki. Espero me redimir com o epílogo, obrigada por lerem até aqui e por me incentivarem com seus comentários!!! Obrigada mesmo!! Espero que gostem desse capítulo especial ♥ bjos

POV Lis

Foi fácil me resguardar das dúvidas do povo sobre meu bebê, o pai dele morreu na batalha e para minha total falta de sorte ele nasceu exatamente igual a um gigante de gelo, com todos os traços de Loki. Nada que um pequeno feitiço de ocultação não ajudasse.

Eu não o criaria para odiar sua origem, ele era um meio deus e meio gigante de gelo, mas suas características enutonianas ainda estavam lá e assim como eu ele amava a água. Eric me ajudava muito com Percy e logo ele o chamava de papa. Não pude evitar, mas deixei que isso acontecesse para o bem do meu filho.

O que eu não contava a ninguém era da minha melancolia, da minha tristeza, quando Percy adormecia toda a alegria que ele me dava era substituída pelas lembranças dolorosas do meu amor. Cada memória que eu não queria apagar me voltava com força total e assim eu seguia, pedindo aos deuses que tivessem piedade de mim e me trouxessem Loki de volta.

Os anos foram passando e como o destino não me ajuda nenhum pouco perdi Eric, em uma de suas caçadas, que era seu esporte favorito ele sofreu um acidente e se foi. Agora eu estava sozinha com Percy. Ele agora era um menino de dez anos com seus cabelos negros revoltos e olhos verdes iguais ao do pai.

Ele sabia que Eric não era seu pai de verdade e vivia me perguntando quem era e eu fugia do assunto prometendo sempre que logo contaria. Então, no dia do seu aniversário ele me pediu de presente que eu o dissesse sobre seu pai.

Perseu era tão persuasivo e determinado a conquistar quanto Loki e finalmente eu criei coragem e lhe contei sobre seu pai e toda sua história, ele odiou o fato de ser meio gigante de gelo, mas se sentiu melhor quando soube que Loki era seu verdadeiro pai e que ele também era um gigante de gelo.

Ele quis ir a Asgard encontrar com o pai, mas eu tive que convencê-lo que Loki não estava lá, pelas minhas contas a essa altura ele deve estar preso em algum lugar dos nove reinos pagando por seus crimes, ou até mesmo no Hell. Em Enuton o tempo passava mais lentamente e em Asgard já deve ter acontecido a grande batalha incitada por Loki.

Perseu não queria me ouvir e a todo custo queria ver seu pai, então tive que lhe explicar de forma sutil que Loki não lembrava mais de nós porque suas memórias foram alteradas. Apesar de contar meus objetivos nobres ele me odiou, ficou com raiva de mim e disse que nunca me perdoaria por ter afastado o pai dele.

Meu coração se quebrou mais uma vez e toda a dor e lágrimas que vinha segurando desmoronou quando Percy me olhou com seus olhinhos de decepção. Eu precisava fazer alguma coisa para mudar isso.

POV Autora

Em algum lugar perdido nos nove reinos, abaixo de Yggdrasil Loki estava preso e penava sob várias acusações e crimes hediondos. Mas a sua maior culpa era a morte de Frigga que poderia ter evitado e ele mesmo havia causado a perda da única pessoa que o amou de verdade.

O deus tinha sonhos estranhos, uma jovem de cabelos negros e intensos olhos azuis o encarava triste em seus sonhos e aquele rosto lhe parecia muito familiar. Os sonhos se tornaram frequentes e era o alívio de Loki em meio a dor que ele sentia.

Thor apesar de suas tentativas falhas de recuperar o irmão o deixou a beira da morte quando ele invadiu Asgard para dar início ao Ragnarok. Odin estava morto agora pelo veneno de Jormungande Thor assumiu o reino dourado ao lado de Sif. Loki se odiava por tudo o que fez, por ter falhado todas as vezes em que tentou ser melhor.

