A princesa de Krósvia

14 Eu sou sua. Você é minha?


Notas iniciais
GENTE, o que dizer pra vocês? o último capitulo foi o mais comentado da fic, e eu to MUITO FELIZ, fiz vocês esperarem, mas valeu a pena, poxa, primeiro beijo delas ao som de Bon Jovi, MUITO obrigado pelos comentários, vocês não faz ideia do quanto me deixa alegre, faz meu dia ler cada comentário de vocês... O capitulo de hoje ta bem grandinho, mas juro que o final dele vale a pena, pelo menos eu espero, me desculpem se não suprir a expectativa de vocês, mas não tenho experiência com cenas assim, bom, leiam e vocês vão entender o que estou dizendo... Leiam as notas finais ta?

Acho que a rotação da Terra mudou de direção. Se antes uma vidente tivesse me avisado que mais tarde Regina e eu estaríamos atracados nos braços uma da outra, eu jamais teria acreditado. Mesmo quando meus lábios foram traçados pelos dedos dela semanas antes, em meu quarto, ou no momento em que nos conectamos na Caverna do Pirata, apesar de todas as pistas, eu nunca cogitara essa possibilidade. Regina sentia algo por mim. Agora eu sabia. Podia não ser paixão, mas havia uma força que nos atraía. Isso estava claro, especialmente porque ela não conseguiu esconder o suspiro que soltou ainda com sua boca presa à minha. Nem sei se foi suspiro mesmo ou um gemido baixo. O que importava o nome da coisa, afinal? Bastava para mim o fato de ter me deixado louca, excitada.

Mas, de repente, uma nesga de lucidez surgiu dentro de mim. O que eu estava fazendo, deixando acontecer? Regina não era solteira. A namorada dela, a maldita Nome de Cachorro e cérebro de toupeira com diarreia, devia estar bebericando calmamente um martíni sentada no sofá da cobertura dela. Nem em seus piores pesadelos ela imaginaria que sua querida Regina deslizava as mãos fortes e poderosas pela extensão de meu corpo, embora fizesse questão de saltar as partes mais... comprometedoras.

Essa constatação foi um banho de água gelada do Oceano Ártico. Sob uma nova ótica — bastante desesperadora, por sinal —, o título de cachorra da história havia acabado de ser transferido para mim!

Sem aguentar mais a pressão da realidade, espalmei minhas mãos nos ombros de Regina e a empurrei com força. Ela não se moveu muito, mas se afastou o suficiente para interromper o beijo e me fazer sentir vazia.

A prova de nosso crime estava estampada no rosto dela: cabelos revoltos, batom borrado e lábios inchados, além da respiração acelerada.

Tapei os olhos com os dedos. Sagrada face, que vergonha de mim!

— Em... — Regina disse, com a voz entrecortada, mas sem saber direito o que dizer. Havia fogo em seu olhar.

Estendi os braços e balancei-os em sua direção, gesticulando com ímpeto.

— Não fala nada. Finge que isso não aconteceu.

Suas mãos tentaram me alcançar mais uma vez, mas eu me afastei.

— Não me toque, Gina — supliquei. Talvez tenha sido o pedido mais difícil que fiz na vida, o mais custoso. — Isso não está certo.

Enquanto Bon Jovi entoava as últimas palavras da canção que agora havia se tornado o fundo musical de minha história — curta, eu sei — com Regina, ela me encarou com os olhos carregados de confusão, angústia, culpa e um resquício de desejo. Mas acabou balançando a cabeça, um gesto mudo de concordância.

— Tem razão — ela suspirou, bagunçando ainda mais o cabelo com dedos nervosos. — Eu te entendo, e quando não te entendo, eu te aceito. Mas... acima de todas as coisas, eu te respeito.

Aquelas palavras, tão simples, tão genéricas, deixaram-me arrasadas. Preferia que Regina tivesse negado e dito que desejava aquele beijo desde o dia que nos vimos pela primeira vez, que estava tão apaixonada quanto eu e que romperia com Lacey assim que voltasse para casa. Entretanto, por mais que doesse, concordar comigo era a atitude correta.

Senti um frio gigantesco. Apesar de estar com meu sobretudo, era como se eu estivesse despida. Um tremor percorreu meu corpo e desejei nunca ter batido o pé para assistir ao show de Bon Jovi. Melhor passar a vida imaginando uma situação sonhada do que experimentá-la uma vez e não poder tê-la nunca mais.

— É melhor eu ir embora — disse. — Vou pegar um táxi.

— De jeito nenhum — esbravejou Regina, toda mandona. — Você já correu riscos demais por hoje. Nem precisa ligar para o Daniel. Eu mesma a levo para casa.

Tive que rir. Mas não foi uma risada alegre, com humor. Pelo contrário. Soou como uma ode à derrota, um manifesto à frustração. Fiz um movimento de desdém com a mão e rejeitei a oferta:

— Seu apartamento está cheio de visitas, que já devem estar estranhando seu sumiço. Vou voltar sozinha. Taxistas estão acostumados a carregar celebridades — disse, com ironia.

— Emma, não seja criança. Pense no seu pai, pelo menos, antes de se enfiar num carro qualquer.

Como se eu estivesse louca para sair pelas ruas de Perla a bordo de um táxi. Mas que outra opção eu tinha? O contexto anunciava em letras garrafais que era bem mais seguro voltar para o castelo com um desconhecido ao volante do que ficar na companhia de Regina.

