A nova vida de uma alma sem lembranças
76 Capítulo 76 - Primeiro dia de aula.
Notas iniciais
— Vocês por acaso conhecem a Nayná? Da Guilda? — Eu perguntei enquanto bebíamos o delicioso suco servido por Muria, pois imaginei que ela poderia ser a filha deles.
— Não, não me recordo dela. — Tacio respondeu, parecendo buscar em sua memória.
— E a professora Mayuna? — Tirando a família Galafar, eram duas pessoas de Vegúrlia que eu conhecia.
— Também não... — Tacio respondeu novamente.
— Como não? — Muria pareceu ficar inconformada. — Não se lembra da minha prima?
— Ah sim! Lembrei. Ela é filha da sua prima Tánya, certo? — Tacio respondeu para sua esposa.
— Isso! — Muria sorriu suavemente.
— Ela foi minha professora em Vegúrlia. — Eu respondi sorrindo também.
— Que legal! — Muria ficou alegre. — Se você a encontrar novamente, deixe minhas memorias para ela.
— Sim!
Eu e Khonar terminamos de tomar o suco oferecido pelos fazendeiros e nos preparamos para voltar à capital.
Nos despedimos do casal e deixamos a fazenda andando tranquilamente.
Quando passamos pelo portão Khonar levantou voo e eu comecei a correr com Huskie.
Em poucas horas chegaria o fim da tarde e precisávamos estar no portão antes de escurecer.
Não porque seríamos impedidos de entrar, mas porque a Guilda estaria fechada e precisaríamos voltar no dia seguinte.
Felizmente chegamos há tempo.
Nuri e Harumali estavam ao balcão dessa vez.
Nuri ficou especialmente surpresa ao me ver.
Perguntou como estava minha mão e por que eu já estava lá tão cedo.
Mostrei para a Elfa que minha mão já estava bem melhor e apresentei o papel que recebi de Tacio.
A recompensa pela missão foi de 3 moedas de pratas e 30 moedas de cobre.
Achei o valor um pouco alto, considerando a simplicidade da fazenda e que provavelmente não teriam uma quantia dessa para o serviço.
Nuri me contou que, quando a missão é para ajudar na economia do império, a Guilda é autorizada a usar dinheiro público para completar o valor da recompensa.
Nesse caso Tacio e Muria deveriam pagar apenas 1 moeda de prata para solicitar na Guilda, enquanto as outras moedas seriam pagas pelo próprio império.
Novamente percebi o quanto é incrível a maneira como o império cuidava tão bem do seu povo ao mesmo tempo que acumulava tantas riquezas.
Acho que seria difícil encontrar algo parecido com isso na terra, mas entendi que por conta da mentalidade dos Elfos, eles não agiam gananciosamente, pelo menos não antes de satisfazer as necessidades do povo.
Me lembrei daquele lema que um soldado me disse, de que se o povo tem uma boa educação, o império pode prosperar mais, e essa ideia parece se estender em muitos outros pontos da sociedade de Vegúrlia.
Além da recompensa, eu fui promovido à terceira Classe.
Teoricamente uma missão dessas me faria subir apenas uma Classe, mas o tempo para finalização da missão era considerado na hora de avaliar, e essa missão deveria levar de 2 a 3 dias para ser concluída, então acabei subindo uma Classe a mais por conta da ótima avaliação que recebi.
Eu queria dividir minha recompensa com Khonar, até porque eu não havia feito sozinho, mas ele se negou a receber metade da recompensa.
Com muito esforço eu consegui fazê-lo aceitar uma das moedas de pratas, principalmente por dispor de seu tempo pessoal para me acompanhar e por sempre vigiar a região.
Quando menos percebi já estávamos de volta na Academia.
Khonar e eu conversávamos sobre nossa vida em nossas cidades natal e sobre pequenas aventuras que tivemos.
Khonar gostava de aventura, mas aparentemente não tanto quanto eu.
Então o último dia antes do início das aulas terminou.
No dia seguinte, o primeiro dia do segundo mês, foi iniciado as aulas da academia.
Acordei cedo, meditei e tomei meu café junto de Khonar.
Pela primeira vez eu escutei, enquanto estávamos andando pelos corredores da academia para a nossa nova sala de aula, um sino tocar.
