A pedra no meu sapato

3 Este é Peter Johnson.


Notas iniciais
LEIAM EU AMO ESSE PETER NHAM NHAM NHAM hahaha *-* Bjs pessoas espero q gostem, xoxo

Acordei. Me levantei e fui ao banheiro. Tomei um banho e sequei os cabelos com o secador. Na cozinha, fiz e comi algumas panquecas. Depois, coloquei o uniforme, juntei minha bolsa com meu material e parti para a escola. Chamei um táxi, na verdade. Eu havia salvo o número na minha agenda.

Chegando lá, já estava quase na hora de bater. Eu teria de acelerar o passo. Mas, Peter estava no portão. Me aproximei dele.

— Estava me esperando? — Brinquei.

— Sim. — Ele pegou meu braço e me puxou até as escadas.

— Que agressividade. — Subimos os degraus e entramos na escola.

Rápida e silenciosamente chegamos no segundo andar, assim como na nossa sala. Todos ficaram nos encarando, pelo fato de termos chegado quase em cima do horário. Sentamos nos nossos lugares, e os dois primeiros períodos eram com Tom de novo, que deu bom dia para a turma e mandou abrir em tal página, que eu até abri, mas não fiz nada.

— Sabe, eu estava pensando... — Peter me cutucou. Por quê você foi embora tão cedo?

— Você sabe. — Eu o encarei.

—Não. — Ele me cutucou novamente. — Vai lá em casa hoje, de novo.

— Não estou afim. — Sorri e me virei para o professor que explicava algo sobre algum teorema.

Peter me cutucou mais uma vez. Duas. Três. Tá, repetidamente.

— Para. — Eu me virei para ele e murmurei.

— Você não me da atenção. — Ele me encarou, com aquele olhar...

— Eu mal te conheço.

— Mal me conhece? — Ele riu.

— Peter. — Eu fiz sinal de "shh"

— Você não "mal me conhece". Você sai agarrando pessoas que mal conhece por aí? — Eu avermelhei.

Olhei para ele, que estava com aquela cara monótona. Me deu raiva. Ele tinha falado alto demais.

— Você beija muito mal. — Eu ri.

Eu não era do tipo de criticar com argumentos tão fúteis, mas achei que isso o irritaria por ser um menino. E acho que o irritou. Mesmo que ele não tenha demonstrado. Peter levantou o canto da boca maliciosamente.

— Você não disse isso ontem no sofá.

E novamente: Ele tinha falado alto demais. Eu estava que nem um pimentão. Olhei ao meu redor e...Todos os alunos inclusive o professor estavam nos encarando. Olhei para Peter e ele ainda estava com aquele sorriso. Maldito!

Me levantei e fui até Tom, pedindo para ir no banheiro. Ele permitiu, e assim corri até lá. Rapidamente. Desesperadamente. Eu já estava me preparando para ouvir comentários. Pessoas fofocando por aí que a vadia da Sarah mal conheceu Peter e já dormiu com ele. Mas o problema é que eu não dormi. Eu me encostei na parede e me sentei no chão.

Droga. O segundo dia e eu já tinha estragado tudo. Alguém entrou no banheiro, ouvi a porta bater. Só me faltava ser a Lucy. Já arrebentava a cara dessa vadia se viesse me azucrinar de novo.

— Sarah? — Era Julie.

— Oi. — Ela sentou do meu lado.

— Então.. Você dormiu com ele? — Julie começou a sorrir como sempre.

— Não! — Eu quase gritei. — Desculpa. Não.

— Oh.. — Ela fez uma pausa. — Então... O que aconteceu no sofá?

— Bom... — Eu a encarei e ela abriu um sorriso malicioso. — Eu.. Nós... Só nos beijamos...

— No sofá? — Ela não estava convencida.

— É que... — Suspirei. — Você não vai contar pra ninguém?

— Não, Sarah. Eu prometo. Sei que não nos conhecemos muito bem, mas.. Eu te adoro! E adoraria ser sua amiga para o resto da minha vida. — Ela sorriu. Parecia sincera.

