A princesa da capa vermelha - Bakuraka
13 Queime bruxa!
Notas iniciais
Pov. Uraraka Ochaco
Nejire e eu, corríamos até o castelo. Pelo o que a fada azul me contou, Momo-chan havia sido descoberta por ser uma bruxa e agora a família real e o povo queriam jogá-la na fogueira. Nos aproximamos dos portões e vimos uma multidão de frente ao mesmo. Eles carregavam rastelos, foices, facões e tochas enquanto gritavam e pediam para entrar e acabar com a Yaoyorozu.
Nos esprememos entre a multidão para tentar passar, falhando miseravelmente. Olho para Nejire e ao lembrar de que ela era uma fada, dou um tapa em minha testa e digo:
— Nejire-chan, as suas asas!
— Verdade, se segura em mim. — Ela estende a sua mão e a agarro, logo levantando voo.
Passamos os portões e chegando no castelo, fomos direto a sala do trono, onde encontramos a nossa amiga de joelhos e acorrentada nos pulsos com dois guardas em cada lado apontando as lanças para ela. Momo-chan estava de cabeça baixa e pude distinguir as lágrimas que escorriam de seu rosto.
Da porta, podíamos ouvir as suas súplicas:
— P-Por favor vossas majestades, e-eu nunca tive nenhuma intenção maligna contra o s-seu reino. Admito que sou uma bruxa, mas uma bruxa boa...
— Me poupe dessas mentiras! — Meu pai grita. — Não existe bruxa boa. Você é uma traidora! Pôs em risco a minha família. E pensar que tínhamos uma bruxa dentro do castelo... Você será executada de tarde e não terá direito a defesa.
Ao ouvir as palavras de meu pai, eu e Nejire fomos até a Momo ficando em sua frente. Enji estreita os olhos e minha mãe pergunta:
— Meninas, o que estão fazendo? Agora não é o momento certo, estamos tratando de um assunto real.
— Mãe, pai! Por favor, não levem a Momo-chan a fogueira! Ela está falando a verdade, não é uma bruxa má. Yaoyorozu é nossa amiga e não irei deixar vocês a machucarem!
— Filha, você conhece as leis de Musutafu. Caso haja um traidor na família real, sua sentença será a morte.
— Mas a Momo nunca fez mal a ninguém! — Nejire se exalta e recebe um olhar reprovador do rei. — Perdão majestades, mas sua filha está certa, não podem simplesmente acusá-la sem provas.
— Nós temos provas suficientes. — Enji responde e chama um guarda. — Mandem o Midoriya entrar.
Ouvi certo? Midoriya? Mas o que aquele príncipe mimado faz em meu reino? E por que chamaram ele? Observo o esverdeado entrar na sala e me olhar brevemente, logo desviando o olhar e se curvar aos meus pais. Enji pede a ele:
— Explique o que você viu.
— Certo, estava acomodado no quarto de hóspedes quando recebi o café da manhã de uma de suas empregadas, porém notei que a moça havia colocado leite desnatado em meu café. Sou alérgico a esse tipo de leite, então segui até a cozinha para pedir a cozinheira que trocasse o café, mas... Quando cheguei lá, vi algo horripilante! Essa moça estava colocando magia nas comidas. Ela fez algum tipo de feitiço maligno e pensando que ela tentaria sabotar a família real, resolvi avisá-los antes que alguém tomasse a sua poção do mal.
Meus punhos se apertam e ranjo os dentes, é bom saber que ele tem alergia a leite desnatado... Esse filhinho de papai vai pagar caro por contar essas mentiras. A Momo-chan jamais nos prejudicaria. Revoltada, eu digo:
— Blasfêmia! É tudo mentira. Momo-chan é uma bruxa boa. — Talvez esteja na hora de contar o que sei sobre ela... Com esses pensamentos, prossigo. — Quando ela foi contratada, Nejire quem a indicou, até um ano atrás eu não sabia de seus dons até que Momo-chan resolveu me contar já que havíamos nos tornado amigas. Ela sofreu muito no passado, conte pra eles Momo!
— Quando cheguei aqui, vocês souberam que havia perdido os meus pais num incêndio, mas a verdade era que eles tinham sido queimados injustamente. — Momo diz chorando ao se lembrar do passado. — Na outra vila em que vivia, eles foram pegos usando mágica para ajudar uma criança que estava chorando na rua, pois esta havia se perdido dos seus responsáveis e para tentar animar a criança, eles fizeram truques para acalma-la. Porém, alguns moradores viram a cena e interpretaram errado. Meus pais foram acusados por bruxaria e foram levados a fogueira. Eles só queriam ajudar a encontrar os pais daquela criança... Então quando eles foram mortos, tive que fugir da vila pois as pessoas vieram atrás de mim. Foi quando me refugiei em Musutafu.
— História interessante, mas não convincente. — Meu pai diz.
— V-Vossa majestade, a mágica que o príncipe viu era apenas uma receita de minha família para conservar o alimento e dar mais sabor. Não havia maldade nenhuma no feitiço, até por que era uma mágica de luz. — Momo explica.
— Altezas... — Nejire intervém. — Ela está certa, como fada guardiã do equilíbrio, entendo sobre os tipos de mágicas. Realmente existem mágicas de luz e bruxas boas. Se você olhar nos livros de categorias mitológicas, irá encontrar na seção que fala sobre as bruxas que há seres de luz, Yaoyorozu é uma delas. Se me permitem, irei buscar o livro.
