Notas iniciais
Eu postarei um capítulo dessa fic e de outra. A que mais gostarem eu continuo.

Eu estava meramente atrasada para as medições. Ninguém mandou eu decidir atender só mais um cliente. A chuva está rala. Apenas uma leve camada de tranquilidade. Faz 3 semanas que não chove. As noites são secas e cansativas. O Sr.Lionel disse que eu deveria chegar as sete em ponto, mas já são quase sete e três. Eu nunca me atrasei tanto. As ruas estão vazias, solitárias como uma meia sem par. A luz dos postes está fraca, dá um tom meio monótono à vida, como uma foto amarelada pelo tempo. Uma brisa leve bate contra minha pele, faz tanto tempo que não sinto frio. Como eu estou feliz. Esta noite esta digna de um sorriso.

O sapato que o Sr.Llionel me deu esta me causando calos. Mas como ele mesmo diz: “A beleza dói”. Nunca discordei do Sr.Lionel. E não será esse dia o dia que eu chutei o balde. Principalmente porque chutar o balde é uma grande idiotice estupida. Além de machuca os pés você fará um certo barulho.

A fachada do Castelo esta como sempre está. Várias colunas, um exagero. Grandes escadas, um futuro cansaço. Humanas fêmeas encaixados em trajes de festa. Eu reconheço algumas delas da ultima festa. Lembranças dolorosas estas.

Eu começo a subir as escadas e alguém chama meu lindo nome. Eu ignoro.

—Linna!

De novo? Por que não me deixam em paz? Levanto a cabeça para poder ver que esta me chamando. Eu não reconheço o ser. É um rapaz de pele branca, cabelo loiro e olhoz azuis. Não sei quem ele é, mas ele está como uma gravata verde musgo. Apenas alguns tem o direito de usar estas gravatas. Tomo coragem e dou passos a frente para entrar em uma “ conversa”. Coragem Linna. Não seja medrosa, você consegue.

“Sorriso, sorriso, abraço, sorriso.”

—Olá.

Ele perde a expressão por um momento, mas logo depois um largo sorriso se apossa de seu rosto.

—Eu me chamo Charles Leonder, e eu fui designado a ser seu acompanhante em sua perigosa jornada por estes corredores.

Eu acho que reconheço esse nome. “Acompanhante”? “Jornada”? O que foi esta oração?! Ele está me encarando. Melhor dizendo, admirando. Ele parece se divertir com minha expressão de incompreensão. Isto me lembra algo.

— Les Leonder?!

Ele desaba em risos.

—Como você consegue se esquecer tão facilmente dos rostos humanos?

—Por que você não me disse antes que era você? Você é mesmo um palerma. Eu pensei que era alguém importante!

—Eu sou alguém importante!

A voz dele soou magoada. Mas eu não me importo e dou de costas e continuo a subir as escadas.

—O que você está fazendo aqui? Eu pensava que você estava de viagem?—Disse

—Eu estava, mas como eu disse, eu fui designado a ser seu acompanhante em sua perigosa jornada...

—Você foi expulso do hotel, não é verdade?

—Sim, mas...

Quantas mais vezes ele vai ter que ser expulso dos lugares para poder aprender que eu não sou sua sombra?

—Mas não importa, não é? O que importa é que eu estou agora aqui. Com você. Do seu lado.

—Pare com esse papo de adolescente apaixonado. Você sabe que isso é perda de tempo.

—“Isto” não é perda de tempo. Isto é amor. Carinho. Compaixão.

—Isto é nojento. Me dá ânsia de vomito. Pare por favor.

—Se você insiste.

Eu continuei andando pelo corredor. Com Les ao meu encalço. Estou com pressa, mas meus calos estão doendo demais. Acho que estou mancando.

—Você está bem Linna?

—Claro que estou você não esta vendo?! Adoro todos os meus calos. Eu já te disse que sou masoquista?

—Não precisa partir para a agressão.

—Não estou te agredindo. Só estou falando.

—Você não se cansa de usar sarcasmo?

—Isso não é da sua conta.

Eu chego em frente a porta do atelier. E coloco a mão na maçaneta e me viro para Les:

—Você já pode ir embora.

—Ir embora? Por que eu iria embora?

—Porque eu vou fazer as medições. Porque é uma falta de privacidade.

—Eu vou ficar quietinho.

—Você vai ficar é aleijadinho se não me deixar em paz.

Se eu fosse uma pessoa normal, eu sentiria pena da carinha dele.

—Eu vou te esperar aqui fora— disse ele com uma voz bem tristinha

Eu entrei no atelier. Tinha duas pessoas lá dentro. O senhor Lionel e uma mulher de cabelos brancos. O senhor Lionel estava usando um terno de couro verde. Provavelmente de pele de cobra. Os sapatos estavam sinistramente brilhosos. Doía o olhar. A mulher usava um simples traje de empregada. Ela estava no canto do quarto, concentrada em algo que não é de meu interesse.

—Olá, Linna—Disse o Sr. Lionel.

—Desculpe-me pelo meu atraso. Não queria te fazer esperar. Desculpe-me mesmo—Eu sou mesmo uma inútil.

O senhor Lionel dá um daqueles sorrisos de sempre. Um daqueles que eu nunca vejo ele dá na frente das outras pessoas.

—Não se preocupe. O que importa é que você está aqui. Vamos começar as medições?

—Sim, mas onde está Judita? Ela sempre faz as medições corretamente.

—Não é “Judita”, Linna. É Judith. E ela está no canto da sala.

Nesse momento a mulher se virou e olhou em nossa direção. Ela dava passos bem leves, delicadamente irritantes.

—Meus cumprimentos à vossa presença— Ela me fez uma reverencia, uma referencia digna apenas para uma princesa. Apenas uma pessoa nesse mundo me tratava como uma princesa. Com certeza essa mulher era Judith.

—Você não reconheceu o rosto dela? Você nunca muda Linna—O Sr. Lionel disse isso com um certo tom de divertimento— Já faz quatro anos que você frequenta esse lugar, e você ainda não decorou o rosto de Judith?

—Como eu conseguiria? Todos vocês humanos tem o mesmo rosto—Como eu conseguiria decorar todos esses rostos tão parecidos?

—Você é uma princesa bem peculiar, Senhorita—Disse Judith

Como eu adoro ser amada.

—Obrigada, Judith.

Notas finais
Comentários a parte.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.