— Tá. — Sorri. — No nosso passeio de ontem a tarde, fomos na praça e eu acabei vomitando em cima dele.

— Oh... — Ela abriu um bocão.

— Ele me levou para a casa dele. — Julie começou a sorrir mais maliciosamente ainda. — E lá, quando eu esperava ele trocar de roupa... Ele apareceu na sala, sem camisa. E... Eu fiquei olhando que nem um cachorro babando.

Julie apenas riu.

— Então... — Eu não sabia como continuar.

— Então...? — Ela me cutucou.

— Ele... Veio até mim e me beijou... E acabamos nos deitando no sofá, por que eu meio que resisti... E ele acabou com a mão boba em baixo da minha blusa.

Julie sorriu, como sempre.

— Eaí, eaí!?!?!? — Só faltava pular de alegria. Ela era muito agitada.

— E...aí... Nós paramos. Não queríamos ir além disso. E eu fui embora. E, quando eu fui... Ele sorriu pra mim.

— O que? — Julie colocou as duas mãos sobre a boca. — Oh meu Deus! Sarah! Você! Eu... Eu tenho tanta coisa que... Que quero que você saiba. Sobre ele e sobre Lucy. Sobre essa escola. Você precisa saber.

— Do quê? — Eu estava confusa.

Julie se levantou e me ajudou a levantar.

— Vamos para o terraço. Podemos matar a aula todinha lá e ninguém vai saber. Vem.

Ela me puxou pela mão, me levando. Em menos de 10 minutos já estávamos no telhado da escola. Nos sentamos na cobertura e ela começou a falar.

— Fazem dez anos que estudo aqui. E.. Sempre fui colega do Peter. Os pais dele moravam aqui, até ele fazer 14 anos. Então, eles foram embora e Peter nunca disse a ninguém o por que. E eu nem sabia que se era possível ser emancipado só com quatorze. — Ela suspirou e passou a olhar para o céu. — Ele sempre foi sério. Mas depois daquilo, eu nunca mais o vi sorrir. Ele não é uma pessoa sem amigos, pelo contrário, tem muitos. E ele também nunca foi de chegar em alguém como ele fez com você. Deve ser por isso que Lucy ficou tão brava.

— Como assim? — Perguntei.

— Ela passou três anos correndo atrás dele. E fazem cinco meses que ela conseguiu finalmente o que queria. Qualquer um veria que ele não gostava dela. Então, o namoro deles durou três meses. Ele terminou, sem nem explicar por quê. E Lucy é bem... Digamos, saidinha. Ela ficou muito furiosa que ele não quis... Você sabe... Com ela. E agora deve estar mais ainda por que acha que você...

— Nossa. — Sem querer eu a interrompi.

— Mas o problema é que Lucy é uma pessoa muito agressiva. Ano passado ela quase foi expulsa porque bateu em três meninas, por falarem com Peter. — Eu arregalei os olhos. Que menina ciumenta, hein. — E.. Ela já... Já dormiu com Louis.

— Quê!?

— Você gosta dele? — Ela me olhou confusa.

— Não! Mas, ele parece tão legal...

— Ah, sim. Ele é. — Ela tossiu. — Mas, voltando ao Peter... Ele rejeita qualquer uma. Eu digo qualquer uma mesmo. Uma vez veio uma atriz super famosa.. — Tão famosa que Julie até esqueceu o nome dela. — Bom, ela queria namorar Peter. Mas ele deu um fora tão feio nela, na frente de todo mundo, que ela até mudou de cidade. E foi feio mesmo. Peter não é muito sociável com meninas, por que geralmente elas acabam se apaixonando... Os pais dele o maltratavam muito, eu ouvi dizer. E.. A história dele é triste.

— Eu entendo.

— Como assim? — Ela pegou minha mão

— Eu não vivi muito com meus pais, então... Acho que posso entender a dor que ele sente. A partir deste ano eu sou emancipada. Moro sozinha.

— Ah... Sim... — Ela me olhou nos olhos. Acho que não dava pra esconder o quanto eu estava triste por ouvir aquilo.

Tudo bem, eu sei que não foi nada demais, mas... Eu sei a dor que ele sentiu. A dor que ele sente. Eu queria poder consolá-lo.