Devo ter deixado esse pensamento transparecer, pois Regina avançou novamente em minha direção, cheia de fúria, e me segurou pelos ombros, obrigando-me a encará-la.

— Não vamos discutir isso, Emma. Eu vou levar você de volta para o Palácio Sorvinski com ou sem seu consentimento. E não me fale sobre meus amigos e que já devem ter dado pela minha falta, porque estou me lixando!

Depois de expressar seu argumento de modo tão delicado e tranquilo quanto um general, Regina averiguou se eu ainda corria risco, observando a multidão completamente alheia ao que se passara conosco entre as caixas de som. Ruby acharia a situação excitante e daria pulinhos de alegria se ficasse sabendo. Isso se eu contasse a ela, o que estava fora de cogitação. Os beijos e todos os outros detalhes que compuseram meu momento único com Regina, inclusive Bon Jovi cantando ao fundo, ficariam guardados só comigo, a vida inteira. Bom, contanto que nenhum paparazzo cretino tivesse assistido à cena de camarote, mais uma vez.

— Pegue suas sandálias e venha comigo — ordenou.

— Eu as perdi — sussurrei, agora chateada com o sumiço delas. Na hora da correria, eu não avaliara a ocorrência racionalmente.

Regina desviou os olhos para meus pés e balançou a cabeça. Nossa! Se eu soubesse que me beijar a deixaria tão irritada, jamais teria correspondido! Será que meu beijo era ruim? Jesus, será? Ai... Eu não estava pronta para conviver com essa constatação.

— Emma, definitivamente você enlouqueceu — ela me repreendeu. — Primeiro, foge do meu apartamento, depois, sai descalça nesse frio. Vai acabar adoecendo.

Sem me dar chance de justificar, Regina saiu me puxando pela mão. Caminhamos de cabeça baixa, evitando as pessoas, e num instante entramos no prédio dela e descemos para a garagem. Quando nos viu, o porteiro optou por não fazer comentários, apenas disse uma frase em krosvi, um cumprimento qualquer.

Eu acho.

Quanto a mim, não tinha coragem de pronunciar uma palavra. A vergonha pelo que acontecera me calou completamente. Pior foi suportar a consciência de que seria impraticável conviver com Regina daquele momento em diante. Como olharia para ela outra vez sem visualizar a nós duas naquele amasso fenomenal?
Sentei o mais perto possível da porta, de modo que nossos corpos não se tocassem nem por acidente. Fiquei com pena de sujar o tapete do carro com meus pés cheios de areia, mas o que eu podia fazer?

Um clima pesado nos envolveu. Recostei minha cabeça no vidro da janela do carro e fechei os olhos. Não que eu fosse dormir. Apenas criei uma barreira contra uma possível conversa esclarecedora.

Regina ligou o som e uma música suave dominou o ambiente. Mas nem isso conseguiu me acalmar. Ao longe, um novo som deu o ar da graça. Era o celular de Regina tocando. Quis olhar para ela e dizer: “Não vai atender?”. Mas fiquei na minha, calada, fingindo-me de morta.

Depois de um milhão de tentativas do outro lado da linha, Regina resolveu acabar com o desespero e atendeu à chamada, falando em krosvi. Mesmo não entendendo nada, saquei que se tratava de Lacey, até porque foi fácil concluir isso, uma vez que ela mais gritava do que conversava. Regina também se exaltou e as duas pareceram entrar no modo “ofensas gratuitas”.

Ainda de olhos fechados, percebi quando Regina lançou o celular no painel do carro, com força, acho que sem se despedir da namorada. Cheguei a sentir medo. E se ela resolvesse jogar o Audi de encontro a um poste? Sei lá... Na hora da fúria, o ser humano é capaz de tudo.

Por fingir estar dormindo, não vi quando o cenário urbano de Perla se transformou na paisagem bucólica dos arredores do castelo. Fiquei com pena, porque era uma oportunidade de visualizar tudo no período noturno. Desde minha chegada à Krósvia, eu havia me transformado numa pessoa totalmente diurna. Realmente não vi, mas soube quando entramos no território do Palácio Sorvinski pela mudança de clima. O ar marinho invadiu meus pulmões, anunciando a chegada a meu destino.

Os portões do castelo foram abertos pelos guardas de plantão e eu nem bem esperei Regina terminar de estacionar e já fui saltando do carro, em cima do salto — no sentido figurado, pois meus saltos de verdade já eram. Não consegui ir muito longe. Regina foi mais rápida do que eu e me alcançou antes de eu conseguir dar três passos. Segurando meu pulso — de novo —, disse, ou melhor, ordenou:

— Não vá embora ainda. Precisamos conversar.

Meu coração entrou num ritmo alucinado, bombeando sangue por todas as partes de meu ser. Respirei fundo a fim de me acalmar e encontrar a resposta certa. Então, havia chegado a hora da verdade, ou seja, de Regina cair fora de minha vida.

— Acho que não — forcei-me a dizer. — O que fizemos foi uma loucura, mas podemos fingir que nada aconteceu. Não tem problema.

— Não? — Regina parecia incrédula. — Pois, para mim, tem. Emma, será que você não percebe que foi inevitável, que chegaríamos a esse ponto de qualquer jeito?

Ela procurava meus olhos, que fiz questão de manter desfocados dos dela.

