A nova vida de uma alma sem lembranças

31 Capítulo 31 - O baluarte de Fargath.


Notas iniciais
Postagem: 2020/11/29 20:06 Revisão: 2025/12/11 15:29

Depois de uma pausa para o almoço, nós voamos a tarde toda até escurecer.

Umbaku estava cansado de voar já, foram mais de 6 horas voando.

Nós paramos para descansar e comer, dormimos até amanhecer e voltamos a viajar.

Passamos novamente por Marima, até chegar em Fargath.

Não foi possível ver Trucia pois ela ficava em um sentido diferente em que viajávamos.

Trucia ficava longe da montanha e estávamos seguindo o voo beirando a montanha.

Quando começamos a sentir fome, nós estávamos chegando em Fargath e decidimos deixar para comer quando chegássemos.

Eu entrei no baluarte para chamar meus colegas guardas para comer fora do baluarte com Umbaku.


— Garoto! Seja bem-vindo de volta. Como foi em Maali? — Louyi me cumprimentou assim que cheguei no quarto que eles estavam.

— Como está o dragão, deu tudo certo? — Myuka apareceu na porta também.

— Não deu certo em Maali. — Eu dei um instante para ver a reação deles. — Mas deu certo em Khuma.

— Como assim? — Perguntou Myuka. — Vocês foram para Khuma?

— Isso! Acontece que a curandeira era a minha mãe. — Respondi com um riso.

— Espera! Miena é sua mãe? — Espantada, perguntou Myuka. Aparentemente ela já sabia que minha mãe era a curandeira famosa.

— Você conhece minha mãe? — Perguntei de volta sem pensar muito.

— Claro, ela é casada com... — Então ela travou por um instante. — Aaah! Você é filho de Targo. Isso explica muita coisa.

— Você diz, aquele Targo? — Perguntou Louyi.

— Sim. Como contei para vocês antes, Targo é o caçador de monstros mais habilidoso que eu já conheci. Ele sozinho pode derrotar monstros, dos quais jamais sonharíamos derrotar.

— Eu fui treinado por ele. — Respondi novamente com um riso e meio sem jeito. — Aliás, como está Kurio?

— Ele está meio deprimido. — Respondeu Louyi meio cabisbaixo.

— Entendo. Mas vai dar tudo certo. Ele vai se recuperar por completo. — Tentei animar um pouco. — Chame ele. Veja se ele quer almoçar com Umbaku fora do baluarte.


Então nós almoçamos juntos.

Kurio pareceu melhorar um pouco os ânimos ao me ver e principalmente ao almoçar com um dragão.

Taime almoçou conosco também e nos contou que a mercadoria seria entregue no fim do dia, então poderíamos seguir viagem no dia seguinte.

O medo deles parecia estar desaparecendo e eles se sentiam mais à vontade perto de Umbaku.

Umbaku estava sempre quieto, mas com um pequeno sorriso no seu rosto. Ele parecia gostar de almoçar com vários outros seres sem terem medo dele.

Umbaku estava almoçando conosco, mas não era como se ele estivesse se alimentando.

Ele comia a mesma quantidade que nós, mas isso não faria nenhuma diferença em seu estômago.

Assim que terminamos, Umbaku se levantou e cumprimentou todos com nosso cumprimento padrão, então me pediu para falar para eles.


— Umbaku está muito honrado em conhecê-los. Ele fica muito feliz de passar esse tempo conosco, mas ele precisa voltar para Khuma agora.

— Voltar para Khuma? — Perguntou Kurio. — Precisa de mais tratamento então?

— Na verdade não. — Então eu olhei para Umbaku, que acenou que sim com o rosto. — Ele faz parte da minha família agora e viverá com os meus pais em Khuma.


Todos se espantaram um pouco, mas entenderam o que aconteceu.

Dragões foram criados para viverem com Elfos Negros, mas se afastaram por receio de serem corrompidos pela magia dos Renegados.

Porém Umbaku não precisava mais ter esse receio, minha mãe poderia protegê-lo disso e ele seria livre para ser o que um dragão deveria ser.

Além disso, a gratidão dele por minha família era muito grande, e em Oriohn o maior medo de todos é serem atacados por uma horda de Orcs Renegados, Umbaku queria proteger aqueles que o protegeu.

