A princesa perdida e um deus zangado
4 Capítulo 3 - Verdades que se autorevelam e um beijo no final
Notas iniciais
POV Lis
Já era fim de tarde quando cheguei em meu apartamento e ele estava na porta conversando com a dona Margot, a síndica do prédio. Cumprimentamos-nos e após uma rápida conversa eu me despeço, mas ele “meio que se convida” para ir a meu cafofo. Como dizer não? Hesito por uns cinco segundos e depois tentando me lembrar dos ensinamentos de meus tios sobre educação e gentileza, sorrio sem graça e digo:
– Sim, Claro! Que falta de educação a minha!
Ele sorriu meio que presunçoso de canto e olhando em meus olhos disse:
– De forma alguma! Você tem sido gentil comigo, um completo estranho, vou entender se não quiser...
E de novo aquela cara de cachorro abandonado, como quando nos conhecemos na cafeteria, porém eram os olhos intensamente verdes sobre mim que causava um efeito estranho. Deixavam-me perdida, meio que sem saber o que fazer. Ignoro mais uma vez meus instintos que me alertam sobre Luke.
Quando entramos em casa ele viu minha “bagunça arrumada” e meu lindo gato preto esparramado no sofá. Meu apê era pequeno, sala, cozinha e um quarto suíte, a única coisa boa mesmo dele era a sacada, que tinha uma vista panorâmica do céu de Atlanta. Era meio assustador ter um homem desconhecido dentro de casa, alguém que conheço há apenas um dia, contudo ele me parece que não nota meu medo.
Luke observa cada centímetro de casa, mas seu rosto não demonstra nenhuma expressão, nenhum comentário é feito, indico o sofá para ele se sentar e logo me arrependo quando vejo o sutiã rosa de algodão que joguei hoje pela manhã. Mais que vermelha e sem graça pego a peça e o escondo atrás das costas, ele apenas sorri de canto.
Como uma rápida desculpa para sair dali digo que vou ao meu quarto e logo volto para preparar um café para nós, Luke assente e eu corro até o quarto, jogo a peça em qualquer lugar e volto direto para a cozinha. Muito tensa e precisando relaxar ligo minha playlist de fim de dia, que vai de Adele a Within Temptations, passando por Maroon 5 e Evanescence.
O jovem parece não se incomodar muito com a música, seus olhos estão voltados exclusivamente para meus porta-retratos, com mais curiosidade para o dos meus pais, quando My Immortal do Evanescence toca melodicamente no som vejo uma pequena mudança no inquebrável verde de seu olhar. Sento do lado oposto no sofá e nos sirvo com café e muffins de chocolate (meu preferido) e ele aceita de bom grado.
Como está tão quieto tento quebrar o gelo:
– Gosta dela?
– De quem?
Parece genuinamente surpreso.
– Da música, é Evanescence, como não amar?
– Sim, até que é agradável.
Ele é mesmo inacreditável, demonstra com seu jeito distante que parece odiar cada coisinha da Terra, mas ao mesmo tempo ele tem aquele sorriso no canto dos lábios, presunçoso, esperto e muito misterioso. De repente quero saber mais sobre ele, termino meu café e pergunto quase me matando por ser tão curiosa (maldita ciência!):
– Me fala um pouco de você, já que vamos ser vizinhos.
– Não há muito que falar de mim. À propósito, essa comida e bebida estavam deliciosas.
Uau! Um elogio! Ele não é tão frio assim.
– Obrigada Luke. Fala de onde veio ou de sua família.
– Certo, eu falo. Mas só se você falar da sua também.
– Ok, ok. Você venceu.
Ao contar sua história percebi o quanto ele foi cuidadoso com o que disse, sucinto em suas resistentes palavras. Resumo de ópera: lugar bonito e distante, pai, mãe e irmão, família complicada. Poucos detalhes, mas ele me pareceu honesto.
Quando terminou de falar apenas ficou me olhando, esperando que eu falasse também, então respirei fundo e comecei:
“Sou filha única, meus pais Maya e Marcus, morreram em um acidente na Islândia, eu tinha dois meses de vida quando eu e minha tia embarcamos para Stormville. Chegando lá, ela conheceu Rick que nos abrigou e logo em seguida casaram-se. Quando entrei para a faculdade vim morar sozinha, apesar de que Atlanta é perto de casa, eu preferi vir morar sozinha.”
