A princesa de Illéa
8 Mais uma eliminada
Notas iniciais
Ontem Maxon fez uma seção de fotos com as Selecionadas, alguém tinha escrito um editorial de revista sobre o visual de uma princesa, o texto falava que Maxon deveria encontrar alguém de aparência nobre, que saísse bem nas fotos ao seu lado, alguém que ficasse bonita em um selo. Todas sairiam na mesma revista, e a equipe de edição ia escolher suas preferidas.
Elas estão vestindo um vestido creme e uma echarpe vermelha, são chamadas uma a uma para posar com Maxon. Isso demorou horas, depois que acabou, Maxon teve um encontro com uma garota chamada Janelle. Ela e Maxon foram caçar e eu fui espionar.
– Não sei por que você ainda mantém a America aqui, ela é cinco sem valor — Dizia Janelle quando cheguei, não sei em que contexto, mas tive vontade de dar um soco na cara dela.
– O que você quer dizer com isso? — Maxon pergunta em um tom de acusação
– Ela não é muito bonita, nem inteligente, é da casta cinco e não tem nenhum bom contato, ela não serve de nada aqui.
– Não acho que você esteja correta. Vá para o seu quarto fazer suas malas, você vai embora ainda hoje.
– Mais porque? O que eu fiz? Por favor, me de outra chance.
– Você não devia ter falado mal de outra Selecionada — Maxon repreende
– Entendi tudo, é por causa a America, ela é sua preferida, não acredito que isso esteja acontecendo!
– Pode ir — Ela vira as costas para Maxon e começa a caminhar na direção do palácio — Espere...
Ela olha esperançosa para ele e eu penso não volte atrás, pelo amor de deus
– Não comente com ninguém o que aconteceu.
No dia seguinte Maxon se atrasou para o café, quando eu cheguei apenas minha mãe estava lá. Depois de um tempo ele e meu pai chegaram. Meu pai deu um beijo na testa da minha mãe e se sentou, porém Maxon permaneceu em pé.
— Senhoritas, tenho um anúncio a fazer — proclamou.
Será que ele vai eliminar alguém?
— Sei que todas receberam a promessa de que seriam compensadas por sua participação na Seleção. — Ele fez uma pequena pausa e depois continuou — houve uma nova repartição de verbas. As Dois ou Três de nascimento não receberão mais sua bolsa. Mas as garotas Quatro e Cinco continuarão a recebê-las, embora num valor um pouco menor a partir de agora.
As garotas ficaram muito espantadas, o que me levou a pensar se alguém estava ali por causa do dinheiro.
— Peço sinceras desculpas por qualquer inconveniente. Amanhã explicarei tudo durante o Jornal Oficial. Acrescento que essa situação é inegociável. Aquelas que tiverem problemas com o novo acordo e não quiserem mais participar da Seleção podem sair após o jantar.
Meu irmão se sentou e começou a conversar com meu pai, que não parecia muito interessado na conversa.
– Mãe, você sabe o que está acontecendo? — Pergunto discretamente
– É um projeto de filantropia para ajudar a fome entre as castas mais baixas — ela explica, dá para perceber o orgulho em sua voz.
***
Chego ao estúdio junto com a minha família quase na hora do Jornal começar. Hoje estou usando um vestido roxo, mas a maioria das selecionadas está de azul, achei que era obrigatório até avistar um vestido vermelho, é a America, é por isso que eu gosto dela, ela tenta ser diferente, ela anda na contramão.
— Boa noite, senhoras e senhores de Illéa. Sei que esta é uma noite empolgante para todos nós. O país finalmente conhecerá melhor as vinte e cinco mulheres que ainda participam da Seleção. Não imagino como expressar minha animação por poderem conhecê-las. Estou certo de que todos haverão de convir que qualquer uma dessas jovens incríveis seria uma líder e uma futura princesa maravilhosa.
Ele continuou:
— Mas antes disso, gostaria de anunciar um novo projeto em que estou trabalhando e que tem muita importância para mim. O contato com essas damas expôs-me ao vasto mundo fora deste palácio, um mundo que raramente posso ver. Contaram-me sobre a bondade incrível e a escuridão inimaginável que existe nele. Por meio de minhas conversas com essas mulheres, abracei a importância das massas além destes muros. Despertei para o sofrimento de alguns membros das nossas castas inferiores, e pretendo fazer algo quanto a isso.
