A nova vida de uma alma sem lembranças

93 Capítulo 93 - Criança travessa.


Notas iniciais
Postagem: 2022/03/19 20:02 Revisão: 2025/12/11 16:11 Se ficou curioso sobre algo que eu não disse mas você gostaria de saber, mande sua pergunta, eu juro que responderei à todos. Desculpem-me atrasar novamente. Espero que a leitura agrade vocês.

Uma leve brisa entrou pela janela do quarto e me fez despertar do meu sono.

A bela cortina branca balançava e dançava lentamente com a brisa.

O sol da manhã era forte, mas pouca luz entrava pela janela e deixava a iluminação do quarto em um tom agradável.

Por um momento eu fiquei apenas observando o arredor, perdido nos meus pensamentos.

Eu tive um sonho bom, embora eu não me lembrasse dele.

Até hoje eu nunca consegui me lembrar de um sonho que eu tive antes de acordar.

Eu sabia que eu sonhava, por conta da sensação que eu tinha ao acordar, mas eu nunca me lembrava de como foi o sonho.

Mesmo assim, eu sabia se tinha sido um sonho ruim ou bom.


Levou alguns segundos para perceber que eu não fazia ideia de onde estava.

Eu estava em uma cama, em um quarto, mas eu nunca vi esse lugar.

Quando parei para pensar, me lembrei que eu havia vindo para Seti, então eu devia estar em uma hospedaria por aqui.

A última coisa que eu me lembro é de dizer à rainha que eu precisava descansar, Mayi usou uma magia para aliviar os músculos e então eu não me lembro de mais nada.


Percebi que eu estava bastante fraco, talvez por falta de comida, então eu me levantei lentamente da cama e fui para a janela do quarto.

Ao espiar para fora da janela, me admirei com a paisagem de dentro da cidade de Seti.

Quando cheguei eu não tive tempo para ficar observando a paisagem, além de já estar escurecendo naquele momento.

Agora que dei uma bela olhada para a cidade, eu me sentia dentro das histórias de 1001 noites.

A única diferença é que as construções não eram cor de areia, pois elas estavam pintadas das mais diversas cores.


Dei uma bela olhada no quarto.

Não havia muita coisa no quarto, mas tudo era bem construído.

Havia uma cama, um armário e uma penteadeira.

Não parecia ser uma hospedagem, então fiquei curioso para saber onde eu estava.

Fui até a porta do quarto e abri lentamente.

A fraqueza que eu sentia era grande eu tinha que fazer tudo bem devagar.

Quando coloquei a cabeça para fora do quarto eu vi um soldado real parado ao lado da porta.


— Oh! Está acordado, garoto? — O soldado levou um leve susto ao me ver, mas abaixou-se para ficar perto de mim e com um pequeno sorriso continuou. — Aguarde um pouco na cama que eu vou avisar a Var'nis.

— Sim, senhor. — Eu respondi e fechei a porta quando o guarda se virou e saiu andando, então voltei para a cama.


Pouco tempo se passou até que algumas pessoas entraram no quarto.

A primeira-ministra estava lá, mas havia outras pessoas que pareciam ser médicos e empregados real.


— Bom dia, Dinus! — Var'nis cumprimentou com um leve sorriso. — Como está se sentindo.

— Estou bem... Mas estou sentindo bastante fraqueza, talvez eu precise apenas de uma refeição. — Eu respondi sinceramente, sorrindo de volta.

— Muito bom. Mesmo assim, eu vou pedir para que te examinem para ter certeza de que você está bem. Pode ser?

— Sim, senhora.


Os médicos me analisaram e utilizaram algumas ferramentas que emitiam um pouco de magia.

Em um momento eu desci da cama e me sentei na cadeira da penteadeira, então os outros empregados trocaram a roupa de cama.

Minhas mãos tremiam bastante, também provavelmente pela fome.


— Primeira-ministra! — Um dos médicos foi conversar com Var'nis. — Terminamos de examinar e não encontramos nada irregular, fora a desnutrição que ele comentou.

