A princesa de Krósvia

20 E se fosse verdade?


Notas iniciais
Gente, desculpa a demora, mas minha vida ta uma loucura rsrs ... Eu to indo fazer um intercâmbio nos estados unidos, por isso postarei somente uma vez por semana ok? Não vou abandonar vocês!!! Quem quiser me acompanhar no intercâmbio é só entrar no blog www.dormindoforadecasa.com :D e ahhhhh, me adicionem no snap talita_bs !!! Leiam as notas finais.

– Amiga, você está maravilhosa!!

Ruby não foi capaz de esperar que Regina e eu chegássemos até a mesa que ela ocupava com Robin antes de expressar sua alegria. Robin era o namorado de Ruby, que por mais engraçado que seja, já foi meu namorado também, mas a muito tempo atrás. Todas as cabeças do bar se voltaram para nós, tudo por causa da velha mania de Ruby de ser tão explícita.

Acenei timidamente, com o rosto meio corado de vergonha. Do meu lado, Regina tentava caminhar sem esbarrar sua tromba nas pessoas. Desde que soubera que minha melhor amiga levaria o namorado ao nosso encontro, decidiu ficar emburrada.

Tentei argumentar que a birra não tinha fundamento. Afinal, Robin e eu nunca chegamos a ser um casal de verdade. Sim, trocamos alguns beijos — bem, foram muitos, na verdade -, ficamos de rolo por cerca de três meses, mas tudo acabou bem antes de eu partir para e Krósvia pela primeira vez. Foi só eu virar as costas que meu "quase namorado" se engraçou para o lado de Ruby.

Na época. nós duas o julgamos supermal. Robin, de repente, se tornara o alvo da maior parte dos nosso xingamentos. Mas, com o tempo, enxergamos que, apesar de suas atitudes não muito dignas, tudo o que o pobre coitado desejava era conquistar o coração duro da minha amiga maluca.

– Desamarra essa tromba — exigi, entredentes.

– Só falta você querer que eu sorria para o imbecil — Regina devolveu, com um braço envolvendo possessivamente minha cintura.

– Não, não quero.

Ela expirou, parecendo vitoriosa.

– Eu faço questão!

– Emma, aquele cara é seu ex!

Encarei Regina, já farta de seu ataque de bobeira, e conclui de vez a discussão:

– E agora namora a Ruby. Então mostre que não é uma adolescente e comporte-se.

Regina apertou seus dedos ainda mais em minha pele, mas pelo menos suavizou a expressão. Como que para deixar claro para todos ao redor o tipo de relação que tínhamos, puxou-me para um beijo intenso, desses que fazem os dedos dos pés se dobrarem de alegria. Depois sussurrou, praticamente dentro da minha boca:

– Comporte-se você.

Olha só quem fala!

Ruby contornou a mesa, toda estabanada, e quase derrubou os copos sobre ela. Chegou até mim em dois passos.

– Ai, amiga, que saudade!

E que demonstração de afeto explícita foi essa? A família tradicional poderia crucificar vocês — Seu braços me envolveram, enquanto Robin se aproximava de Regina.

Robin a cumprimentou formalmente. Ainda bem que ela retribuiu o aperto de mãos. Por um momento pensei que ela fosse agir como uma mulher das cavernas.

– Se você tivesse ido embora sem nos ver, eu nunca mais a perdoaria. Sabe disso, né?

– É claro! — concordei, muito ciente do poder de vingança de Ruby.

– Olá, Emma — disse Robin, bastante confortável com a situação. Tanto que não se acanhou em me cumprimentar com um beijo no rosto.

Também não me intimidei. Regina não tinha com o que se preocupar. Ela que ousasse reclamar para ver só uma coisa.

– Ei, Robin! Tudo bem?

Sentamos os quatro e pedimos bebidas. Conversamos em português, para variar, já que meu idioma não era mais empecilho para minha namorada.

