A outra face do mal
5 Parte II
Notas iniciais
Nesses últimos três anos, estava tudo indo muito bem, terminaria a escola esse ano, todo mundo sob meu comando, tudo estava sob controle, até o dia em que vi aquela nerdzinha de merda nos corredores da escola, os cabelos amarrados em um rabo de cavalo mal feito, com pequenas mechas caindo em seu rosto, ao contrário de Jéssica, ela ficava linda daquele jeito, óculos redondos que caia perfeitamente em seu rosto, ela estava sorrindo com outras garotas, que provavelmente se ofereceram para lhe apresentarem a escola. Seu sorriso era doce, lábios rosados naturais e finos faziam os meus formigarem, não havia nenhum defeito em seu rosto bronzeado. Ela estava segurando alguns livros, matemática, história e geografia. Marvin estava comigo e seguiu meu olhar que estava fixo nela, ele sorriu e balançou a cabeça em reprovação.
— Nikki, vamos! Deixa a pobre garota pelo menos se acomodar! — Tirei meus olhos dela por alguns segundos, olhando para ele sorrindo malicioso. –— Podemos mostrar as regras para ela amanhã cara, vamos! — Marvin estava impaciente, íamos nos atrasar para a próxima aula.
Fiz um sinal negativo com a cabeça e ele respirou fundo revirando os olhos encostando na porta do armário, fez um sinal de que não se moveria e eu dei de ombros indo em direção a minha próxima presa, parei de frente para ela que se assustou ao esbarrar em mim, fiz um sinal negativo com a cabeça e as outras garotas sumiram como fumaça.
— Então você é nova aqui?! — Ela ajustou os óculos e sorriu simpática, aquilo me causou um sentimento estranho, não sei descrever, mas não gostei.
— Simmm! Me mudei para a cidade a poucos dias, morava em São Paulo. Meu pai foi transferido, estamos nos adaptando a nova cidade. — Ela falava com tanta empolgação, que por um momento esqueci que a vida era uma merda. –— Hoje é meu primeiro dia aqui, estou meio perdida, mas logo vou me ajustar —— Sorri demonstrando empolgação, que ela logo percebeu que ser sarcasmo, fiquei sério chegando mais perto a fazendo recuar, a prendendo entre mim e um dos armários, podia sentir sua respiração acelerada em meu pescoço, tive que inclinar a cabeça para baixo, para encara-la. Seus olhos assustados, eram castanhos cor de mel levemente puxados, os deixando misteriosos e sensuais.
— Então saiba que nessa escola, até para sorrir, precisa da minha permissão! — sussurrei bem perto do seu rosto, embaçando a lente de seus óculos, segurando entre meus dedos uma mecha solta. Ela engoliu seco, mas logo se endireitou ficando reta e me encarando de forma desafiadora, me segurei para não sorrir com a coragem. – A partir de hoje você trabalha para mim e analisando você, percebo que não se encaixa no grupo das patricinhas, não tem cara de que já ingeriu algo além de suco de uva e não me parece viciada. Então só tem um grupo que você se encaixa, os nerds. — Olhei para Marvin que estava encostado na parede de braços cruzados, observando a cena, fiz um sinal para que ele se aproximasse e a garota intercalou o olhar entre mim e ele. Segurei seu rosto com firmeza, não queria machuca-la, apenas mostrar quem manda. –— Olhe somente para mim, entendeu?!” —— Ela assentiu com dificuldade.
—— Esse aqui é o Marvin, toda semana nos passamos para recolher o dinheiro de cada grupo, não me interessa suas condições, se tem grana ou não e não adianta bancar a esperta, todos aqui inclusive a diretora, estão sob meu comando, entendeu?! —— Soltei a garota que passou a mão em seu rosto em silêncio e confusa. Foda-se se era seu primeiro dia, quem manda nessa merda sou eu.
Demorou um tempo para ela entrar nos eixos, a garota era forte e não tinha medo de mim, confesso que gostava disso, alguém que me desafiava. Mesmo dando a grana, ela não perdia a chance de me irritar, nunca ficava calada como os outros, as vezes jogava seu lanche em mim ou em Michael. Perdi as contas de quantas vezes tive que intervir para Michael não passar dos limites, ele não gostava de ser desafiado e ela não conseguia manter sua boca fechada, uma vez quando estava atormentando um nerd no campo, Emily apareceu e deu um tapa certeiro em Michael o deixando zonzo, ele ficou cego de raiva e iria parti-la ao meio ali mesmo, se não o tivesse impedido. Marvin sabia que tinha algo diferente na forma como a tratava, ele me alertava sobre isso, me dizia que não poderia defendê-la para sempre, favorecer uns e outros não, era ruim para os negócios. Emily ia completar três meses na escola e nunca a tratei como os outros, o castigo dela era sempre mais leve, isso deixaria Michael com mais ódio e estava cada vez mais difícil controlar.
Há duas semanas atrás, deixei que eles fossem sozinhos fazer as cobranças, assim poderia diminuir um pouco a raiva de Michael, mas orientei Marvin que não o deixasse passar dos limites, confiava nele e sabia que manteria tudo sob controle. Recebi o dinheiro e tudo pareceu correr bem, Marvin me tranquilizou de que tudo correu bem, no dia seguinte percebi uma marca roxa no rosto de Emily, fiquei furioso, perdi a cabeça. Pedi uma explicação para Marvin, que me disse que não sabe como aquilo aconteceu, no dia da cobrança Michael não chegou perto de Emily, que aquela marca não foi causada por ele, mas algo no olhar de Michael me dizia que ele foi o responsável, ela a olhava com satisfação e um sorriso vitorioso em seu rosto. Fui para casa, não queria falar com ninguém, a raiva e o ódio estavam explodindo dentro de mim. Me deparei com minha mãe, ela tentou se aproximar acariciando meus cabelos, segurei seu pulso torcendo com força, ela gemeu de dor e deferiu um tapa em meu rosto com a outra mão, a joguei no chão com um empurrão e subi para o quarto.
— NÃO ME TOQUE SUA VADIA DESGRAÇADA! — Gritei antes de bater à porta com força. A mulher estava no chão com ódio irradiando de seus olhos, isso não ficaria assim.
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Conforme os dias ia passando, percebi que Emily estava quieta, seu olhar estava sem brilho, estava mais magra com olheiras, entregava o dinheiro sem ao menos esboçar qualquer sinal de afronta e alguns dias depois a encontramos quase morta dentro do banheiro. Marvin me mantinha informado sobre seu estado, que já em casa sob os cuidados dos pais.
Quero vê-la, saber se realmente está bem, saber o que a levou a fazer aquilo. Começo a me questionar porque estou me importando tanto? Nem a conheço direito? Nunca trocamos mais que algumas palavras, que na maioria eram ofensas vindas de ambas as partes.
FODA-SE!!! Tenho coisas mais importantes a tratar.
—–– Marvin, preciso que fique de olho em Michael, descubra o que ele está fazendo nas horas vagas, se tem algo que não está nos contando! ––– Marvin concordou e nos despedimos na saída. Algo estava acontecendo e precisava descobrir o que era, para cortar o mal pela raiz.
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