Notas iniciais
Nem acredito que no prólogo já teve comentário positivo e gente acompanhando, eu estava morrendo de vergonha de postar... mas enfim, acho que esse cap vai ficar um pouco grande, porque to introduzindo a história da Emma com essa ideia de ser princesa e mudar de país. A Regina ainda não apareceu, mas logo ela aparece, espero que gostem desse capitulo, e se tiverem sugestão pra dar sintam-se a vontade. Qualquer coisa também to no twitter @taliparrilla ... enjoy ;)

A primeira coisa que eu sempre faço quando chego da faculdade é ligar meu computador e entrar no facebook, não que eu seja viciada mas gosto de ver as coisas que meus colegas compartilham. Nunca tem nada de interessante, nunca tem mensagem, solicitação de amizade, muito menos notificações, já que eu quase não posto nem compartilho nada. Assim que abri meu facebook dei de cara com uma mensagem, coisa que raramente acontece, quando li fiquei uns cinco minutos paralisada, em estado de choque, imóvel em frente ao computador, lendo e relendo uma unica frase que não revelava nada, mas ao mesmo tempo, queria dizer tudo.

"Desculpa, mas acho que sou seu pai."

Dizia o conteúdo em inglês, não precisei traduzir já que minha mãe me colocou muito nova para estudar inglês, alegando que era a língua mais influente do mundo. Li novamente a mensagem e voltei ao mesmo estado de choque. Porque eu nunca soube quem era meu pai, a história que minha mãe conta é a seguinte: Ela foi pra Inglaterra assim que fez 18 anos, trabalhou e estudou lá durante um ano. Lá, conheceu meu pai, estudante de Oxford, e como ela, ele era estrangeiro de um pequeno país da Inglaterra chamado Krósvia. Minha mãe diz que ele era um cara inteligente, bonito, e rapidamente eles se tornaram amigos. Iam ao cinema, parques, teatro, restaurantes, então não demorou muito e começaram a namorar. Segundo minha mãe, eles não desgrudavam um segundo, e eta tão bom ficar com ela que ela até cogitou a possibilidade de estender sua moradia em Londres. De cara ele adorou a ideia, mas com o tempo ele foi ficando distante, viajando pra lá e pra cá, e ficava dias sem dar noticias. Nesse meio tempo ela descobriu que estava grávida, e se apavorou. Com razão; afinal, ela tinha quase 19 anos. E então contou a novidade pro meu "pai" e para surpresa dela, ele pulou fora. Simplesmente deu as costas e voltou para o país dele. Minha mãe voltou para o Brasil, e recebeu todo o apoio dos meus avós. E eu, cresci imaginando as piores coisas sobre meu pai e sem a menor vontade de conhecê-lo. Mas agora, no auge dos meus 20 anos, eu nem pensava mais nessa história toda e provavelmente jamais voltaria a pensar se essa mensagem não tivesse aparecido na minha frente, assim, do nada, com direito a uma foto do homem que dizia ser meu pai do lado da mensagem.


– Porque só agora você resolveu me procurar?


Resolvi responder, sem raciocinar. Ok, eu sei, não sou uma boba pra cair na conversa de qualquer um que esteja conectado na internet. Minha mãe sempre me lembra o quão importante é isso. Mas não foi nem o texto nem a foto que me fizeram responder, e sim o nome: David Markov. Só alguém nascido lá pros lados da Rússia ou da Europa poderia ter um nome desses. E graças ao Google, só precisei copiar e colar aquele nome para descobrir de quem se tratava.

***

– Porque só agora você resolveu me procurar?

Sentada no terraço da suíte presidencial do Hotel Fasano São Paulo, de frente para o homem que até a poucas horas antes não existia pra mim, mas era absurdamente parecido comigo — o sorriso, a cor dos cabelos — , só uma coisa passava pela minha cabeça: Porque agora? De acordo com a minha mãe, ele não queria saber de mim. Se ficou 20 anos sem querer saber da filha era porque realmente não tinha interesse algum.

Eu sei que eu não deveria ter ido lá, mas a curiosidade foi maior que a indignação, principalmente por ser ele quem era. Portanto, eu não sairia dali enquanto David Markov não explicasse o que estava fazendo ali.

– Eu não sabia sobre você. — A voz do meu suposto pai soou firme, mas deu pra sentir o nervosismo transparecendo ao fundo.

Dei um sorriso ironico, dizer que não sabia da gravidez da minha mãe era demais!

