P.O.V. Príncipe Felipe.

Mystic Falls, Estados Unidos, Virgínea. Tem algo de muito especial nesse lugar, eu não sei exatamente o que é, mas tem algo especial aqui.

Com o passar do tempo fui criando intimidade com os moradores e fui descobrindo cada vez mais coisas sobre a cidade. E sobre Aurora.

A mãe dela era brasileira, nascida e criada no sertão nordestino veio pra cá fugindo de um rapaz que a perseguia então conheceu o pai de Aurora. A maioria dos moradores da cidade é composta por pagãos devotos, embora haja uma Igreja cristã e cristãos devotos.

—Mamãe?

—Sim sou eu Aurora.

—Eu posso lhe perguntar uma coisa?

—Claro. Qualquer coisa minha filha.

—O que que o tio Klaus tem?

—Veja minha filha, feitiços antigos e muito poderosos são atados a algo ainda mais poderoso, a lua, um cometa, uma duplicata...

—Eu sei mãe.

—O outro lado foi feito á mais de dois mil anos atrás e ainda existe o que significa que a bruxa que o criou o atou a algo que poderia existir tanto tempo quanto. Qetsyiah usou Amara como âncora, mas depois dela passar dois mil anos sendo a âncora e trancada dentro duma caixa ela foi salva minha fia, porém para manter o outro lado no lugar a tua tia Renesmee precisava de algo pra ancorar o feitiço certo?

—Sim.

—E ela precisava de proteger o teu tio Klaus porque ela prometeu pra tua Tia Caroline no seu leito de morte que o protegeria...

—Ela precisava de algo que pudesse durar pra sempre, algo que nem mesmo Silas pudesse destruir então ela usou o Tio Klaus. O tio Klaus não é pirado... tipo pirado ele só vive falando com os seres sobrenaturais mortos que andam por ai.

—Exatamente. Ele é a âncora para o outro lado, ele consegue ver tudo minha fia, tem o poder de interagir fisicamente com o nosso mundo físico e com o purgatório sobrenatural.

—Interagir fisicamente? Como assim?

—Fazer contato físico. É como se ele tivesse um pé de cada lado ou algo assim.

—Espera, tá me dizendo que o tio Niklaus existe em dois lugares ao mesmo tempo?! Aqui e do outro lado?!

—Exatamente minha filha.

—E como ela conseguiu fazer esse feitiço? É muito antigo e ela precisaria de uma quantidade massiva de energia mística pra fazer um feitiço de transferência como esse. Ela precisaria de algo em que se apoiar, o que ela usou?

—Duplicatas. Somos poderosas, místicas e ocorremos naturalmente.

—Porque eu sou assim mãe?

—Assim como minha fia?

—Assim. Porque a minha raiva faz trovejar, a minha tristeza faz chover? Porque?

—Olhe essa sua sensibilidade vem é de seu pai. Tu é meia vampira por isso Aurora minha filha, você sente as coisas assim mais ampliadas e por causa de mim tu é meio bruxa por isso quando tu fica triste chove, você vem de duas linhagens muito poderosas, de uma longa linhagem ininterrupta do meu lado e como todos os seus tios e seu pai são vampiros a magia deles passou pra você porque eles estão tecnicamente mortos. E mesmo vale pra mim. Sou vampira.

—Ritual da colheita.

—Sim. Ritual da colheita, enquanto a primeira família não tivesse descendentes vivos a magia ia ficar presa dentro deles, mas agora com tu e Hope e as gêmeas vocês pegaram a magia dos seus pais. No instante em que foram concebidos ela foi para vocês.

—Mas, se eu tiver um filho ele vai roubar minha magia?

—Não fia. Só depois que você morrer e ainda assim tu vai ser uma bruxa mesmo depois da morte. Quanto mais longa a linhagem maior o poder e a nossa linhagem minha filha vem dos primórdios da bruxaria.

Eu estava apenas escutando.

—E quanto as outras coisas?

—Quando você nasceu a natureza ficou tão feliz minha filha que mandou as elementais pra te agraciar com dons.

—As elementais? Quem são as elementais?

—As guardiãs dos elementos da natureza. Uma sereia lhe deu o dom de cantar, uma ninfa lhe deu o dom da beleza, uma fada lhe deu o dom de fazer as pessoas felizes e uma dragão lhe deu resistência ao fogo, te fez uma mãe de dragões e uma senhora de dragões.

—O fogo não pode matar um dragão.

—Sim. Verdade, nenhum arranhãozinho. E a sua tia Renesmee vai lhe dar um presente especial de aniversário amanhã.

Era aniversário dela amanhã? Preciso dar-lhe um presente.

No final do expediente, algo aconteceu. Algo impossível.

Um homem bêbado bateu no bumbum de Aurora e ela mudou totalmente, completamente e uma tragédia aconteceu.

—Eu o matei. Henry olhou nos meus olhos e implorou por sua vida enquanto eu o estraçalhava. Mas, eu não me sinto melhor, eu não me sinto em paz, eu não sinto nada!

—Querida isso é perfeitamente normal...

—Nada sobre o que eu sou papai é natural!

—Como uma híbrida você vai começar a experimentar os sentimentos com maior intensidade e você está na puberdade querida, vai levar um tempo pra aprender a se controlar.

— Eu não quero viver assim papai. Eu odiei. Quando estava vivendo com a família da minha mãe em Forks eu finalmente entendi a pureza de ser meio bruxa, a nobreza... eu matei oito bruxas hoje antes de conseguir chegar ao Henry, oito do meu próprio povo! O que tem de nobre nisso? Eu agi igual a uma... a um...

—A uma vampira.

—Tudo mudou papai. E não é só pra mim.

Ela estava chorando. Pouco depois dela dizer isso eu o vi olhar para ela confuso.

—Como assim? Do que está falando?

—Eu via o jeito que olhava pra mim antes e vejo o jeito que olha pra mim agora. Eu era sua garotinha, sua filhinha e agora eu sou uma monstra.

O homem de terno ficou sem fala.

—As coisas estão diferentes agora, você não pode me dizer que não estão.

Ela saiu andando e chorando.

—Aurora...

—Tá bem. Isso foi assustador.