A princesa de Krósvia

18 Dois anos depois.


Notas iniciais
Oioi gente, demorei? Desculpem, mas ta corrida essa vida de pobre que trabalha e estuda :( eu ia postar só depois do feriado, mas fiquei com dó de vocês, porque sei como é horrível esperar atualização de fic, fico toda mal esperando Casos e Acasos (sente a indireta) mas vamos lá, vou esclarecer uma coisa: São dois anos que se passaram na linha de tempo da história, se não teria que colocar um ponto final nela aqui, e não quero isso... ainda! Vocês vão entender tudo, mas prometo que deixarei no mesmo ritmo, se tiverem sugestões. Me perguntaram da Tinker (namorada do Killian) ela vai aparecer juro rsrs e os comentários, gente por favor me perdoa, eu não to com tempo mesmo, mas eu leio todos juro que irei responder cada um de vocês. Um capitulo para cada comentário que ainda não respondi, ta? HAHA e por fim, quero deixar um beijo muito especial para a thatsabiathing e para a Lolita que me deixaram recomendações lindas. Obrigado suas maravilhosas, então vamos lá né? chega de enrolar vocês...

— Quer dizer que encheu a cara na noite da virada do ano?

Curtindo a letargia pós-maratona de exercícios físicos noturnos, Regina e eu estávamos aconchegados uma na outra, tanto pela vontade de não nos desgrudarmos nunca mais quanto pelo tamanho reduzido de minha cama de solteiro. Eu descansava minha cabeça em seu ombro e mantinha meus dedos entrelaçados aos dela. Com a outra mão, Regina traçava preguiçosamente os ossos de minha coluna vertebral enquanto falávamos sobre todos os assuntos atrasados, ocorridos no mês anterior.

— Que modo mais pré-histórico de afogar as mágoas, hein! — Gina brincou. Eu dei um tapa em seu ombro.

— Deixa de ser convencida! Minha bebedeira não teve nada a ver com você. Foi uma questão de ingerir a bebida errada, ou seja, vodca.

— Então, no reveillon a senhorita se esqueceu dos nossos problemas e caiu na gandaia. Que bonito!

Abracei-a ainda mais, adorando aquela discussãozinha de mentira, o que tornava nosso relacionamento mais leve. Mais normal.

— Exatamente — confirmei, dando em seguida uma mordida na orelha dela. — Saí com a Ruby e quebramos tudo.

Eu só estava querendo provocá-la. Todo mundo sabia que aquela noite havia sido um fiasco.

Com um movimento rápido, Regina me prendeu sob seu corpo e me encarou com cara de brava. — Grande sofrimento esse seu!

Comecei a rir. Nem fazendo esforço para parecer zangada ela ficava menos bonita. E aquele mulher era toda minha. Será que um dia minha ficha cairia?

Um barulho fora do quarto desviou nossa atenção e Regina deu um pulo da cama. Vestiu a calça em dois segundos, como se o fato de estar semivestida fosse fazer alguma diferença caso fôssemos flagrados por minha mãe.

Apoiei a cabeça na palma da mão e a observei passar por aquele aperto.

— Será que é a sua mãe? — quis saber, ofegante de susto.

Fiz cara de mistério, mas careca de saber que não era ela. Deveria ser no apartamento do vizinho.

— Desencana, Gina! Não é ela. Minha mãe só chega à noite. Agora, volte aqui.
Os ombros dela relaxaram automaticamente.

— Hum... Que tal se a gente comer alguma coisa? Estou meio sem energia — ela propôs.

Concordei. Também, depois de tanta ginástica, não dava para ficar de estômago vazio.

Na cozinha, servi para nós dois um pedaço de torta de pão. Ela estava geladinha e suculenta, irresistível. Entre uma garfada e outra, tomei coragem para fazer a pergunta que não queria calar:

— Como ficamos daqui para a frente?

Pensei que Regina se retrairia diante desse tema não muito agradável, mas parecia que ela já havia previsto a conversa e planejado as respostas.

— Juntas. Ou ainda tem dúvida?

— Você sabe que não foi isso o que eu quis dizer.

Ela largou o garfo sobre o prato e me olhou nos olhos.

— Minha linda, tudo vai se ajeitar. Posso muito bem dividir meu tempo entre a Krósvia e o Brasil. Estava até pensando em aprender português.

— Jura? — Segurei as lágrimas, que tentavam a todo custo romper minha resistência.

— Vou estar aqui sempre, quando for possível conciliar meu trabalho com uma temporada de descanso. Não quero que você se sinta pressionada a largar seu curso e partir de mala e cuia para Perla de novo.

— Vai ficar tudo bem entre a gente, então? Mesmo se cada uma estiver numa parte do mundo?

Regina se levantou da cadeira e me puxou para um abraço apertado.

— É claro que sim. Não vai ser gostoso passar umas temporadas longe de você, mas vamos sentir a tal da saudade boa, já que vamos poder matá-la sempre que quisermos.

— Meu pai vai ficar feliz. Porque não pretendo ficar tão longe da Krósvia.

