A outra
2 Capítulo 2
Notas iniciais
[...]
...Minha única reação foi ficar boquiaberta pelo o que tinha acabado de acontecer, tinha se passado tanto tempo porém ela ainda tinha um rosto tão delicado e seus olhos eram tão azuis , como eu tinha guardado em minha memória .
— Não irá dizer nada? Eu não mudei tanto assim,somos gêmeas, vou ser sempre condenada a ter o mesmo rostinho que você – Ela diz debochada e sorria mostrando seus lindos dentes.
— É… é que… faz tanto tempo –Ainda assustada respondi. Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa,ela se aproximou e me abraçou com toda a sua força, no começo não expressei uma reação positiva de boas vindas, mas ao sentir seu doce cheiro de brisa de verão libertei completamente a saudade que sentia de minha irmã e a abracei afundando meu rosto eu seus cabelos ruivos que estavam presos em um penteado muito bem feito, e lá ficamos por uns longos minutos.
***
Levei minha irmã para dar uma caminhada no campo em uma parte onde poucas pessoas andavam, seria mais agradável ficar um pouco a sós com ela.
— E então… por onde andou esse tempo todo? – Puxei assunto levemente, sem a esperança que ela respondesse.
— Estive em lugares... outras cidades, outros países, conheci pessoas, bom… eu vivi. Foi uma das melhores fases da minha vida. – Ela responde rápida e direta, e posso reparar no jeito que seus olhos se fecham com seus cílios enormes ao falar a última frase,como se ela sentisse falta de algo.
— Então porque voltou? – Rebati envergonhada desviando o olhar sob minha irmã.
— Oh...Não queria que eu estivesse aqui? – Ela diz fazendo uma voz de bebê e fazendo uma expressão triste, realmente ela não tinha mudado nada,ainda tinha seu jeito debochado e rebelde mas eu sabia que ela não fazia por mal.
— Não... não é isso. – Digo sorrindo e pegando na sua mão
Um ano atrás eu pensava em como seria se ela aparecesse na minha frente pedindo perdão, e eu prometi para mim mesma que não a perdoaria nunca por ter me deixado,porém agora que ela está aqui comigo sobre a luz do sol percebi que não irei cumprir minha
promessa, porque mesmo ela tendo me machucado eu sempre a amaria.
-E então por quanto tempo irá ficar? Tem lugar para dormir? – Pergunto esperançosa para que a resposta fosse “para sempre”.
— Pretendo permanecer aqui por um bom tempo.. – Ela responde batendo com as mãos em sua cintura .
— Ótimo, pode ficar no hotel! – Digo pulando sobre a grama verde como se fosse uma criança.
— Ha, isso se nosso pai não soltar os cachorros em cima de mim. – Ela brinca sorrindo tirando um cacho de cabelo que caiu sobre seu olho.
— Ele vai entender... Eu vou te ajudar. – Ficamos alguns segundos paradas olhando uma para a outra, até Katherine se aproximar e passa sua mão em todo o contorno de meu rosto.
— Então me ajude. – Ela responde dando um lindo sorriso com tom de sinceridade e se vira para voltar em direção a casa.
— Katherine! – A chamo por impulso, mesmo que ela não tenha pedido eu precisava falar... — Eu te perdoo.
Ao ouvir isso ela se vira e nota-se seus olhos se encherem de água, mas antes que uma lágrima caísse ela passa um lenço de cor encardida sobre seus olhos e continua a andar.
***
— Meu pai?... – Voltamos para a casa e nos direcionamos até o escritório de meu pai rapidamente onde ele estava fazendo algumas contas em um caderno fino.
— Olá filha, algum problema? – Ele responde sem olhar para mim, se concentrando em sua tarefa.
— Eu tenho uma surpresa. – Digo me direcionando a porta pronta para abri-lá.
