A nova vida de uma alma sem lembranças
51 Capítulo 51 - De volta ao jogo.
Notas iniciais
Um pouco mais de 4 meses se passaram.
Nós já entramos em um novo ano, do qual eu finalmente descobri que era 2030 da "Segunda Era" pela professora Mayuna.
Eu já estava lendo e escrevendo naturalmente a escrita básica e começando a ter facilidade com a escrita compacta.
Eu participava das aulas normalmente, mas apenas porque eu adorava o clima da escola, já que eu não precisava mais frequentá-la.
De qualquer maneira eu sempre aprendia uma coisinha ou outra na aula, então era sempre bom.
Além disso a professora Mayuna me ensinava sobre outras coisas como história, geografia e conhecimentos básicos de Oriohn após as aulas nos dias sem treino.
A rainha Na'am'mi e Mayi não entraram em contato comigo desde então.
Talvez o excesso de magia dele ainda não voltou, nem sua febre.
Mas eu tenho certeza de que essa criança deve ter vários outros problemas de saúde por conta dessa doença.
As crianças normais já teriam morrido nessa idade e ele só estava vivo ainda por conta de Mayi.
Um dia Myuka me contou que descobriu que o príncipe nunca andou, falou e nem sequer engatinhou, pois estava sempre com febre e acamado.
Então ele deverá desenvolver-se a partir de agora como uma criança normal.
Provavelmente muita fisioterapia e regimes alimentar específicos serão feitos para que ele possa recuperar-se totalmente.
Eu também já não ficava exausto no treinamento de espada e estava sentindo o progresso em minha técnica.
Claro que eu sabia que precisaria de anos de treino para me tornar tão bom quanto um cavaleiro do reino.
Eu nem conseguia entender o limite de habilidades de Necifran, ele era tão bom que parecia impossível chegar ao nível dele um dia.
Foi quando Myuka me deu a feliz notícia.
— Dinus, vamos visitar o Kurio hoje? — Ela me procurou depois da aula em um dia sem treino.
— Claro! Como está indo o tratamento dele?
— Aparentemente concluído.
— Concluído? Já? — Eu quase saltei de espanto e felicidade.
— Sim! Mas eu quero ver com meus próprios olhos.
Nós fomos para a casa dos Sangue-de-Prata.
Fazia tempo que eu não visitava Kurio e sua casa.
Também fazia tempo que não via Louyi.
Até Myuka eu via pouco, pois ela estava fazendo vários serviços e trabalhos para se manter durante os meses e estava sempre ocupada.
Diferente de Louyi e Kurio, Myuka não era rica e precisava estar sempre conseguindo dinheiro para manter a pousada e para comprar as coisas que ela gostava.
Nós fomos recebidos respeitosamente por Seltiro.
Dessa vez seu belo cabelo loiro parecia mais curto, talvez ele houvesse cortado recentemente.
Por mais incrível que isso me pareceu, quando entramos na casa de Kurio hoje nós o vimos de pé na entrada esperando por nós.
Não havia mais tipoia segurando seu braço.
Ele estava com os dois braços erguidos em V com um grande sorriso no rosto.
— Vejam só! Eu estou recuperado! — Ele falou quase gritando de felicidade.
— Kurio! — Myuka correu e abraçou ele. Kurio ficou surpreso com o abraço, pois aquilo não era normal. Acho que Myuka começou a acostumar-se errado com os meus abraços.
— Myuka? — Ele parecia sem jeito e eles se soltaram. — Semana (de dez dias) que vem eu já posso voltar à ativa. Só faltam algumas sessões de fisioterapia.
— Viva! — Myuka levantou os braços em V, um pouco envergonhada por ter abraçado Kurio.
Louyi apareceu no cômodo de entrada também.
Ele havia chegado antes de nós e já estava conversando com Kurio a algum tempo.
Nós fomos à estalagem e bebemos para festejar.
Myuka ficou bêbada novamente com Sangue de Mel e eu bebi a mesma bebida cítrica que havia bebido a primeira vez.
Alguns conhecidos do grupo passaram na mesa para dar parabéns pela recuperação de Kurio.
Todos tinham aparência de aventureiros ou guardas de carga.
O grupo me convidou mais uma vez para eu voltar a trabalhar com eles, mas eles concordaram quando eu disse que treinar espada com Necifran era uma oportunidade única e não tocaram mais no assunto.
Nós brindamos e comemoramos o retorno deles à ativa.
Na semana seguinte o grupo saiu da cidade novamente e eu passei a não os ver com tanta frequência.
Depois de alguns meses fora eles apareciam na cidade e bebiam na Sereia-Tímida, e eu sempre participava da bebedeira, mas fora isso eu não os via.
Outros 4 meses se passaram.
Os estudos avançaram e eu não precisava mais frequentar a escola, então eu ia lá apenas para contar algumas histórias para as crianças e ajudá-las nos estudos.
Eles acabaram acostumando-se com o fato de eu ter aprendido rápido e sempre que tinham dúvidas eles pediam ajuda minha ou da professora.