Agora ele era só um deus perdido e amaldiçoado para todo o sempre, carregando em suas costas as mortes de Frigga, Odin e Heimdall que ele mesmo matou com suas mãos conquistando o ódio de toda Asgard assim.

Thor não queria lhe dar a pena de morte como toda a Asgard implorava, então o condenou a prisão eterna sob os pés de Yggdrasil, guardado severamente pelo monstro que lá habitava, sendo torturado todos os dias o dia todo e sendo curado a noite para que novamente no outro dia fosse machucado.

Ele já não amaldiçoava sua sorte, era um gigante de gelo que foi abandonado a própria sorte e achado por Odin para ser criado como uma mercadoria de troca entre Asgard e Jotunheim. Todas as noites Frigga o visitava e lhe dizia que não se culpasse tanto, ela ainda o amava apesar dele ter se transformado em um monstro.

Quando a via seu coração de gelo derretia e por alguns instantes Loki sabia o que era amor, não se casou, dedicou seus dias para conquistar Asgard e se tornar rei. Quando Laufey morreu por suas mãos ele tentou assumir o trono de Jotunheim, mas foi expulso de lá, humilhado e sem rumo decidiu se vingar de todos os que o pisaram e duvidaram de sua capacidade.

E assim deu início a batalha que levaria ao Ragnarok, juntou as maiores feras já existentes nos nove reinos, construiu armas para seu exército do mesmo material do Mjonir e marchou para Asgard, dizimando com quase todos e tudo ao seu redor.

A morte seria pouco para pagar seus crimes, então Thor que já não o considerava mais como irmão deu-lhe este destino, ser torturado todos os dias por uma criatura monstruosa até o fim dos tempos. Loki há tempos já havia desistido de seus planos, seu orgulho, sua arrogância, seu ódio se perdeu ao longo do tempo em que já estava ali.

Ele já não sentia nada além de dor e culpa, queria poder voltar no tempo e mudar tudo, ter deixado de lado seu ódio por ser adotado, a raiva que sentia de si mesmo por ser quem era. Ele desejou ter se apaixonado um dia, ter casado e construído uma família como Thor fazia agora com Sif.

Agora nada mais lhe restava se não a dor e o castigo, mais um dia amanhecia e toda sua agonia iria começar logo. Fechou os olhos e pela primeira vez em tantos anos desejou que o dia acabasse logo.

Em Enuton, Lis estava em seu jardim cercada por rosas azuis da meia noite, daquela que Loki lhe deu ela fez várias mudas e plantou um jardim inteiro delas. Percy lhe evitava de todas as maneiras e somente com Merina ele falava, o que entristecia cada vez mais a rainha solitária.

Merina se tornou o braço direito de Lis ao longo do tempo, ela sofreu muito quando Eric se foi, mas encontrou em Perseu um amor tão grande quanto e resolveu ficar em Enuton e ajudar a rainha a cuidar do pequeno.

Ela notou ao longe a rainha entristecida e foi falar com ela:

— Perseu é uma criança muito teimosa, mas ele tem um coração generoso, logo isso passa e ele vai falar com você Lis.

— Não sei Merina, ele me olhou tão decepcionado, tão triste... Eu não consigo lidar com isso. Ele é tudo o que eu tenho e que mais amo, se eu perdê-lo o que será de mim?

— Dê a ele o que ele quer então Lis, dê a si mesma o que você tanto quer.

— Eu não posso. Ele não se lembrará de mim e se lembrar é capaz de me matar pelo que eu fiz... A culpa que carrego é tão grande que não sei como não enlouqueci ainda.

— Pense bem Lis, há quanto tempo está sem vê-lo?

— Dez anos enutonianos, trinta anos asgardianos. É muito tempo.

— Procure por ele, você seguiu as ordens de sua mãe e tem governado Enuton como uma verdadeira guerreira, agora é hora de ser um pouquinho egoísta, não por você, mas por Percy. Pense nisso minha querida.

Merina se foi e deixou Lis com seus pensamentos e uma velha chama sendo acesa em seu peito era hora de consertar seu maior erro do passado, abrir mão de Loki foi a decisão mais estúpida que ela já tomou e agora ela precisava mudar isso.

