A nova vida de uma alma sem lembranças
96 Capítulo 96 - A lenda do Herói.
Notas iniciais
Passei algum tempo na janela acenando para o pessoal que ficou em Seti enquanto eu deixava a cidade.
Quando tudo se acalmou, eu comecei a observar o interior da carruagem com mais atenção.
Cabiam 4 adultos dentro daquela carruagem, 2 de cada lado, todos voltados para o centro.
Não era uma carruagem pobre, mas eu sabia que não era uma carruagem que a realeza usaria, pois não era luxuosa o suficiente.
Provavelmente era uma carruagem para convidados.
Ao lado dos bancos havia alguns livros.
Provavelmente para que não fosse tão tediosa, a pessoa poderia ler durante a viagem.
Eu pude notar também que a carruagem era encantada com aquela magia de absorver impactos, igual a carroça de Taime, dessa maneira a viagem era bastante confortável.
O cavalo era extremamente vigoroso e andava por muitas e muitas horas sem descansar, embora não fosse muito rápido.
Um pouco de sono tomou conta da minha mente por conta do clima monótono e me peguei pescando enquanto processava as informações dos últimos dias.
Eu ainda estou exausto, mas eu percebi o quanto eu corri e o quão rápido eu corri nos últimos dias.
Parando para pensar melhor, eu fiz algo realmente impressionante, se comparado com o que é comum na terra, e mesmo comparado com as pessoas de Oriohn.
Imagino se ficarei ainda melhor quando terminar de crescer.
E o sono que o tédio me trouxe continuou me fazendo quase cair para frente.
Então eu decidi pegar um dos livros para ler.
A Profecia.
Esse é o título do livro que eu peguei.
Eu não conhecia essa palavra, então eu acabei por perguntar para o cocheiro.
Ele explicou que o significado daquela palavra era sobre algo que os guardiões diziam que estava predestinado a acontecer.
Os guardiões não podiam ver o futuro, mas raramente Yan, o Senhor do Tempo, via alguns vislumbres daquilo que ainda estava por vir.
Então A Profecia contava sobre algo que foi visto por Yan e que ainda acontecerá.
O livro começa contando a história de um peregrino élfico.
Um Elfo da Floresta visitou o templo de Suihc, no extremo leste do continente.
A peregrinação era comum em algum momento da vida de muitos Elfos, só que raramente eles eram sortudos o suficiente para encontrar com algum dos guardiões em seus templos.
Em sua peregrinação, ele foi agraciado com a presença do próprio guardião.
Suihc disse ao Elfo sobre a profecia.
— Venha e ouça, criança. Yan viu, então nos disse. Um dia virá em que os Renegados trarão destruição e sofrimento à Oriohn. Grandes muralhas cairão, belas cidades queimarão, preciosas vidas se perderão. Nesse momento de terror, um entre muitos se levantará. Aquele cuja espada brilhará. Um espadachim entre espadachins, um guerreiro entre guerreiros. E aqueles que juntarem suas forças e apoiar esse guerreiro sobreviverão. Então vá e espalhe essas palavras, para que quando essa criança surgir, ela seja guiada, recebendo treinamento e aprendizado necessários para cumprir seu destino.
Isso foi o que Suihc disse para o Elfo.
Honrado com a missão que recebeu, o Elfo espalhou a palavra o máximo que pode.
Curiosamente o Elfo foi morto em uma emboscada pelos Renegados.
A morte dele foi tratado como uma prova de que a profecia era real.
O Elfo não deixou descendentes, mas muitas pessoas continuaram espalhando sua mensagem.
A mensagem que um dia os Renegados causarão uma enorme guerra em Oriohn.
É por isso que a arte da espada é tão valorizada, mesmo que outras armas sejam mais eficazes.
Também é por isso que sempre que um Covil dos Renegados é descoberto, uma grande aliança armada é formada para caçá-los.
De acordo com esse livro, faz mais de 1000 anos desde que essa profecia foi ouvida pelo Elfo.
Então existe uma crença em um salvador aqui em Oriohn.
Uma figura poderosa como um Herói que vai salvar o mundo.
Com isso as crianças que têm alguma facilidade em usar a espada desde cedo são tratadas como possíveis Heróis e os pais buscam por bons tutores para treiná-los.
Mas em certo momento do livro ele especifica que a espada do Herói brilhará com luz própria.
Acho que eu consigo fazer uma espada brilhar usando minha magia.
Será que se eu fizer isso eu serei considerado a pessoa da Profecia?
Além disso, eu de fato sou uma criança fora da curva, pois embora eu seja um Elfo Negro, eu tive interesse em espada desde muito novo, e por conta de ter a mente de um adulto, eu devo ser muito melhor do que qualquer criança da minha idade.
Há a possibilidade de acreditarem que eu seja a criança da profecia e por esse motivo o imperador e a rainha me tratam bem.
Que medo disso.
Isso tudo é muito grande para mim.
Mesmo assim, isso parece ser um mito ou uma crença.
Não acho que isso deva ser levado tão a sério.