Eu deveria estar louca, muito louca para me abrir com um cara que mal conhecia, mas tudo o que ele me inspirava, era estranhamente confiança. Contei-lhe mais alguns pormenores até que Amon subiu em meu colo exigindo atenção, então o aconcheguei em meus braços com muito cafuné dizendo:
– Oi meu amor! Eu sei que você tá com saudade da mamãe, eu fico tanto tempo fora...
Luke me olhava perplexo com as sobrancelhas erguidas, mas não diz nada também, olhei de volta para ele:
– Que foi? Você não tem ou nunca teve um animal de estimação?
– Não. De onde eu venho não temos esses costumes.
– De onde você vem, afinal?
Ele novamente escorrega da pergunta, levanta-se e diz educadamente:
– É muito longe, nem aparece no mapa! Lis, eu preciso ir! Obrigada pela comida, estava deliciosa.
– De nada. Tudo bem, eu também preciso ir dormir.
Levei-o até a porta e mais uma vez ele pegou minha mão e a beijou docemente sem tirar seu olhar de mim, isso foi constrangedor, mas quente também.
Fui tomar um longo banho ao som do finalzinho da minha longa playlist estava ouvindo “Dust in the Wind” do Kansas e me afogando em minha solidão novamente. Tentei dormir um pouco com Amon bem ao meu lado, rezando para sonhar com meu paraíso dourado e principalmente meu príncipe.
Mas ele não veio, nem qualquer sonho bom, apenas os já conhecidos pesadelos, medo, gritos e o suor frio. Acordei no meio da madrugada com medo e queria muito falar com alguém, mas não podia ligar, não queria incomodar ninguém.
Então levantei, lavei meu rosto, deitei novamente e com todas as forças tentei dormir e novamente foi em vão. De repente me veio a mente uma antiga canção de ninar que tia Mya cantava para mim em noites de pesadelos. Ainda consigo imaginar sua doce voz...
“Feche os olhos querida
O mundo está perdido
E para sempre seremos
Eu e você.
Durma agora meu anjo
Que a noite é longa
E a vida muito breve
Deixe vir os sonhos
Eles serão doces, eu juro.”
Meus pesadelos eram a coisa mais sem sentido que alguém poderia ter, mas por alguma razão me causavam medo, em um mundo destruído eu tentava em vão fugir de criaturas gigantescas e azuis, elas matavam meus pais e depois vinham até mim. Depois eu caía em um buraco sem fim, e aí termina o sonho.
É assim desde que me entendo por gente, já fiz terapia, mas nunca deu resultado, então parei. O que me acalmou mais foi a agitação do dia a dia, trabalho e faculdade, mas agora eu não entendo porque eles estão voltando. Tento esquecer tudo, das coisas ruins e cogito até visitar tia Mya (mas a ideia morre assim que surge, ainda estou magoada), porém o que eu mais quero é pensar no meu príncipe de olhos misteriosos, só que não é ele que eu vejo quando finalmente consigo relaxar e dormir.
POV Loki
É torturante viver em Midgard, mas tudo por uma boa causa! Tenho vivido como um midgardiano para tentar ganhar a confiança da princesa Lis, mas ela é inacessível, parece que algo a prende e ela não me deixa entrar em sua vida. Não a encontrei nos outros dois dias que se seguiram, mas pude ouvir seus gritos a noite.
O que eles chamam de pesadelo, nós chamamos de memória perdida, é como se Lis estivesse sendo despertada aos poucos de dentro para fora. Indo contra a vontade daqueles que querem esconder sua verdadeira origem.
Mas por que esconderiam Lis? Por que o rei e a rainha queriam tanto escondê-la? Preciso de respostas, mas antes tenho que observá-la de mais perto, para isso uma ideia maluca e ousada me parece a melhor opção. Vou raptar o gato dela e tomar sua forma, ela nem vai perceber, só por um tempo.
Pego o gato caçando pelo nosso corredor e o jogo em meu apartamento com tudo o que ele tem direito, depois sigo para o apartamento de Lis. É fácil entrar no apartamento, a noite está alta então imagino que ela já está dormindo.
