A princesa perdida e um deus zangado

2 Capítulo 1 - A deusa oculta está se revelando


Notas iniciais
Eis o primeiro capítulo! Espero de coração que vcs, amantes de fanfics e Lokid's gostem :D bjs

A DEUSA OCULTA ESTÁ SE REVELANDO

Eu poderia definir minha vida de muitas maneiras, mas desajustadamente boa é uma delas. Se por um lado sou uma garota introvertida e nerd, por outro tenho pessoas incríveis cuidando de mim, sim, essa sou eu, Lis Maya Smith.

Moro em Stormville desde que me entendo por gente e segundo o que minha tia Mya conta, viemos da Islândia, sem família ou parentes vivos. Meus pais morreram em um acidente controverso que até hoje, quase dezoito anos depois que eu nasci não consigo entender.

Pouco depois que chegamos a esta cidade, minha tia comprou uma casa e abriu uma floricultura, ela é botânica. Depois ela conheceu o Rick e se apaixonaram, eles me adotaram como filha deles, por isso tenho o sobrenome Smith, Maya é da minha mãe.

As férias de verão estão acabando e logo volto para a faculdade de física, que fica a poucos quilômetros daqui, eu e minha melhor amiga Sam estudamos lá. Samantha estuda neurobiologia e nos conhecemos desde criancinhas.

Estamos debaixo de um salgueiro antigo que fica em frente ao lago Tussoud, ela está tagarelando sobre o namoro com Jack e como não suporta mais a saudade que sente dele, tento prestar atenção o máximo que posso, porém ela sabe do meu déficit de atenção e logo vai perceber que não estou escutando muita coisa.

Tenho tentado ignorar as coisas estranhas que acontecem às vezes comigo, coisas tão estranhas que nem ouso contar para minha melhor amiga, coisas que me impedem até hoje de ter um namorado, coisas que eu odeio não entender.

– Lis, será que você me ouviu um pouquinho?

– Oi? Ah, me desculpa Sam... Eu só estou um pouco distraída hoje.

– Hoje e sempre não é? Mas não culpo você, não se preocupe.

Sam me dá aquele olhar compreensivo de sempre, ela me entende tão bem e me aceita tão genuinamente que às vezes tenho vergonha e culpa de ser quem eu sou.

Só que ela sempre sabe como me puxar para a Terra, me fazendo falar:

– Me conta sobre aquele seu projeto com o Theo, eu sei que você é caidinha por ele, como tem sido ficar tanto tempo junto dele e não se entregar?

Hesito um pouco em responder, Theo Adams é um assunto delicado e que não me deixa confortável, mas Sam tinha que perguntar:

– Fácil, eu diria.

– Como assim? Você suspira por ele desde o jardim de infância e na faculdade vocês acabam juntos em um projeto super-legal de física e você me diz isso?

– Ele é estranhamente calado, só conversamos o essencial e então acaba funcionando bem no fim das contas.

– Vocês são almas gêmeas! Por que você não o chama para o teu aniversário nesse fim de semana? Vai Lis, coragem mulher!

– Ah não sei Sam... Ele não parece ser do tipo que gosta de festas...

– Pode até ser, mas não custa tentar...

Sam pega meu celular e liga para Theo imitando perfeitamente minha voz, para minha grata surpresa ele aceita e depois que ela desliga nós nos encaramos e rimos sem entender nada.

Após uma conversa e outra voltei para casa, minha tia Mya era muito rigorosa com coisas de horário, ela era tão controladora quando se tratava de mim. Tio Rick já era bem mais liberal e me ensinava muitas coisas, uma pena que eles não puderam ter filhos.

Quando cheguei em casa tia Mya estava muito brava e por alguma razão ela se virou contra mim:

– Por que você demorou tanto para chegar Lis?

– Eu vim caminhando devagar, a Sam não pode me trazer em casa, desculpa tia, isso não vai mais acontecer.

Ela estava furiosa e eu não fazia ideia do que se tratava, talvez fosse o trabalho, mas ela nunca ficou assim tão transtornada, me puxou pelo vestido e disse:

– Eu tenho que protegê-la todos os dias, isso é tão exaustivo Lis! Você não tem ideia de quem você é! Quando eu disser o que você tem que fazer você o fará sem questionar, é para o seu bem.

– Eu vou fazer tia! Mas eu não sou mais criança sei me defender muito bem!

– Você é uma pirralha cheia de manias! É igual a sua mãe, tão carente...

– Não fala assim da minha mãe! Você não chega aos pés dela.

Então tia Maya fez algo que mudaria tudo em nossas vidas, levantou a mão e me bateu forte, mas não foi o tapa que doeu, foi como chegamos até ele, foi a dor de saber que eu não era amada, que eu só era um peso na vida dela.