Era o som de um sino comum, como os de igrejas terrestres, avisando que a aula do dia começaria em breve.
Nossa sala de aula...
Eu não havia entrado em uma delas até então.
As aulas básicas eu tive com Tomis em uma sala comum, não uma sala de aula.
Essas salas de aula eram grandes, cabiam uns 50 alunos nelas, e cada fileira estava um degrau mais alto que a da frente.
Parecia um auditório ou teatro.
Na parte mais baixa da sala, havia uma grande mesa, provavelmente do professor, e um grande quadro, como o que tinha na escola da professora Mayuna, mas esse era bem maior.
Toda a sala era feita de madeira, poucos detalhes em outro material ou outra cor.
Basicamente tudo da mesma cor, que era um marrom um pouco escuro.
O cheiro de produtos de limpeza vazava pela porta da sala, era possível ver que tudo havia sido limpo e higienizado para o começo das aulas.
Alguns alunos já estavam dentro das salas, enquanto muitos permaneciam no corredor conversando.
A maior parte dos alunos nos corredores se dividiam entre Humanos e Elfos da Planície, mas havia algumas outras raças de Elfos, como os da Floresta e aqueles de olhos dourados que eu ainda não conhecia, e uma minoria de seres animalescos, com aparência de Gato, Lobo ou Raposa.
Achei que encontraria anões, mas não havia nenhum.
Entrei na sala junto com Khonar e procuramos por nossas mesas.
Infelizmente nós não nos sentaríamos próximos.
Eu fiquei bem na frente, na primeira fileira, e ele na última.
Qual será que era o critério para a ordem?
Pouco tempo depois de me ajeitar em minha mesa, os alunos entraram com pressa na sala e correram para as suas mesas.
Um Elfo da Planície adulto entrou firmemente na sala.
Seu andar fazia um alto som de "Toc Toc".
Suas roupas me lembravam das roupas de Necifran, apesar de serem de outras cores.
Seu cabelo curto cor de bronze bem escuro e seus olhos acinzentados parecendo metal chamavam atenção, mas a sua expressão séria chamava mais ainda.
Todos ficaram quietos quando professor colocou suas coisas na grande mesa com um baque.
— Bom dia a todos os egressos! — Sua voz era magicamente alta, mas não tão severa como aparentemente seria. — Antes de tudo eu gostaria de parabenizá-los por terem passado nos testes de entrada da academia. O meu nome é Norak e eu serei o principal professor de vocês durante esse semestre.
O silêncio dos alunos na sala fazia parecer possível escutar os meus próprios batimentos.
— Haverá outros professores para instruí-los em matérias específicas, mas a maioria das aulas serão "administradas" por mim, então se houverem quaisquer dúvidas vocês podem conversar comigo. — O professor continuou depois de uma breve pausa. — Vamos começar conhecendo uns aos outros. Por favor, quem estiver no canto do fundo levante-se e diga seu nome, idade e seus planos na academia.
— Muito prazer! — Khonar, que estava exatamente na posição que o professor apontou, se levantou. — Meu nome é Khonar Nors Kalid, eu tenho 14 anos, os meus planos são de estudar magia de aproximação visual, para que possamos observar as Khadjin (estrelas) mais de perto.
— Muito bom! Pode se sentar. — O professor encerrou a apresentação de Khonar com uma única palma, escreveu o nome dele na lousa e então voltou seu olhar para a criança que estava do lado de Khonar. — Agora o próximo. Você!
Era uma Elfa da Floresta, seus olhos eram idênticos aos de Myuka, seu cabelo era ruivo e ela era muito alta, tão alta quanto Khonar.
— Meu nome é Myuwa de Florádia, tenho 16 anos e pretendo me aperfeiçoar em magia de combate para proteger minha aldeia. — Sua voz era bela e suave, assim como a voz de Myuka, e parecia fazer massagem em meus ouvidos.
— Ótimo! Próximo. — O Norak continuou novamente com uma palma, também escreveu o nome dela na lousa.
Enquanto olhava para trás, vendo cada aluno se apresentar, eu notei que havia 7 mesas em cada degrau, com 7 degraus, então eram 49 mesas para os alunos e 1 para o professor.
Embora todas essas mesas disponíveis, havia apenas 27 alunos, ficando 3 degraus com todas as mesas vazias, alternadamente.
