A pequena Lady de Ferro 2
18 Isso não é um adeus
Notas iniciais
JULIE
— Onde ela está? — perguntei, começando a pensar em possibilidades horríveis.
— Ela está bem — respondeu — Por enquanto. Vou colocá-la na linha.
Esperei, aflita, uma resposta de Megan.
— Julie, por favor, não venha — eu pude notar que ela se esforçava para não chorar enquanto falava comigo.
Meu coração estava apertado. Eu queria resgata-la o mais rápido possível.
— Megan, vai ficar tudo bem ok? — tentei tranquiliza-la mesmo sabendo que era em vão — Eu vou te salvar.
Eu não sabia como, mas tentaria.
— Julie, não... — Megan foi interrompida e a voz de Loki surgiu em seu lugar — Podemos pular para a parte onde eu digo como vai ser? — seu sarcasmo apenas me deixou mais irritada.
— O que você quer? — perguntei, mesmo já sabendo a resposta.
— Uma conversa — agora ele me surpreendeu.
— Uma conversa? — questionei.
— Isso mesmo — afirmou — quero apenas conversar com você e em troca eu liberto a Srta Hoffmann.
— Ok. Onde você está? — eu duvidava que fosse apenas uma conversa, mas eu não tinha opção.
— Acho que você conhece. Tem o seu sobrenome em letras brilhantes — Loki respondeu.
A Torre Stark. Eu lembrava como se fosse ontem, quando fugi de casa e fui atrás de meu pai em Nova York. O modo como meu pai, mesmo sem saber que era meu pai, me acolhera naquela grande torre.
— Vá sozinha — Loki acrescentou — ou a Srta Hoffmann vai cair em voo livre dessa torre — desligou logo em seguida.
Larguei o celular e olhei para Brad. Ele havia ficado em silencio durante toda a ligação. Seu semblante estava sério, ele já sabia do que se tratava.
— Loki está com Megan — expliquei — Ele quer que eu vá resgatá-la.
— Eu vou avisar os outros — Brad disse, imediatamente.
— Não! — o impedi, antes que ele ligasse seu comunicador — Eu vou sozinha. A Megan precisa de mim.
— Eu vou com você. Não vou deixar que se arrisque desse modo — ele respondeu.
— Você não pode ir — falei — Loki irá matá-lo se o ver. Motivos ele já tem de sobra.
— Então, eu devo simplesmente deixar você ir? — perguntou — A ultima vez em que deixei você sozinha, você ficou em coma.
— Não sou mais uma criança — respondi — Essa é a decisão certa a se tomar. Precisa confiar em mim.
— Eu confio — ele respondeu, imediatamente — apenas tenho a sensação de que algo vai acontecer.
— Algo já está acontecendo — remexi o bolso da minha calça e tirei de lá um objeto que sempre carrego comigo, em segredo — Quero que fique com isso.
Era a pulseira de contas que Brad havia me dado no meu aniversário de doze anos.
— Você ainda o tem? — ele examinava o objeto em suas mãos.
— Eu não poderia me desfazer dele.
— Por que está me dando isso?
— Para você ter certeza de que eu voltarei para buscá-lo — sorri fracamente e o beijei de leve.
— Como você vai sair daqui? — finalmente ele havia concordado.
— Meu pai deve ter uma armadura reserva por aqui.
— Como tem tanta certeza?
— Ele é prevenido.
Fui até meu quarto enquanto Brad me esperava do lado de fora. Peguei duas pistolas e o máximo de munição reserva que pude.
— Onde você acha que pode estar? — Brad perguntou enquanto andávamos pelos corredores.
— Se conheço bem o meu pai, deve estar no quarto dele junto com as bebidas que ele guarda aqui — relatei.
Brad não questionou e apenas me acompanhou até o quarto que meu pai ocupava. Era igual ao meu, apenas mudando o fato de que havia um mini open bar no canto.
Me aproximei, tirando as garrafas de whisky do lugar. Passei as mãos pela madeira até conseguir deslocá-la. Papai, tão previsível.
Tirei de lá a armadura em forma de maleta que papai tinha há alguns anos. Não era a mais avançada, mas ia ter que servir.
Peguei-a, virando-me Brad.
— Se eu não responder ao comunicador em 10 minutos, conte para todos e venham atrás de mim — falei.
— Você é uma cabeça dura — Brad respondeu com um meio sorriso.
— É de família — respondi.
Caminhei até o hangar. Olhei para Brad e meu coração apertou.
— Até mais — ele disse.
— Até mais — respondi de volta, mesmo não tendo muita certeza.
Vesti a armadura e voei o mais rápido possível, tentando acreditar que isso não foi um adeus.
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