Vou até a sua cama, mas ela não está lá, ouço pequenos soluços vindos do banheiro e sei que são dela. Por Odin! Isso será mais difícil do que eu imaginava, não posso ser indiferente à beleza da princesa e sua doçura me faz ter pensamentos impróprios e vê-la de costas sentada na banheira me deixa em choque e ao mesmo tempo excitado.
Tento me lembrar de que sou apenas um gato e que se me “animar” demais perderei minha concentração e me transformarei na frente dela, mas algo diferente além das curvas de Lis é que chama minha atenção, sua pele branca como mármore brilha sob a água e posso sentir o peso de suas lágrimas.
Quero confortá-la, mas não posso... Subo pela pia e me encosto-me à mesinha de frente a banheira, mas como sou um cavalheiro estou de costas para ela. Lis se assusta, mas logo se acalma e olhando de soslaio agradeço pela imensa cobertura de espuma.
Para minha grata surpresa ela começa a falar:
– Amon, você nunca entra aqui! Seu gato esquisito, o que está aprontando? Ah meu gatinho... Por que não o vejo mais? Tenho tentado encontrá-lo em meus sonhos, mas meu reino dourado está cada vez mais longe...
De quem ela estava falando? Era de Asgard que ela falava? Antes que eu pudesse pensar em alguma coisa ela levanta e fica se olhando no espelho. Fecho imediatamente meus olhos, porque seu reflexo bate em frente a meu rosto, faço um esforço imensurável de não abrir os olhos e vê-la, não é certo, não devo fazer, mas é o que eu quero então meu dilema é quebrado por seu resmungo choroso:
– O que está acontecendo comigo? Desde aquela maldita noite as coisas estranhas estão mais fortes e agora isso? Será que ele me acharia estranha? Me rejeitaria?
Tento me concentrar em sua voz, mas a curiosidade é muito maior, tento focar em seu rosto, Lis está conjurando uma luz brilhante nas mãos e seus olhos vermelhos me quebram inteiro, por que ela desperta em mim esse desejo urgente de protegê-la? Talvez seja por sua fraqueza humana ou seu corpo aparentemente frágil...
Mas minha cabeça doía só de tentar saber em quem ela estava pensando. Se ela soubesse o quanto estava linda... Então percebi que ela estava triste e não precisava olhar para saber, queria poder consolá-la e dizer-lhe que estava linda e que seus poderes eram um dom único. Mas eu não podia, não ainda.
Seu corpo de deusa estava se revelando muito rápido, só fazia alguns dias desde que nos conhecemos, alguns dos poderes já estavam despertados, poucos faltavam e eu precisava ser rápido se não minha magia não seria o suficiente para esconder-me dela.
Lis está deitada, mas não consegue dormir vira de um lado para o outro como se estivesse com medo de fechar os olhos, sinto algo estranho dentro de mim... Algo maior que eu não conheço, maior que a própria magia.
Quero confortá-la, mas nesse momento sou apenas um gato e não posso fazer muito, nesse instante em que estou pensando em algo para fazê-la dormir, ela boceja e me aconchega em seus braços tão quentes... Seu corpo voltou à forma humana e antes de me distrair com seu corpo colado em mim lembro-me de um antigo feitiço de Frigga, que ela usava para me fazer dormir em noites mais agitadas.
Sussurro discretamente em seu ouvido as palavras do feitiço e logo ela adormece, saio de fininho de seu lado (muito a contra gosto) e volto para meu apartamento, já em minha forma liberto o gato de Lis e ele sai correndo para a dona. Minha mente está mais agitada do que nunca, uma boa parte por causa de Lis e toda sua beleza real e outra porque preciso contar logo para ela sua origem.
Os dias passam e tento conviver amistosamente em Midgard vou a faculdade e tento esconder meu tédio em relação a tudo aqui, algumas garotas tentam me assediar mas eu as repudio com total desprezo. Meu foco é somente Lis, mas eu não consigo me aproximar dela, o tal amigo dela, Theo sempre está com ela ou ela sempre chega tarde em casa.
À noite eu escuto seus gritos e minha vontade é correr até lá e acalmá-la, mas tudo o que faço é torcer para que ela durma em paz. Nem por um minuto irei espioná-la de novo! Aquele dia já foi o suficiente, mantive meus olhos longe de suas curvas desnudas, mas o pequeno vislumbre de sua pele branca me dá “calores” estranhos só de lembrar.