Ou seja, não havia ninguém sentado diretamente atrás de mim, havia uma mesa vazia entre mim e a aluna mais acima.
Das 7 mesas da primeira fileira, eu estava exatamente na do meio, havia 3 alunos na minha esquerda e outros 3 na minha direita.
Havia apenas uma mesa vazia nas fileiras que havia alunos.
Por que a sala estava com tantas mesas vazias?
Será que não passaram alunos o suficiente no vestibular?
Ou será que isso é proposital?
Além disso, essa sala é bem diferenciada.
São poucos os alunos humanos de Seti ou Elfos da planície.
A garota à minha esquerda tem orelha de coelho e é parecida com Harumali.
O garoto na minha direita é humano, mas a pele dele é bem clarinha e tem os cabelos bem escuros e lisos, parecendo um europeu da península ibérica.
— Meu nome é Samilya, tenho 12 anos e quero me tornar ministra da magia de Kietra. — A garota ao lado de Myuwa também era uma Elfa, porém com compridos e lindos cabelos lisos e prateados, que pareciam refletir a pouca luz que existia na sala, e com olhos dourados, enquanto sua pele era branca tão pálida que ela até parecia estar doente.
Samilya não era muito alta, principalmente por estar ao lado de outros dois alunos muito altos, mas ela só tinha 12 anos, acredito que ela ainda cresceria.
Aliás, não é a primeira vez que vejo um Elfo com olhos dourados, será que são os Elfos das montanhas?
Naquele momento eu não conseguia ver suas orelhas, então elas deviam ser curtas como as minhas.
— Meu nome é Bavar, tenho 11 anos e pretendo me tornar um cavaleiro imperial. — Dessa vez um jovem humano, com a pele bem clarinha, cabelos dourados e olhos azuis se levantou.
Ele me lembrava algum conhecido meu. Será que ele era um Sangue-de-Prata?
Além disso, Bavar era um nome eu que já havia escutado antes...
É o nome do dono da Sereia-Tímida!
— Meu nome é Ainust, eu tenho 13 anos e eu busco me tornar um professor aqui na Academia assim como meu pai. — Era o único Elfo da planície na sala, com cabelos cor de cobre curtos e espetados para o lado.
— Me chamo Loumar, tenho 12 anos e eu também quero me tornar um cavaleiro imperial. — Acho que ele era um humano de Seti, parecia uma versão jovem de Louyi, mas com cabelos escuros. Com esse nome provavelmente eram parentes.
— Tweng Var... É o nome, 11 anos, e Var... — Um garoto réptil, como uma versão jovem de Zijaq se levantou, ele parecia extremamente nervoso e tinha dificuldades para falar. — Var só quer estudar magia.
— Certo! Muito bom. — Norak terminou a apresentação do garoto-réptil com uma palma. — Agora vamos para a próxima fileira.
Dois degraus para baixo, na mesa que ficava na frente de Khonar, uma garota com afeições felinas, parecendo uma leoa, se levantou. Ela parecia mais velha que os demais, parecendo mais nova apenas que Khonar.
— Eu sou Myara! — Ela falou o nome parecendo um miado. — Eu tenho 12 anos e preciso aprender magia para um dia me tornar chefe da minha tribo.
Uau! Tão jovem e já está decida a se tornar chefe da tribo.
Como será a tribo de onde ela veio?
Tenho muita vontade de conhecer.
Além disso, 12 anos? Ela não parece ser tão jovem? Será que as pessoas da tribo dela amadurecem mais rápido.
— Me chamo Kamyuli. Tenho 14 anos e sou protetora de Myara. — Outra garota felina se levantou, dessa vez ela parecia uma onça pintada, além de parecer ser mais nova que Myara. Seu nome também parecia um miado.
— Meu nome é Kyanko. — Um garoto felino com os pelos bem escuros e olhos amarelados se levantou, parecia uma onça, era possível ver as presas pontiagudas dentro de sua boca. — Tenho 14 anos, também sou protetor de Myara.
Kyanko parecia uma pantera negra, com exceção de suas orelhas não serem arredondadas, mas sim pontiagudas como um Lince.
Ele era forte, para seu tamanho, mas ele também parecia mais novo que Myara.
Quando Kyanko disse seu nome, não pareceu que ele estava miando.