— E eu, mais ainda — Regina garantiu. — Pena que não vou poder sequestrar você para meu apartamento todas as vezes, senão seu pai manda aqueles dois brutamontes atrás de mim.

Caí na gargalhada.

— Nada disso! Daqui para a frente, acho bom o David arranjar uma nova função para o Boris e o Zlafer.

— Com certeza. Nem em sonhos minha linda namorada vai andar com homens seguindo seus passos. Pode deixar que eu mesmo cuido da sua retaguarda.

DOIS ANOS DEPOIS!

— Ah, minha filha, você está linda!

Minha mãe avançou a passos largos até mim e enxugou os olhos com um lenço de linho que alguém do castelo providenciara para ela. Desde que chegara à Krósvia, vivia emocionada, chorando pelos cantos.

— Mãe, por favor, não vai chorar de novo. Desse jeito seu nariz vai ficar vermelho em todas as fotos.

Mas não teve jeito. Só o fato de eu estar vestida daquela forma era um novo motivo para ela se debulhar em lágrimas. E minutos depois vovó fez o mesmo, seguida por Ruby, Irina e até Cora. Eu não estava conseguindo acreditar naquilo. Quanto exagero! Afinal, eu só estava a ponto de oficializar uma situação que já estava consolidada havia muito tempo.

Muita coisa havia acontecido desde o dia em que Regina fora me procurar em São Paulo e nós finalmente ficamos juntas. Bom, tivemos muitos contratempos, como o fato de morarmos em países diferentes.

Eu continuei vivendo no Brasil, cursando direito, trabalhando como voluntária numa instituição assistencial para crianças abandonadas e estagiando na embaixada da Krósvia. Meu pai mexeu uns pauzinhos e voilà!

Claro que viajei bastante para Perla, mas não tanto quanto Regina foi ao Brasil. Passei todas as férias no país de meu pai, mas Regina reestruturou sua vida de modo que aparecesse em São Paulo pelo menos uma vez a cada dois meses. E sempre ficava de uma semana a 15 dias comigo.

Mesmo assim, não foi fácil. Os tempos sem ela eram cinzentos, sem graça, sem cor. Eu sentia a falta dela nas mínimas coisas, desde assistindo a um filme na TV até escutando Bon Jovi cantar, pela enésima vez consecutiva, a música-tema de nossa história: “In These Arms”.

Mas fiz de tudo para me manter firme, pois sabia que essa fase passaria. Então, aproveitei para curtir minha família e meus amigos e me dediquei ao máximo a eles. Não deixei de ir aos churrascos de minha turma de faculdade nem às reuniões no sítio de meu tio em Minas. Porque eu estava decidida a partir de vez para a Krósvia logo que recebesse meu diploma de bacharel em Direito das mãos do reitor da universidade. Ou melhor, assim que fizesse a prova da OAB.

Afinal, e daí não morar mais no Brasil? Ainda assim, minha família estaria lá e eu poderia fugir para eles sempre que quisesse. O que não dava era para continuar vivendo com um oceano, um continente e um mar entre mim e Regina. O restante eu suportaria.

Ao saber de minha decisão, cada pessoa teve uma reação diferente:

• minha mãe caiu em prantos;

• meu pai organizou uma festa para comemorar;

• Regina ficou toda convencida;

• Ruby me concedeu dois dias de gelo, mesmo dando a maior força para meu romance de novela;

• o pessoal do Palácio Sorvinski se desdobrou para ajeitar minha mudança.

E, quando eu dei por mim, sobrevoava definitivamente parte do mapa-múndi rumo à terra de meus ancestrais paternos. Ah! E com um item inédito em minha bagagem: o domínio total da língua krosviana. Mas vamos combinar que minha pronúncia era um fracasso.

Agora, ali estava eu, cercada por um bando de choronas e tendo que lidar com um penteado nada confortável, elaborado minutos antes pelo queridíssimo Kristoff, com o qual eu havia conseguido dialogar pela primeira vez em krosvi.

— Gente, não estou acreditando nisso — declarei, de braços cruzados sobre a parte de cima de meu lindo vestido de cetim. — Ainda não consegui processar o motivo de tanta choradeira. Por acaso tem alguém morrendo?

Uma sinfonia de fungadas foi a resposta mais imediata à minha pergunta, seguida pela explicação de minha avó:

— É que você está tão linda e hoje é um dia tão especial que fica difícil controlar as lágrimas.

— Fiz suco de maracujá para todas nós, Emma — Cora anunciou na maior inocência, com o nariz tão vermelho quanto o das outras.

— Vocês são inacreditáveis — falei, revirando os olhos. — E a tia Ariel? Já apareceu? Como vou entrar se as crianças não tiverem chegado?

Meus primos me acompanhariam ao longo do trajeto que me levaria ao altar. Além deles, um cortejo de meninas do Lar Irmã Celeste abriria a cerimônia, preparada com bastante antecedência pela equipe de relações públicas da família real.

Minha vida estava perfeita, mas um fato jamais fora solucionado. Nunca soubera por que Eric, marido de tia Ariel, agia de forma tão estranha perto de mim. Regina dizia que ele era um invejoso e aceitei essa justificativa por não encontrar outra melhor — ou pior, dependendo do ponto de vista.

