A princesa perdida e um deus zangado

20 Conhecendo o passado e um sacrifício no final.


Notas iniciais
Hello, estou postando depois de séculos... Bom ando mesmo sem tempo, mas a história tá acabando e acho que vou quebrar uns corações por aqui, não me odeiem, please... Já adianto que daqui pra frente vai ser pesado, segurem as lágrimas... Amo vcs!!!

POV Lis

— Vovô?

— Olá Lis!

Ele me sorri tão genuinamente e me estende a mão, estou tão hipnotizada quanto curiosa para conhecê-lo que não hesito em estender-lhe a mão. Mas a pergunta que não quer calar sai:

— Estou sonhando?

— Não, eu a trouxe aqui. Não se preocupe, é um lugar seguro, quero lhe mostrar sua verdadeira origem, sua história Lis. Aquela que nem mesmo Loki conhece.

— Por que apareceu somente agora? Por que não pode vir a Asgard? Por que todos dizem que o senhor está desaparecido há séculos?

— Tantas perguntas... Igual a sua mãe, ela era bastante curiosa também. Você terá suas respostas logo, eu prometo.

Ele me levou até uma sala, uma espécie de biblioteca e notei vários livros, mapas, quadros de pessoas e lugares, mas uma foto em questão me chamou a atenção. Era a mesma foto que eu tinha na cabeceira da minha cama, minha mãe sorrindo embaixo de uma árvore toda florida.

— Essa foto é minha. Onde conseguiu?

— É a minha preferida dela também, quem você acha que tirou? Foi pouco antes de ela conhecer seu pai e eles se casarem. A sua é uma cópia.

— Você deve odiar meu pai.

—Pelo contrário, me orgulho de minha filha ter escolhido seu pai. Ele era um guerreiro bravo e honrado e Maya se apaixonou por ele no momento que o viu, mesmo sabendo de seu futuro ela o quis mesmo assim. Eu só pude aceitar nunca intervi na vida de minhas filhas.

— Ela podia prever o futuro?

— Sim, e ela previu o seu. Apenas Mefin sabia. Minha maior dor Lis foi que minha espada matou minha filha, eu me mantive afastado depois que ela se casou com Mefin porque sua avó, que era mortal estava doente e morreu, meu luto demorou muito para acabar...

— Por que não tornou ela imortal?

— Eu tentei muitas vezes, mas ela não quis. Ela me deu as pérolas mais lindas do universo, Mya e Maya. Não pense que eu as abandonei de fato, sempre nos víamos assim, como eu estou a vendo agora.

— Então o senhor ainda visita a tia Mya?

— Sempre, ela sempre foi a mais frágil e delicada, tomou para si uma grande responsabilidade e a fez com grandeza, ela te ama como uma mãe, o que ela não te disse é que não pode ter filhos, por isso Maya confiou sua vida a ela, como um presente.

— Por que ela nunca me disse? Tantos segredos vovô...

— Nossa família é assim mesmo Lis, mas não se martirize agora você é a filha dela e ninguém pode tirar isso, agora vamos ao que interessa, o motivo pelo qual vim até aqui.

Ele me leva até um mapa que me é muito conhecido, o mapa dos nove reinos, ele me aponta Asgard, Midgard, os outros reinos menores e Jotunheim, o lar dos malditos gigantes de gelo que mataram meus pais.

— Isso é o que eu quero de você Lis, esse brilho no olhar, essa ira, isso é o que você precisa para acabar com Laufey e vingar seus pais e seu povo. Acredite em mim, ele está a sua procura e não somente ele. Magnus, um antigo rival também, ele era apaixonado por Maya e quando ela o rejeitou ele não sossegou enquanto não destruiu a vida dela.

— Como assim vovô?

— Ele é um deus como eu, disfarçado de mago comum se aliou a Laufey e se aproveitou de uma fase em que eu não era uma pessoa da qual me orgulhava e roubou minha espada, a única arma que pode matar um deus. Essa que está em minhas mãos.

— Você a recuperou?

— Sua mãe me enviou antes de morrer.

— Como minha mãe morreu?

— Você sabe como a alma de um deus morre Lis?

— Não, sou meio nova nisso.

— Sua mãe previu tudo o que ia acontecer e então com tempo planejou tudo com seu pai, armou uma rota de fuga para os civis até a terra dos elfos brancos e pediu segredo a eles sobre Enuton, prometendo que em breve a nova rainha voltaria e os levaria de volta. No dia da invasão foram pegos de surpresa então houve muitas mortes e ela não conseguiu salvar muitos civis e o portal teve que ser fechado, rapidamente sua mãe invocou um feitiço de lacre e enviou você e Mya a Terra.