Julie tirou o celular de um bolso embutido que tinha na saia do nosso uniforme.

— Já está quase na hora do recreio, então... — Ela tirou o moletom que ficava enorme nela e colocou no chão. — Deita aí.

Ela enfiou o celular de volta no bolso. "Vai despertar pouco antes da aula acabar", ela disse. Relaxei a nuca em cima do moletom dela, e cochilei.

Senti chutes.. Na sola do meu sapato. E mais chutes.

— Me deixa dormir só mais um pouquinho, Julie. — murmurei, sem abrir os olhos.

— Sua amiga já foi. — Era a voz dele.

Abri os olhos e me sentei.

— Cadê a Julie?

— Ela foi embora quando eu cheguei. — Respondeu Peter, me encarando, de pé.

— Que hora é? — Perguntei, esfregando os olhos.

— Hmm... — Ele tirou o celular do bolso. — Meio dia e trinta.

— Quê? Ela disse que ia me acordar antes!

— Eu cheguei assim que bateu pro último período. Você não voltou mais pra aula depois...

— É, agora lembrei que estou de mal com você. — Me levantei, arrumei minha saia e fui até a sala de aula.

Eu já sabia andar dentro da escola. Cheguei rapidinho na sala. Julie estava guardando o material.

— Por quê você me deixou sozinha lá? — Eu me aproximei dela.

— Hehehe, não te deixei sozinha. — Ela sorriu e voltou a organizar os livros na mochila.

Eu só bufei. Fui até a minha classe e guardei o que eu havia usado antes.

— Ei, Sarah. — Olhei para o lado e vi Louis me chamando.

— Oi, Louis. — Eu sorri e ele me deu um beijo no rosto.

— Onde você esteve hoje?

— Na cobertura.

— Hm.. — Ele riu. — Quer sair hoje de tarde?

— Não posso. Sinto muito.

— Nossa. — Disse Peter, se aproximando de nós dois. — Se ela fizer com você o que fez comigo em uma tarde...

Ele deu dois tapinhas nas costas de Louis, piscou para mim e foi embora.

— Quê? — Louis parecia confuso. — Como assim?

— Você não pode falar nada. — Eu coloquei a bolsa no ombro e começamos a caminhar para a saída. — E a Lucy?

— Ah, cara... — Ele virou o rosto para não me encarar. — Foi só... Nada a ver.

Eu ri. Que ridículo. Ele não sabia se explicar. Típico dos meninos: tratar as meninas que nem comida. Depois de comer, a fome passa. Chegamos na saída, e Julie me esperava. Junto de Lucy.

— Vamos? — Julie me chamou.

Me despedi de Louis e fui com elas. A metade do caminho foi um silêncio. Eu não queria falar com Julie, para que não parecesse rude com Lucy, e se eu falasse com Lucy, era capaz de ela me matar.

Quando chegou na rua em que eu ia para a direita e as duas para a esquerda, me despedi de Julie e quando fui tentar fazer o mesmo com Lucy, ela virou-se e foi caminhando sozinha. E fui até a minha casa que já estava perto sozinha.

Eu cheguei em casa. Meu apartamento fica no quarto andar, de oito andares, então não é muito cansativo esperar no elevador. Logo que entrei troquei de roupa e comecei a fritar um bife para comer de almoço. Pronto, esquentei um pote de arroz guardado e comi. Terminei de lavar a louça, e assisti três filmes na TV. Eram quase oito horas da noite, quando a campainha tocou.

— Quem é? Gritei do sofá mesmo.

— Eu.

Aquela voz... Era Peter. O que ele queria na minha casa? De novo. Aff. Mesmo assim caminhei até a porta e a abri. Ele entrou e se sentou no sofá.

— O que você veio fazer aqui? — perguntei.

— Não tenho nada pra fazer em casa. — Ele respondeu, passando a me encarar.

— E aí eu que tenho que te aguentar? — Cruzei os braços.

— Quer que eu repita aquela frase? — Ele sorriu.