Um dragão corrompido fora de controle era um perigo enorme, mas um dragão consciente lutando era um dos seres mais poderosos de Oriohn.


— Umbaku. Antes de você partir, poderia me ensinar uma magia?

— Claro! Qual magia você gostaria de aprender? — Respondeu o dragão.

— Queria aprender transmutação para me transformar em mim mesmo, só que com uma aparência mais adulta.

— Aah! Sinto muito Dinus, mas essa magia só pode ser usada por dragões, mesmo que você aprenda o encantamento você não conseguirá usá-lo.

— Entendo. Tudo bem, então.

— Mas eu posso te dar uma outra coisa no lugar. — Disse ele, pegando uma porção de terra do chão com as mãos e em seguida fazendo uma magia que transformou a terra em um objeto. — Isso aqui é um "apito" do dragão. Se você soprar magia de vento dentro disso e houver algum dragão por perto, ele poderá te escutar e virá te ajudar.

— Muito obrigado. Eu agradeço muito esse presente. — Eu recebi o objeto dele que parecia uma pequena flauta.


Era possível assoprar essa flauta com a boca também, pois a terra que ele pegou se transformou em uma rocha rígida.

Essa flauta emitia o mesmo som que o dragão faria ao pedir por ajuda, por isso eles entenderiam o que significa.

O som que essa flauta fazia também era impossível de se escutar, pois estava em uma frequência mais alta que nós não poderíamos ouvir e apenas os dragões poderiam escutar o som.

Então eu estendi minha mão para Umbaku.

O aperto de mãos padrão de Oriohn consistia em pegar no antebraço da outra pessoa.

Umbaku cumprimentou todos nós, se transformou de volta em seu corpo original e saiu voando para Khuma novamente.


Agora nós precisaríamos preparar nossa carroça, esperar a encomenda e partir para Vegúrlia para tentar curar o braço de Kurio.

Me lembrei que Mayi pudesse estar por lá, então fiquei mais animado ainda.

Nós sairíamos de Fargath no dia seguinte, então aproveitei o resto do tempo que eu tinha para conhecer o baluarte e os Orcs comuns, ou Orcs Verdes como também eram chamados.

Eles eram muito simpáticos e brincalhões, ao mesmo tempo que eram sérios em seus serviços e adoravam lutas. Gostavam de esportes violentos e foram eles que inventaram a "luta livre" e combates em arenas em Oriohn.

Porém eles eram extremamente orgulhosos e odiavam perder, seja o que fosse.

Eles também não tinham facilidade nenhuma em matemática e coisas que exigiam muito intelecto.

Nesse baluarte existia um grande Orc com a pele marrom, ele era muito maior que os outros e muito mais forte, além de ser muito esperto no combate e ter habilidades e reflexos excelentes.

Esse era Grumer, o chefe desse baluarte.

Apesar do título de chefe, ele era relativamente humilde e sempre recebia bem as visitas de viajantes e comerciantes.

Eu fiquei sabendo que Orcs Marrons eram extremamente raros, existindo naquele momento apenas 3 vivos conhecidos em toda Oriohn.


Fargath era um dos maiores baluartes de Oriohn, contendo cerca de 30 Orcs vivendo nele.

Outros baluartes abrigavam em média de 8 a 15 Orcs.

Era uma cultura com normalmente uma pequena população.

O baluarte parecia um forte feito todo de pedra e madeira.

Orcs trabalhavam com metal também, mas eles não usavam para construir seus muros e o exterior de suas casas.

Acho que a palavra para descrever suas construções era "bruto".

Mas era maravilhoso conhecer uma cultura diferente e o sentimento de que eu estava em um mundo fantástico voltou ao meu peito quando eu parei para prestar atenção.

Eu conversei com vários Orcs de Fargath e aprendi muita coisa sobre eles.

Eles também ficaram surpresos e confusos em conhecer um Elfo Negro viajante e aventureiro, principalmente com a minha idade.

O resto do dia foi muito divertido e quando acordamos no dia seguinte seguimos viagem sentido a capital.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Agradeço profundamente qualquer apoio.