— Eu sou Lupi Tanuc... — Uma criancinha de aproximadamente 8 anos de idade se levantou, ele tinha orelhas que pareciam de Elfo, mas eram menos pontiagudos, e seu olhos eram grandes e na cor caramelo, nada que eu já havia visto. Seu cabelo era alaranjado e cacheado, só que bem curto, se comparados ao de um Elfo. Seu rosto era arredondado e bochechudo — Tenho 20 anos e quero aprender mais sobre magia de ilusão.
O quê?!
20 anos?
Mas ele é só uma criancinha!
Espera... Ele deve ser daquela raça que fica pequeno por toda a vida.
Como era o nome dessa raça na terra?
Eu não me lembro.
Só sei que uma das histórias de fantasias mais conhecidas contava sobre eles.
— Muito prazer, este se chama Zago, tem 15 anos e deseja se tornar um grande mago um dia. — Se levantou um garoto com aparência de Raposa, com um grande par de orelhas e pelugem alaranjada com manchas pretas ou marrom escuro em algumas partes do corpo.
— Eu sou Grogo. — Um Orc? Um Orc com pele azulada se levantou. Ele era forte como todo Orc que vi, mas ele ainda era jovem. — Tenho 13 anos e meu objetivo é me tornar um pesquisador de magias aqui na academia.
Um Orc azul...
Eu já havia ouvido falar deles.
Eles são conhecidos como os Orcs Sábios.
Normalmente eles se tornam líderes em seus Baluartes.
Alguns deles são muito poderosos na magia.
— Parece que o próximo aluno faltou, então vamos deixá-lo se apresentar na próxima aula. — Disse o professor sobre a próxima mesa que estava vazia. — Agora você!
— Meu nome é Nibia Sar Lai, tenho 12 anos e sou a primeira princesa de Sinko, preciso conhecer magia para que um dia eu possa assumir o trono.
Uma princesa?
Nibia era uma garota afro.
A maioria dos humanos por essa região tinham uma bela pele escura, mas Nibia ostentava uma pele cor tão escura e brilhante que parecia uma Obsidiana.
Seus olhos eram verdes e chamavam muita atenção.
Seu rosto não era magro e ela tinha bochechas fofinhas.
Um coque alto segurava seu volumoso cabelo.
A maioria dos humanos que conheci possuía cabelos cacheados ou ondulados, mas o cabelo de Nibia era crespo como o de um afro.
Embora crespo, seu cabelo era lindo e brilhante como sua pele.
Onde fica Sinko?
Deve ser ao norte.
Ouvi dizer que existe um grande deserto ao norte da floresta que eu vivi, e depois desse deserto existe um grande reino.
Deve ser lá, pois quanto mais ao norte do continente, mais calor, já que os dias eram mais longos.
Agora eu quero visitar lá também.
— Eu sou Zina, tenho 14 anos e sou guarda da princesa. — Um garoto afro vestido com uma armadura leve de couro se levantou e se apresentou.
Zina tinha o mesmo tom de pele de Nibia, mas seus olhos eram pretos e seu cabelo era de um castanho um pouco mais claro.
Seu cabelo era cortado como militar e o pouco que havia mostrava que também era um cabelo afro.
— Eu sou Derin, tenho 15 anos, também sou guarda da princesa. — Outro garoto afro se levantou. Ele usava a mesma armadura leve, mas esse era bem mais alto e mais magro.
Nenhum dos dois estava portando uma espada ou qualquer tipo de arma.
Ambos pareciam fortes demais para a sua idade.
A roupa que usavam, juntamente com a princesa, era extremamente leve e fina, mas os dois garotos usavam peças de couro e um peitoral e ombreira de metal.
— Eu sou Yah'nu, tenho 14 anos e nós queremos aprender magia para levar para a nossa aldeia.
— Eu sou Yah'ko, também tenho 14 anos, sou irmão de Yah'nu, e tenho o mesmo objetivo.
Duas crianças bestiais se levantaram, elas também tinham aparência de gato, embora de alguma forma diferente de Myara, Kamyuli e Kyanki.
Talvez fosse algo como uma raça diferente, pois esses dois de fato pareciam gatos.
Yah'nu era uma garota, seu pelo parecia ser bem macio e volumoso, como um gato angorá.
Seus pelos brancos tinham manchas das cores laranja e preta, e seus olhos eram um azul e outro verde.