— Que ponto? A que ponto chegamos, me explica? Porque só o que sei é que nossa atitude impensada fez você trair sua namorada. — Não que eu me importe com ela. Isso eu não disse em voz alta, mas bem que queria deixar claro de uma vez por todas.

— Emma, não faz assim. Não pense que não significou nada para mim.

— Mesmo que tenha significado, Regina. Não vai voltar a acontecer. — Sério, não sei de onde tirei tanta segurança. — Foi errado e eu não vou me sujeitar mais a isso.

Soltei meus pulsos e passei por Regina, decidida a esquecê-la de uma vez por todas. Taí. Se ela tinha um defeito, era esse: estar com uma pessoa e pensar em outra.

— Eu não quero que você se afaste — ela gritou, chamando a atenção dos guardas.

— Impossível. Não temos esse direito — suspirei. — Estou decepcionada, Regina. Pensei que você fosse diferente. Acho a Lacey uma das pessoas mais insuportáveis do mundo — confessei, muito magoada. — Mas ainda assim o que fizemos não foi certo.

Dessa vez eu a choquei. Sua expressão mudou de agonia para apatia. Ela baixou o olhar, derrotada.

— Você tem razão — disse, por fim, num fio de voz fria, sem emoção. — Não é justo mesmo. Mas quero que saiba...

— Não diga nada. Paramos por aqui. — Cortei sua fala e disparei para dentro do castelo. Não queria ouvi-la dizer que tinha um enorme carinho por mim ou coisa parecida.

Nem sei quando ela se foi. Não parei de correr enquanto não alcancei meu quarto e me joguei sobre a cama, de vestido de noite e casaco. Com a cabeça enterrada nos travesseiros, chorei como nunca. Deixei as lágrimas levarem embora toda a dor e a decepção que se acumularam em meu peito. Acabei adormecendo daquele jeito: suja, vestida e arrasada. Nem a lembrança do beijo maravilhoso conseguiu me consolar naquela noite.

***

Fiquei três dias inteiros trancada no quarto. Para todos os efeitos, eu tinha pegado uma virose que me derrubara. Por sorte, meu pai viajou para participar de uma conferência na França e me poupou de maiores explicações. Não que eu tenha ficado totalmente imune a questionamentos. Irina e Cora passavam para me ver umas dez vezes por dia — cada uma —, indignadas com meu desânimo e minha falta de apetite.

Pois é. Perdi a fome também. Fato inédito em minha vida. Mas como conseguiria engolir se um bolo compacto e resistente havia se formado em minha garganta e não dava sinais de que desapareceria?

Vejam só o que uma paixão não correspondida faz com a gente. Nunca pensei que fosse sofrer por amor, como as heroínas das histórias de época das quais eu tanto gostava. Mas lá estava eu: na cama, sem motivação até para receber as meninas do Lar Irmã Celeste. Entretanto, como não desejava chamar atenção para o fato de ter sido meio que rejeitada por Regina — sim, porque ela não me procurara mais depois daquele dia —, inventei a tal virose e tinha que ficar dando uns espirros mentirosos sempre que alguém aparecia para me ver.

Também decidi desligar o celular, de modo que não caísse na tentação de desabafar com quem me ligasse, ou seja, com Ruby, minha mãe ou vovó. Se ouvisse a voz delas, juro que cairia em prantos.

Sendo assim, passei três dias meio catatônica, assistindo a filmes água com açúcar na TV a cabo, o que só potencializou minha depressão, já que, vamos combinar, ver casais tendo seus finais felizes, mesmo que na ficção, não era exatamente uma injeção de ânimo. Em 72 horas, revi cenas e mais cenas de beijos calientes, chorei baldes de lágrimas revendo Titanic e Um Amor para Recordar, entreguei-me mesmo a uma autoflagelação. Minha mãe sempre diz que, às vezes, não faz mal ter pena de nós mesmos. Então, eu tive.

Mas também me deixei levar de volta ao show de Bon Jovi e repassei meu amasso com Regina milhares de vezes em minha cabeça. Nem na milésima primeira vez deixei de me arrepiar ao lembrar o beijo e a sensação que ela provocara em meu corpo. Ah, se eu pudesse voltar atrás e repetir a dose, só que em câmera lenta para durar mais. Porém, de nada adiantava sonhar, pois não havia a menor possibilidade de tudo aquilo voltar a acontecer.

Por isso, na manhã do quarto dia, me levantei da cama decidida a me entregar ao clichê de sacudir a poeira e dar a volta por cima. Ou eu vencia essa fase difícil ou teria que arrumar as malas e partir de volta ao Brasil o mais rápido possível. Só não dava para continuar entregue à apatia.

Minha primeira providência foi tomar um banho relaxante de banheira, com direito a sais e muita espuma. Fiquei perdida em pensamentos até a água esfriar. Depois, vesti uma roupa quente e confortável e me sentei na frente do computador, resolvida a dar noticias para Ruby. Estava disposta a me abrir de vez com minha melhor amiga. Quem sabe aquele bolo desaparecesse de minha garganta?

De: Emma Swan Para: Ruby Granny

Assunto: Olá!

Amiga,

Antes de começar, gostaria de lhe pedir desculpas. Não tenho sido uma boa MAPS (Melhor Amiga Para Sempre, lembra-se da nossa sigla secreta?). Porque melhores amigas não escondem coisas uma da outra e tudo o que tenho feito nos últimos tempos é omitir um fato que você já percebeu, mesmo eu não tendo coragem de admitir. Até hoje.

