A piada final

4 Sorria! Estamos mortos!


Parque de diversões/ 19h32/ Hoje

Batman aterrissa na frente do brinquedo, ele havia visto o Coringa entrando ali. Ele ativa as lentes de visão de Raio-X na máscara.

Bats: Idiota, você acha que pode se esconder.

Coringa caminhava dentro do brinquedo, ele não queria se esconder, apenas queria se aproveitar a diversão o máximo que pudesse. Graças ao palhaço, Alfred e Damian estavam mortos, Batman estava fora de controle, disposto a derrubar qualquer um que tentasse impedi-lo de ir atrás do palhaço. Faltava pouco para o espetáculo acabar e como é típico do Coringa, ele precisava fechar aquilo com chave de ouro. Ele continuava caminhando, entrando cada vez mais fundo no brinquedo, as criaturas mecânicas ali dentro não o assustavam, era mais fácil elas se assustarem com ele.

Batman corria pelos corredores do brinquedo, ele já havia visto o palhaço com sua visão de Raio-X. Estava cansado demais, a dor no seu corpo era grande, mas ele não podia parar, não enquanto ele não resolvesse o que fazer com o Coringa. Aquilo precisava acabar, mas como?

Bats: Droga, 26% de energia. Eu preciso pega-lo o mais rápido possível.

O uniforme estava esquentando, a energia baixa não fazia com que ele funcionasse direito e não mantinha a temperatura da roupa adequada para Bruce. Finalmente ele alcança o palhaço, se jogando pela parede a sua frente e caindo sobre o louco sorridente.

J: MAS QUE DROGA HAHAHAH! ISSO NÃO VALE!

Coringa joga seu braço quebrado sobre o rosto do morcego acertando em cheio sua boca. Ele não ligava para a dor, apenas ria junto com ela.

J: HAHAHAHA eu ainda posso usa-lo hehehehe não tão bem quanto antes, mas ele ainda tem sua serventia HAHAHAHAHA.

Batman empurra o palhaço contra a parede fazendo com que ele bata a cabeça em uma bruxa ao lado.

J: Ops! Desculpe minha doce senhora, esse morceguinho não sabe se comportar na casa do outros.

O punho do morcego voa em direção aos lábios vermelhos e sorridentes, mas o palhaço consegue se esquivar e correr novamente. Ele corre, sempre sorrindo, parece nunca se cansar daquilo. Coringa chega até uma caveira que segura uma foice de madeira. Ele a arranca do brinquedo e se prepara para o morcego que vinha logo atrás dele.

J: Hehehehe vamos. PODE VIR! ME ACERTE! Hahahaha.

A sombra de Batman se levanta do chão em direção ao palhaço, mas cai ao levar uma grande pancada em seu rosto com o a foice de madeira que o doido segurava. A visão de Raio-X foi danificada, ele precisaria se virar sem ela agora. Coringa não ficou ali para lutar, ele deixou a foice no chão e correu novamente. O morcego foi se levantando com um pouco de dificuldade, mas conseguiu e continuou a ir atrás de seu velho amigo. Na saída do brinquedo, Coringa olhava para os lados, procurava por algo e encontrou, foi em direção à montanha russa. Batman saiu do brinquedo e avistou algumas pessoas que logo olharam pra ele, assustadas, sabiam o que estava acontecendo, uma outra louca perseguição entre o morcego e o palhaço. Então ele ouve um grito, um grito de socorro, uma criança. Ele corre em direção aos gritos esganiçados de uma garotinha e a encontra nos braços do palhaço maluco. Estavam na entrada da montanha russa, havia várias pessoas mortas ali, assassinadas pelo Coringa. O sangue escorria com a água da chuva para todos os lados. Como aquele palhaço fazia isso? Ele estava com um de seus braços quebrado e ainda assim conseguia causar tantas tragédias. A garotinha estava presa entre o braço do vilão e se debatia para se soltar, mas não conseguia.

Bats: Solta ela Coringa! Se você a machucar, ira se arrepender profundamente.

J: Oh Batsy, você sabe que eu não vou fazer nada com ela hihihi eu não machuco crianças.

Ele estava com uma faca nas mãos, nos mesmos braços que segurava a criança. De onde ele tirava tantas facas? O palhaço era um arsenal de facas, aquele terno devia ter uns cem compartimentos para guardar armas.

Bats: Larga ela Coringa! É o ultimo aviso.

