Notas iniciais
Espero que gostem!

– Vossa Alteza, acorde rápido — Diz minha criada apreensiva

– Rebeldes? — Pergunto em quanto me levando e começo a calçar minhas pantufas

– Não, desculpe se te assustei alteza — Tirei as pantufas e relaxei na cama — Vossa Majestade requere sua presença em sua sala

Minhas criadas me vestem com um vestido preto simples, com algumas pedrinhas pretas na cintura, isso me assusta porque só uso vestido preto em ocasiões de luto.

Minha mãe e Maxon também estão na sala de meu pai com cara de decepcionados.

– Isso é um absurdo! Um Ultraje! — Brada meu pai — Onde está o respeito desta moça?!

– O que aconteceu? — Pergunto para minha mãe

– Uma das Selecionadas foi encontrada semi nua com um dos soldados — Ela disse num tom claramente decepcionado — As moças de hoje em dia, na minha seleção nada do tipo aconteceu graças a deus.

Então era isso, Marlee tinha sido descoberta e seria condenada a morte, eu tentei alerta-las, mas parece que o amor além de cego também é burro e não tem medo de enfrentar as consequências.

Nós seguimos para o lado de fora do palácio onde um palco foi montado, a multidão entrou em delírio quando chegamos, as Selecionadas também estavam lá assim como suas famílias, todos vestidos de preto. Me deram uma cadeira pra não ter que ficar de pé, já que meu tornozelo estava torcido, alias hoje vou por um gesso de verdade. Já vi gente sendo condenada a morte, é o tipo de coisa que uma princesa tem que aguentar firme, mas nunca vi alguém que eu conhecia e já tinha conversado, fora que eu nunca soube os crimes cometidos, desta vez sei que foi tudo em nome do amor e me parece injustiça, mesmo que não ache legal ela estar traindo meu irmão.

Logo a multidão começou a vaiar, guardas puxavam o soldado Woodwork por correntes até o palco. Seus lábios sangravam, suas roupas estavam tão sujas que ele parecia ter passado a noite num chiqueiro. Atrás dele, Marlee também estava acorrentada; sua linda fantasia de anjo estava imunda e sem as asas. Um paletó cobria seus ombros, ela caminhava com os olhos baixos. Ela contemplou a multidão e nossos olhares encontraram-se tentei dizer que tinha avisado, que me sentia culpada e que tinha compaixão por ela. Os pais de Marlee estavam visivelmente desolados, em outro lugar, como se seus corações tivessem deixado seus corpos, eles estavam fortemente abraçados.

— Marlee Tames — o carrasco anunciou — uma das selecionadas, filha de Illéa, foi encontrada na noite passada em um momento de intimidade com este homem, Carter Woodwork, membro de confiança da Guarda Real.

Ele fala com certa arrogância que me deixou desconfortável, o publico vaiou mais.

— A senhorita Tames quebrou seu voto de lealdade ao nosso príncipe Maxon! E o senhor Woodwork roubou algo que pertencia à família real através de suas relações com a senhorita Tames! Temos aqui um crime de traição à família real!

As acusações eram feitas berro e povo concordava gritando de volta.

Carter foi amarrado à armação em forma de A por outro mascarado. Suas pernas e braços foram esticados ao máximo para imitar a forma daquela peça. Prenderam sua cintura com tiras de couro acolchoadas, muito apertadas, dava até aflição. Já Marlee foi forçada a ajoelhar-se diante do grande bloco de madeira, sem o casaco, arrancado de suas costas. Passaram seus punhos pelos buracos e amarraram suas mãos dos dois lados, com as palmas para cima. Ela chorava, até eu já tava quase chorando, mas como princesa não posso demonstrar compaixão pelo "criminoso"

— É um crime para pena de morte! Mas, em sua misericórdia, o príncipe Maxon poupará a vida destes dois traidores. Vida longa ao príncipe Maxon!

Dou um suspiro, sabia que meu irmão não ia matar duas pessoas apenas por se amar, sinto vontade de abraça-lo, mas lógico que me contenho.

Marlee encarava Carter, que esticou o pescoço para devolver aquele olhar. Era impossível não notar o medo de ambos, mas havia no rosto dela algo que tentava dizer a Carter que ele valia tudo aquilo.