Passa a primeira reação de Regina com a presença de Robin, o clima ficou descontraído. Rimos muito, especialmente dos assuntos cabeludos de Ruby.
– Topa uma partida de sinuca, Regina?

Regina me olhou de esguelha. Fiz um gesto de incentivo quase imperceptível. Além de ser uma boa oportunidade para desencanar de vez, Ruby e eu poderíamos ter um bom papo mulherzinha, só nós duas.

Assim que Robin e Regina se distanciaram, ela agarrou minhas mãos, cheia de malícia:

– Qual é o segredo dessa pele tão reluzente, Emma?

Revirei os olhos, fazendo questão de demonstrar desdém. Os anos podiam passar, nós amadurecíamos, mas Ruby não perdia a chance de ser indiscreta. Que criatura sem noção, gente!

– Você sabe. O clima de Perla é favorável! — improvisei.

– Conta outra. Nós duas sabemos muito bem que o que é favorável a você não é bem o clima, queridinha.

Ruby deu uma olhada fugaz na direção da minha namorado e do seu namorado. Para meu azar, pegou Regina reclinada sobre a mesa de sinuca, prestes a executar uma jogada, justo quando a sua saia subiu um pouco demais pro meus gosto.

– Ai, ai... — suspirou — O Robin é um gato e a gente se dá superbem. Mas eu preciso admitir: que mulher não cai aos pés da cria de Zeus com Afrodite?

Soltei uma gargalhada que ressoou por todo o bar. Ruby tinha cada uma! E essa era nova.

– Pode rir Emma, mas repare bem, todos estão olhando a sua namorada.

Dei uma olhada em volta, Ruby estava certa, todos os olhares estavam em Regina, o que me deixou muito desconfortável... Mas também, quem mandou eu escolher justo a mulher mais bonita da Krósvia?

– Quando sai o casamento? Quero ser a madrinha, hein! — avisou, escondida atrás a caneca de chope.

Imediatamente meu sorriso se desfez. Se havia um assunto que me deixava travada era "casamento". Regina e eu vivíamos um verdadeiro conto de fadas. Em partes, ok. Porque eu era uma princesa de verdade; ela, estava mais para a rainha má. Nem o conto de fada mais moderno teria algo parecido, mas tudo bem. Apesar disso, ainda me sentia em um filme da Disney. A diferença estava no fato de que Cinderela, Bela, Aurora e companhia casaram-se com seus príncipes no final da história. Quanto a mim, nunca tivera sequer o prazer de escutar Regina pronunciar essa palavra, fosse em português, inglês ou krosvi.

Ruby notou minha mudança de humor. Tombou sutilmente a cabeça para o lado esquerdo. Do meu lugar, eu podia ouvir as engrenagens de seu cérebro hiperativo trabalhando.

– Vocês não pretendem se casar? — questionou ela, devagar, como se estivesse com medo de me assustar.

– Nunca falamos sobre isso.

Fiquei impressionada com o tanto que Ruby arregalou os olhos. Suas pupilas esverdeadas quase saltaram sobre mim.

– Depois desse tempo todo e desse amor que chega a se espalhar por onde passam, você está me dizendo que vocês duas jamais discutiram quando e como vão se casar?

Balancei a cabeça para cima e para baixo. De repente senti a irritaçãp me invadir. Não esperava ter que dividir uma de minhas maiores frustrações bem ali, na penumbra de um bar em plena Avenida Paulista, enquanto o motivo da minha ira jogava sinuca toda relaxada, nem desconfiando de que era o foco da conversa.

– Puxa, pensei que esse fosse o maior sonho de vocês — Ruby comentou. E não fez isso com segundas intenções, a fim de me magoar. Porque ela estava certa. Parecia a dedução mais lógica.

– Não digo que nunca sonhei me casar com Regina, porque estaria mentindo. Mas ela nunca se manifestou. Então eu fico calada também.