Pois é. Você estava certa quanto ao fato de eu estar apaixonada pela Regina. Aliás, depois que você foi embora, apaixonada passou a ser eufemismo para meus sentimentos. Estou louca por ela, acho que desde sempre, e isso está me matando. Penso nela o tempo todo e mal consigo articular um raciocínio sem envolver o nome dela na história. Eu sei. É doentio. Mas o que posso fazer? Ainda não descobri uma forma de mandar no meu coração.

Meu maior desejo é acordar numa manhã completamente curada dessa paixão. Adoraria exclamar: Graças a Deus! Passou! Mas acho que não vai rolar. Está vendo? O negócio é feio mesmo, amiga.

Para piorar tudo, a Regina começou a dar sinais de interesse por mim. Você deve estar aí pensando: Mas isso não é bom? Seria, se a Nome de Cachorro já tivesse caído fora da vida dela. Mas, quer saber? A culpa nem é dela. A maior culpada de tudo é a própria Regina.

É isso, Ruby. Tenho vivido que nem protagonista de novela mexicana, com direito a bastante drama e lágrimas. E você? Como está?

Prometo não desaparecer mais, nem se de repente as coisas piorarem por aqui, o que não é difícil de acontecer.

Obrigada por ser minha grande amiga.

Amo você.

Emma.

Não fiquei esperando a resposta de Ruby. Logo que enviei a mensagem, desliguei o computador e saí do quarto. Queria visitar Cora na cozinha e aproveitar para comer alguma coisa.

Desci as escadas sem encontrar uma alma viva, mas na cozinha me deparei com um princípio de caos. Tanto Cora quanto as arrumadeiras do castelo enchiam uma cesta com produtos de limpeza, como se estivessem prestes a fazer uma grande faxina no mundo inteiro.

— O que estão fazendo?

— Ah, minha querida, você melhorou! — Cora se aproximou de mim, analisando-me com olhos de médica pediatra. Ali, eu era a criança dela.

— Sim. Estou bem. Mas para onde estão levando tudo isso? Tem algum evento marcado aqui no castelo?

— Ah, não. É só a limpeza mensal do chalé da Ilha de Zelena. Fazemos isso sempre, para não deixar o lugar deteriorar. Seu pai faz questão.

A Ilha de Zelena. Eu havia me esquecido completamente dela. Mesmo avistando-a da varanda de meu quarto.

— Posso ir com vocês? — perguntei à queima-roupa.

Cora e as outras mulheres me olharam, espantadas. Será que eu tinha dito alguma bobagem?

— Ir conosco? Mas por quê? Não há muita coisa por lá.

— Estou curiosa e sem nada para fazer. Prometo não atrapalhar, Cora, por favor. — implorei.

— Será que seu pai não vai achar ruim?

— Ele nem está aqui na Krósvia, Cora. E não vai reclamar quando souber, garanto. Nem vamos sair dos limites do castelo. Ah, vai. Não custa nada.

Vi que tinha ganhado a batalha quando um sorriso brotou no rosto de Cora. Ela pediu que eu fosse vestir algo ainda mais quente, porque na ilha fazia muito frio.

— E parece que vai chover — completou, de olho no céu através da vidraça da cozinha.

Voltei para o quarto e me enfiei num jeans justo e num suéter. Calcei botas de cano longo e me cobri com um casaco de lã que batia nos joelhos. Para garantir, levei um par de luvas e um gorro quentinho. Por fim, dependurei um cachecol no pescoço e me senti pronta.

Encontrei Cora me esperando no pátio dos fundos do castelo. Ela disse que iríamos de lancha e que o trajeto era curto.

— Quem vai pilotar? — indaguei, meio temerosa.

— Alguém bastante acostumado a fazer isso, Emma — ela respondeu, achando graça de meu medo.

As outras mulheres já estavam na lancha quando chegamos. Ficaram meio tímidas com minha presença e não conversaram muito. Eu também preferi só observar, aproveitando a oportunidade para relaxar diante daquele mar azul, apesar de o céu não estar com a melhor das cores.

Realmente, a viagem foi rápida. Nem cheguei a enjoar, o que sempre acontece quando estou em alto-mar. Desci da lancha no pequeno cais de madeira e fiquei pasma com o que vi.

Uma coisa era certa: Zelena devia ter vivido seus dias na ilha sempre de olho no continente. Pois janelas não faltavam. Só na frente da casa contei três, e não eram pequenas. E todo o chalé era contornado por uma varanda, de onde se tinha uma vista de tirar o fôlego.

Entrando dentro do chalé e fui para quarto dela, que se revelou o cômodo mais mágico do chalé. Ao colocar meus pés lá dentro, dei de cara com uma cama de casal com dossel, forrada por uma colcha de renda branca e almofadas rosa-chá. Duas das paredes eram cobertas por estantes de livros, ainda conservados ali. De lá, eu não escutava mais as mulheres trabalhando na limpeza.

Aposto que Zelena passava horas se olhando no espelho da penteadeira instalada de frente para a cama e cheia de frascos de perfumes e cosméticos sobre o tampo de mármore. Minha nossa! Tudo parecia estar do jeito que ela deixara.

Inacreditável.