Senti as lágrimas descendo e o arrependimento dela vindo na mesma proporção, então subi até o meu quarto e peguei o restante das minhas coisas e antes de sair disse a ela:

– Você está livre do peso que carrega, eu não sou mais um problema para você. Não me procure, esqueça que eu existo.

– Lis, por favor, me perdoe! Eu... Eu...

– Adeus, tia Mya.

Saí correndo o mais rápido que pude com a minha pesada mochila, começou a chover forte, peguei a rua que levava a estação de trem, lágrimas e dor me rasgando, eu não voltaria nunca mais lá. Raios e trovões cortavam o céu de Stormville, não era a toa que ela levava esse nome.

Já estava quase na esquina da estação e andando mais devagar olhei no relógio, era meia noite, eu estava completando dezoito anos agora, então o pouco provável aconteceu, fui atingida por um raio e jogada a metros de distância.

Quando acordei pensei que estava morta e provavelmente nos Campos Elíseos, sim, eu não acreditava em céu ou coisa assim, mas se existisse um paraíso eu queria ir para os Campos Elíseos.

Mas acho que não era o que eu estava pensando, eu estava usando um vestido branco e dourado, meus cabelos longos e negros trançados de um jeito que eu nunca vi na vida, estava descalça, sentindo uma magia poderosa dentro de mim.

Havia uma ponte colorida, um mar gigantesco logo abaixo e em frente um reino dourado e grandioso, fiquei ali parada olhando a magnitude do lugar, queria poder me mover, mas meu corpo não respondia a meus comandos. Então de repente eu me vi num salão real e lá haviam três figuras enormes, um velho com uma lança dourada e dois jovens que discutiam em uma língua que eu não fazia ideia qual era.

Os jovens eram altos, mas as semelhanças paravam por ai, um era louro, musculoso e usava uma armadura, tinha os olhos azuis e muita energia na voz, o outro era mais magro, com a pele tão branca como alabastro, cabelos negros e olhos intensamente verdes. Os jovens discutiam fervorosamente e o mais velho parecia tentar acalmar os ânimos.

Todos pareciam alheios a mim, porém, quando eu me aproximei mais um pouco da cena o jovem de olhos verdes por um instante se virou para mim e eu pude ver uma expressão misteriosamente atraente a me olhar, como se soubesse que eu estava ali.

Então senti um forte puxão e acordei em frente à estação de trem com algumas pessoas em volta de mim tentando me ajudar, ninguém me viu levar um raio na cabeça e por mais estranho que fosse o fato de eu estar inteira e sem nenhum arranhão nada me deixou mais intrigada do que o sonho que tive.

Peguei o trem e voltei para o meu apartamento em Atlanta, as aulas começariam em breve e também logo voltaria ao trabalho, precisava esquecer minha vida em Stormville e seguir em frente sozinha, como sempre fui.

Ao entrar no apartamento, Amon chega de mansinho e vem ronronar em busca de carinho, meu gato parece ser o único que sente minha falta. Tomo um banho quente e me sinto tão estranha, sob a água é como se eu me sentisse em casa, desde criança sempre estranhei o fato de poder respirar bastante tempo embaixo da água.

Fico mais tempo do que preciso na banheira e noto com estranheza que meu corpo mudou um pouco, onde antes não havia nenhuma beleza agora há curvas e uma cintura fina, meus seios parecem que cresceram. Mais estranhezas para adicionar na lista e ninguém para esclarecer.

Vou para o espelho e quase fico sem ar quando me vejo despida, será que o raio me mudou tanto assim? Meus cabelos antes bagunçados e quase sem brilho estavam perfeitamente ondulados e caindo sobre meus seios e brilhava como seda.

– Mas que diabos está acontecendo comigo?

Quase não me reconheço nesse novo corpo, só uma coisa permanece imutável, meus olhos azuis, um azul claro de tom único, que segundo a única foto de minha mãe são herança dela. Visto um pijama confortável e vou para a cama e ligo para Sam, sei que ela dorme tarde, logo ela atende:

– Oi Lis! Tudo bem?

– Não Sam, uma coisa horrível aconteceu...

– Lis, o que aconteceu? Onde você está?

– Agora eu estou bem, tô no meu apartamento em Atlanta, minha única casa... Minha tia brigou comigo, ela me deu um tapa e eu fui embora...

– Ah amiga... Sinto muito...

– Tudo bem... Vai passar... Quando você vem?

– Na segunda cedinho estarei aí, eu queria poder ir antes, mas com a mamãe doente eu preciso ficar o máximo possível aqui...