— Ah é… qual?…
~Katherine
Estava do lado de fora do escritório esperando que Karina abriu a porta, a casa estava totalmente do jeito que eu lembrava, cores escuras,quadros com flores pintadas, tudo em seu lugar, a única coisa que havia mudado era o fato de agora ter um grande movimento de pessoas por todas as partes, algumas delas quando passavam por mim me comprimentavam sorridentes, provavelmente por me confundirem com Karina.
Depois de alguns minutos Karina abre a porta, sem nenhum tipo de aviso ou chamado, e lá estava eu, frente a frente e meu pai, o qual eu deixei preocupado por dois anos.
— Olá papai... – Entro na sala e me arrisco em falar, não estava nervosa e nem arrependida pelo incrível pareça, mas não conseguia entender o motivo de meu coração está batendo tão rápido.
Meu pai não pronunciou nenhuma palavra, até o momento que ele se levantou de sua poltrona e andou rápido até a mim com tua mão nada delicada levantada me fazendo por impulso virar meu rosto para receber um tapa em meu rosto.
— Te procurei por todo lugar, com a esperança que você voltasse para casa...— E então ele se mostrou ao contrário de que eu imaginava,abaixou a mão e disse em tom baixo e confortante .
— Me desculpa… — Falou séria e cabisbaixa, me posicionei em posição rígida esperando que ele me agredisse para descontar a raiva mas pelo contrário, ele me envolveu com seus braços me dando um forte abraço, que sem nenhuma dúvida,foi retribuído.
— Eu… te perdoo meu amor – Ele diz e posso sentir uma de suas lágrimas caindo em meu ombro descoberto ,logo Karina se junta a nós transformando em um abraço triplo.
Quando eu estava voltando para casa, não sabia se estava fazendo o certo, não sabia se ao voltar sentiria o mesmo de antes, uma sensação de estar presa,mas a algum tempo ouvi o conselho de um amigo que dizia “ Para essa liberdade, só há um caminho: o desprezo das coisas que não dependem de nós” ,e aí tive medo, tive medo de voltar para casa e perceber que minha irmã e meu pai não precisavam mais de mim , e então voltei para eles.
Eles eram minha família, as únicas pessoas no mundo que eu amava.
***
Alguns serviçais já tinham retirado às minhas malas da carruagem e colocado no quarto da Karina, que há dois anos atrás era nosso quarto.
Paramos na porta onde Karina fazia sinal para que eu abrisse e com rapidez fiz o solicitado. O quarto não tinha mudado nada, estava tudo no lugar, as cortinas e móveis escuros, os lençóis beges e travesseiros totalmente fofos, tudo estava tão bem organizado e certinho, o que deixava claro que era minha irmã que dormia em tal lugar.
— Podemos colocar uma cama bem ali... – Karina aponta para um canto vazio do quarto.
— Sim, seria ótimo... – Caminho até as enormes janelas que vinham do teto até ao chão, lá fora podia ver hóspedes caminhando, a calmaria era o que fazia esse lugar especial, não existiam preocupações aqui. Finalmente um lugar onde não precisava fugir do ...
— Katherine? Katherine!... – Fui acordada de meus pensamentos por minha irmã que me chamava insistentemente.
— Ah desculpe- me, o que dizia? – Me afastei da janela e encaro minha gêmea para dar-lhe minha atenção.
— Eu dizia que a um grande espaço no meu guarda roupas onde pode colocar seus vestidos, mas podemos ver isso mais tarde. – Karina falava tão animada que provocava certo enjoo. – Está com fome? Podemos descer e comer um pouco.
— Ham... Claro , morrendo de fome.
— Ótimo! Você vai amar a comida daqui. – Ela dizia enquanto me arrastava para o lado de fora do quarto mal iluminado.
Saio do quarto na frente de Karina quando uma jovem de cabelos loiros, rosto arredondado e olhos grandes e azuis esbarra em mim fortemente, pelas suas vestes posso saber rapidamente que se tratava de uma simples serva qualquer.
— Olha por onde anda! – Minhas sobrancelhas se aproximam e a tensão em torno da boca comprime os lábios e digo em um tom parcialmente alto.