Minha mente nublada por pensamentos que me distraem não me deixam pensar e me incomoda bastante, decido ir ao terraço arejar minha cabeça e com os pequenos enxergues do corpo mais que perfeito de Lis eu me sento no pequeno jardim que tem na cobertura.
Aqui em Midgard pelo que sei é primavera, então apenas uma brisa levemente fria passa por mim, há tantas flores no canteiro e nenhuma delas tem metade da beleza das flores de Asgard. De repente sinto falta de casa, da bagunça e das infantilidades de Thor, do carinho de Frigga, até dos sermões de Odin.
É estranho ficar pensando essas coisas, decido conjurar uma flor em meio a tantas outras, a preferida de Frigga, a rosa da meia noite, azul como os olhos de Lis. Aquela que só se abre a meia noite em noites de lua cheia, como essa noite. De novo estou pensando na princesa, seu sorriso doce, seu olhar profundo e sua inocência escondidas sob uma armadura de frieza e solidão.
Estou perdido em meus devaneios quando uma voz suave me pega de surpresa:
– Também sem sono?
É ela, Lis está enrolada em um casaco de moletom e calças largas, seus cabelos estão soltos e balançando com o vento e sua aparência nunca me pareceu tão voluptuosa. Novamente aquela sensação estranha me percorre e eu tento friamente parecer normal:
– Sim, você me pegou.
Ela sorri e se junta a mim no pequeno sofá de frente a imensidão do céu estrelado, noto em seu rosto cansaço e olheiras enormes, ela esteve chorando mais ainda, mas algo contradiz seu aspecto triste, ela está sorrindo e encantada:
– Você não as acha lindas? Eu queria poder tocá-las...
Ela aponta para o céu e fecha os olhos extasiada com algum pensamento feliz.
– Você sabe que não poderia tocá-las, não é?
Ela me dá um pequeno empurrão e sorri embaraçada ao mesmo tempo:
– Você esquece que eu estudo física teórica? Não quebre meu encanto mon ami.
– Desculpe milady, não era minha intenção.
Ela sorriu um pouco e isso já me deixa muito mais calmo, por instantes eu consigo fazê-la esquecer de suas dores. Ela se ajeita no sofá meio que se deitando e nos encostamos um pouco, embora eu esconda severamente minha satisfação ela fica um pouco sem graça. Insisto mais na conversa e pergunto:
– Você tem insônia?
– Um pouco... Desde pequena na verdade eu sou ruim para dormir.
– Sonhos ruins Milady?
Ela não conteve um riso, por que era tão engraçado chamá-la de milady? Lis meio que se vira e me encara dizendo:
– Não precisa ser tão formal, me chame de Lis apenas.
– Ok, Lis.
– Tudo bem, também é culpa dos sonhos ruins, mas em grande parte porque estou com alguns problemas, não quero falar sobre isso. Desculpa? Vamos aproveitar a noite linda sob nós.
Uau! A princesa não tem noção de como essa frase soou sensual e convidativa para mim, mas logo vejo que ela não pode entender dessa forma porque é inocente e pura. O que não diminui nenhum pouco o desejo intenso que me toma.
Conversamos mais um pouco, coisas bobas, engraçadas, até que percebo que ela está dormindo serenamente encostada em mim, por Odin! Estou em pânico! Não posso deixá-la aqui, mas como levá-la para sua casa sem parecer que estou com más intenções? Então faço a coisa mais lógica e estúpida que poderia pensar. Levo-a para minha casa.
Carregá-la em meu colo até o quarto foi tão fácil, ela é tão pequena e frágil, quando faço menção em deitá-la em minha cama colossal ela se aninha em meu corpo e sussurra docemente:
“não me deixe sozinha... Meu príncipe! Eu te amo! Fique comigo... Por favor...”.
Sou pego de surpresa com isso, quem é o príncipe que ela fala? Será que ela estaria apaixonada por Thor? Alguém mais em Asgard? Por todos os deuses dos nove reinos! Por que essa revelação me deixa tão tenso e nervoso? Sinto um medo se espalhando em meu corpo, medo de perdê-la...