De repente, um pensamento me passou pela cabeça. Será que... Puxei depressa as portas do armário e comprovei minha hipótese. Sim. Lá estavam os vestidos de Zelena, um a um, pendurados com precisão. Minhas mãos voaram até eles, não resistindo ao desejo de sentir a textura daqueles tecidos.

No meio de todos eles, um em especial me chamou a atenção. Puxei-o do cabide com cuidado para não rasgar. Tudo me levava a crer que se tratava de um traje de gala. Mas não foi esse detalhe que despertou minha curiosidade. Acontece que o vestido em questão era vermelho, tomara que caia, idêntico ao que aparecia em meu sonho recorrente. Coloquei-o na frente do corpo e me olhei no espelho. O reflexo era meu eu daquele sonho inexplicável. Eu tremi.

De volta ao armário, preparei-me para recolocar o vestido no lugar e respirei aliviada quando escutei passos atrás de mim. Não me virei para ver quem era, certa de que só poderia ser Cora. Então, quis saber, sem olhar para trás:

— Por que tudo isso foi mantido aqui durante esses dois anos todos, Cora? — questionei, ajeitando o vestido no cabide. — É meio sinistro, não acha?

Silêncio.

A vida inteira eu duvidara da existência de fantasmas, mas, naquele instante, com minha adrenalina correndo solta nas veias, cogitei sair correndo e gritando de pavor pelo que poderia estar plantado atrás de mim.

— Totalmente sinistro.

Três coisas aconteceram assim que essa frase foi pronunciada:

1. Meu coração deu um salto mortal dentro do peito.

2. O vestido vermelho escorregou de minhas mãos e se espalhou pelo chão, bem a meus pés.

3. Eu me virei bruscamente e encontrei um par de olhos castanhos transbordando um monte de sentimentos, todos por mim.

Minto. Foram quatro coisas. Também perdi a voz.

— Também me pergunto por que este chalé permanece intacto — Regina disse, de uma forma tão natural como se estivéssemos batendo um papo informal há horas. — Mas o David diz que é um tributo à minha mãe.

Tum, tum, tum. Ainda era meu coração, totalmente acelerado.

— Na verdade, penso que ele não quer se desfazer das coisas para não apagar a história.

Ela olhou para o chão e viu o vestido. Aproveitei o desvio de seu olhar para recobrar meu autocontrole.

Respira. Respira. Respira.

— Como você chegou aqui? — Tentei disfarçar meu pânico.

— De lancha, ué. A nado é que não foi. — Um momento sério como aquele e Regina fazendo piada.

Outro trovão, agora mais alto, rasgou o céu. Estremeci.

— Onde está Cora? E as outras mulheres?

— Já foram. — Regina não tentou se aproximar, mas sua voz estava cada vez mais sedutora e os olhos, cheios de malícia. Senti-me tonta. — Avisei que tomaria conta de você e que não se preocupassem. Eu disse para elas que só queria lhe fazer uma surpresa.

Ignorei a segunda parte da resposta de propósito.

— E a lancha? Como vamos voltar?

— Ora, Emma, se vocês vieram em uma e eu em outra, ainda nos resta uma lancha para voltar, né?

— Então, vamos — eu disse com firmeza, abaixando-me para pegar o vestido do chão e pendurá-lo de volta no armário antes que estragasse.

Mas Regina parecia outra pessoa. Ela só moveu a cabeça, refutando minha proposta, e acrescentou:

— Não antes de eu te mostrar a surpresa.

Franzi a testa. Para que universo paralelo eu teria sido enviada? Nada daquilo fazia sentido.

— Venha aqui — ela me chamou.

— Regina, o que está acontecendo?

— Emma, não seja chata. Venha ver o que eu trouxe para você.

Regina estendeu um braço em minha direção, oferecendo-se para me guiar. Eu até que me mexi, mas ignorei deliberadamente sua oferta. Não cairia na asneira de tocá-la de novo.

Ela suspirou, acho que inconformada com meu gesto, mas não retrucou. Saí do quarto de Zelena e Regina me seguiu. Porém, quando percebi que não sabia para onde deveria ir, parei e cruzei os braços sobre o peito.

— Onde está a tal surpresa?

— Na cozinha.

Dessa vez, ela andou na frente e eu pude curtir a paisagem, quero dizer, pude me deleitar com a visão panorâmica de toda a retaguarda de Regina. Ela ainda era um veneno para minha sanidade, especialmente vestida daquele jeito: calça jeans, camisa preta com decote em V, jaqueta de couro e botas.

Só eu mesma para viajar na aparência espetacular de Regina depois dos dias de depressão que passara por causa dela. Prometi que procuraria um psiquiatra para analisar meu caso assim que retornasse a São Paulo. Minha mãe deveria conhecer algum.

— Tcharã!

Como um mágico que acabava de finalizar um truque, Regina abriu os braços e apontou para a enorme cesta sobre a mesa da cozinha. Meu estômago roncou, pois associei a cesta a comida e me lembrei de que não tinha comido nada.

— É nosso piquenique particular. Tem de tudo aqui dentro, afinal, eu sei que você adora comer.

Fiquei vermelha. Então, na cabeça de Regina eu era uma gulosa. Beleza de imagem.

— Ei, não precisa ficar envergonhada. Foi um elogio — ela esclareceu, aproximando-se um pouco. — Porque você é a única mulher que conheço que come com prazer, sem frescura. Mas, mesmo assim, tem um corpo perfeito.

