A nova vida de uma alma sem lembranças
66 Capítulo 66 - Festas de fim de ano.
Notas iniciais
Nossa viagem de volta à Khuma foi tranquila.
Nós não nos apressamos durante a passagem pelas planícies do império, então levamos um dia a mais para atravessá-la.
Quando entramos na floresta, eu decidi correr junto ao meu pai, então também levamos um dia a mais para atravessar a floresta.
Levamos 7 dias de Vegúrlia até Khuma.
Dessa vez eu não cheguei a montar em Huskie, que foi nos acompanhando e nos ajudando nas poucas lutas contra monstro que encontramos no caminho.
Chegamos em casa no fim da tarde do 7º dia.
Miena estava com Mayina em seu colo quando chegamos e isso me lembrou da época em que eu ficava no colo dela.
Metz não estava em casa ainda, ele estava caçando junto ao Umbaku.
Como era o fim da tarde, eles já deviam estar voltando.
Eu mostrei entusiasmado para minha mãe a medalha que eu recebi.
Ela respondeu com um sorriso, mas não demonstrou muito interesse na condecoração.
Era o comportamento normal dos Elfos Negros afinal.
Deixei a medalha no mesmo lugar que a minha antiga espada que estava guardada como um troféu.
Diferente da minha mãe, quando Metz e Umbaku voltaram, o dragão pareceu ficar mais interessado na medalha, me dando os parabéns e perguntando como foi a audiência.
Depois disso nós nos sentamos à mesa para tomar um chá.
— E aí, filho. Como foi a caçada hoje? — Meu pai já começou a puxar assunto.
— Os monstros estão cada vez menos frequentes, então a caça foi proveitosa. — Metz respondeu seriamente.
— Agora, sem aquela quantidade de Renegados nas cavernas, monstros serão mais escassos novamente. — Targo comentou e continuou. — Como está o armazém?
— Trisgo disse que está aproximadamente 90% da capacidade. — Metz deu um pequeno sorriso e continuou. — Em breve vamos poder descansar um pouco.
— Amanhã eu vou caçar com vocês. — Eu entrei na conversa.
— Tem certeza? Você acredita que está recuperado? — Meu pai perguntou.
— Sim, estou me sentindo bem já. Preciso voltar a praticar também. — Eu respondi sorrindo.
— Está certo. Como não estamos com muitos monstros, vamos caçar juntos. — Então meu pai olhou seriamente. — Mas você não lutará contra monstros. Estamos combinados?
— Tudo bem. Combinado.
Antes de dormir, eu fui brincar um pouco com Mayina, pois ela era muito fofa.
A partir daquele dia eu voltei a caçar com os caçadores de Khuma novamente.
Nós não caçávamos todos os dias, pois atingíamos o limite do armazém com frequência.
Eu notei que até os animais selvagens estavam mais mansos depois da batalha contra os Renegados.
Então estava relativamente fácil a caça e tudo ficou mais tranquilo.
Eu usava meus dias livres para treinar espada e as magias que eu havia aprendido.
Daqui alguns meses eu entraria na academia mágica do império e eu estava bastante entusiasmado, mas também não fazia ideia do que me aguardava.
Então eu apenas praticava as magias que havia aprendido sempre usando o encantamento, para lembrar quando precisasse e se fosse necessário durante as aulas.
Eu usaria magias sem encantamento durante minha vida, mas eu achei que eu poderia parecer arrogante se não usasse os encantamentos na academia.
Eu já chamaria atenção por entrar na academia com a minha idade, também por ser um Elfo Negro e por conta da minha orelha mordida e meu cabelo curto. Não usar encantamento só seria mais uma coisa para chamar a atenção para mim, e eu não queria isso.
Por isso eu decidi que iria evitar não usar encantamento durante as aulas.
Os meses se passaram com tranquilidade.
Meu pai e meu irmão me ajudavam com meu treino nos dias de folga.
Eu consegui convencer os dois que eu precisava treinar luta contra vários oponentes, então eu praticava lutando contra os dois ao mesmo tempo.
Meu irmão era muito habilidoso com a lança e já havia me superado a tempos.
No arco e flecha eu até competia um pouco com ele, mas não usávamos arcos nos meus treinamentos.
Por conta da versatilidade da espada, mesmo os dois sendo muito bons na lança, eu consegui lutar de igual contra os dois, sempre impedindo-os de me acertar.
Mas em nenhum momento eu consegui me aproximar o suficiente deles para um ataque.
Ficamos em um impasse onde eles não conseguiam me acertar e eu não conseguia me aproximar.
Umbaku chegou a participar uma vez, mas nesse dia eu não tive chances, fui completamente derrotado pelos 3 juntos e pela combinação entre um deles e Umbaku.
Até mesmo Umbaku sozinho era capaz de me derrotar facilmente, mesmo assim eu recebi um elogio do dragão sobre minhas habilidades de combate.
De qualquer maneira os treinos foram muito bons para eu aprender a lidar com múltiplos oponentes e eu acredito que eu estava mais um pouco habilidoso nesse quesito.
Muito do meu tempo em Khuma eu também passei brincando e cuidando de Mayina.
Eu estava apaixonado pela minha irmã mais nova.
Não no sentido romântico, mas sim no sentido familiar. O mais puro amor fraternal.
Eu não sei se em minha vida passada eu tive irmãos, mas esse sentimento tomou conta de mim quando Mayina nasceu.
Muitas vezes, durante o tempo que estive em Khuma, eu pensei seriamente em não voltar à Vegúrlia e ficar e morar em Khuma por conta dela.
Mesmo assim a vontade de viajar pelo mundo e conhecer todas as belezas que ele poderia oferecer era mais forte.
Então, no primeiro dia da semana festiva de final de ano eu decidi viajar.
Eu fui direto para Fargath, onde eu poderia fazer um pouco de dinheiro com a venda de caça e de ervas medicinais.
Apenas o suficiente caso houvesse algum imprevisto quando eu chegasse em Vegúrlia e precisasse me hospedar na Sereia-Tímida por alguns dias.
Como estávamos na semana festiva, dificilmente eu encontraria outro viajante.
Eu e Huskie viajávamos velozmente pela floresta e encontramos poucos monstros no caminho, então chegamos à Vegúrlia em 5 dias.
Quando eu cheguei na metrópole capital do império foi que eu parei para pensar.
Eu poderia ficar com o Huskie?
Nos alojamentos da academia, eu poderia manter um animal tão grande?
Decidi ir para a academia falar com alguém para tirar essa dúvida e então decidir o que fazer, então eu pedi informações de como chegar à academia para um dos guardas do portão.
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