Então docemente a coloco em minha cama, abalado pela possibilidade de não ser seu escolhido, até que ela não me solta e sou obrigado a deitar a seu lado e antes que ela apague mais uma vez sussurra tão baixinho que quase não escuto:
“Fique comigo meu príncipe... Você tem um cheiro tão bom, Loki”.
E me beija docemente quase sem querer, interrompo seu beijo delicado, não é certo, não me sinto bem com isso, mas a suavidade que seus lábios têm jamais serão apagados de minha memória e guardarei eternamente essa doce lembrança comigo.
POV Lis
“Mas que diabos está acontecendo aqui?” Foi meu primeiro pensamento ao acordar pela manhã e me deparar numa cama enorme e um quarto estranho. Meu rosto corou em cinquenta tons de vermelho quando noto um carinha sorrindo sentado em uma poltrona bem em minha frente.
– Bom dia princesa!
Aquele bastardo do Luke! Ai meus deuses nórdicos lindos que me vem em sonho! O que aconteceu aqui? Estou em pânico, constato meu corpinho intacto e minhas roupas todas no lugar, exceto por meu cabelo bagunçado e meu corpo extremamente relaxado por finalmente conseguir dormir, eu o encaro e pergunto:
– O que eu estou fazendo aqui?
– Desculpe Lis, nós estávamos conversando e aí você dormiu, eu não podia deixá-la lá sozinha e sua porta estava trancada, então a trouxe para cá. Perdoe-me, por favor! Eu juro que não aconteceu nada.
Ele sorria tão misteriosamente que eu duvidava até da minha alma agora, ai meus deuses! Pelo menos acho que ele falou a verdade já que não me lembro de nada de mais de ontem à noite, a não ser pelo sonho maravilhoso com meu Loki lindo e gostoso me carregando em seu colo. Por Odin! Será que eu disse alguma coisa enquanto dormia? Estou mais vermelha que um tomate agora, sonhei que ele me beijava ardentemente e fiz sons estranhos...
Lembrei que falo muito enquanto durmo, será que ele ouviu alguma coisa? Pergunto tentando manter minha dignidade enquanto me levanto em direção a minha casa:
– Eu disse alguma coisa enquanto dormia?
Ele deu aquele sorriso de canto e com seus intensos olhos verdes olhou pela janela para a linda manhã de sol lá fora e disse:
– Não, você dormiu como um anjo.
Não sei por que, mas não acredito em nenhuma palavra dele.
– E você dormiu onde?
– Olhe para baixo.
Então eu vi uma cama improvisada ao lado da poltrona, de repente me senti péssima. Ele apenas me olhou como se me entendesse:
– Me perdoe Luke, não queria causar transtorno nenhum para você...
– Não se desculpe Lis, só fiz o que qualquer cavalheiro faria.
– Obrigada mesmo, isso não vai se repetir. Eu preciso ir, tenha um bom dia.
– Eu a levo até a porta.
Me despedi rápido e mais que depressa me joguei no sofá da sala e só então percebi que estava impregnada no cheiro do príncipe dos meus sonhos, sim, aquele perfume único estava grudado no meu corpo e gravado em minha mente.
Agora não restavam mais dúvidas de que o perfume era de Luke o jovem misterioso que contra minha vontade estava invadindo meus pensamentos e minhas novas emoções. Eu não queria esquecer meu príncipe dos sonhos, mas e se ele não fosse real? O que seria de mim?
Luke parecia tão bondoso e gentil, tê-lo como amigo não me faria mal, abrir um pouco a guarda talvez não me matasse. Com o fim de semana livre eu iria visitar minha tia Mya, já fazia muito tempo que não a via. Quem sabe assim esqueceria um pouco de tudo o que estava acontecendo.
POV Loki
Ela me amava! Eu mal conseguia conter meu sorriso de menino bobo ao me lembrar de suas doces palavras e o beijo suave que me deu enquanto ainda me puxava.
E mais uma vez estou me condenando e me culpando, preciso contar a ela quem eu sou e nem sei como começar. Será que ela vai me perdoar? Como vou fazer isso sem assustá-la ou magoá-la, estou perdido, muito perdido, mais do que isso, eu a quero muito! Só não decidi ainda de que forma...
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