— Ótimo. Muito obrigado. Estão dispensados. — Então Var'nis puxou um dos empregados que saía do quarto pelo braço e falou baixinho com ele. — Avise a Mayi que...

— Sim, senhora!


Chegou um momento que eu não pude escutar, pois ela falou cada vez mais baixinho no ouvido do empregado.


— Senhor Dinus. — Var'nis finalmente chegou mais perto de mim quando estávamos apenas nós dois no quarto.

— Não precisa do senhor. — Eu falei constrangido com um sorriso.

— Certo. Você consegue andar, certo? Vamos até o refeitório. Você fará sua refeição.

— Muito obrigado.


Nós deixamos o quarto.

Andando vagarosamente pelo corredor eu percebi que estávamos dentro do castelo, pois reconheci o corredor do dia anterior.


Andamos poucos metros até que a fraqueza do meu corpo me fez tropeçar e cair.

Var'nis me ajudou a levantar.


— Bom. Você ainda está muito fraco para andar, vamos voltar ao quarto, vou pedir para que tragam sua refeição até aqui.


Voltando para o quarto eu comecei a pensar sobre o dia anterior.

Aliás, por quanto tempo eu dormi?


— Com licença, primeira-ministra? — Eu perguntei enquanto voltávamos. — Que Sizen é agora?

— Agora deve ser quase 5 Sizen. — Ela respondeu.


Quase meio-dia.

Eu dormi bastante, mas não é algo exagerado em comparação ao quão cansado eu estava.

Será que eu passei vários dias dormindo?


— Por quanto tempo eu dormi? — Já estávamos na porta do quarto.

— Você dormiu a noite toda. — Var'nis continuou séria, mas com o seu leve sorriso no rosto.


Certo.

Então está tudo bem.

Parando para pensar, eu não me lembro muito bem de ontem.

Eu lembro de chegar no castelo e ser atendido por Var'nis.

Pensando melhor, eu lembro da Mayi e da rainha.

Também me lembro de tirar o excesso de energia do príncipe e colocar em cristais que Mayi me entregou.


— Como está o príncipe?

— Por favor, sente-se aqui. — Var'nis me colocou de volta na cadeira da penteadeira. — O príncipe está bem graças a sua ajuda, ele acordou hoje mais cedo e já recebeu todo o tratamento necessário.

— Que bom.


Var'nis saiu do quarto por um momento.

Escutei um sino agudo tocar.

Pouco tempo depois ela voltou ao quarto.


— Sua refeição chegará em breve.

— Muito obrigado. — Eu respondi sorrindo.


Var'nis ficou parada em silêncio por um tempo.

Embora estivesse com aquele pequeno sorriso no rosto, ela estava sempre séria.

Em pouco tempo apareceu um outro soldado no quarto.


— Sua alteza a rainha está entrando. — Falou forte o soldado e se retirou do quarto.


Var'nis se ajoelhou e abaixou sua cabeça em direção à porta.

Eu desci da cadeira e fiz o mesmo.

A rainha entrou rapidamente no quarto.

Eu não pude vê-la, mas era possível escutar seus passos fortes no chão do cômodo.


— Oh Dinus. Levante sua cabeça, garoto. Você não é meu súdito e não precisa se curvar para mim. — Foi a primeira coisa que a rainha disse. — Var'nis, muito obrigada.

— Vossa Alteza. — Var'nis levantou sua cabeça e continuou ajoelhada por alguns segundos, então ela se levantou e se posicionou atrás da rainha.

— Venha Namir. Agradeça Dinus pela ajuda. — A rainha falou, então a pequena criança entrou correndo no quarto.


O pequenino me olhou, me encarou por alguns instantes com uma expressão de assustado e então correu e abraçou o meu braço.


— Obigado, imãozão, pô me salva.


Aquela criança já estava falando.

Eu nunca havia visto ele falar, pois ele sempre estava desacordado quando eu o via.