Lis correu até sua biblioteca e chamou por sua mãe, agora elas sempre mantinham contato, não demorou para Maya aparecer para sua filha, ela já sabia do que se tratava.

— Oi mãe!

— Olá minha querida filha!

— Eu preciso te dizer uma coisa, vou partir em busca do Loki e trarei ele para cá, Percy não me perdoará enquanto não encontrar com o pai. Eu não estou pedindo sua permissão, eu irei de qualquer jeito.

Maya sabia que esse dia chegaria, sabia que Lis e Loki foram destinados a ficar juntos, mesmo que ela tentasse separá-los a todo custo. Mesmo com as memórias alteradas ele ainda via Lis em sonhos e ela sabia que o amor dele ainda estava lá, bastaria que ele a olhasse e todas as memórias retornariam. Ela disse:

— Eu sei Lis, sabia que esse dia chegaria e é a hora certa de vocês se reencontrarem. Mas já te aviso que não será nada fácil encontrar Loki e trazê-lo para cá. Você vai precisar de treino e magia fortalecida.

Lis sabia que não seria fácil, mas arriscaria a vida para salvar seu amado e trazê-lo para Enuton, ouviu atentamente os conselhos da mãe e depois de alguns dias de treino fez o feitiço de localização e seguiu seu rumo para Yggdrasil.

Deixou Percy com Merina e prometeu para o pequeno que só voltaria com Loki e que eles seriam uma família logo. O monstro que guardava a prisão de Loki era uma mistura enfeitiçada de Fenrir e de Jormungand, ele adormecia a noite e de dia atormentava Loki.

Quando Lis chegou ao local o sol já estava alto e os gritos de Loki rasgavam o silêncio do lugar sombrio, Lis tinha apenas sua espada e coragem para encarar o monstro. Ela adentrou a caverna que levava ao cárcere de Loki e os gritos só aumentava, ela não teve medo, depois poderia curá-lo e tudo ficaria bem.

Ela andou bastante até que chegou a um ponto que definiu como uma entrada, o lugar era horrível, o tipo de lugar que mandariam um criminoso hediondo e que merecesse a pior das torturas. Odiou Thor por ter dado esse destino a Loki, embora soubesse o que ele causou e as muitas coisas ruins ao longo dos anos.

Lis chegou sorrateiramente e viu algo que destroçou seu coração, o monstro brincava com Loki de todas as maneiras, jogando no chão, arranhando sua pele profundamente, era a diversão dele. O deus não reagia, só se deixava levar e às vezes quando a dor era tanta ele gritava.

A rainha de Enuton não pensou duas vezes e chamou a atenção do monstro, ele soltou um Loki desacordado e sangrando no chão e se voltou contra Lis. Ela sacou sua espada e lutou contra o monstro, ele era tão forte e ardiloso, tentou matá-la de todas as maneiras e machucou bastante Lis, mas ela não se deu por vencida. Lembrou de repente que ali era um lugar seco e quente, o monstro não tolerava água e embaixo de todas aquelas rochas havia muita água.

Lis sorriu vitoriosa e com apenas um gesto de mão trouxe a superfície água o suficiente para queimar e destruir o monstro que torturou Loki por anos. Esgotada fisicamente e ferida deixou-se cair no chão por alguns instantes antes de pegar Loki e levá-lo para longe dali.

POV Loki

Eu dormi demais ou estou sonhando ainda? Onde raios será que estou? Não sinto uma cama macia assim há tanto tempo, o que está acontecendo aqui? Meu corpo está intacto e sem nenhuma cicatriz, alguém usou feitiços de cura em mim e são muito poderosos.

Olho ao redor no quarto e não encontro ninguém, seja lá quem for que me salvou não queria estar na pele dele quando Thor descobrir que fui libertado. Ouço passos e a porta abre revelando uma mulher de cabelos negros e intensos olhos azuis.

