A nova vida de uma alma sem lembranças
55 Capítulo 55 - A arte da guerra.
Notas iniciais
— Capitão Targo, os batedores detectaram essa quantidade de Renegados nessa região e essa quantidade nessa outra região. — Um soldado imperial reportando para meu pai, com um mapa na mão, logo que iniciamos o movimento da nossa unidade. — Nós contamos com vocês para atacar aqui e aqui.
— Certo! Deixe conosco. — Meu pai respondeu e em seguida passou o comando para todos os caçadores de Khuma.
— A unidade de Maali fará o ataque pelo lado oposto em pinça e encontrarão vocês durante o combate, a partir daí você assumirá a liderança da unidade deles.
— Entendido. — Meu pai levantou sua lança e gritou em seguida. — Vamos caçar agora!
Nós invadimos uma caverna no pé da montanha e camuflada com a floresta.
Eu estava para trás por segurança e não podia usar o detectar, já que me deixaria desnorteado pela quantidade de indivíduos que estavam próximos.
Mesmo sem a magia de detecção eu conseguia sentir uma enorme quantidade de energia maligna dentro daquela caverna e mais ao fundo da montanha.
Até debaixo de onde estávamos eu podia sentir energia maligna.
Eu combinei com meu pai que eu avisaria em caso de emboscadas e usaria meu arco para atacar a distância ou magia de proteção para auxiliar a linha de frente.
Logo que entramos já começamos a eliminar Renegados desprevenidos que encontramos.
As cavernas eram largas, porém tortuosas e não era possível enxergar muito à frente pois sempre havia uma curva.
O nosso número era muito maior que eles, pois sempre os encontrávamos em pequenos grupos e estávamos atacando sempre com 4 ou 5 Elfos para cada Renegado.
Alguns machucados eram imediatamente tratados pelo pessoal da retaguarda, onde ficavam os caçadores com facilidade em cura e primeiros-socorros.
Eu estive usando minha magia de proteção constantemente para proteger de flechas que surgiam da escuridão e de grandes Orcs que surpreendiam pela resistência e dificuldade em serem derrotados.
Quase não havia brechas para que eu pudesse relaxar e quase não conseguia usar minhas flechas, já que os outros caçadores sempre atiravam mais rápido e mais certeiro que eu.
Além disso, Umbaku estava na linha de frente e muitas vezes ele derrotava um Renegado antes que alguém pudesse ajudá-lo.
Em sua forma humanoide e sem usar armas, o dragão cortava seus oponentes como se seus braços fossem espadas afiadas e esmagava-os como se suas pernas fosse grandes martelos.
Seus movimentos eram tão rápidos que eu não podia ver o braço dele passando pelo pescoço de um Orc.
Até mesmo sua calda era usada para lutar contra seus inimigos.
As cavernas pareciam labirintos e sozinho eu tenho certeza de que ficaria perdido.
Mas mesmo sendo cavernas tortuosas, eu reparei que aquela era a casa dos Orcs Renegados.
Pois mais bruto e rústico que fosse, algumas partes da caverna, entre os corredores, havia lugares que pareciam quartos, cozinhas e até encontramos uma forja.
Não havia móveis como armários ou gaveteiros para guardas as coisas, eles guardavam seus objetos em buracos feitos nas paredes como se fossem prateleiras.
Havia também alguns móveis que pareciam ser camas, feitas de pedra e couro de animais, diferente das camas dos humanos e Elfos que eram de madeira e pano.
A cena que se seguia era um pouco triste.
Embora alguns Orcs oferecessem grande resistência e lutava bravamente até cair, eles morriam um após o outro sem terem muitas chances contra nós.
Estava sendo um ataque quase que unilateral e eu podia até sentir um pouco de pena deles.
Mas a expressão de ódio e fúria em seus rostos quando eles estavam lutando me mantinha acreditando que aquilo não era errado.