Mulher? Corpo perfeito? Essas palavras não eram exatamente as que melhor caracterizavam minha pessoa.

Perplexa demais para falar, fiquei encarando a cesta. Outro trovão retumbou e a chuva finalmente começou a cair.

— Emma, por que está tão calada? — Regina parou diante de mim, ficando a apenas um passo de distância. Sentir seu cheiro — maçã, doce — me fez corar ainda mais.

— Não sei o que veio fazer aqui, Regina — reagi, ainda tonta de surpresa. Que nada! A quem queria enganar? Estava tonta de desejo, isso sim.

— Jura que não? — Ela segurou uma mecha de meu cabelo e prendeu-a atrás de minha orelha. — Não acredito que seja tão desligada.

— Do que você está falando? — gemi, quase inconsciente de meus movimentos.

— Estou falando de nós. De mim e de você. Do que sentimos uma pelo outra. Fui claro agora?

Seus dedos não se desconectaram de mim. Com a mecha presa, Regina deslizou-os pela pele de meu pescoço, tocando-me tão levemente que mal dava para sentir. Ainda assim, era muito bom. Uma agonia, mas uma agonia maravilhosa.

— Nem um pouco — retruquei. — A que sentimentos você está se referindo? Só conheço o que há entre você e a Nome de... digo, a Lacey.

Meus reflexos mentais não foram rápidos o suficiente para processar a manobra que Regina fez. Só sei que resultou nela prensando me contra a mesa, que, apesar de pequena e antiga, era bem firme.

— Emma, tenho consciência de que errei com você — confessou, com os lábios tão próximos de meu rosto que pude sentir seu hálito de menta. — Mas meu erro não foi beijar você enquanto ainda namorava a Lacey. O erro foi fazer você acreditar que eu queria estar com ela e não com você. Também errei por não ter terminado meu namoro antes e explicado a você o que eu sentia, o que eu sinto toda vez que fico perto de você. Mas te beijar, Emma, foi a coisa mais certa que já fiz na vida, pois só comprovou tudo o que eu pensava.

Eu. Não. Acredito. Eu estava mesmo ouvindo uma declaração de Regina?

— O que você pensava? — instiguei-a, ofegante por antever no que aquilo ia dar.

— Que você me deixa louca.

— E a Lacey? — sussurrei, incapaz de raciocinar direito. Era muita informação nova para assimilar de repente.

— Desmanchei o namoro com ela na noite do show.

— Mas então por que só agora...

Regina colocou o indicador sobre meus lábios. Foi bom, mas eu ansiava por outra parte dela colada neles.

— Para fazer do jeito certo. Do jeito que você merece.

Com suas mãos firmes, Regina me sentou sobre a mesa e se posicionou entre minhas pernas. Nossas respirações ofegantes se misturaram numa só, mas não nos beijamos de imediato. Com os rostos mais ou menos na mesma altura, fizemos nossos olhares se encontrarem e deixamos que eles lessem os sentimentos uma da outra.

Os polegares de Regina desenharam círculos em minhas bochechas e, para encerrar aquela tortura, aquele jogo de quem resiste mais, cruzei minhas pernas atrás de seus quadris e puxei-a para mais perto.

— Emma, qualquer dia desses vou perder a cabeça por você.

— Faz meses que não vejo a hora disso acontecer.

Então, nada mais foi dito. Em um segundo, a boca de Regina se prendeu à minha, beijando-me ainda mais profundamente do que da primeira vez. Recebi-a com prazer, ajeitando-me para ficar ainda mais colada a ela. Com a boca aberta, deixei que ela explorasse todos os cantos dela e aproveitei para explorar a dela também. Nós duas sentíamos a descarga elétrica que passava por nossos corpos e então percebi que queria mais. Muito mais.

Regina também. Desceu as mãos por meus braços e depois acariciou minhas costas. No entanto, havia um excesso de roupas entre nós. Como se tivesse lido meus pensamentos, Regina desatou o cinto de meu casaco de lã e enfiou suas mãos dentro dele. Ainda assim, era muito pano. Com um movimento desesperado, arrancou o sobretudo de meu corpo e o jogou de qualquer jeito no chão. Mas ele não ficou lá sozinho, largado no piso antigo. Acabou ganhando a companhia da jaqueta de couro de Regina, que não sei como também já não estava mais cobrindo seus ombros e braços.

Os lábios de Regina, de repente, estavam em todas as partes. Eu podia senti-los em meu pescoço, meu queixo, minhas orelhas. E eu só pensava: finalmente! Então, Regina gemeu. E desgrudou a boca de cima da minha só para sussurrar:

— Eu quero você, Emma.

Em vez de me derreter de vez e me entregar por inteiro para ela, coisa que eu queria havia tanto tempo, só consegui pensar no terrível fato de não estar usando uma única peça da coleção de lingeries da Victoria’s Secret que eu comprara especialmente para uma ocasião como aquela. No momento, eu vestia um par descombinado de calcinha e sutiã cor de areia. Dá para acreditar?

Mas não foi essa constatação que me fez pular da mesa e sair dos braços de Regina, inspirando loucamente para recuperar o fôlego perdido entre os beijos alucinados. Gente, eu ainda era... Eu nunca... Céus!

— Desculpa, Regina, mas não posso continuar.

— O que foi que eu fiz? — questionou ela, rouca de desejo e frustração.

— Nada. É só que... Eu...