Maxon começou a explicar:
— Precisaremos de pelo menos três meses para nos preparar adequadamente, mas por volta do Ano-Novo todos os Departamentos de Serviços Provinciais oferecerão assistência alimentar. Qualquer Cinco, Seis, Sete ou Oito poderá ir a um deles no fim da tarde para se servir de uma refeição nutritiva e gratuita. Por favor, permitam-me dizer que essas mulheres que vemos aqui sacrificaram total ou parcialmente sua compensação a fim de ajudar a custear esse importante projeto. E, embora essa assistência talvez não possa se prolongar para sempre, vamos mantê-la o máximo que pudermos.
Maxon e minha mãe sempre se preocupam com esse tipo de projeto, dava para entender porque ela estava tão orgulhosa.
— Penso que nenhum grande líder pode deixar as massas passarem fome. Illéa é majoritariamente composta por castas inferiores, e acho que desprezamos essas pessoas por tempo demais. É por isso que dou um passo à frente e peço a outros que se juntem a mim. Pessoas da Dois, Três, Quatro... as estradas pelas quais dirigem não se abrem sozinhas. Suas casas não se limpam por mágica. Eis sua oportunidade de reconhecer a verdade e fazer uma doação ao Departamento de Serviços Provinciais local.
Maxon fez uma pausa.
— Vocês nasceram abençoados. É hora de reconhecer essa bênção. Terei mais informações conforme o projeto avançar. Queria agradecer a atenção de todos. Mas agora passemos ao verdadeiro motivo de todos estarem em frente à TV hoje. Senhoras e senhores, Gavril Fadaye!
Todos bateram palmas.
— Muito obrigado pela apresentação, Majestade! — agradeceu Gavril entrando em cena. — Muito bom! Se essa história de príncipe não der certo, o senhor pode pensar em um emprego na televisão.
Maxon foi para seu lugar dando risada.
— Povo de Illéa, temos um presente para vocês! Esta noite veremos cada uma dessas jovens por dentro. Sabemos que estão mortos de vontade de conhecê-las e de saber como está seu relacionamento com o príncipe Maxon. Por isso, esta noite... vamos apenas perguntar! Comecemos pela senhorita — Gavril conferiu suas fichas — Celeste Newsome, de Clermont!
Celeste, assim como uma outra menina chamada Bariel, tentaram parecer sedutoras, sempre mostrando o decote para câmera. As outras meninas foram mais contidas, uma, acho que se chama Tiny falava cada vez mais baixo e uma outra, chamada Marlee, parecia muito empolgada. Finalmente a vez da America chegou.
As perguntas variavam, mas duas pareciam fixas: O que você acha do príncipe Maxon?” e “Você é a garota que gritou com ele?”. Até parece que alguém vai responder, queria que Maxon tivesse me contado, mas hoje ele não escapa. As vezes ele perguntava se Maxon já tinha beijado. Depois de três ou quatro respostas negativas Garvil perguntou se Maxon não tinha beijado ninguém.
— Elas estão aqui há apenas duas semanas! Que tipo de homem você pensa que eu sou? — rebateu ele.
Finalmente chegou a vez da America.
— America Singer. Nome interessante o seu. Há alguma história por trás dele? — perguntou Gavril.
— Sim, de fato. Eu chutava muito durante a gravidez. Minha mãe disse que carregava uma lutadora na barriga e por isso me batizou com o nome do país que tanto lutou para se manter unido. É estranho, mas devo reconhecer que ela acertou: nós duas vivemos brigando.
Gavril riu:
— Parece que ela é uma mulher enérgica.
— Ela é. Herdei boa parte de minha teimosia dela.
— Então você é teimosa? Um pouco geniosa?
Vi Maxon cobrir a boca com as mãos, morrendo de rir.
— Às vezes.
— Então por acaso não seria a garota que gritou com o príncipe?
Será que era America? Será que Maxon gostava tanto dela aponto de não manda-la embora apesar disso?
–Sim, fui eu. E minha mãe deve estar infartando neste exato momento.
— Faça-a contar a história toda! — gritou Maxon para Gavril.