Nenhum Renegado apresentava expressão de medo ou terror, eles não pareciam estar sofrendo e nem fugiam de nós, eles apenas lutavam pelas suas vidas com todo ódio que possuíam.
Então, depois de avançar por quase 2 horas pelas cavernas rochosas, nós encontramos um lugar mais aberto.
Parecia um cômodo, mas era apenas uma área muito grande na caverna.
Nela existiam muitos Orcs reunidos.
Eles pareciam discutir entre eles com resmungos e grunhidos entre palavras estranhas que eu até entendia as palavras, mas não entendia o contexto.
Era uma maneira muito estranha de falar e nada parecia fazer sentido, mesmo assim parecia que eles entendiam o que o outro falava.
Nós atacamos de surpresa enquanto eles estavam discutindo entre si.
Devia haver 12 Orcs dentro daquela "sala" e seria muito difícil para nós, mas meu pai deu o comando para atacar mesmo assim.
Talvez por conta do Umbaku isso não seria impossível, mas se fossemos apenas nós, aqueles Orcs Renegados nos derrotariam facilmente.
Logo que nós iniciamos o ataque, eu senti uma energia diferente vindo do outro lado da sala.
Quando os Orcs se viraram e se preparam para nos enfrentar, eles foram surpreendidos por outros caçadores em sua retaguarda.
Eram os caçadores de Maali.
Rapidamente nós derrotamos todos os Renegados do local.
— Norek! — Meu pai se aproximou de um dos caçadores de Maali e se curvou em respeito. — Como estão seus caçadores? Tem algum ferido?
— Nós temos um ferido sim, apesar de não poder mais lutar, ele ficará bem. — Então Norek estendeu a mão para Targo. — Bom encontrá-lo. Antes de tudo, como está minha filha?
— Miena está bem. Sua barriga está enorme. Em breve você terá mais um neto... Aliás... — Meu pai se virou para mim. — Dinus, venha cá, conheça seu avô.
— Muito prazer, avô. — Eu me curvei da mesma maneira que meu pai fez, por respeito, pois eu não sabia que título meu avô possuía.
— Ei!... — Meu pai colocou a mão no meu ombro. — Isso você faz apenas para o seu "sogro". Você não precisa fazer isso para o seu avô.
— Muito prazer, Dinus! — Norek ignorou meu pai e me cumprimentou de volta, então ajoelhou-se em uma perna para ficar na minha altura, colocando sua mão em minha cabeça. — Bom ver que meu segundo neto é saudável. Fico feliz em finalmente encontrá-lo.
— Também estou feliz em encontrá-lo. — Eu sorri pelas palavras dele. — Como eu não pude vê-lo em Maali quando passei por lá, estive ansioso para conhecê-lo.
— Também estive com vontade de conhecê-lo, já ouvi muitas coisas sobre você. — Ele sorriu de volta. — Mas agora nós devemos nos concentrar na caçada... Targo! E como estão os seus caçadores?
— Não temos nenhum ferido. — Meu pai respondeu.
— Então quais são as ordens? — Norek perguntou.
Mesmo que nós estivéssemos lutando algo parecido com uma guerra, eles sempre usavam a palavra "caça", pois Elfos Negros não guerreavam, não estava em sua cultura e costume.
Ela batalha contra Renegados para eles era como uma caçada, extremamente difícil e arriscada, mas apenas uma caçada.
Norek se curvou à presença de Umbaku e manifestou sua alegria em saber que havia um dragão protegendo a família de sua filha.
Umbaku também mostrou muito respeito de volta para Norek, talvez por ser pai da sua "protegida", eu não entendi direito.
Logo nós nos organizamos junto aos caçadores de Maali e seguimos o plano de ataque.
Havia outros 20 caçadores com Norek e ficamos com quase 50 agora.
Depois dessa sala, a maioria dos corredores eram mais largos e havia mais Renegados para lutar contra.
Mesmo assim nós avançávamos bem e não tínhamos grandes problemas ao lutar contra eles, pois mantínhamos a diferença numérica de 4 ou 5 para cada Renegado que encontrávamos.