Mesmo dizendo coisas provocantes e tentando me irritar, aquele sorriso era realmente estonteante. Me dava vontade de beijá-lo novamente.

— Você é irritante. — Eu sorri e sentei do lado dele.

Ele passou a mão por trás de mim e colocou no meu ombro. Iria começar de novo. Eu olhei para ele que estava sorrindo. Ele percebera, que minha fraqueza era seu sorriso? Estou ferrada. Era um sorriso sincero, um sorriso que se encaixava perfeitamente com a curva dos seus lábios junto daqueles olhos azuis, aquele rosto perfeito, aquele menino todo perfeito, e...

O celular dele começou a tocar. Aquele barulho irritante de iPhone. Ele tirou do bolso, e olhou quem era. A expressão da sua face mudou radicalmente.

— Que foi? — perguntei.

— Do celular da minha mãe. — Ele respondeu olhando fixamente para o celular.

Ele lentamente levou o celular até sua orelha depois de ter atendido.

— A-Alô. — Ele passou a olhar para o chão. — S-Sim.

A face dele se fez em uma que eu nunca tinha visto. Cheio de tristeza, insanidade. Como se... O mundo estivesse acabando. Qualquer um que o olhasse naquele momento veria quão profunda a tristeza estava estampada em sua face.
Ele deixou o celular cair. O que diabos estava acontecendo? Ele abriu a boca em uma expressão de desespero. Eu rapidamente me ajoelhei na frente dele.

— O que aconteceu? — coloquei as mãos no seu rosto, mas ele não respondeu. Peter!

Ele parou de olhar para o chão e passou a me encarar. Mas o que eu via começou a me desesperar. Seus olhos gritavam por socorro.

— Peter! — eu gritava. — Peter!

Nenhuma resposta. Apenas aquela expressão desesperadora em seu rosto, e seu olhar fixo no meu. Passaram cinco minutos, eu acho. E ele ainda estava daquele jeito.

De repente, ele me abraçou. Tão forte... E eu senti minha blusa se molhar. Peter estava... Chorando? Assim que ele me soltou eu olhei para seu rosto e ele estava secando as lágrimas.

— Droga. — Ele ficou sério daquele jeito de novo.

— O que aconteceu, Peter? — O encarei. — Eu estava preocupada.

— Nada demais. — Ele quase sussurrou e juntou o celular.

Levantou-se e ligou para um táxi. Por mais que eu perguntasse, ele não respondia de maneira alguma qualquer coisa que eu perguntasse. Apenas continuava, com aquele olhar, triste. Sem dizer uma palavra. Ele foi até a porta e disse:

— Abre.

O que aconteceu Peter?

— Abre pra mim de uma vez.

— Espera.

Procurei a chave. Costumava ficar na bancada da cozinha, ao lado da entrada, mas, não estava lá.

— Tô com pressa, Sarah.

— Você só não pode me dizer o que aconteceu? Perguntei, parando de procurar a chave por um segundo.

Ele se dirigiu até mim e me segurou pelos ombros. Não estava me machucando, mas era forte.

Algo sério aconteceu. Me deixa ir embora.

Ele estava extremamente sério. Com aquela expressão monótona.

Me deixa procurar a chave. Murmurei.

Ele me soltou e voltou até a porta.

Apalpei todo o sofá e não encontrei nada. Lembrei que talvez eu tivesse jogado aquelas malditas chaves em cima da minha cama. Corri pelo longo corredor e cheguei no meu quarto. Apenas uma pequena coisinha prata pairava em cima da cama box. Peguei a chave e abri a porta para ele.

Observei ele sumir do meu campo de visão com as portas do elevador fechando. Eu estava realmente preocupada. Eu mal o conhecia. Ele já sabia onde eu morava, já havíamos nos beijado, ele supostamente nunca sorri pra ninguém, e vivia sorrindo pra mim. Era pouco tempo mas, tudo parecia passar tão rápido. Eu queria ajudá-lo.

Mas se ele rejeitava minha companhia, eu obedeceria. Me ajeitei e, mesmo preocupada, deitei e dormi.

Notas finais
Sinto muito pelos erros de ortografia. Aceito elogios e críticas.