– É verdade. — Insistiu ele, em inglês óbvio, ele não entendia minha lingua. — Sua mãe terminou comigo e desapareceu, disse que não queria manter o namoro e voltaria para o Brasil.

– Uhum — Mais irônica impossivel.

– Acredite Srt. Swan...

– Se você é meu pai, pode me chamar somente de Emma.

– Ok. Emma. Eu preciso que acredite em mim, porque jamais soube de você, jamais soube que seria pai e nunca procurei sua mãe porque ela terminou o namoro e nós éramos jovens. É claro que namorei outras garotas, e esqueci sua mãe. Não pensei na Mary Margaret até essa semana, quando cheguei no Brasil.

– Você quer que eu acredite que minha mãe mentiu pra mim esse tempo todo? — Disse num tom mais elevado do que gostaria, com a raiva aparecendo de surpresa.

– E para mim também. — Ele suspirou e pegou minhas mãos. — Achar você foi a maior coincidência da minha vida.

Assenti sem falar nada.

Meu suposto pai me contou que, enquanto se arrumava para uma reunião com a presidente brasileira (Olha o nível do cara! Eu não consigo ser recebida nem pelo reitor da universidade em que estudo), deixou a televisão do quarto ligada como distração, mesmo não compreendendo o idioma. Estava passando um programa de culinária, desses matinais, com apresentadoras loiras e simpáticas, e ele não deu muita atenção. Até que surgiu no cenário uma mulher bonita, charmosa, na casa dos 40 anos, que por algum motivo o fez fixar o olhar na tela.

– Percebi que havia algo familiar nela. — Disse ele, com um olhar distante. — Então, a apresentadora a chamou pelo nome e eu tive certeza.

Fiquei quieta, apenas ouvindo e observando, aquilo era muito improvável, mas o pior é que fazia sentido. O rei (sim, rei, estranho não?) revelou que estava assistindo o programa sem prestar atenção, porque não entendia o que a mulher estava falando, mas quando minha mãe apareceu ele rapidamente a reconheceu e chamou um intérprete para que traduzisse tudo pra ele.

– Sua mãe se esquivou de algumas perguntas, mas não hesitou quando a mulher perguntou de você. Ela disse que você estudava direito, era muito inteligente e além de tudo, linda.

Eu fiquei sufocada. Cara, minha mãe mentiu pra mim esse tempo todo, a vida inteira na verdade.

– O resto foi fácil. Achar você quero dizer.
Assenti. Nem se eu estivesse ficado louca, imaginaria que um dia estaria diante de um rei, e a atenção dele toda voltada pra mim.

Eu tenho um pai, pensei. E ele é um rei.

– Então, eu sou uma princesa?

Ele riu.

– Sim Emma, você é uma princesa, herdeira de tudo que eu tenho. Não tive outros filhos, embora tenha me casado. E vai ser a maior alegria da minha vida, compartilhar tudo com você minha filha.

Quando ele fez menção de me abraçar eu rapidamente me desvincilhei. Já pulamos pra esse nível? Compartilhar tudo comigo? Filha?

– Olha só David — Tentei o máximo fazer pose de madura e demonstrar firmeza, o que era contrário do que estava sentindo — Eu mal te conheço, nem foi confirmado ainda que sou mesmo sua filha, e além disso, acho meio tarde para começarmos uma relação de pai e filha.

– Nada disso. Não concordo. — Ele disse com mais firmeza do que eu. — Eu tenho certeza de que é minha filha, somos absurdamente parecidos. Mas se você tem tanta duvida podemos fazer um exame de DNA.

Se eu dissesse que não estava animada com toda essa história seria mentira, no fundo uma garotinha pulava no meu interior com a ideia de ter um pai, e esse pai ser nada mais nem nada menos do que um... rei. Mas eu também estava magoada e confusa, porque minha mãe mentiu? O que aconteceu 20 anos atrás que ela resolveu vir embora e omitir isso?

– Preciso falar com a minha mãe. — Disse por fim, já discando o número dela.

– Claro. Também gostaria de falar com ela. — Disse meu tal pai, enquanto eu caminhava pra sacada da suíte.

***

Minha mãe era branca, cabelos curtos e pretos, bem pretos, ela lembrava a Branca de Neve. Ela era realmente muito branca, mas conseguiu ficar ainda mais ao entrar na suíte, parecia que tinha visto um fantasma. Tudo bem, foi como se ela realmente tivesse visto um fantasma, só que no sentido metafórico. A cor do David também não estava das melhores, os dois ficaram se encarando, como se no olhar eles tivessem mil coisas pra dizer e resolver. Naquele momento tive certeza: Estava diante do meu pai, e nenhuma palavra da minha mãe podia negar isso.