Percebi que o plano de ataque foi muito bem elaborado e estava se provando ser muito eficaz.
Os organizadores estudaram muito o campo de batalha antes de atacar e deve ser por isso que demorou tanto para iniciar esse ataque.
Mesmo assim, pouco a pouco, a dificuldade foi aumentando.
Nossos caçadores começaram a ficar cansados e estavam perdendo eficácia.
Quando começamos a ficar com feridos meu pai parou e começou a conversar com os caçadores.
Eles se sentaram em uma roda e começaram a discutir sobre a situação, enquanto comiam ração de soldados.
— Já está começando a ficar exaustivo, se continuar assim podemos perder alguém. — Meu pai falou com os outros Elfos Negros. — Quanto tempo falta para o recuo?
— Ainda falta mais de 1 Sizen. — Um dos caçadores respondeu (mais de 2 horas).
— Ainda é muito. Nós não vamos aguentar. Precisamos recuar antecipadamente. — Norek comentou.
— Nós não podemos voltar antes de terminar essa área. — Meu pai respondeu. — Umbaku, como você está?
— Eu ainda posso lutar bem, nessa forma e sozinho eu devo lutar contra uns 3 ou 4. Mais do que isso vocês precisam me ajudar. — O dragão respondeu seriamente.
— Entendido, acho que podemos continuar. — Meu pai levantou-se. — Vamos caçar!
— Você tem certeza? — Norek perguntou.
— Sim! Nós temos 2 grandes guerreiros que ainda não estão cansados. — Meu pai respondeu com um sorriso estranho no rosto.
— Dois? Quem é o segundo? — Norek ficou confuso.
— Dinus! É claro! Ele ainda não mostrou suas presas. — Meu pai se virou para mim. — Eu sei que será difícil, mas eu estive te analisando e acredito que você pode lutar na linha de frente. Os que estão mais cansados focarão em te proteger caso algo aconteça.
— Certo! Vou dar o meu melhor. — Eu respondi, mas um pouco de medo tomou conta do meu coração.
— Espere um pouco Targo! Isso é irracional. O garoto é muito bom com magia, mas ele é só uma criança, não tem chances contra um Renegado! — Norek ficou bravo.
— Então veja por você mesmo. — Targo virou-se para mim. — Agora você vai usar sua espada.
— Sim! — Eu respondi.
Norek ficou encarando meu pai com uma expressão assustada.
Ele não tinha reparado que eu carregava uma espada, pois ela estava em minhas costas da mesma maneira que os caçadores carregam suas lanças, então ele nem prestou atenção na espada, vendo só quando eu posicionei-a em minha cintura.
Mesmo assim ele parecia enfurecido com meu pai e ficou encarando Targo com uma expressão irritada.
Nós voltamos a caminhar pela caverna e logo encontramos um trio de Renegados.
Umbaku rapidamente trouxe dois deles para lutar consigo e deixou o terceiro para mim, meu pai e Norek.
O medo tomou conta de mim, pois até então eu não estava na linha de frente e não havia encarado um Renegado cara a cara.
Até mesmo na guarda de carga, eu lutei contra eles na retaguarda.
Então as minhas pernas começaram a perder a força e minha respiração pareceu que iria falhar.
Minha garganta secou e eu sentia frio.
Eu percebi o meu medo e usei meu melhor golpe.
Sem pensar no medo, eu ajustei a magia do vento para não causar estrago nas paredes da caverna e acabar nos soterrando vivos.
Sacando minha espada da cintura, eu cortei o grande corpo do Renegado ao meio.
Eu não alcançava o pescoço dele, pois ele devia ter mais de 2 metros e meio de altura, mas eu cortei seu peito na diagonal, da altura da cintura na direita até perto da axila no lado esquerdo.
Mesmo com sua armadura de metal e couro, minha lâmina o atravessou como se ele não estivesse lá.
Dessa vez eu usei a magia do vento apenas na lâmina da espada, sem fazê-la avançar pelo ar.