Ela se aproxima timidamente e diz:

— Olá! Como se sente?

Aquele rosto não me era estranho, eu estava tentando arrancar da memória de onde eu lembrava dela, mas nada vinha em minha mente. Respondi sem emoção:

— Estou bem, mas você não deveria ter me tirado de lá. Eu sou um condenado e quando Thor souber ele virá atrás de você. Aliás, quem é você?

— Um obrigado já estava de bom tamanho, mas é claro que você nunca diria. Eu não tenho medo de Thor, se ele vier estarei pronta para lutar com ele. Eu o salvei não por mim, mas por um motivo maior.

— Quem é você? Que derrotou um monstro feito pra matar qualquer um que atravessar seu caminho e que não teme o deus do trovão?

Ela tocou minhas mãos e me encarou tão doce, ela era tão bonita:

— Eu sou sua esposa Loki. Eu sou a rainha de Enuton, sua Lis.

Lis, esse nome soou dentro de mim e ativou minhas memórias, elas começaram a surgir rapidamente, eu me lembrei dela, de como nos conhecemos, do nosso casamento, desse lugar, era Esperanto, nosso lugar. Então lembrei que ela tinha morrido e depois não me lembro de mais nada.

Ela me disse com lágrimas nos olhos:

— Eu posso explicar tudo, eu...

— O que aconteceu com nosso filho?

— É por ele que estou aqui.

Ele está vivo! Deuses! Eu tinha uma família! Mas o que aconteceu afinal? Então Lis me contou tudo, os motivos pelo qual fez suas escolhas e me deixou de lado. Ela mentiu para mim, me fez esquecer tudo, eu a odiava por ter me tirado tudo.

Eu me afastei e mal conseguia olhá-la nos olhos, a essa altura ela chorava sem parar, pedindo que a perdoasse que nosso filho precisava de mim. Ela terminou dizendo:

— Você não precisa me aceitar como sua esposa, mas eu preciso que você seja o pai de Perseu agora, ele deseja muito te conhecer.

— Eu perdi tudo o que tinha por sua culpa! Mas saber que tenho um filho me faz o deus mais feliz de todos os mundos! Onde ele está? Eu adoraria conhecê-lo.

— Está em Enuton com Merina, ela está cuidando dele enquanto estou fora. Eu confiaria minha vida a ela, não se preocupe, ela ama Percy como um filho.

— Entendo. Podemos ir? Eu quero muito conhecê-lo.

Notei que ela ficou desapontada com minha pressa em querer ir embora daquele lugar, nós dois sabíamos que aquele lugar estava cheio de memórias que hoje já não me fazem sorrir. Ela destruiu tudo. Olho para a mulher incrivelmente bela que Lis se tornou e digo:

— Não espere muito de mim, não sei se sou capaz de perdoar tamanho egoísmo seu. Mas eu posso prometer que serei o melhor pai para Perseu.

— Eu sei, eu mereço isso. Mas por Perseu, podemos fingir ao menos que você não me odeia?

— Eu não te odeio Lis! E jamais faria algo que magoasse meu filho. Como ele é?

— Idêntico a você, em tudo. Sua personalidade, seu gênio, sua origem de gigante de gelo... Tudo!

— Então ele nasceu como um gigante?

— Sim, mas ele aprendeu a amar a si mesmo. Ele tem orgulho de quem ele é porque é seu filho.

— Você contou a ele?

— Sim, contei sobre você há pouco tempo e expliquei a ele suas origens.

— Obrigado.

— De nada, vamos?

Então ela me levou até Enuton e foi me mostrando com orgulho seu reino, como tudo havia voltado a vida depois que retornaram. Ela me contou rapidamente sobre como foi a gravidez, sobre como Eric a ajudou muito e foi seu braço direito durante tanto tempo.

Com tristeza e algumas lágrimas ela me disse que agora ele estava morto, por um triste acidente, ela perguntou dos tios com quem não manteve mais contato, fiquei um pouco constrangido de responder por que a resposta admitiria meus erros, meus crimes. Deuses! Meu filho quando souber o que fiz vai me odiar.