Minha mãe assente e Nejire some num brilho. Não demorou muito para que ela voltasse com o livro em mãos e ao abrir a página referente ao que dissera, meus pais leem e ficam em silêncio. Curiosa para saber o que iria acontecer com a Momo, pergunto.
— Então?
— Está liberada. A senhorita Yaoyorozu é inocentada das acusações. Guardas levem o veredicto a população. — Enji responde. — Agora que o assunto fora resolvido, podem voltar aos seus afazeres.
Vejo Yaoyorozu se curvar em respeito e voltar para a cozinha. Após ela sair, me viro para o príncipe que também se retirava da sala e pergunto:
— O que faz em nosso reino, senhor Midoriya?
Ele me olha e diz:
— É alteza para você, não me chame de senhor.
— Eu te chamo do que quiser! Que tal: alfacinha?
— Que princesa insolente!
— Oh! Desculpe-me se feri o seu ego. — Falo com a mão em meu peito. — Da próxima vez, não se meta em assuntos que não compreende. Não irei te perdoar pelo que fez a Momo-chan passar.
— Como se eu me importasse com sua opinião...
— Pois deveria, enquanto estiver nesse reino sou a sua superior, você é apenas um visitante.
— Então nesse caso, em breve eu que serei o seu superior e você não terá escolha a não ser me obedecer, minha noiva. — Izuku sorri presunçosamente e estreito os olhos.
— Só nos seus sonhos! Irei garantir que o casamento não aconteça.
— Boa sorte em sua tentativa fracassada.
— Espere para ver, alfacinha... Você não queria se livrar do casamento também?
— Isso era antes de ver os benefícios que ganharia.
Saio do castelo pisoteando forte e deixando o príncipe para trás.
Mais tarde, sigo caminhando por entre a vila, quando vejo uma fogueira montada no centro, provavelmente a que iriam usar se Momo-chan não fosse inocentada. Porém, ao me aproximar um pouco mais do local noto algo estranho e arregalo os olhos. Yaoyorozu estava sendo amarrada na fogueira enquanto gritava. Surpresa com a cena a frente, corro até ela querendo explicações.
— Por que estão a amarrando na fogueira? Os guardas não falaram que ela foi inocentada?!
— Não importa o que o rei fale, ela é uma bruxa e merece o seu destino! — Um cidadão diz.
As pessoas me empurram fazendo-me cair no chão e pegam seus equipamentos. Não posso permitir que isso aconteça, o que faço?
Olho para o fogo que eles estavam acendendo nas tochas e jogando na fogueira, até que tenho uma ideia.
“— Shoto, preciso de você agora!” — Me comunico por pensamento com o meu irmão.
Ao longe vejo um risco alaranjado no céu e sorrio. Shoto se materializa do meu lado, ato que fez as pessoas se afastarem assustadas.
— É o espirito do fogo. — Ouço o sussurro das pessoas. — O que ele faz no reino?
Era de conhecimento do público a existência dos elementos, mas eles raramente saiam da floresta. O fogo começa a aumentar e sem perder tempo digo:
— Shoto, preciso que apague a fogueira, por favor. — Falo sussurrando a ele.
— Por que não usou o seu dom? — Ele me questiona.
— As pessoas não podem saber sobre mim ainda. Pense no caos que isso causaria.
Shoto assente ao me compreender e estendendo as mãos para a fogueira, ele extingue o fogo. Ao se aproximar de Momo, o bicolor corta as cordas e sem pensar direito, Momo-chan o abraça.
— M-Muito obrigada por me salvar, espirito do fogo.
— Por favor, sem formalidades, você pode me chamar de Shoto. — Ele dá um sorriso quase imperceptível a morena que cora e desfaz o abraço.
— Gente, acho melhor sairmos daqui. — Digo a eles. — Vamos para a floresta.
Eles assentem e seguimos até a entrada da Lua Crescente. Momo-chan pergunta:
— Por que viemos aqui? Princesa, mesmo que vocês tenham me salvado, quem garante que outras pessoas não tentarão me atacar de novo? Agradeço a vocês, mas acho que é impossível de...
— Momo, não se preocupe. Não deixaremos ninguém te ferir. Pode contar comigo e com os espíritos elementares. As pessoas tem medo de entrar na floresta, então sempre que precisar se refugiar, nós estaremos de braços abertos. Quando me tornar rainha, irei acabar com esse preconceito das pessoas em relação aos seres mitológicos.
— Já que estamos aqui, Ochaco e senhorita Momo. — Shoto diz. — Vocês querem ir visitar os outros elementos?
— Claro que sim! Estou louca de saudades dos nossos irmãos! — Digo empolgada e Momo me olha confusa. Percebendo o que disse, explico-me a ela. — Promete que não vai contar a ninguém, Momo-chan?
Ela assente e digo:
— Sou o quinto elemento do vácuo, a irmã dos espíritos elementares, é uma longa história, somente o Tamaki e a Nejire sabem. Te conto no caminho até a casa na árvore. Ninguém mais pode saber desse segredo por enquanto.
Enquanto seguíamos floresta adentro, não imaginava que alguém se espreitava no meio das árvores e ouvia as nossas conversas.
— Interessante, muito interessante...
Continua...
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