Então o grande Orc caiu no chão quase que dividido em dois.
Norek e Targo não tiveram tempo de atacar o monstro.
Quase que ao mesmo tempo, os dois olharam para mim, enquanto Umbaku terminava de matar os dois Orcs que estava lutando contra.
Norek estava espantado e com os olhos e boca abertos, meu pai tinha um pequeno sorriso no canto do rosto.
Mesmo assim, o medo e o calafrio não saíram de mim.
Minha perna ainda parecia que iria ficar mole e eu despencaria no chão.
Mas eu juntei forças para sorrir para os dois e mostrar que estava tudo bem.
— Como!? — Norek foi o primeiro a falar. — Isso é...
— Incrível, não é? — Targo terminou a frase que meu avô excitou em dizer. — Eu falei que ele é forte.
— Sim, mas isso é... Digo... Isso está além do que eu esperava. Ele é... Como ele?...
Enquanto Norek estava sem palavras, nós voltamos a nos movimentar.
Eu senti e reportei para meu pai uma grande quantidade de Renegados mais à frente.
Ele organizou para nosso último ataque antes de recuar.
Depois desse ataque, já daria o horário de recuo e iriamos descansar no novo dia que amanheceria.
Quando chegamos na "sala" nós fomos surpreendidos.
Havia mais de 30 Orcs lá.
Eu não sentia o número exato, só conseguira saber se usasse detectar.
Era muito mais do que poderíamos enfrentar naquele estado.
Mas para o nosso azar, eles estavam esperando por nós e nos atacaram antes que pudéssemos pensar em algo.
Umbaku prontamente se posicionou de maneira a proteger eu e meu pai, e derrubando 3 Orcs com apenas um golpe de sua calda.
Mesmo assim nós todos teríamos que atacar dessa vez.
Eu usei magia de proteção em Umbaku, pois ele já estava sendo atacado por outros 5 ou 6 Orcs.
Eu achei que nessa situação, o desespero tomaria conta de mim e eu perderia o controle e ficaria com medo, mas não foi isso que aconteceu.
Acho que a adrenalina me impulsionou e eu pulei no meio dos Orcs com minha espada e minha magia.
Comecei a lutar da maneira que Necifran me instruiu e percebi que os Renegados, mesmos grandes e fortes, não conseguiam chegar perto de mim, pela minha velocidade e destreza.
Quando algum deles me atacava, eu usava as técnicas de esquiva para cortá-los em suas aberturas e um a um eu fui derrotando-os.
Os outros caçadores correram para ajudar no ataque e enfrentar os Renegados.
Eu fui encurralado e me concentrei tanto nos Orcs à minha volta que eu lutava que não prestei atenção nos outros.
Quando eu achei que estávamos indo bem, eu percebi que Umbaku estava protegendo o corpo ferido do meu pai, que estava jogado no chão.
Os outros caçadores estavam machucados ou caídos.
Faltavam apenas 6 Orcs quando eu derrubei os que estavam perto de mim e notei que estávamos sendo derrotados.
Então eu me lancei em direção aos Orcs que estavam atacando os poucos caçadores
Havia 3 Renegados, que cortei por trás sem que eles me vissem para salvar os caçadores que eles estavam atacando.
Os 3 caíram, os caçadores ficaram aliviados, me ajudaram a terminar abater os Orcs e se moveram para ajudar os que estavam feridos.
Os outros 3 estavam lutando contra Umbaku, que também tinha um ferimento em seu braço direito e estava tendo dificuldades.
Ele também estava com as pernas machucadas e não poderia sair de lá.
Eu fiz a mesma coisa, mas consegui cortar apenas um deles.
Outro Orc notou que eu estava lá e me atacou, mas eu não vi o ataque dele vindo.
Um soco do enorme punho do Renegado atingiu meu rosto.
— DINUS! — Eu escutei Umbaku gritando meu nome antes que eu perdesse a consciência.
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