Então Lis faz algo que me surpreende, ela segura minhas mãos e me olha tão docemente como se quisesse apagar toda a culpa que sinto, toda a dor que eu causei e me diz:

— Eu sei o que você fez, soube no momento que quis te procurar. Sei que foi movido pelo ódio, pela raiva de ser rejeitado por aquele que você chamava de pai e o enganou... Eu sei de tudo Loki! E ainda assim eu quero que seja o pai que Percy precisa, porque eu sei quem você é, sei dos seus piores defeitos e conheço a sua alma, sei que está arrependido e carrega tanta culpa quanto eu.

— Você sabe tudo mesmo?

— Sei, cada maldade, cada pessoa que você matou pelo poder, sei que matou pessoalmente Heimdall, sei que ordenou a morte de Odin e sei que se sente culpado pela morte de Frigga.

— Você viu tudo.

— Sim e sei que durante anos você se arrependeu do que fez, por isso eu confio em você para estar perto do meu filho que é tudo o que eu tenho. Sabendo de tudo isso, Loki, só me responde como estão meus tios?

— Antes que você pense qualquer coisa eu os avisei para voltar a Midgard ou para Enuton, antes do Ragnarok. Eu poupei a vida deles porque Rick era meu amigo. Então eles voltaram a Midgard eu acho.

— Por isso eu não conseguia achá-los em minhas tentativas de localização. Obrigada.

Eu apenas sorri sem graça, só então percebi o quão próximos estávamos e ela ainda segurava minha mão, confesso que o toque dela me acalmava de um jeito que eu não conseguia entender e quando aquele par de olhos azuis intensos olhava para mim eu me perdia em encanto.

Então quebrei o encanto quando percebi que já estávamos na porta de entrada do castelo. Ela me pediu que eu esperasse no salão enquanto ia buscar Perseu, queria fazer uma surpresa para ele. Ao longe a vi com Perseu e realmente ele era muito parecido comigo, me lembrava o meu eu criança.

Mas o sorriso dele era o mesmo de Lis, notei que ele não estava muito animado quando ela se aproximou, mas depois de algumas palavras dela o sorriso apareceu e ele a abraçou. Lis tinha lágrimas nos olhos e parecia feliz, depois eles se aproximaram devagar e percebi que os olhos de Perseu se alargavam a medida que ele chegava perto.

Lis nos apresentou e depois nos deixou a sós para nos entendermos, ele estava tímido então eu puxei assunto, sentando com ele perto da janela:

— Olá Perseu! Tudo bem?

— Oi. Você é mesmo o meu pai?

— Sim, sou eu mesmo.

— Mamãe me disse que o senhor é de Asgard, mas é assim como eu um gigante de gelo. Eu tinha medo de ser assim, mas mamãe me disse que eu sou perfeito e lindo, não um monstro. Quer ver minha forma de gigante?

— Sim, eu gostaria muito de ver.

Ele se transformou bem diante dos meus olhos, aquele menino pequeno e cheio de vida, era tão parecido comigo até na forma de gigante de gelo. Eu lhe mostrei a minha forma e ele sorriu, depois voltamos a nossa forma anterior e lhe perguntei:

— Você também tem magia?

— Sim, as mesmas da mamãe. Ela me ensinou como usar meus poderes, tia Merina também, eu estudo com ela. Vem, vamos conhecê-la. O senhor vai ficar com a gente não vai?

— Eu vim pra ficar Perseu.

Ele me abraçou tão forte como se tivesse medo que eu fosse embora novamente e depois disse:

— Você e a mamãe vão se casar? Ela é muito triste sabe? Acho que ela sente sua falta papai. O tio Eric a fazia rir, mas eu a vi chorando escondido muitas vezes.

— Perseu, meu filho, eu e sua mãe já somos casados. Não se preocupe mais com ela, estou aqui por vocês.

— Obrigado pai. Vamos?

— Vamos.