Quando a batalha estava chegando ao fim Laufey estava quase perdendo atacou seu pai pelas costas e o matou sem chance de defesa e Maya viu tudo, conjurou seu cetro e o acertou em cheio, mas ele não morre tão fácil e se desvencilhou. Ela já estava fraca por usar muita magia então para ele foi fácil, com um só golpe a atingiu e a deixou sangrando sabendo que iria morrer e fugiu antes que Enuton fosse lacrada para sempre.

Num último esforço sua mãe retirou a espada e conjurou um pote de memórias e colocou tudo dentro, e os enviou para mim, depois deu seu último suspiro.

— Ela enviou suas memórias para o Senhor?

— Não para mim, para você. Ela sabia que iria precisar. Eu nunca abri, eu guardei para este momento, Lis quando um deus morre seu corpo não se deteriora como dos mortais, ele se desfaz em pequenas partículas, que vão direto para o descanso acima de todos os mundos, para os Aesir é o Hellheim ou Valhala, para nós é apenas descanso entre as estrelas. Nos tornamos partículas do universo.

— Do pó viemos, ao pó voltaremos. É, gostei, faz sentido. Até consegui rir da ironia que a frase tinha, se eu morresse iria virar pó de estrela.

Então meu avô, de quem eu já gostava muito, me presenteou com o cetro magnífico de minha mãe e um potinho pequeno com uma névoa azul dentro. Achei que seria maior então perguntei:

— Como vou usar?

— Você vai precisar de água.

— Isso não será problema.

Rimos e ele me disse:

— Tenho tanto orgulho de quem você se tornou, será uma rainha magnífica minha neta, gostaria de poder agradecer aos Aesir e Loki o que fizeram por você, mas não posso, temos um acordo de limites de espaço e outras bobagens, mas diga a Odin o quanto lhe sou grato.

— Eu direi. Queria que pudesse entrar comigo em meu casamento.

— Eu também querida, mas acordos são acordos. E eu mantenho minha palavra, você sabe disso, está no nosso sangue manter acordos.

Ele me dá uma piscadinha e eu balanço a cabeça afirmando, nos abraçamos como que nos despedindo, mas sinto que não será de fato uma despedida.

— Logo vai amanhecer, você tem que voltar, eu voltarei em breve. Foi muito te bom te conhecer minha neta.

— Também, vovô. Adorei te conhecer. Espero que logo possamos nos ver no mundo real.

Então aos poucos a imagem vai se desfazendo e sinto as lágrimas que tanto segurei descendo, o que mais eu iria descobrir? Quando abro os olhos molhados de lágrimas vejo um Loki sentado a minha frente pálido e com olheiras enormes, sento na cama enxugando as lágrimas e ele me olha curioso e preocupado:

— O que houve Lis? Eu acordei com você se debatendo e chorando, tentei te acordar, te acalmar, mas nada resolvia, já estava quase te levando na enfermaria.

— Eu conheci meu avô Mythus.

— O que?

— Isso mesmo, ele veio me visitar e me contar algumas coisas e pelo visto não foi apenas um sonho.

Digo isto e aponto para o criado mudo onde vejo um colar com uma linda chave dourada e um pote pequeno, a chave é o cetro de minha mãe em sua forma disfarçada.

— O que é aquilo Lis Maya Smith?

— O colar com a chave é o cetro de minha mãe e o potinho são suas lembranças que ela me deixou antes de morrer. Meu avô me entregou hoje.

— Precisamos conversar com Odin, mas antes me conte tudo o que Mythus te disse.

A conversa com Odin teria que esperar até o fim do dia, pois ele estava em uma caminhada pela cidade para conferir algumas coisas, eu, Loki, Frigga e o casal Sol e Lua (que estavam um mel só) estávamos tomando o café da manhã quando Thor me dirigiu a palavra:

— Lis, você lembra-se do nosso desafio?

— Como vou esquecer? O deus do trovão quer medir sua força comigo.

— Que tal hoje? Amanhã eu, Loki e o pai de todos partiremos em uma missão para Alfheim e só voltaremos véspera do casamento.

— Missão? Loki, você não me disse nada...

— Desculpe Lis, eu não queria preocupá-la antes do tempo, ontem Odin nos chamou e parece que alguns gigantes de gelo andaram dando trabalho em Alfheim e nós iremos verificar. Não se preocupe, será rápido.

— Ok. Tudo bem Thor, que tal irmos agora?

Frigga já estava a par disse que iria aguardar no castelo o resultado do desafio, que ela se adiantou dizendo ser uma bobagem. Fomos até a floresta e realmente Thor tinha razão, os pequenos elfos que viviam por lá eram meus fãs e me mostraram a verdadeira localização da pedra.