— Eu te amo, Marlee — ele gritou para ela. Mal foi possível ouvi-lo com o barulho da multidão, mas a declaração foi feita. — Vamos ficar bem, eu prometo.

Eles eram tão fofos juntos. Marlee estava tão amedrontada que não pôde responder, mas fez que sim com a cabeça.

— Marlee Tames e Carter Woodwork, vocês dois estão destituídos de suas castas. São os mais inferiores dos inferiores. São Oito!

A multidão comemorou, mas eu fiquei confusa, se essa era a punição, porque estavam amarrados?

— E para infligir em ambos a vergonha e a dor que trouxeram à Sua Majestade, vocês serão açoitados com quinze golpes. Que suas cicatrizes lhes recordem dos seus muitos pecados!

Agora entendi porque estão presos, mas será que Maxon ficou envergonhado e com dor? Ele mesmo já foi açoitado, será que sentiu a mesma dor?

Os dois mascarados que amarraram Carter e Marlee tiraram longas varas de um balde d’água. Eles as agitaram no ar algumas vezes para testá-las, e eu pude ouvi-las zunir enquanto cortavam o ar. A multidão aplaudiu com entusiasmo.

Em poucos segundos, o dorso de Carter seria golpeado humilhantemente, assim como as mãos de Marlee...

— Não! — America gritou. — Não!

— Acho que vou desmaiar — murmurou Natalie, ao passo que Elise soltou um gemido sobre o ombro de seu guarda.

America se levantou e caio sobre o colo de seu pai.

— Maxon, Maxon, faça isso parar!

— Você precisa se sentar, senhorita — Um guarda tentou a convencer a voltar para o seu lugar.

— Maxon, eu imploro! Por favor!

— A senhorita está se arriscando.

— Saia de perto de mim! — ela gritou para o guarda, chutando-o o mais forte que podia. Mas ele continuou segurando firme

— America, sente-se, por favor — a mãe dela

— Um! — gritou o homem no palco, e eu vi a vara cair sobre as mãos de Marlee.

Ela emitiu o mais dramático dos gemidos, Carter porém não soltava nenhum ruído.

— Maxon! Maxon! — ela fritou. — Faça isso parar! Faça isso parar, por favor!

Maxon ouviu, deu para perceber, assim como dava para perceber que sentia as chibatadas, ele sabia como era.

— Dois!

O choro de Marlee era pura angústia.

— America, sente-se! — insistiu a mãe.

May estava sentada entre os pais, com o rosto virado. Seu choro era quase tão dolorido quanto o de Marlee.

— Três!

Olhei para os pais de Marlee. A mãe tinha a cabeça enterrada nas mãos; seus braços enganchados nos do marido, como se ele pudesse protegê-la de tudo o que viam naquele momento.

— Me solta! — Ela gritou — MAXON! — berrou.

— Cinco!

O som dos gemidos de Marlee eram assustadores, me sentia cada vez pior por não poder fazer nada, eu podia ter dedurado eles para Maxon, quem sabe isso não estivesse acontecendo.

Carter era a unica coisa que parecia deixar Marlee mais tranquila

— Vai... acabar logo... — esforçou-se para dizer.

— Seis!

— Amo... você — ele gaguejou.

— Tire as mãos da minha filha! — o pai de America gritou, puxando os braços do guarda.

America deu uma forte joelhada no guarda. Ele soltou um grito abafado e caiu de costas.

— Marlee! Marlee! — Berrava America, correndo.

Mais 9 açoites a acabou, levaram Marlee e Carter desacordados não sei para onde e fomos liberados. O publico vibrava e pedia autografo para nós. As selecionadas, minha mãe e eu demos alguns, mas Maxon e meu pai foram embora assim como a família das Selecionadas que devem ir embora hoje.

De repente sinto um puxão na saia, é Clancy.

– Me dá um autografo Vossa Alteza — Ela pediu, mas depois falou sem som, só mexendo os labios "crueldade"

– Claro que dou, "eu concordou plenamente"

Notas finais
Espero que tenham gostado! Marlee :( T-T