O pequeno segurou minha mão e me levou até a cozinha do castelo onde estava Merina e Lis cozinhando animadamente. Percy chegou por trás de Lis e a envolveu em um abraço apertado ela se virou e lhe puxou para o colo enchendo de beijos o pequeno.

Depois cumprimentei Merina e ela me pareceu feliz com minha presença, assim que Lis saiu e Perseu estava distraído com um pedaço de torta ela me puxou em um canto e disse:

— Loki eu sei que não tenho o direito de me intrometer na vida da Lis e muito menos na sua, mas eu amo Percy como se fosse meu filho e tudo o que eu mais quero é vê-lo feliz. Preciso que saiba de umas coisas que eu tenho certeza que Lis não te falou e nem vai falar.

Acenei para que ela continuasse:

— Lis teve uma gravidez dificílima, sentia muitas dores e teve vários sangramentos, os médicos diziam que ela deveria abortar se não poderia morrer no parto. Ela nunca cogitou essa possibilidade e sofreu até o último segundo. Eu mesma fiz o parto e senhor... O que essa menina sofreu por gerar um gigante de gelo você nem pode imaginar, mas ela suportou tudo por amor a esse pequeno que é uma parte sua também.

Olhei para Percy e vi o quanto eu precisava dele e o quanto eu deveria ser grato a Lis por não ter desistido dele, eu deveria perdoá-la, mas agora não consigo, preciso me concentrar em conhecer melhor meu filho e tentar recuperar o tempo perdido.

Os dias foram passando e minha apreensão por Thor aparecer a qualquer momento acabou depois de Lis me afirmar que Thor não viria atrás de mim, ele já tinha me perdoado e queria apenas que eu vivesse minha vida sem causar mal a mais ninguém. E além do mais, ninguém sabe onde fica Enuton, estávamos seguros e protegidos aqui.

Percy crescia intelectualmente e em magia rapidamente, ele era como a mãe nessa parte, aprendia muito rápido. Eu e Lis estamos em uma espécie de convivência amigável e a cada dia que passa sinto minha mágoa diminuindo e já consigo olhá-la sem ressentimentos. Afinal, ela me deu o tesouro mais precioso de todos os mundos, meu filho.

Cinco anos se passaram e chegamos a mais um aniversário de Perseu, ele não cansa de tentar me juntar a mãe dele, já não a odeio e às vezes é um tanto difícil me controlar diante da beleza estonteante de Lis. Ela promoveu um baile para comemorar os quinze anos do nosso príncipe.

Ele não para quieto um segundo e está ansioso para ver certa jovem que prometeu vir ao baile, Percy me lembra muito eu quando um menino, já não sou mais um jovem deus e ainda não recuperei meus poderes, talvez nunca os recupere.

Perseu me conta como conheceu a jovenzinha e parece muito apaixonado, seu primeiro amor é confessado somente a mim, pois ele teme o ciúme de sua mãe e não quer que ela saiba antes de pedir a moça em namoro.

Todos os convidados já chegaram e Percy está conversando animadamente com a moça em questão, mas Lis ainda não apareceu, somente Merina estava recepcionando os convidados. Perguntei de Lis e ela me disse que viu a rainha no seu jardim particular alguns minutos atrás.

Decidi ir até lá, era um jardim afastado, cheio de rosas azuis da meia noite, à noite com as luas de Enuton cheias as rosas ficavam extraordinárias e Lis era apaixonada por aquele jardim. Aproximei-me devagar e juro que perdi o ar por alguns instantes quando a vi em pé próxima as rosas.

Eu a chamei e ela me olhou sorrindo, criei coragem e falei:

— Oi. Você não apareceu e eu fiquei preocupado, Merina me disse que estava aqui.

— Olá. Eu sempre venho aqui quando estou preocupada ou precisando tomar uma decisão.

— E hoje? O que te traz aqui?

— Nenhuma nem outra coisa, apenas queria estar um pouco aqui, pensar na minha vida, imaginar como Sam e Jack estão com a pequena deles, como meus tios estão em Midgard. Como meu bebê está um rapaz agora e já até namora.