Não consegui confessar. Como contar para ela que era virgem e sem experiência nenhuma? Eu queria me deixar levar. Ah, se queria! Mas parecia tão errado... afinal, não tínhamos um relacionamento nem nada. Sem contar que até há poucas noites Regina dormia enroscada com outra pessoa.

Visivelmente confusa, Regina me puxou delicadamente e me abraçou, apoiando sua cabeça no topo da minha.

— Eu já sei o que vai dizer — disse. Seus dedos desciam e subiam devagar entre meus cabelos. Um carinho despretensioso, até inocente, que me deixou em sinal de alerta novamente. — E não me importo, Emma. — Regina se afastou e me olhou dentro dos olhos. — Porque tudo o que mais quero agora é ficar com você, não importa como. Eu passei esses últimos meses tentando descobrir o que sentia em relação a você. No início, fiquei implicando com sua chegada.

— Eu bem sei. Percebi sua desconfiança. Aliás, pode confessar, Regina. Você achou que eu era uma golpista.

Ela riu de um jeito gostoso, relaxado, sem culpa.

— É verdade. O David sai da Krósvia viúvo e sem filhos e volta todo sorridente com uma filha debaixo dos braços. Custei a assimilar essa novidade, não por ciúme ou medo de perder meu posto, mas porque a história em si era muito incoerente. Não queria que ele se decepcionasse. Você entende meu lado agora, né?

— Mais ou menos. Regina, você me julgou sem me conhecer. Fiquei bastante ofendida, se quer saber.

Com um sorriso que já não saía do rosto, Regina me levou até um dos sofás verdes da sala e nos sentamos juntas, aconchegadas uma na outra.

Lá fora, a tarde virou noite de repente devido à intensidade da chuva que caía. Eu nunca gostei de raios e trovões. Mas naquele momento achei-os maravilhosos. Eram como música para meus ouvidos. Tudo se tornava lindo só pelo fato de eu estar com Regina.

— Mas não demorei a reconhecer que você é especial — ela disse. — Quando me ofereci para ser sua acompanhante nos passeios pelo país, paguei por tudo o que tinha pensado.

Estiquei o corpo e recostei-me no encosto do sofá para olhar para ela. Não me cansava de me perder naqueles olhos.

— Você é divertida — beijou minha testa —, engraçada — meu nariz —, inteligente — meus olhos —, autêntica — meu pescoço —, extremamente sexy — minha orelha — e linda — minha boca.

Ofeguei, voltando a ficar na expectativa.

— Em poucos dias, eu me apaixonei e não conseguia mais parar de pensar em você. Mas a Lacey..

Estremeci. A menção ao nome daquela garota era um banho de água fria.

— Não, por favor, não toque no nome daquele ser canino, quero dizer, no nome dela.

Tentei disfarçar meu fora, mas Regina percebeu.

— Ser canino? Como assim?

— Nada...

— Em...

— Ah! Ok, eu vou falar. Sempre chamei a Lacey de Nome de Cachorro, mesmo antes de conhecê-la, porque na minha terra Lacey é nome de cachorro mesmo e eu morria de inveja dela, ainda que não tivesse reconhecido meus sentimentos por você.

Regina soltou uma gargalhada forte, exibindo sua arcada dentária perfeita.

— Agora você já reconheceu?

Fiquei tímida. Não queria discutir meus sentimentos com ela. Nem ao menos sabia como começar a falar deles.

— Ei, Emma. — Regina segurou meu queixo e me fez encará-la. — Chega de negar o óbvio. Ainda não acredito que nunca notou meu interesse por você, mas não quero esconder mais nada. Então, por favor, vamos ser honestas uma com a outra? Porque eu não aguento mais me segurar e fingir. Aquele dia, na Caverna do Pirata, eu estava pronto para admitir. Não fosse sua reação, toda fria, juro que teria sido franca, inclusive com o David.

— Minha reação foi o de menos. A Lacey, sim, era o maior empecilho — discordei. — Não nasci para ser a outra na vida de ninguém.

— Não é a outra, Emma. E nunca vai ser. É a única para mim. Estou apaixonada, louca e quero você. Quantas vezes vou precisar dizer isso para você acreditar?

Regina tocou o colar de diamante que pertencera à mãe dela e agora pendia de meu pescoço. De alguma forma, compreendi a simbologia: estávamos ligadas.

Então, não tive mais medo e despejei tudo o que sentia:

— Você não faz ideia do que eu tenho passado, Regina. Passo os dias tentando esconder até de mim mesma o tamanho do meu sentimento. Estou totalmente apaixonada por você.

Ela se inclinou e pressionou meu corpo com o dela. Fui tomada por uma necessidade quase animal de pertencer a Regina, então, enlacei seu pescoço e a beijei bem ali, sugando e mordendo como se eu fosse uma vampira das histórias sobrenaturais. Enquanto a deixava ofegante, tive consciência de partes de minha anatomia que nem sabia que existiam. Fui amolecendo feito gelatina fora da geladeira.

— Repete o que disse, Emma — Regina ordenou, agoniada.

— Estou apaixonada por você — sussurrei, perdida nela.

Novamente, nossas bocas se uniram e eu não pensei em mais nada. Simplesmente me deixei levar pela urgência de senti-la cada vez mais perto. O desejo de Regina por mim era insano e visível, mas ela se esforçava para se controlar e não avançar o sinal.