Yah'ko, seu irmão, era muito parecido com Yah'nu, com a diferença que seu pelo não tinha a cor laranja, apenas branco com manchas pretas e seus dois olhos eram azuis.
Yah'ko também era pouca coisa maior que sua irmã.
— Prazer em conhecê-los, me chamo Liki de Marima, tenho 12 anos e minha ambição é ser a maior maga de Marima. — A garota que se apresentou olhou para mim e deu um sorriso.
O que foi isso?
Ela me conhece?
Ela disse ser de Marima, então ela deve ter me visto quando eu passei por lá.
Seus cabelos eram um pouco ondulados de uma linda cor loira.
Seus olhos eram alaranjados como qualquer Elfo da floresta e sua pele era pouca coisa mais clara que a de Myuka.
Liki devia ser pouca coisa maior que eu.
— Oi...Meu nome é Melia...Eu tenho 16 anos...Eu quero aprender magia de proteção.... — Melia também era uma alta Elfa da floresta, quase adulta, com cabelos um pouco ruivos e tinha muita dificuldade para falar, parecendo estar envergonhada.
— Eu me chamo Lisa, tenho 11 anos e eu quero me tornar maga da corte algum dia.
Lisa era uma humana de pele clarinha e cabelo escuro, no estilo italiano, seu olho era azul bem claro e seus cabelos eram bem compridos.
— Eu sou Ka'ni, tenho 16 anos e eu pretendo levar conhecimento mágico para a minha tribo. — Levantou uma garota que também tinha uma aparência animal, ela tinha um rosto em formato de focinho igual ao das crianças com aparência de gato, mas esse se assemelhava com um cachorro ou um lobo. Seu pelo era uma mistura de cores acinzentada e preta e seus olhos eram azuis tão clarinho que pareciam cinza.
Apesar da aparência canina, ela também se vestia como uma pessoa normal, também era possível ver que ela tinha apenas um par de mamas, como uma mulher Humana ou Elfa.
— Sagi é meu nome, tenho 14 anos e eu também pretendo aprender magia para a minha tribo.
Sagi era uma garota animal com pelos bem branquinhos e olhos avermelhados, um focinho rosado e grandes orelhas de coelho.
Essas duas disseram a mesma coisa sobre tribo.
Como será que são as tribos desses humanos com aparência animal?
Onde eles ficam?
Será que seria muito chato se eu perguntar para elas sobre isso?
Enquanto eu estava perdido em pensamentos sobre a vida desses seres a palma do professor me trouxe de volta ao presente.
— Vamos garoto! Agora é a sua vez. — Disse o professor Norak após bater uma palma.
— Ah! Sim... Desculpe. — Eu me levantei desengonçadamente. — Eu... Eu me chamo Dinus de Khuma e...
O que está acontecendo?
Eu estou nervoso?
Eu estava tão distraído prestando atenção na apresentação de cada um que esqueci que eu teria que me apresentar também.
Agora está me dando um pouco de vergonha.
Por que estou sentindo isso em um momento desses?
Antes que eu pudesse continuar a falar a porta da sala de aula se abriu com força.
Eu levei um grande susto por já estar ansioso.
Um pequeno homem passou por ela.
Eu digo, muito pequeno mesmo.
Ele deveria ser um anão, mas comparado ao anão que eu já havia conhecido, esse era menor ainda.
Embora o tamanho, ele era barbado e barrigudo.
Sua barba e cabelo eram alaranjados e seu nariz e orelhas eram grandes e bem arredondados, assim como sua bochecha e os dedos de sua mão.
Os seus olhos eram castanhos com um leve tom avermelhado e sua pele era branca e havia algumas partes rosadas
— Desculpe professor, estou atrasado! — O pequeno anão falou com uma voz grossa.
— Bom dia, garoto. Tudo bem. — Professor parecia estar sério, mas ele falou com um tom suave. — Vamos, vá para o seu lugar e se sente. Em breve você se apresentará.
— Certo, muito obrigado. — O pequeno homem correu para a mesa que estava vazia ao lado de Grogo, o Orc azulado.
— Vamos Dinus, pode continuar sua apresentação. — Norak disse após o anão se ajeitar em seu lugar.