A professora gostava da minha ajuda, já que facilitava um pouco para ela e não se importava com a minha presença na sala, pois eu nunca atrapalhava a aula.
O treinamento com a espada começou ficar mais intenso depois do quarto mês.
Eu comecei a treinar combate e simulava lutas contra Necifran.
No sexto mês meu treino passou a ser sempre lutar contra ele, mas ele sempre me ensinava técnicas durante as lutas e eu estava sempre melhorando e aprendendo.
As bases se tornaram naturais e meus movimentos se tornaram leves e ágeis, enquanto meus golpes ficaram mais pesados e eficazes.
Eu estava muito feliz com a evolução e achava até rápida, pois eu sabia que não era fácil se tornar um bom espadachim.
Necifran sempre me treinava sem discriminação e pareceu nunca se importar pelo fato de eu ser criança ou Elfo Negro.
Mayi me procurou mais uma vez nesse meio tempo.
A criança voltou a ter febre, mas logo foi resolvido removendo o excesso de energia do corpo dela.
Agora o príncipe já estava aprendendo a andar e tentava falar.
Eu fiquei muito feliz em ver aquele bebê se desenvolvendo, pois fora eu, todos os casos da doença de Estil não sobreviveram.
Se eu não contar com o fato de eu nascer com a mente de um adulto, o príncipe foi a primeira criança de Oriohn a sobreviver na verdade.
A rainha me prometeu que ela marcaria uma audiência para me recompensar pelo feito e que eu receberia um presente generoso.
Na verdade, eu não queria nada, mas como eu já tive essa experiência com Faror, irmão de Kurio, eu não recusei e disse que ficaria honrado.
Pensando sobre o príncipe Namir eu me lembrei da minha mãe.
Em poucos meses ela entraria em trabalho de parto e meu irmão mais novo iria nascer.
No dia seguinte eu procurei por Faror para avisar que eu já havia terminado meus estudos e dizer que não me hospedaria mais na estalagem.
Eu fui à casa da família Sangue-de-Prata e pedi para o mordomo Seltiro agendar um encontro com o cavaleiro.
Dois dias depois eu fui visitado por Faror e seus dois guardas na estalagem.
Eu expliquei para ele que voltaria para minha cidade para acompanhar minha mãe e que já havia alcançado meu objetivo de aprender a ler e escrever.
Ele insistiu dizendo que não havia retribuído o suficiente, então eu pedi ajuda para ele para arrumar uma montaria para voltar mais rápido para Khuma, da qual chegamos um acordo no fim.
Avisei também meu mestre que passaria alguns meses fora para visitar minha família.
Achei que ele reclamaria e seria severo sobre o assunto, mas ele foi extremamente compreensível.
Até me passou alguns exercícios para eu praticar enquanto não estivesse treinando para não desacostumar, dizendo que mesmo não treinando com ele eu não poderia ser negligente.
Dessa vez eu viajaria com uma espada de qualidade e sabendo um pouco como manuseá-la.
Além disso eu sentia que minha magia estava muito mais forte depois que parei de comer a fruta.
Ainda assim era uma viagem perigosa para se fazer sozinho.
Faror conseguiu uma montaria canina para mim.
Algo como uma grande cachorro ou lobo, parecendo ser da raça Husky em formato do corpo e focinho, mas com o pelo bem curto e grosso como um cavalo.
Era uma montaria rara, pois quem geralmente a usavam eram seres pequenos, mas leves.
Não era uma montaria para anões, mas sim para Goblins e gnomos.
Ouvi que existia outra raça pequena como os Halflings, mas eles não eram aventureiros e quase não viajavam montados.
Existiam muitas outras raças monstruosas pequenas que usavam esses cachorros como montaria, mas nessa cidade quase não existiam moradores dessas raças.
De qualquer maneira era perfeito para mim e eu poderia viajar mais rapidamente com ele.
O ideal seria ir voando com Umbaku, mas isso era impossível no momento.
Ainda com Faror eu consegui agendar uma audiência com a rainha para que eu pudesse avisar que passaria um tempo fora, mas voltaria logo.
Até então Faror não estava ciente do meu envolvimento com a recuperação da criança, mas logo depois da surpresa ele riu dizendo "é o Dinus afinal".
Seguindo a lógica, o príncipe só precisaria de mim novamente em 6 meses e eu já deveria estar de volta no momento.
A rainha estava muito ocupada e não pôde me atender, mas Mayi me procurou e nós conversamos a respeito disso.
Eu fiquei sabendo que a criança já podia comer a fruta de Kojo normalmente agora e que Mayi já estava ensinando-a a meditar, então possivelmente eu teria mais prazo ainda, mas deixamos combinado de nos ver novamente em 6 meses.
No dia de descanso eu me preparei para sair de viagem novamente.
Expliquei para Ma'am e Bavar onde eu estava indo e o motivo, para que se Myuka, Louyi ou Kurio perguntassem ou precisassem de mim para alguma coisa, soubessem onde eu estava.
Com borboletas no estomago novamente e a sensação incrível que era sair de viagem, eu deixei a metrópole de Vegúrlia para voltar para casa.
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