Sim, éramos muito novas ainda. Sim, tínhamos muito o que viver. E, sim, na hora certa trocaríamos as alianças de compromisso eterno. Bom, pelo nenos eu esperava, não é mesmo? O que me chateava era que Regina nem brincava com esse assunto. Tratava de ignorá-lo solenemente.

– Puxa, Emma, nem sei o que dizer.

– Ruby, não precisa fazer drama. Não é como se a Regina pretendesse me largar de uma hora para outra. — Cortei antes que minha amiga começasse a me analisar como se eu fosse um rato de laboratório.

– Eu não disse isso, disse? — defendeu-se. — Até acho normal a Regina nunca ter falado disso. Você conhece ela, não é de se abrir muito não é? Só imaginei que com vocês as coisas fossem diferentes. Quero dizer, diferentes no sentido de que pertencem á realeza e tudo mais. Afinal, a realeza adora um protocolo, né?

Voltei a sorrir e o clima pesado se desfez. Ruby era mestre na arte de usar as palavras para o bem, mesmo que de forma incongruente.

Regina e Robin não demoraram a voltar para a mesa. Chegaram parecendo amigos, Regina até deu tapinhas nas costas e trocou alguns insultos, comportamento que seria normal, se ela não fosse do sexo feminino.

Ruby e eu nos entreolhamos, mas no abstivemos de fazer comentários!

***

Minha mãe ainda estava acordada quando voltamos para o seu apartamento, o mesmo onde morei com ela até poucos meses atrás. Assistia a um programa de humor no Multishow, enrolada num edredom.

– Olá, meninas! — Mamãe nos saudou com carinho. Ficou de pé e calçou os chinelos de pano, enquanto enganchava seus braços nos nossos. — Aposto que estão com fome. Deixei um quibe assado no forno para vocês.

– Mãe, acabamos de comer uma porção de tira-gosto. E já são quase duas da manhã. Nossos estômagos não vão suportar nem mais um grão de arroz.

– Fale por você, Em. — Regina retrucou. — Não vou rejeitar um pedaço do famoso quibe assado com requeijão da Mary.

Revirei os olhos. Sabia que Regina não podia estar com fome. Ela só aceitara a oferta para agradar mamãe. Essa era uma de suas muitas qualidades.

– Então eu vou para a cama. Estou morta de sono. Amanhã a gente se vê.

Abracei minha mãe e dei um beijo casto em Regina. Desde a nossa primeira noite juntas, quando nos declaramos uma a outra na Ilha de Zelena e, na manhã seguinte, caímos num golpe arquitetado pela nome de cachorro — que quase estragou nosso romance de vez -, não é segredo para meus pais que a gente... bem, dorme juntas. No entanto, Dona Mary Margareth se recusa a dar uma de moderna quando a visitamos; ela faz questão de nos colocar em quartos separados.
Claro que Regina e eu aceitamos tudo numa boa. Não é o tipo de tema que deva ser debatido. Mesmo assim, não acanhei em lhe enviar uma piscada bastante reveladora. Ela que tratasse de entender meu recado.

Entrei em meu velho quarto sentindo os odores do bar exalarem de meus cabelos e roupas. Travei uma pequena discussão comigo mesma, até que meu lado asseado venceu. Decidi tomar um banho antes de me deitar, pois sabia que minha noite de sono seria melhor se estivesse cheirando a sabonete.

Debaixo do chuveiro, deixei a mente se recordar dos assuntos pendentes na Krósvia. Estava de folga na embaixada brasileira até o final da semana, mas tinha certeza de que as meninas do Lar sentiam falta de nossos encontros no castelo.

Agora que eu estava mais familiarizada com o trabalho voluntário, o grupo aumentara de dez para quase trinta garotas, entre sete e treze anos de idade. A visita delas ao palácio era sempre um evento de grandes proporções. Cora e suas ajudantes ficavam loucas na cozinha, pois faziam questão de preparar um banquete para nossas convidadas mirins.

Assim que retornasse a Krósvia, minha primeira ação seria ir ao orfanato pegar as meninas para um tarde de leitura no castelo.