– Tudo bem Sam, eu entendo e te espero ansiosa!

– Obrigada! E a propósito, parabéns!

– Obrigada amiga! Boa noite!

– Boa noite!

Estava quase dormindo e ao fechar os olhos mais uma vez estava andando por aquele lugar misterioso, dessa vez estava em um jardim, era enorme, tinha árvores esquisitas e muitas macieiras só que elas eram douradas. Tinha uma fonte com uma estátua do velho que eu vira antes e uma linda mulher.

Próximo a um canteiro de flores silvestres um jovem estava sentado lendo um livro esquisito, ele parecia interessado na leitura, mas eu estava hipnotizada por sua beleza, seus traços altivos como se impusesse algo, ele era um príncipe sem dúvida.

Queria poder falar com ele, perguntar onde estava, mas uma barreira invisível me impedia, ele não podia me ver, talvez ele fosse apenas parte de um sonho bom. Cheguei mais perto e juro pelos céus que eu podia sentir o perfume dele e toda sua força vital entrava em minhas veias e prendia minha respiração.

Ele era irresistivelmente lindo! Quando estava me afastando, tentando fugir dessa loucura eu vi que ele estava me encarando de novo, como se pudesse me ver, em seus olhos novamente havia um brilho diferente, não sei se era ódio ou amor.

Naquela noite e nos dias que se seguiram os sonhos se repetiam e as mesmas pessoas estavam nele, meu interesse em Theo Adams se tornou insignificante perto do que o jovem misterioso me causava, eu precisava conhecê-lo!

Eu precisava, necessitava saber que lugar era aquele, quem eram aquelas pessoas, mas assim como poderes desconhecidos estavam se manifestando em mim aos poucos ninguém me explicaria nada.

Meus dias seguiram sem muita emoção, minha tia de fato não me procurou, mas eu acabei descobrindo que ela ligava sempre para a Sam perguntando de mim. Sam morava no apartamento da frente e sempre estava em casa, porém como ela estava namorando agora era raro ela vir em casa. Uma tarde de folga eu estava em casa lendo um livro antigo sobre lendas nórdicas e ela chegou:

– Olá minha jovem amiga de mil anos!

– Adoro o seu bom humor amiga!

– E eu amo o seu sarcasmo irônico!

Nos abraçamos e compartilhamos um chá de limão, nosso preferido, então ela me olhou como se quisesse me dizer algo importante, mas como se não tivesse coragem eu perguntei:

– Você quer me dizer alguma coisa? Conheço esse olhar confuso e preocupado.

– Eu vou morar com Jack!

– O que? Mas ele vai para o outro lado do mundo! Você vai largar a faculdade e ir embora?

– Lis, eu o amo! Eu iria para qualquer lugar com ele.

– Entendo, apesar de ficar triste por você, minha irmã do coração ir para longe eu entendo que é a sua felicidade que importa.

– Obrigada por me entender! Já terminei a mudança, viajaremos amanhã cedo.

– E você me conta só agora? Por quê?

– Porque eu sabia que você ia ficar triste Lis, eu não queria vê-la mais do que já está. Minha amiga linda! Quando você vai se abrir para o mundo lá fora? Sai desse casulo que você mesma criou, você é tão linda e inteligente não se tranque em si mesma.

– Eu tô tentando me libertar...

– Você consegue! É tão forte e corajosa, eu sinto muito em te deixar aqui sozinha... Mas eu preciso seguir esse caminho.

– Eu sei, eu sei... Não se desculpe Sam, você tem todo o direito e deve ser feliz, sei que o Jack te ama de verdade, vocês foram feitos um para o outro!

– Verdade amiga!Ele é tão perfeito! Eu sei que você em breve vai encontrar sua alma gêmea também, é sério, não ri... Seja o Theo ou não, eu só quero que você seja feliz minha amiga.

Lis sorriu discretamente, a amiga não poderia estar mais errada, ela não tinha alma gêmea, era única, feita para viver sozinha. Mas estava feliz pela amiga. Elas conversaram até tarde da noite, quando Jack veio buscá-la, muitas lágrimas e despedidas.

– Lis, você vai amanhã ao aeroporto? Saímos as sete.

– Eu vou sim. Tenho aula a tarde somente.

– Eu vou te esperar lá, boa noite amiga!

– Boa noite! Boa noite Jack! Cuida bem da minha irmãzinha.

– Boa noite Lis, pode deixar!

Pela manhã bem cedo Lis foi se despedir de sua amiga e depois foi encontrar Theo na cafeteria perto de sua casa para finalizarem o projeto de Física.

Notas finais
Auardando comentários, críticas e opiniões!!! :*