O apresentador olhou para trás
— Ah! Qual é a história toda?
— Senti um pouco de... claustrofobia na primeira noite e fiquei desesperada para sair. Os guardas não me deixaram passar pelas portas. Eu estava a ponto de desmaiar nos braços de um deles quando o príncipe chegou e mandou que abrissem as portas.
— Humm... — grunhiu Gavril, inclinando a cabeça um pouco para o lado.
— Sim, e depois o príncipe ainda me seguiu para ver se estava tudo bem comigo... Mas eu estava tão nervosa que quando ele abriu a boca eu basicamente o acusei de ser vaidoso e superficial.
Gavril gargalhou ao ouvir isso. Olhei para Maxon e o vi sacudir de tanto dar risada. Eu estava com falta de ar de tanto rir, até meu pai e minha mãe davam risada.
— E ele a perdoou? — Gavril quis saber, um pouco mais sério.
— Por incrível que pareça — Ela responde
— Bem, agora que os dois fizeram as pazes, que tipo de atividade têm feito juntos? — Gavril estava de volta ao tema da entrevista.
— Geralmente andamos pelo jardim. Ele sabe que gosto de passear ao ar livre. E nós conversamos.
— Parece muito relaxante. Você diria que o jardim é sua parte favorita do palácio?
— Talvez — eu disse com um sorriso nos lábios. — Mas a comida é divina, então...
Gavril riu de novo.
— Você é a última Cinco na competição, certo? Acha que isso diminui suas chances de ser a próxima princesa?
— Não! Não é isso. Não me julgo melhor que as outras meninas aqui. É só... Não acho que Maxon faria isso, que desprezaria alguém por causa de sua casta.
Ela chamou ele de Maxon, sem príncipe, alteza ou senhor acompanhando, é assim que eu gosto, definitivamente ela é a minha preferida, seria uma ótima princesa. Todos exclamaram surpresos. America fica vermelha, como um tomate.
— Ah, parece que você realmente ficou íntima do príncipe. Diga-me, o que você acha de Maxon?
— Maxon Schreave é a síntese de todas as coisas boas. Será um rei fenomenal. Ele deixa garotas que deveriam usar vestido saírem por aí com calça jeans e não se zanga quando alguém que não o conhece o julga de uma maneira completamente errada.
Fiquei feliz que ache Maxon tão bom, porém meu irmão parece intrigado, com se achasse que depois ela fosse falar "só que não!" ou "pegadinha" depois.
— Quem se casar com ele será uma mulher de sorte. E não importa o que me acontecer, será uma honra ser sua súdita.
Vi Maxon engolir em seco minhas palavras, impressionado. Ela baixou os olhos. Além de tudo ainda era modesta e não contava vantagem.
— America Singer, muito obrigado — concluiu Gavril, estendendo a mão. — A próxima é a senhorita Tallulah Bell.
As garotas depois de America foram normais, eu nem prestei muita atenção, já tinha cansado de tudo aquilo.
***
Depois do Jornal fiz questão de que Maxon viesse no meu quarto para me contar qual quer coisa que eu não estivesse sabendo.
– Você ama a America? — Eu pergunto
– Claro, mas ela só quer minha amizade, foi um acordo que fizemos, ela fica e me ajuda com amiga.
– Então é por isso que você disse que ela é boa em fazer acordos — Ele confirma com a cabeça — Vou te contar um segredo, fui eu que escolhi a America.
– Você? Pensei que nosso pai que tivesse escolhido cada uma a dedo. — ele pergunta surpreso
– Ele as províncias que tinham alguém importante, as que não tinham ele deixou para outras pessoas escolherem, no caso de Carolina, eu que escolhi America
Maxon me encara sério, mas depois me dá um abraço
– Você fez a melhor escolha possível, ela é diferente das outras garotas, não gosta que eu a chame de Querida e como você viu me deu uma bronca. Ah já ia esquecendo, ela me deu uma joelhada nas minhas partes...
Ele foi interrompido pelas minhas risada, eu não conseguia me controlar
– Foi no nosso segundo encontro, aquele que eu ganhei na aposta.
Foi o encontro em que eu conheci o Clancy, graças aquele encontro eu sai do palácio.
– Tenho que ir, vou ver a America
– Você tem todo meu apoio com ela.
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