Os policiais que os perseguiam já estavam no parque e finalmente encontram os dois. A voz de Gordon se levanta entre o barulho da chuva.

Gordon: FIQUEM ONDE ESTÃO! EU VOU ACABAR COM ISSO DE UMA VEZ POR TODAS!

Coringa solta a garotinha e a empurra com a ponta da faca em sua nuca, com força o suficiente para fazer a lamina atravessar a garganta da criança.

J: Hehehehehe sobre eu não ferir crianças, era uma piada HAHAHAHAHAHAHAHA!

Bats: DESGRAÇADO!

O morcego corre rugindo em direção ao palhaço e atira um Batrang na direção do rosto do vilão. Coringa consegue se esquivar e ativa, quebrando logo em seguida, a alavanca da montanha russa e entra em um dos carrinhos. Batman pula em cima do ultimo carrinho e se segura firme, avançando até o primeiro carrinho onde estava o palhaço. O brinquedo começa a tomar velocidade e o vento batendo na capa do morcego faz com fique mais difícil se manter em pé ali em cima. Coringa ainda está rindo sentado no primeiro banco do brinquedo.

Parque de diversões/ 20h06/ Hoje

Gordon tenta parar a montanha russa, mas com a alavanca quebrada era impossível, eles precisariam de um técnico. o detetive Bullock tenta ajudar, mas não muda nada.

J: HAHAHAHAHA VAMOS LÁ BATSY! SENTE AQUI AO MEU LADO! VAMOS NOS DIVERTIR MAIS UM POUCO HAHAHAHAHAHA!

Batman salta de um carrinho para o outro tomando o maior cuidado para que não seja jogado para fora do brinquedo e para que sua capa não se prenda nas rodas. Ele chega ao segundo carrinho e observa com raiva o palhaço gargalhando a sua frente. Ele pensa na garotinha que acabara de ser morta.

J: HAHAHAHAHA VAMOS LOGO! VENHA AQUI, VOCÊ NÃO PODE PERD... HUNGH!

Batman agarra o Coringa pela cabeça e a empurra com força contra o banco do carrinho quebrando seu nariz. O palhaço se vira para ele e olha como se nem tivesse sentido o golpe.

J: Haaaa pensei que estivéssemos na montanha russa, não no bate-bate hehehehehe, mas tudo bem. Vamos fazer do seu JEITO!

Ele se levanta e se joga sobre o morcego, os dois caem no banco logo atrás, quase caindo para fora do brinquedo. Enquanto Batman tenta empurrar o palhaço de cima dele, o carrinho chega a um looping que joga os dois para fora. Batman cai na plataforma logo a baixo e o Coringa cai de lado sobre o peito do morcego e sai rolando parando bem na beirada dos trilhos. A queda foi de uma altura suficiente para matar os dois. Batman caiu de costas o que evitou que ele planasse com sua capa, por sorte sua armadura o protegeu de se quebrar inteiro e seu corpo amorteceu a queda do palhaço também evitando que ele se machucasse mais ainda. Eles começam a se levantar cambaleando para os lados.

J: Hehe... isso foi meio assustador hehehe achei que íamos morrer hehehe e tudo ia acabar sem ao menos um abraço hihihi.

Coringa está de pé, meio curvado e cuspindo sangue. Batman também se levantou e luta para se manter em pé, suas pernas estão tremulas.

Bats: Hunf... nós... vamos acabar com tudo aqui.

J: Sério? Qual o seu plano? Porque eu definitivamente não sei o que vamos fazer agora hehehe. Tudo o que eu queria era matar sua família, ou melhor, seus tumores que te incomodavam hehehe e eu consegui, mas não tive tempo para pensar em outro passatempo para continuarmos com isso, então... aceito sugestões hihihihi.

Batman olhou para o rosto ensanguentado do palhaço e depois olhou ao seu redor, eles ainda estavam nos trilhos, o carrinho logo estaria ali, atropelando os dois se eles não saíssem a tempo. Também viu os policiais lá em baixo, viu outras viaturas chegando e viu Gordon, segurando uma arma na mão, pronto para atirar no palhaço e nele, se fosse preciso.

J: Então o que sugere querido? Uma conversinha? Uma dança? Piadas? Hehehe eu tenho uma bem divertida que você vai adorar, vou te contar. Tinha dois caras num hospic... ARRRGH!