Até porque os Renegados, mesmo que sejam extremamente fortes, sempre são exterminados e seus números nunca crescem muito, então isso é muito difícil de acontecer.
No fim, a única coisa que me chamou a atenção foi a peregrinação para o templo do Guardião da Terra.
Eu fiquei com vontade de viajar e conhecer esses lugares.
Saber se tudo que é descrito sobre esses lugares fantásticos são reais.
Aqui nesse livro diz que os móveis e objetos dentro do templo flutuavam e se moviam como se tivessem vida própria por dentro e envolta do templo.
Também disse que assim que o Elfo chegou no templo, todo o cansaço da viagem se foi, e ele ficou bem, como se tivesse descansado por toda a vida, como se ele tivesse disposição para fazer absolutamente qualquer coisa.
Essas partes do livro me chamaram muita atenção e aumentou ainda mais minha vontade de viajar pelo mundo todo.
Quando eu terminei de ler o livro foi que eu percebi que eu passei o dia todo lendo e acabei nem comendo.
O cocheiro parou apenas para almoçar, mas eu estava tão concentrado na leitura que eu acabei pulando o almoço.
De qualquer maneira tinha comida dentro da carruagem e eu aproveitei para me alimentar direito.
Pouco tempo depois de terminar de ler e me alimentar, a carruagem parou e nós acampamos durante toda a noite.
O dia seguinte foi da mesma maneira.
Logo que amanheceu nós tomamos um café da manhã e voltamos a viajar.
Depois de muitas horas andando até chegar a pausa do almoço.
Então andamos por muitas outras horas até escurecer e pararmos para acampar.
Enquanto isso eu lia os livros disponíveis.
Os outros livros contavam histórias do passado, dos quais eu já havia escutado pela professora Mayuna.
Só que os livros contavam de maneira muito mais detalhadas e grandiosas os acontecimentos históricos de Oriohn.
Legal que os acontecimentos de todo o continente eram de conhecimento geral para o pessoal da região de Vegúrlia.
Apenas o extremo leste do continente, onde ficava uma floresta extremamente densa, que havia pouca informação sobre.
Lendo esses livros eu também descobri que existiam dragões sem asas em Oriohn.
Eles eram mais comuns no sudeste do continente.
Esses dragões também eram extremamente inteligentes e poderosos, e mesmo sem asas eles podiam voar usando uma magia incrível e misteriosa.
Assim como os dragões daqui, esses dragões também só podiam se comunicar com os Elfos Negros.
Eu li tanta coisa e fiquei com tanta vontade de viajar, que acabei ficando entediado de ficar dentro da carruagem.
Até porque já havia acabados os livros disponíveis para a leitura.
Então, após o almoço do quarto dia eu me sentei ao lado do cocheiro e fui conversando e observando a paisagem com calma.
Quando eu vim, eu tive pouco tempo para observar os arredores, pois estava com muita pressa.
Agora que eu reparei que eu podia ter feito isso nos dias anteriores e apreciado a paisagem durante a viagem.
— Mas aqui não é tão confortável, além dos insetos que ficam incomodando, seria o ideal se o senhor ficasse dentro da cabine. — Disse o cocheiro. — É um desperdício deixar aquele conforto todo vazio.
— Está tudo bem. Huskie está aproveitando o conforto por mim. Além disso, aqui é confortável o suficiente, e os insetos não são um incômodo tão grande para me impedir de apreciar esse maravilhoso horizonte. — Eu respondi com um sorriso.
— Então você também gosta disso? — O cocheiro sorriu e olhou para o horizonte antes de continuar. — É exatamente por isso que eu amo esse trabalho. Não sei dizer quantas vezes eu já viagem por essas estradas, eu sempre fico maravilhado com a beleza dessas terras.
Eu e o cocheiro passamos o resto dos dias conversando.
Seu nome era Ginil.
Ele me contou que era filho de nobre, e que até poderia ter entrado para a nobreza também, mas que desistiu daquela vida complicada para servir como cocheiro.
Por conta disso ele ganhou a inimizade da maior parte da sua família.
— Não havia a mínima chance de trabalhar com a família real, por conta das brigas que eu tive com os outros nobres da minha família, mas tive sorte e acabei precisando trabalhar para um outro nobre em uma urgência. — Ginil me contava enquanto guiava a carruagem. — Naquela época Meiron ainda não havia se casado com a Rainha, então quando eles se casaram, eles me chamaram para ser um dos cocheiros oficiais do reino.
— Fico feliz por você. — Eu respondi com um sorriso e continuei a escutar as histórias que ele contava.
Ginil definitivamente não passava a impressão de um plebeu.
Mas era o certo, pois quem melhor para ser cocheiro da família real do que alguém que teve a educação da nobreza?
Ele falava de maneira refinada, sentava-se de maneira refinada, até preparar a comida o cocheiro fazia de maneira refinada.
Por fim eu passei o resto da viagem ao lado de Ginil e o tempo pareceu passar mais rápido.
Ao anoitecer do sétimo dia nós chegamos na capital imperial.
Ginil me deixo na frente da academia e então partiu para pousar próximo ao portão da cidade.
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