— Como você soube? Ele não queria te contar.

— Ele acha que pode esconder as coisas de mim, eu posso ler a mente dele, mas só o faço quando é preciso. Tenho que proteger meu pequeno.

— Entendo. E a minha mente? Você consegue ler?

— Jamais consegui. Não sei por quê.

— Eu nunca te bloqueei, sempre quis que lesse minha mente, queria que soubesse o quanto... Quer dizer, isso não faz sentido agora.

Lis sorriu e me pareceu um tanto tímida quando disse:

— Eu gostaria de ler sua mente, mas infelizmente ela está fechada para mim.

— Não porque eu quero.

Rimos daquele impasse, parecia brincadeira do destino ou algo assim, de repente me dei conta que nunca deixei de amá-la, ela errou em suas escolhas, mas eu também errei e muito mais do que ela, fui cruel, assassino, egoísta, invejoso e ainda assim ela me perdoou e me deu a chance de conviver com meu filho.

Percebi então o quanto estava sendo injusto com Lis, depois de tanto tempo ela ainda estava ali por mim, disposta a me salvar da minha escuridão, me amando incondicionalmente sem pedir nada em troca, sofrendo em silêncio com a minha rejeição. Mais uma vez estou sendo um idiota, um tremendo babaca por desperdiçar tanto tempo longe dela, do meu único amor, da mulher que escolhi para ser minha eternamente.

Percebi que ela parou de sorrir e ficou me encarando, aqueles olhos intensos e mágicos eram o meu oceano de perdição e eu não queria perder mais um minuto sem poder tocá-la, me ajoelhei em sua frente e disse:

— Lis, eu sou um idiota mesmo! Me perdoa? Por favor, diz que me perdoa?

— Loki... Eu...

— Eu te amo Lis Maya Smith, seja minha novamente! Volta pra mim?

— Não tem o que perdoar Loki, eu mereci seu desprezo, eu deveria ter sido mais corajosa e ter enfrentado as decisões do fantasma da minha mãe...

— Não há mulher mais corajosa nesses mundos do que você Lis! Você foi e é uma verdadeira guerreira por tudo o que passou sozinha e eu deveria ter compreendido, eu devia ter...

— Não Loki, não fala nada. Eu te amo tanto!

Não precisávamos mais de palavras, tudo já havia sido dito entre nós, beijei-a como se fosse a primeira vez e todas as nossas lembranças invadiam minha mente me lembrando de todos os porquês de amar tanto essa mulher incrível e linda.

Perdi a noção de quanto tempo ficamos ali, nos beijando, nos tocando como se estivéssemos nos reconhecendo, fazia tanto tempo desde a última vez... Ela ainda era tão minha e eu quase a perdi várias vezes.

Voltamos para o baile e não demorou muito para Percy perceber que estávamos juntos outra vez, ele não conseguiu esconder o sorriso quando eu disse a ele surpreendendo Lis que iríamos renovar nossos votos, um novo tempo estava vindo, nós merecíamos ser feliz agora.

Lis me dava a paz que eu precisava, seus carinhos e seu toque me acalmava e me curava de todas as coisas ruins que eu tinha dentro de mim, ela era a minha luz, minha estrela, minha salvação, queria amá-la por todo o sempre que vivêssemos e assim eu faria.

No dia em que renovamos nossos votos todos estavam felizes por finalmente a rainha solitária ter encontrado a felicidade e nosso filho estava muito feliz por nós, finalmente eu encontrei o que mais queria, uma família, amor e paz.

Ao lado daqueles que me amavam de verdade e que eu amava mais que tudo construiria uma nova história, aceitando quem eu sou e me perdoando por quem eu fui. Depois do nosso juramento, eu a beijei e depois posso jurar que vi Frigga, Maya e Mefin nos observando ao longe, felizes por finalmente estarmos bem e juntos, construindo nosso futuro.

Notas finais
É isso! Aguardo comentários!!! bjos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!