Sif e Loki estavam sentados próximos a nós e apenas riam distraídos do nosso bobo desafio, Thor foi primeiro e por mais que movesse lentamente a pedra não saía do lugar, ficou tentando por longos minutos até que desistiu, não podíamos usar magia. Então na minha vez achando que iria perder de feio qual foi minha surpresa quando empurrei a pedra ela me pareceu tão leve quanto uma pluma e logo ela estava em seu devido lugar.

Thor me olhava boquiaberto e sem acreditar, Sif e Loki se entreolhavam curiosos, mas rindo da incredulidade de Thor ao perder de mim. Olhei para o loiro pensativo e cabisbaixo e disse:

— É apenas uma pedra ok? Uma bobagem, não sou mais forte que você, você me ensinou tantas coisas Thor e eu sou tão grata por isso! Vamos esquecer isso e seguir em frente? Em uma queda de braço você ganharia fácil de mim...

— Obrigado princesa! Meu irmão realmente é um homem de sorte em tê-la como esposa.

— Vamos embora? Tenho algo importante para fazer.

Todos seguiram para o palácio, Odin já havia retornado e pela cara as coisas não estavam muito boa para nós, ele chamou Loki e Thor para uma conversa reservada deixando eu e Sif com Frigga, apreensivas.

Após algumas horas já havíamos jantado e a reunião deles ainda continuava, não esperei mais fui para o meu quarto, tomei meu banho e fiquei deitada esperando Loki vir me desejar boa noite. Queria iniciar a sessão das memórias de minha mãe com ele, mas estava demorando muito, já estava quase cochilando quando Loki entrou e me despertou com um leve beijo:

— Olá, princesa adormecida! Acorde!

Levantei meio sonolenta ainda e notei que ele estava vestindo sua armadura de combate, alguma coisa estava acontecendo:

— Por que está usando armadura?

— Odin achou melhor irmos agora à noite, ainda mais depois do que eu contei a ele. Mas voltarei em breve, eu juro.

Não queria que ele fosse não queria que ele estivesse longe de mim, ainda mais tão próximo do nosso casamento, mas só a ideia do perigo rondando me deixava arrepiada. Beijamos-nos demoradamente e depois de um longo abraço e um olhar terno e infinito ele se foi, naquela noite meu coração perdeu uma batida, um pressentimento ruim estava pairando sobre minha cabeça.

Não iria conseguir dormir mesmo então decidi começar a ver as memórias de minha mãe e os mistérios que ela reservava para mim. Conjurei um cálice de água e despejei a névoa azul nele então disse alguns feitiços de revelação e logo obtive minhas primeiras imagens e o que eu vi não foi exatamente uma memória.

Minha mãe saltou a olhos vistos do cálice e me sorriu abertamente, fiquei sem reação, sabia que não era ela, mas só de vê-la fiquei sem ar. Foi aí que ela falou:

— Olá Lis! Se você está vendo essa mensagem é porque eu e seu pai estamos mortos e Enuton está lacrada até o seu retorno.

Ela era tão bonita, realmente éramos tão parecidas, exceto pela cor dos olhos agora, entendo que não é minha mãe que está a minha frente, mas sim um holograma, o que não diminui minha vontade de abraçá-la, seguro as lágrimas que insistem em querer vir, me atento ao que ela diz:

— Primeira coisa que você tem que saber, você não é a única herdeira do trono de Enuton, é a primeira na linha de sucessão, seu pai teve um irmão, Benjamin, que morreu na guerra. Eric foi o único sobrevivente da família e vive com os refugiados, quando retornares a Enuton procure Eric e o recompense pela vida sofrida a qual ele foi injustamente condenado.

Segunda coisa, a saber, só você Lis poderá quebrar o feitiço de Enuton, quando chegar à entrada haverá um feitiço de proteção que só reconhecerá o seu sangue, coloque algumas gotas no cálice que está na porta e recite os encantamentos certos (Loki conhece bem eles, ele será de grande ajuda) e tudo será restaurado como estava antes do ataque.

E por último e mais importante, há um segredo sobre o passado de Loki que você precisa saber, Loki é adotado, foi encontrado no campo de batalha enquanto ainda era um bebê. Veja bem Lis, ele não sabe de sua origem e muito menos tem culpa de ser quem é. Ele é filho de Laufey e Farbauty, os gigantes de gelo, reis de Jotunheim.

Mal conseguia respirar, tanta informação junto e essa agora... Não pode ser, não podemos ficar juntos...

— Lis, escute-me, quando seu pai e Odin selaram o acordo de noivado eu já sabia quem Loki era e eu sei o papel que ele vai desempenhar no seu futuro, por isso aceitei, confie em mim, confie nele, confie em nós, seja forte, seja corajosa, aceite seu destino sem medo. Loki é sua alma gêmea, vocês nasceram um para o outro Lis.