Dois Batrangs voaram sobre o palhaço, um acertou seu peito abrindo apenas um corte e caiu sobre os trilhos e o outro cortou um pedaço de sua orelha e desapareceu no meio da chuva.

J: Hugh... droga Batsy, podia ter deixado eu pelo menos terminar a piada hihihi.

Os carrinhos estavam quase terminando no final da pista e logo estariam de volta. Batman andou rapidamente e agarrou o Coringa pela gravata.

Bats: Chega de piadinhas Coringa.

Ele acerta um soco no estomago do Coringa, ainda pensando na garotinha, acerta outro e mais outro. Agora, seu punho se levanta em direção ao rosto do palhaço, ele ameaça dar o golpe, mas não faz nada, ele se cansa de continuar. Pensava na garotinha e em todas as outras pessoas mortas, mas não encontrava mais um porque para ele continuar com aquilo, então ele apenas se manteve segurando o palhaço, mas abaixou sua cabeça, sua respiração forte e cansada no meio da chuva podia ser ouvida pelo vilão que cuspia sangue e engasgava a sua frente.

J: Hugh... hun?

Bats: ... Acabou.

O morcego, ainda olhando para baixo, soltou seu velho amigo e deu alguns passos para trás. Ele alcançou suas mãos até a cabeça e retirou sua máscara, jogando-a do alto do brinquedo.

Bruce: Não posso continuar... acabou.

Coringa se ajeita e engole todo o sangue que subia por sua garganta.

J: Hãn? Por favor, você poderia chamar o morcego? Eu preciso falar com ele.

Bruce: Não Coringa, acabou. Essa sua piad... nossa piada... acabou.

Coringa parou de sorrir e começou a gritar.

J: Hunf. BATSY! EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AI! APAREÇA... e vamos... CONTINUAR COM ISSO!

A voz do palhaço estava bem rouca, quase falhando, mas ele continuava gritando, ele queria o cavaleiro das trevas, não o bilionário de Gotham.

J: VAMOS! CADE VOCÊ DROGA?!

Bruce retirou a capa de sua armadura, que já não tinha mais energia, todas as suas funções foram desativadas, agora ela era uma simples armadura e um peso para Bruce Wayne. Ele caminhou rapidamente até o palhaço e o segurou pelo ombro colocando a capa em sua mão.

Bruce: Nós podíamos ter mudado isso, mas você não colaborou. Foi sua culpa termos chego até aqui.

J: Eu não quero falar com você seu bilionário de merda, quero o morcego, quero o BATMAN!

O palhaço gritou. Sua saliva voou no rosto de Bruce se misturando com os pingos da chuva que escorriam. Bruce soltou um pequeno risinho e aproximou se do rosto do palhaço mantendo o sorriso.

Bruce: Eu sei que você quer ele mas, hehe... eu não posso mais fazer isso, então vou te deixar para quem pode cuidar de você. Segure firme amigo.

Ele deu um tapa nas costas do palhaço, ainda sorrindo e seu amigo entendeu, Coringa viu que o morcego não tinha coragem de mata-lo, mesmo com todo o ódio, ele não tinha coragem de terminar com aquilo. Eles eram amigos, não amigos normais, mas era uma amizade, uma amizade estranha, muito estranha, mas era uma amizade de verdade e que não podia ser desfeita. O palhaço sorriu novamente e começou a gargalhar logo em seguida segurando a capa do morcego.

Bruce: Até nunca mais velho amigo.

Coringa olhou nos olhos de Bruce com uma cara de cachorro pidão.

J: Um abraço? Hehehehe.

Bruce: Hehe sem abraço amigo.

Ele empurrou o Coringa para fora dos trilhos, que caiu gritando ou rindo, era difícil saber o que estava saindo da boca daquele doido genocida no momento. Ele ainda segurava a capa dada pelo morcego que se abriu feito um paraquedas e o fez planar. Apenas uma das mãos a segurava, o outro braço quebrado voava para trás todo desengonçado. Bruce já não observava mais seu amigo flutuando, ele estava ajoelhado no meio dos trilhos, seus olhos estavam fechados, ele não pensava no que ia acontecer, pensava apenas no que já havia acontecido. Sua família, não existia mais. Jason havia desaparecido, Damian, Dick, Tim, Barbara e Alfred estavam mortos, não havia ninguém o esperando, ele estava sozinho. Os carrinhos se aproximavam.