Caraca, eu poderia até pirar por conta dessa reviravolta em minha vida! Não ter um pai já era ruim, mas descobrir que minha mãe e talvez até meus avós mentiram descaradamente sobre isso por anos era pior. Bem pior.

– O que você está fazendo aqui?. — Minha mãe perguntou com o inglês perfeito e um tom de voz cheio de sentimentos.

David sorriu meio envergonhado e disse:

– Acho que você ficou com uma coisa minha quando me deixou.

A cara da minha mãe com essa resposta foi a melhor.

Estávamos os três na suíte que David havia alugado, todos de pé, mas eu fiquei mais afastada, assistindo ao diálogo dos dois como se fosse os câmeras do big brother. Ninguém pareceu sentir minha presença durante a discussão, que transcorreu mais ou menos assim:

MÃE: — Como foi que nos encontrou?

PAI: — Você acha que isso é o mais importante agora? Depois desse tempo todo, nem uma maldita palavra! Como você teve coragem de esconder nossa filha de mim?

Meu coração perdeu uns dois batimentos.

MÃE: — Quem disse que a Emma é sua filha? Você está deduzindo isso baseado no fato de ela ter 20 anos?

PAI: — Não, estou simplesmente seguindo o princípio de que a Emma é a minha cara.

MÃE: — Até parece! A Emma, a sua cara?

PAI: — Você sabe que sim. Mas não é só por isso. Mary, você fugiu da Inglaterra de uma hora para outra e terminou comigo sem explicar direito o motivo. Eu não imaginei naquela época que fosse por causa de uma gravidez. Mas agora tudo faz sentido. Você ficou com medo.

Minha mãe abaixou a cabeça e encarou seus sapatos, como se tivesse algo mais interessante ali. Ela é linda, elegante, se veste maravilhosamente bem, o contrário de mim, minha mãe adora saltos e vestidos, roupas sociais, eu prefiro tênis, botas, calças e jaquetas. Ela nasceu pra ser uma dama, eu nasci pra ser comum.

MÃE: — Eu tive razão para ter medo. Você não acha?

A voz da minha mãe saiu baixinha, nem parecia a mulher com pose que eu vi a vida inteira. Então assim, ela simplesmente assumiu que ele era meu pai.

MÃE: — Você é um rei. Eu deveria ter ficado longe de você desde que soube desse “detalhe”. Não temos nada a ver um com o outro. E uma filha ilegítima certamente não se encaixaria nos planos dos seus pais para você.

David suspirou, enquanto eu prendi a respiração. Ele abriu a boca tentando falar algo, mas se calou. Fez isso várias vezes, então parecia ter criado coragem e disse:

PAI: — Mary, você acredita demais em contos de fadas.

MÃE:- Como assim?

PAI: — A família real de Krósvia leva outro tipo de vida. Somos tão humanos como qualquer pessoa. Sua gravidez teria sido recebida com um susto, sim, porque éramos muito jovens, mas jamais com desprezo. Já passou pela sua cabeça que nós poderíamos ter nos casado?

MÃE: — Rá! Você diz isso agora. Queria ver se fosse naquela época.

PAI: — Não, você não queria. Por isso fugiu.

David estava certo. Minha mãe fora covarde, o que estava me deixando com uma raiva imensa. Por causa dela eu cresci imaginando o pior dele, cresci sem pai.
O celular do meu pai tocou, ele saiu da sala e só assim minha mãe notou minha presença. Ela me olhou com os olhos cheio de lágrimas, tinha suplica neles. Eu não ia gritar com ela, fugir ou dizer que nunca mais queria vê-la. Sou bem grandinha.

– Você poderia ter me falado, mãe. Eu entenderia.

Então ela chorou, e eu também. E naquele momento eu soube, que poderia ter ficado 20 anos sem pai, mas tive minha mãe todo esse tempo. E ainda teria, eu só queria poder conhecer e tentar agora ter um pai.

Notas finais
E é isso, espero que tenham curtido o capítulo. Sei que o auge da fic é quando tem Swan Queen, mas promete que jajá a Regina chega, é que não teria graça colocar ela logo de cara sem contar a história da Emma e os pais dela... Até mais :)