Tudo indicava que meu tempo precisaria ser recalculado para que eu conseguisse cumprir todos os compromissos. Era certo que Irina nem esperaria meus pés tocarem o solo krosviano para entregar minha nova agenda de afazeres.
A missão dela nesta vida, sem dúvida alguma, era me dar serviço social. Seja jantares ou inaugurações, eventos beneficentes a lançamentos, Irina queria que a princesa de Krósvia fosse uma presença constante, para que o povo soubesse que poderia contar comigo sempre. Ou seja, minha querida assessora me transformara na imagem da princesa simpática.

Saí do chuveiro e enrolei meus cabelos numa toalha, enquanto secana o corpo com a outra. As toalhas da mamãe tinham cheiro de infância, e isso me deixava feliz.

Desejei que Regina tivesse seu comportamento audacioso e fugisse do quarto de hóspedes para dormirmos aninhadas em minha cama minúscula. Queria sentir seu cheiro enquanto pegava no sono. Acima de tudo, ansiava por suas mãos em mim, acariciando meu corpo, conduzindo-me ao nosso mundo particular.

Mas eu sabia que ela não se atreveria. Então, resignada, vesti meu pijama e me enfiei sob as cobertas, com os cabelos ainda molhados, Não ousaria acordar o prédio inteiro com o barulho do secador.

Dei um suspiro resignado, cheio de significados, e fechei os olhos, prepara para mergulhar num sono profundo.

Acontece que, assim que meu corpo achou a posição ideal e relaxou, escutei o toque do celular de Regina. Na mesma hora meus músculos resetaram. Telefonemas no meio da madrugada ou são trotes ou trazem más noticias. Rezei para ser a primeira alternativa.

Não tive coragem de sair do lugar. Primeiro porque não costumava xeretar quem ligava ou deixava de ligar para minha namorada — embora a curiosidade chegasse ao nível máximo. E mais: se fossem notícias ruins, preferiria retardar o recebimento.

Segundos depois, ouvi passos no quarto de Regina. Tudo indicava que ela andava de um lado para o outro. Já incomodada com tudo aquilo sentei-me na beirada da cama e apurei os ouvidos. Não captei as palavras, apesar de saber que Regina falava sem parar, em krósvi.

Depois veio o silêncio total. Nada.

Meu coração começou a bater descompassado. Ai meu Deus! Por favor, por favor!

Como o silêncio se manteve, fui relaxando novamente, devagar. Fosse o que fosse, não deveria ser algo ruim. Senão, aquela altura, Regina já teria batido na minha porta.

Exalei o ar que segurava sem perceber e afofei o travesseiro. Esperando recuperar logo o sono perdido para o estresse infundado.

Prestes a me deitar novamente, levei o maior susto com a entrada de Regina e mamãe em meu quarto. Ambas brancas feito fantasmas. Sem dizer uma só palavra, Regina se agachou aos meus pés e agarrou minhas mãos. Comecei a tremer.

Minha namorada apoiou a cabeça em meu colo, parecendo derrotada e impotente.

– Em... — Mal deu para ouvir sua voz.

Olhei para minha mãe, pedindo uma explicação com o olhar. Ela me encarou com tanta tristeza que comecei a chorar sem saber o porquê.

– Regina, fala comigo... — implorei, erguendo seu rosto até que ela olhasse para mim.

E foi um choque. Ela jamais me pareceu tão desolada, nem mesmo quando questionei seu caráter no chalé da Ilha de Zelena.

– Amor, você vai ter que ser forte. — Seus dedos secaram as lágrimas que desciam por minhas bochechas.

– Fala... — sussurrei, sabendo que morreria depois.

– O helicóptero que levava David de voltar para Perla... Caiu.

Notas finais
BUM! Gente, não me mata... as coisas precisam de um drama pra andar né? e sobre quem pediu sexo, vai ter, mas não todo capitulo, paciência... comentem ai, qualquer coisa estou no twitter @httptalita ! Volto daqui 7 dias