— É que eu estava apressada, me desculpe Kari... – Ela começa a dizer sem olhar em minha face mas ao decorrer quando volta o olhar para mim seu maxilar relaxa, deixando a boca entreaberta como se estivesse assustada.
— Ah... Henestie. Essa... essa é minha irmã Katherine , irmã gêmea... – Karina aparece sem demora para explicar tal semelhança que deixou a loira tão assustada. — Katherine essa é Henestie, minha amiga. – Aperto sua mão gentilmente porém sem expressar nenhum sorriso adorável.
— Nunca me disse que tinha uma gêmea. – Henestie balança a cabeça se permitindo sair do transe.
— É um pouco complicado... – Ela diz envergonhada, entendia por qual motivo ela não tinha contado , não sabia se eu voltaria.
— Agora estamos indo comer se não se importa... – Ela continua e pega em minha mão para me conduzir até o caminho da sala de refeições.
— Tudo bem...Nós nos vemos depois! – A jovem de olhos azuis acinzentados diz em um tom alto que faz a frase ecoar pelo corredor , porém minha irmã não se virou para assentir e se virou para mim e deu um sorriso de canto ignorando totalmente a ‘’amiga’’.
***
Andamos por longos corredores e descemos lances de escadas até achamos o lugar onde os visitantes se sentavam para degustar a comida que também era oferecida pela hospedaria, realmente meu pai tinha apostado tudo nesse lugar, e pelo o que parece estava dando tudo certo.
Logo em frente a entrada nosso pai estava sentado comendo algum tipo de sopa , que pelo cheiro parecia estar deliciosa. Ele olhou para nós , sorriu e se levantou segurando uma taça e um talher.
— Queridos visitantes... – Ele bateu com o talher na taça repetidamente até que toda a atenção do local virasse para ele.
— ... Muitos de vocês conhecem e convivem com minha filha Karina e hoje quero apresentar-lhes minha outra filha que ficou fora por um bom tempo, mas agraciou meu coração com sua inesperada volta , gêmea de Karina. Apresento-lhes Katherine – Todos do salão pararam para ouvir o dono do estabelecimento, e ao fim da frase todos se viraram para mim e minha irmã, eu ficaria envergonhada com todos os olhares e sussurros que com certeza sabia que eram sobre mim, mas eu sou eu, então ser o centro das atenções já é algo normal, ao invés de mim quem estava com a pele totalmente vermelha era minha irmã.
Ficamos lá por um grande tempo, que foi o bastante para que nós comêssemos e conversássemos, tirando a parte de eu ter que comprimentar cada sorriso que se aproximava de mim dando um ‘’Boas-vindas’’ e o fato de eu sempre ter que mudar de assunto quando a conversa virava para ‘’ Por onde você andou esse tempo todo?’’ tudo foi muito agradável.
Logo subi para meu quarto, estava muito cansada da longa viagem que tive, tinha que descansar um pouco em minha cama que já tinha sido colocada no local
***
Acordei em meu quarto desorientada, as janelas do quarto já refletiam a beleza da lua e meus olhos, por quanto tempo eu dormi?
Olhei para o relógio de pé feito de madeira escura que marcava exatamente sete e treze da noite, não era tão tarde, mas eu havia dormido por um longo tempo. Karina não se encontrava no quarto então decidi sair para encontrá-la.
— Karina! Eu fiquei... – Uau, era impressionante como mesmo que meu pai tenha feito um discurso as pessoas ainda iriam me confundir com minha irmã. Dessa vez quem se aproximava era um homem jovem e bonito , de pele morena e cabelos escuros e compridos,suas roupas deixavam seus músculos super desenhados e evidentes e seus olhos eram penetrantes mas não tinham nenhum pingo de maldade , o que eu me deixava menos interessada.
— Ah, me desculpa... deve ser Katherine, fiquei sabendo de uma nova Webson que está dando oque falar no hotel. – Ele pegou minha mão e beijou as costas da mesma. -... Falando apenas o bem é claro. – Ele continua e eu dou um sorriso sem mostrar os dentes.