— Eu tenho 10 anos e... — Novamente a ansiedade me deixou com um pouco de tremedeira. O que eu digo? Eu não sei o que eu quero... Digo... Eu gosto de magia, mas eu só comecei tão cedo por conta da minha doença. Acho que vou só falar. — Eu gostaria de encontrar uma cura para a doença de Estil.
Eu não sei como foi a expressão de todos, pois eu havia me levantado e estava olhando para o professor, mas todos na sala ficaram quietos por um curto tempo.
— Certo! Muito bom. Agora vamos para o aluno atrasado. — O professor continuou parecendo não se importar tanto. — Diga seu nome, idade e seus planos aqui na academia.
— Me chamo Khaz Rak, tenho 16 anos e eu gostaria de aprender e melhorar as magias de forja.
Khaz Rak era um anão jovem e mesmo assim já tinha barba longa como um adulto.
Por isso que ele era tão pequeno, ele provavelmente ainda cresceria um pouco mais.
— Ótimo, agora vamos voltar para o próximo depois de Dinus. — O professor prosseguiu com uma palma e já se preparou para escrever próximo nome na lousa.
— Eu sou Karios, tenho 13 anos e vou viajar Oriohn estudando magia. — O garoto à minha direita parecia um espanhol ou um português, tinha a pele branca e o cabelo castanho escuro, mas seu cabelo não era liso e seus olhos também eram castanhos.
Karios era um garoto esguio, devia ser o segundo mais magro da sala, depois de mim.
O garoto parecia determinado e seu olhar parecia estar afiado o tempo todo.
Ele tinha uma expressão séria como o professor Norak e de Necifran, com a diferença que ele era um humano.
— Eu sou Sali de Eringar, tenho 15 anos, também gostaria estudar sobre magia de cura.
O professor escreveu Salenize na lousa.
Salenize era uma Elfa da floresta, ela era quase tão alta que Melia.
Seu cabelo era castanho bem clarinho, quase se tornando loiro, e seus grandes olhos alaranjados mostravam que Eringar devia ser uma aldeia de Elfos da Floresta.
— Sou Khoba, tenho 17 anos e só estou aqui porque meu pai me obrigou. — Um Elfo da planície falou sem se levantar, emburrado em sua mesa.
Khoba tinha cabelos prateados bem clarinho e penteados para trás.
Esse penteado me lembrava muito o cabelo de alguém.
A expressão em seus olhos acinzentados transmitia a vontade de não estar ali, juntamente com o desleixo ao se sentar e a maneira como ele apoiava sua cabeça com sua mão pelo queixo.
Claramente ele queria estar em outro lugar, fazendo outra coisa e foi obrigado a estudar.
Aliás, como ele tinha 17 anos, em menos de um ano ele se tornaria um Elfo adulto.
Se fosse vontade dele estudar magia, Khoba teria entrado na academia mais jovem.
Quem será que é o seu pai?
— Muito bem. — O Professor Norak chamou a atenção de volta para ele com uma palma. — Agora que terminamos com as apresentações, vamos dar os parabéns ao aluno que tirou a maior nota na prova de inscrição desse ano. Tweng Var. Palmas para ele.
O professor puxou uma salva de palmas, onde todos da sala acompanhou.
Tweng Var parecia desconfortável, com sua língua saindo e voltando algumas vezes, ao mesmo tempo que também parecia animado de alguma maneira.
Ainda era difícil para eu entender as expressões faciais dele.
Além disso.
A maior nota hein?
Ele era muito inteligente.
Juntamente a esse comportamento, espero que ele não seja o tipo garoto inteligente introvertido que sofre bullying.
— Esse ano também vamos dar os parabéns ao aluno que tirou a maior nota no teste prático. Dinus de Khuma. — O professor novamente puxou uma salva de palmas.
EU?!
Mas...
Que sensação é essa?
Eu estou envergonhado por todos estarem me olhando e batendo palmas.
Já havia passado por uma situação parecida, quando fui condecorado pelo Imperador.
Porém, de alguma maneira, dessa vez era mais constrangedor ainda.
Talvez porque eu fosse passar muito tempo com essas pessoas.
Aliás, quanto tempo dura a academia mágica?
Quanto anos até eu me formar?
Eu apenas podia sorrir forçadamente e agradecer pelas palmas enquanto meus pensamentos estavam um caos.
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