— Estão a caminho — Irina respondeu, dividida entre a eficiência e a emoção. Nos últimos dois anos, tínhamos aprofundado nossos laços e nos tornáramos grandes amigas. Mas entre ela e meu pai as coisas continuavam só na vontade. Dela. Irina preferia cultivar seu amor platônico a arriscar perder seu cargo de confiança ao lado de David. Vai entender.

Depois de minha partida, mamãe não aguentara a solidão por muito tempo. Resistente como uma dama recatada do século XVIII, custara a aceitar as investidas de Whale, um médico bonitão e certinho, que caíra de quatro por ela assim que a conhecera num evento que seu buffet organizara para o hospital onde ele trabalhava. Mas, enfim, acabou aceitando.

— Chegaram! — avisou Irina, num ir e vir irritante.

— Está pronta, Emma? — Mais do que nunca.

Então, meus pequenos primos se juntaram a mim e as primeiras notas de um conjunto de cornetas soaram do salão de solenidades do palácio.

Meu coração palpitou de expectativa, mas eu me mantive firme, até serena. Caminhei atrás de Lexie, Neal e Grace e parei no topo da escada. Todos os olhares se voltaram para mim. Tive medo de desmaiar e cair rolando degraus abaixo. Tanta gente desconhecida! Vi de chefes de Estado a primeiros-ministros e localizei, de pé num dos locais mais privilegiados do salão, a presidente do Brasil. Quanta honra!
No entanto, no meio de toda aquela gente, um rosto especial se destacava. Foi só avistar Regina olhando embevecida e orgulhosa para mim que me senti fortalecida. Dois anos haviam se passado e nada mudara entre nós. Isto é, estávamos mais maduras, mas ainda sentíamos um frio na barriga quando nos beijávamos, ainda tínhamos prazer em estar juntas, e acho que essas coisas nunca mudariam. Pode soar piegas, mas fomos feitos uma para o outra.

No começo eu achava que tornar nosso relacionamento publico seria um grande problema, afinal, faziamos parte da familia real, e Regina querendo ou não, era enteada de David a anos. Mas tudo ocorreu da melhor forma possivel, acho que se fosse no Brasil seria diferente, mas na Krósvia todos respeitaram e aceitaram nossa relação. Saíram algumas matérias chatas em revistas e jornais, principalmente pessoas que insistiam em colocar suas religiões na nossa relação, algumas até queriam me impedir de trabalhar no lar com as meninas, mas todas as situações eram contornadas com a nossa postura de familia real, e nossa demonstração de que o amor era a unica coisa que nos importava.

Ela ainda me surpreendia com gestos especiais, como no dia em que aparecera em São Paulo com uma sacola de lingeries da Victoria’s Secret — as que eu tinha deixado no castelo. Quase morri de vergonha, principalmente porque Gina me fez usar cada uma delas e depois elegeu os três primeiros lugares.

Por essas e outras é que jamais me cansaria dela. Portanto, vê-la ali, toda linda e irresistível, incentivando-me apenas com o olhar, fez meu coração se derreter. De novo. E me mantive firme até me encontrar com meu pai sobre o altar dos tronos do Palácio Sorvinski, usando um traje formal antigo, parecido com os dos príncipes de filmes da Disney.

Ei! Esperem aí. Não acredito que você estava pensando que toda aquela pompa e circunstância faziam parte de meu casamento. Alô-ô. É claro que não. Só tenho 22 anos e muita coisa para fazer antes de me casar. Espero que, quando chegar o momento certo, seja mesmo com Regina. Mas aquela ali era minha coroação como princesa da Krósvia. David fazia questão de enfiar uma coroa em minha cabeça. Quem sou eu para negar um pedido de meu pai?

O legal foi que pude usar o vestido de Zelena, na verdade foi uma honra, aquele vermelho, tomara que caia, enfim, o que aparecia em meu sonho. É. Aparecia. Pois, desde que eu decifrara seu significado, ele me abandonara de vez. Graças a Deus!

Finalmente coroada e adornada com o manto real — feito de seda pura e bordado com fios de ouro —, depois de jantar formalmente com a comitiva de políticos convidados especialmente para minha coroação, pude enfim sair à francesa com Regina e me livrar dos sapatos apertados.

— Como está se sentindo? — ela quis saber, enquanto eu puxava o vestido até o meio das coxas e me sentava na traseira de sua BMW turbinada.

— Muito bem. E você?

Regina ainda estava de pé, mas completamente grudada na lateral de meu corpo. Massageou uma das minhas pernas e disse:

— Melhor impossível. Sabe por quê?

Fiz que não com a cabeça, ansiosa para ouvir a resposta.

— Porque, no final da história, a rainha má ganhou a princesa.

Então, ela me beijou loucamente e depois partimos em alta velocidade através da noite de Perla. Nossa noite estava apenas começando, mas eu sabia muito bem como iria acabar.

Notas finais
Gente, eu dividi o capitulo, porque ficaria muito grande, ai deixei esse menor, e deixei a continuação pro próximo ta? volto depois do feriado, beijos e aproveitem o feriado