— Qual é seu nome? – Pergunto interessada.
— Henry Padalecki madama. – Ele faz uma mesura totalmente desnecessária para cumprimentar alguém que não era da realeza , porém eu gostei do jeito que fui tratada e dessa vez sorri sinceramente.
— É hóspede aqui,Henry?... – Pergunto apenas para puxar assunto e sem perceber começamos a andar até a entrada do corredor.
— Sim, eu e minha família estamos aqui a um bom tempo, e ficaremos até nosso pai resolver problemas com o rei. – Arregalei levemente os olhos ao saber que sua família possui contato com a nobreza.
— Mas então, porque o motivo de estar hospedado um lugar tão longe do castelo?
— Eu gosto de estar no campo, é lindo, além de nada que está no castelo me interessa. – Tudo que ele diz soa tão sincero e novo, como se eu tivesse sido a primeira pessoa a perguntar isso a ele. – Me desculpe senhorita, devo procurar meus irmãos.
— Pode me chamar de Katherine. – Digo séria porém nada seca.
— Até mais Katherine. – Ele se vira e começa a caminhar .
— Espera! Estava procurando minha irmã, sabe onde posso encontrá-la?
— Na maioria das vezes ela fica na estufa na parte de trás da casa! – Com a grande distância entre nós ele diz em tom eminente e eu balanço a cabeça agradecendo a informação.
***
— Quer dizer que agora temos uma estufa. – Entrei no lugar assustando minha gêmea. O lugar era lindo, para todos os lados se encontravam rosas vermelhas , as favoritas de minha mãe.
— Ah, sim, é onde eu fico na maioria das vezes. – Ela se vira respirando fundo se recuperando do susto, em suas mãos, o diário que mamãe nos deu quando tínhamos oito anos.
— Ainda escreve? – Pergunto me sentando em cima de uma bancada vazia.
— Sim... sim. – Ela responde colocando o diário que agora tinha suas folhas amareladas em cima da poltrona que estava sentada e se levantou indo em direção a mim.
—... E você? Ainda escreve ? – Abro espaço para que ela se sentasse em meu lado.
— As vezes, faz um bom tempo que não... – Respondi abaixando a cabeça, uma forma que tinha de fugir do assunto. – Eu conheci um Henry Padalecki, seu amigo?
— Sim, ele está hospedado aqui com sua família a um bom tempo.
— Ele é bem bonito.
— ...E gentil – Ela completa e nós rimos juntas.
— Ele me propôs um baile no nosso aniversário, devemos aceitar? – Ela me perguntou esperançosa, ela estava perguntando mas com toda certeza ela já tinha pensado sobre.
— Claro, por que não? – Eu amava bailes, além que a muito tempo eu não comemorava decentemente meu aniversário.
— Ótim... –Antes que Karina pudesse dar seus pulos de criancinha começamos a sentir pingos de chuva que passavam facilmente pelo teto da estufa. E tendo o mesmo pensamento eu e minha irmã começamos correr desesperadamente para a entrada da casa que ficava um pouco afastada.
— Eu não acredito que isso aconteceu. – Chegamos até a casa completamente encharcadas, meu vestido pesava me deixando incapaz de correr mais um pouco.
— Vamos... foi até divertido. – Karina sempre vendo o lado bom das coisas diz rindo o que me faz direcionar a ela um olhar mortal.
— Com licença. – Uma voz rouca que vinha da porta da frente se sobrepõe a nossa. – Com quem devo pagar a hospedagem?
Na porta estava parado um homem alto e pálido, suas roupas estavam encharcadas da água que caía do céu daquela noite, além de sua postura que evidenciava sua nobreza o que mais me chamava atenção eram seus maravilhosos olhos que eram um de cada cor, que vinha do avelã doce e ingênuo para o azul amargo da luxúria e
pecado , seus cabelos loiros que estavam molhados permaneciam encaracolados , formavam um casamento perfeito com sua face.
Ele era o homem mais bonito que eu já vi, e sabia que minha irmã pensava o mesmo.
Continua...
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