Então, percebi que fazê-la esperar por mim só servia para agradar as convenções ditadas pela sociedade. Eu seria uma boa moça perante os conceitos de moral e bons costumes se me mantivesse “pura” por mais alguns meses. No entanto, estaria indo totalmente contra meus princípios, minha verdade, se refreasse minha vontade naquela noite. E ela berrava no fundo do meu cérebro: seja dela! E segundo a sociedade, eu já havia deixado de ser uma boa moça, no momento em que me apaixonei por outra mulher.

— Não quero esperar — assumi.

— Em, a gente não precisa fazer isso hoje.

— Não diga “não precisa” — retruquei. — Porque o verbo certo é quero. Eu quero você agora.

Para deixar minha decisão bem clara, puxei as mãos de Regina e coloquei-as sob meu suéter. Larguei o resto por conta dela.

Sem hesitar, ela puxou a barra da blusa, mas parou no meio do caminho para confirmar minha decisão. Fechei os olhos com força e levantei os braços, dando a Regina uma resposta muda, porém taxativa.

Eu tinha feito minha escolha. E nada no mundo me faria voltar atrás. Regina demorara para ser minha, mas agora era. E eu era dela. Não me importaria de passar por tudo aquilo novamente se soubesse que acabaríamos como estávamos: nos braços uma da outra.

Delicada, ela me carregou até o quarto de Zelena e me deitou sobre a cama. E lá estávamos nós duas. Eu nem ligava mais de não estar com aquelas belas peças da Victoria’s Secret. Haveria outros momentos para exibi-las com orgulho.

Pois, no instante em que Regina e eu nos unimos, tudo no mundo passou a ser belo. Até minha velha lingerie.

— Você vai ter que me guiar. — Eu disse com dificuldade.

— Terei tempo o suficiente para isso, hoje eu só quero aproveitar você.

Regina me deu um leve beijo nos lábios, depois foi beijando minha orelha, meu pescoço, até que começou a descer o caminho dos meus seios, ela me olhou com os olhos selvagens e perguntou novamente:

— Tem certeza?

Eu não respondi, apenas fechei os olhos e deixei que continuasse, e foi o que ela fez, tirou meu sutiã e beijou meus seios com delicadeza, até que começou a chupá-los fortemente. Doia um pouco, mas eu não me importava, enquanto Regina alternava entre um seio e outro, eu me curvava na cama me deliciando com o momento.

— Gina, por favor...

— O que foi Em?

— Não sei, mas eu quero mais. — Minha voz era fraca.

— Mais que isso? — Regina só tinha um fio na voz.

— Muito mais.

E foi o que eu tive, Regina parou de chupar meus seios, e foi descendo, fez todo o caminho da minha barriga com sua língua quente, parando apenas um pouco acima do meu sexo. Eu sabia o que vinha a seguir, apesar de nunca ter feito isso, mas sentia o que ela ia fazer, agarrei com força a cama e fechei o olhos. Regina tirou minha calcinha tão rápido que eu mal senti, só senti sua língua no meu sexo, fazendo movimentos circulares. Nesse momento eu já havia esquecido como respirar, não sabia mais quem eu era nem aonde eu estava, só sabia de uma coisa: A língua maravilhosa de Regina estava em mim.

Imaginando que ainda era pouco, Regina parou o que estava fazendo, recebendo um gemido de desaprovação da minha parte. Ela fez todo o caminho de volta para os meus lábios e o beijou dizendo:

—Você é maravilhosa princesa.

Dito isso, Regina me beijou com força, um beijo selvagem, então a senti penetrando um dedo no meu sexo, fazendo leves movimentos de entra e sai. Não foi nada bruto ou dominador, foi calmo, lento, eu podia sentir cada movimento.

— Abra os olhos Em... olhe pra mim.

Obedeci, abri os olhos e a olhei, imaginei que teria algo selvagem em seu olhar, mas foi diferente, ela me olhava com desejo, paixão, e deve ter sentido o mesmo em meu olhar, porque penetrou mais um dedo, aumentando a velocidade das estocadas, fechei o olhos e gemi tão alto, Regina me beijou, um beijo voraz, e depois sua boca foi rapidamente para meu seio direito enquanto continuava com as estocadas e seus movimentos alucinantes. Eu gemia, hora alto, hora baixo, eu queria que ela soubesse o quanto aquilo que estava bom... Regina retirou a boca dos meus seio, e começou a mordiscar minha orelha esquerda, então disse baixinho, com a respiração cortada:

— Eu amo você, Emma.

— Regina, eu...

Não consegui terminar a frase, meu corpo amoleceu e foi invadido com uma sensação que eu jamais sentira antes, as batidas do meu coração estava tão fraca que eu mal o sentia. Meu primeiro orgasmo, e eu nunca vou esquecer essa sensação, a sensação de ter dois dedos de Regina penetrados em mim.

Regina olhou no fundo dos meus olhos, achei que continuaria com as estocadas, mas ela retirou os dedos do meu sexo, os levou a boca e chupou, dizendo:

— Você tem um gosto maravilhoso, princesa Emma Swan Markov.

Notas finais
Eita rsrs, o que acharam? sejam sinceros, como disse não tenho experiência em escrever cenas de sexo hahaha por isso não me aprofundei muito nisso, mas espero que tenha agradado um pouquinho vocês, me contem o que acharam, e comentem por favor... beijos