A voz dele é a clássica voz fofa de criança e me fez lembrar rapidamente da minha irmãzinha.

Além disso ele era bem pequeno daquela vez.

Ele deve ter o quê? Uns 5 anos agora?


— Fale direito. Ele não é irmão. — A rainha foi dura com o menino.

— Está tudo bem, vossa majestade. — Eu respondi com um sorriso, abraçando o menino de volta. — Estou feliz em vê-lo acordado.


Meu coração se encheu de alegria.

Um sentimento que eu realmente fiz alguma coisa finalmente apareceu.

Até porque toda vez eles diziam que ele havia ficado bem, mas eu nunca o via acordado.

Eu olhei para a rainha e ela estava com um sorriso sincero no rosto e com os olhos brilhando.


— Você está se alimentando direitinho? — Eu parei de abraçar ele, segurei ele pelo ombro e cheguei com o meu rosto perto do dele, tentando fazer uma expressão tranquila.

— Si... — O pequeno príncipe ficou me olhando com os olhos esbugalhados, até responder envergonhado. — Sim...

— E a fruta com o gosto ruim? Está comendo? — Quando eu disse isso Namir ficou espantado e fez uma expressão de terror.

— Então, meu filho? O que você tem a dizer? — A rainha parecia brava.

— Discupa. — O olho da criança encheu de água. — Pometo que vô comê.


Então foi isso que aconteceu.

Ele devia estar se recusando a comer a fruta Kojo e acabou piorando.

Com ele ruim, Mayi já não conseguia fazer muita coisa.

Por isso que a rainha ficou brava, ela devia estar tentando educar ele.


— Quantos anos você tem agora? — Eu perguntei ao príncipe.

— Quato. — O menino respondeu mostrando 4 dedos levantados. Aquilo foi fofo.

— Se você não comer, algo ruim pode acontecer, então você tem que comer direitinho para que quando você crescer não precise mais comer. — Então eu olhei para a porta e Mayi estava lá, me olhando, com um estranho sorriso.


Eu olhei ao redor e o clima parecia estar muito bom, todos pareciam felizes em me ver conversando com o príncipe.


— Mestra Mayi, tem alguma fruta Kojo por aqui? — Eu perguntei para ela.

— Sim, eu tenho uma aqui comigo. — Ela chegou perto de mim e me entregou a fruta.

— Veja só. — Eu mostrei a fruta para o príncipe e então coloquei na boca. — Não é tão ruim assim.


O príncipe ficou me olhando espantado, mas ele sorriu ao me ver fazendo careta.

Eu tentei fazer uma careta engraçada para animar um pouco o príncipe.

Não sabia direito o que eu estava fazendo, mas eu também não estava pensando muito sobre.

Minha intenção era fazer ele ver que mesmo ruim, ainda era suportável.

Escutei um barulho para fora do quarto.


— Senhora, com sua licença, a refeição de Dinus está aqui. — Alguém falou alto pelo lado de fora do quarto, de onde eu não podia enxergar.

— Sim! — Respondeu alto a primeira-ministra. — Pode entrar.

— Dinus. Nós vamos deixar você comer, mas depois disso você terá uma audiência comigo e com o meu marido. — A rainha estendeu seus braços em nossa direção. — Venha filho, deixe-o comer, Dinus precisa se recuperar.

— Se comporta. — Eu fiz um cafuné no príncipe e guiei ele para os braços de usa mãe.


Todos saíram do quarto e logo tudo ficou silencioso.

Então eu parei para pensar.

O que eu estava fazendo?

Por que eu me comportei daquele jeito na frente da rainha?

Espero que eu não tenha dito nem feito nada ofensivo.

Bom, só me resta comer e aguardar para ver o que a rainha irá dizer na audiência.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Deixe-me saber o que você achou desse capítulo. Agradeço profundamente qualquer apoio. Aproveite e siga a página no Facebook em https://www.facebook.com/MukiokuTensei