Eu não queria ouvir mais nada, Odin e Frigga sabiam o tempo todo, meus pais sabiam, como? Por quê? Estou tão confusa que quebro o feitiço e a imagem de minha mãe desaparece por completo. Vou para o quarto de Loki e lá me deito em sua cama chorando sem parar, com medo do futuro, sem poder renegá-lo. Primeiro porque o amo e segundo porque temos que cumprir um acordo...

Filho de Laufey, o mesmo que matou cruelmente meus pais, o mesmo que tentou usurpar Enuton, que matou várias pessoas, filho de Laufey, um gigante de gelo... Como ele não sabia ainda? Frigga deveria ser a causa disso. Adormeço soluçando agarrada ao travesseiro do meu noivo, com seu cheiro tão fresco em meus sentidos que nem noto o sono pesado que me domina.

POV Loki

Há dias que já andávamos e nada de aparecer nenhum gigante de gelo, a informação parecia falsa, Odin resolveu que voltaríamos naquela mesma noite, meu casamento era em três dias e no dia seguinte Thor buscaria (a contragosto de meu pai) os amigos de Lis em Midgard. Logo estaria em casa, com minha amada princesa. Estamos terminando o jantar e me sento ao lado de um Thor ranzinza e bufante, pergunto a ele:

— Você está azedo há dias! Ninguém suporta ficar ao seu lado, o que você tem?

— Preciso de minha bela noiva Sif.

— Ah entendi. Sente falta dela. Sei.

— Sem joguinhos de duplo sentido Loki, realmente sinto falta dela, eu a amo de verdade.

— Eu sei. Também sinto falta da minha princesa. Logo estaremos em casa.

Desmontamos acampamento e seguimos até o ponto de encontro onde Heimdall nos levará de volta, porém noto que meu cetro não está comigo, digo a Thor para continuarem que depois os alcanço e retorno ao acampamento.

Dou uma olhada rápida e lá está ele próximo a uma pedra, pego-o de volta e uma sombra me chama a atenção:

— Distraído príncipe Loki de Asgard?

— Quem está aí?

A sombra caminha lentamente até mim e todo o caminho vai congelando e perdendo a vida, um gigante de gelo, mas quem?

— Eu sou Laufey, rei de Jotunheim e não vim para batalhar. Vim para negociarmos algo que temos em comum.

— Não temos nada em comum gigante de gelo. O que quer afinal?

— Você desdenha de minha raça, despreza-me afinal... Seria uma pena se você soubesse que... Não... Deixa para outra hora. O que eu quero é bem simples, eu quero a princesa Lis.

— O que diz? Está fora de si criatura? Nunca negociarei minha noiva com você monstro!

— Quer lutar comigo Loki? Quer mesmo lutar comigo?

— Prefiro morrer lutando do que entregá-la para um maldito monstro como você.

— Ela será minha mais cedo do que pensa. Tanto poder que ela carrega não te enfeitiça? E ser rainha de um reino majestosamente poderoso também não?

— Eu a amo.

— Claro, e eu quero o poder dela e Enuton também.

— Nunca terá, passará por mim antes.

— Não será um problema.

Começamos uma luta sem trégua, cada golpe desferido feria gravemente, mas ele era um gigante com mais força que eu e apesar de tentar usar minha magia eu só conseguia pensar em minha princesa correndo perigo. Então quase rendido e bastante machucado falei:

— O que quer em troca dela? Eu darei tudo o que sei, mas deixe-a viver. Eu sei tudo sobre Enuton, posso te dizer tudo o que sei, mas deixe-a em paz.

— Agora estamos nos entendendo, a primeira coisa que fará é quebrar o coração dela, durma com ela ainda hoje e pela manhã termine o noivado, sacrifício e morte são as únicas coisas que podem quebrar os acordos de Odin, depois ajude a retornar a Enuton e quando ela for a rainha roube o cetro de Maya e traga-o para mim e nosso acordo estará encerrado. Tem minha palavra que eu a deixarei em paz.

— Monstro imundo. O que fará com o cetro da mãe de Lis?

— Tem muito poder ali, poderei reconstruir Jotunheim e tentar dar vida ao meu povo gelado.

— Que nobre! Se não fosse tão sujo...

— Cala a boca deus fraco! Faça como disse e terá minha palavra que Lis viverá.

Ao dizer isso ele me soltou violentamente no chão e sumiu, eu estava bem machucado, mas em alguns minutos já estaria curado, minha magia de cura estava forte por causa dela. Era nela que eu pensava quando avisto Thor correndo em minha direção todo preocupado, o que farei?

Notas finais
Gostaram, odiaram? Comentem!!! Obrigada!!! bjsss