Bullock: O que é aquilo? É o Coringa?

Coringa pousou em frente os policiais e acabou escorregando, caindo de quatro e deslizando pelo chão molhado até parar de cara em uma poça de lama. Levantou seu rosto com o sorriso cheio de terra, água e sangue.

Gordon: Hunf... finalmente.

J: Hehehehe.

Bruce começou a pensar na cidade que estava deixando sozinha, a cidade que ele vinha protegendo durante anos. Ela já não precisava mais dele, ela tinha Gordon, sempre teve. Batman era apenas uma ajuda. Os maiores vilões estavam presos nos quartos escuros do Arkham e alguns estavam mortos, só restava o sorriso de Gotham que agora tinha seu destino nas mãos de Gordon.

Gordon: E então seu desgraçado, onde está o morcego?

J: Hehehehehe sabe comissário? Foi bem divertido, todo esse tempo que passamos nesse fim de mundo hihihi foi bem divertido.

Gordon: Me responda!

Gordon apontou sua arma para o palhaço que abriu um sorriso maior ainda olhando diretamente para os olhos do comissário.

J: Você vai atirar? Hehehe.

Gordon: É o que eu pretendo.

J: Então atire. Hihihihi está esperando o que? Atire.

Gordon colocou seu indicador sobre o gatilho pronto para descarregar a arma. Os policiais observavam, eles não faziam nada, sabiam que Gordon tinha ordens para matar o palhaço.

J: Bom, se você vai demorar, eu vou me despedir do meu melhor amigo hehehe.

Gordon: Do que você está falando?

J: Adeus meu amigo...

Bruce continuava ajoelhado, a chuva disparava em seu rosto, e os carrinhos estavam a alguns metros atrás do morcego.

J: Vou sentir sua falta hehehe. Bem, talvez nem tanto haha, acho que vamos nos encontrar novamente daqui a algum tempo hehhe.

Gordon: Já chega!

Coringa olhou para o alto com um sorriso de orelha a orelha e gritou.

J: TE VEJO NO INFERNO HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

A arma apontada para a flor presa no peito do palhaço disparou, um trovão ecoou naquele momento e todos os sons se misturaram. A gargalhada do palhaço ecoou por todos os lados e foi silenciada pela bala que atingiu seu peito atravessando seu coração. O som do disparo e do trovão bloquearam outro som, o som dos carrinhos na montanha russa atingindo o cavaleiro de armadura que foi lançado para longe dos trilhos e se chocou com o chão a muitos metros de distancia dos policiais, de Gordon e do palhaço sorridente caído sobre uma poça formada pelo seu próprio sangue.

Gordon: Hunf, finalmente... acabou. Peguem o corpo desse desgraçado. Vocês já chamaram os paramédicos?

O detetive Bullock se aproximou comendo uma rosquinha.

Bullock: Já devem estar chegando, eu avisei sobre as pessoas mortas aqui no parque, disseram que estariam aqui o mais rápido possível.

Gordon: Ótimo.

Bullock: O que vamos fazer com o palhaço?

Gordon: Ele ira para o lugar que merece.

Bullock: E quanto ao Batman?

O comissário olhou para o alto em direção ao brinquedo que ainda estava funcionando.

Gordon: Ele já deve ter ido embora, cuidamos dele outra hora, por enquanto, o pior já passou.

Ele olhou para o palhaço que mesmo morto, ainda tinha um grande sorriso estampado em seu rosto e cuspiu sobre o corpo, voltando para o carro. Bullock também olhou para o corpo.

Bullock: Hunf, palhaço idiota hehehe. Eu queria ter feito isso com você, mas Gordon estava decidido a te ferrar hehehe.

Ele chutou o palhaço e saiu andando. Os outros policiais se aproximavam do corpo para pega-lo. Do outro lado do parque, sozinho, caído sobre seu sangue, o justiceiro que arriscou sua vida pela cidade que ele amava e agora estava morto. Bruce Wayne, Batman não existia mais e não havia ninguém ali para ajudar o homem que agora descansava em paz. A chuva só aumentava, não havia outras pessoas no parque, todas fugiram da tempestade, apenas os policiais estavam ali e agora os paramédicos que surgiram na entrada do parque com as sirenes das ambulâncias se espalhando pelo ar, espalhando o som de uma tragédia, o som de uma piada que finalmente chegou ao fim... mas que não teve um final engraçado.

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