A nova vida de uma alma sem lembranças
29 Capítulo 29 - De volta outra vez.
Notas iniciais
Estou voltando para casa.
Isso aconteceu mais cedo que eu esperava.
Eu achei que teria uma grande aventura antes de voltar.
Se bem que tudo que passei foi relativamente grande.
Mesmo assim é muito mais cedo.
Faz algo como um mês desde que eu saí de Khuma.
Eu fui para a cidade de Trucia, para a aldeia Marima, para o baluarte Fargath e para a vila Maali.
Pelos cálculos de Umbaku, nós chegaríamos na manhã do dia seguinte em Khuma, pois ele precisaria rodear quase que toda a montanha, já que Khuma ficava basicamente do lado oposto de Maali.
Nós deixamos Maali no final da manhã, pois levamos menos que as 5 horas que ele havia imaginado, já que ele pôde voar mais rápido.
Além disso nós precisaríamos parar para comer e dormir.
Eu até podia comer nas costas de Umbaku, mesmo assim ele precisaria se hidratar após voar tanto tempo.
Também não seria legal voar com sono.
Logo após almoçarmos, nós passamos sobrevoando por Fargath.
Depois de umas 5 horas voando nós chegamos perto de Marima, mas não passaríamos por ela, já que ela não ficava encostada na montanha.
Mesmo assim era possível ver a aldeia de longe.
Depois de mais um tempinho nós paramos para acampar.
Umbaku dormia em sua forma de dragão e ele não precisava de nada para dormir.
Eu não tinha minha barraca, pois não planejávamos acampar, então eu dormiria no chão.
Mas eu precisava preparar as coisas e meditar um pouco, além de comer.
Umbaku já havia se alimentado antes de nos encontrarmos, pois os dragões comiam grandes quantidades, mas passavam muito tempo sem comer depois disso.
Nós dormimos pouco, apenas para ele descansar suas asas, então voltamos para os céus.
Enquanto me perdia admirando a paisagem, nós chegamos em Khuma.
O sentimento em meu peito era o mesmo que o dia que voltei do treinamento de Mayi.
Eu não me lembro de onde eu morei em minha vida anterior, então Khuma acabou se tornando o meu primeiro lar em minha memória, como se eu sempre tivesse morado lá.
Na entrada de Khuma nos deparamos com quase a mesma cena que em Maali.
Vários elfos negros pararam suas atividades para ver Umbaku de perto.
A única diferença é que eu já era alguém conhecido, então vários elfos me cumprimentavam e me davam as boas-vindas da minha viagem, embora eu fosse sair novamente assim que o tratamento acabasse.
Fomos recebidos pelo responsável de relações com estrangeiros, que chamávamos de recepcionista.
— Olá Dinus, há quanto tempo! — O recepcionista me cumprimentou.
— Bom dia Meiron, tudo bem? — Assim que o cumprimentei, ele virou para Umbaku e se curvou. — Esse é Umbaku, um dragão que precisa de um tratamento com a curandeira da vila.
— Claro! Fico honrado em conhecê-lo. Por favor, sigam-me.
Meiron nos guiou até a minha casa.
Eu até podia dizer que poderia me virar sozinho, mas eu tenho certeza de que todos os elfos ao nosso redor desejavam nos acompanhar e o mesmo acontecia com Meiron.
Da mesma maneira que em Maali, era possível escutar várias conversas entre os que nos acompanhavam, mas dessa vez eles diziam algo como "o filho de Targo e Miena trouxe um dragão!" e "isso é fantástico", além de outras coisas parecidas.
Nós chegamos em casa e meus pais estavam na porta.
Meu pai estava em casa nesse dia, pois não havia necessidade de caça, meu irmão era um bom caçador e eles havia atingido o limite de estoque.
Eles já estavam na porta pois a conversa entre os elfos chegaram rapidamente a eles.
Embora fosse difícil de acreditar que o próprio filho traria um dragão para a vila, no fundo eles sabiam que podiam esperar esse tipo de coisa de mim.
"Se for o Dinus, qualquer coisa é possível" diziam eles.
Meu pai nos cumprimentou primeiro com um enorme sorriso no rosto e então a minha mãe cumprimentou também.
Eu abracei-os e apresentei Umbaku.
— Mãe. Eu estive em Maali e conheci minha avó. — Eu disse enquanto abraçava-a. — Eu sempre achei que você nasceu aqui em Khuma.
— Você conheceu minha mãe? — Disse minha mãe com um sorriso no rosto. — Eu nunca te contei, né meu filho? Mas eu conheci seu pai em uma caça conjunta entre as vilas, nos apaixonamos e eu me mudei para Khuma. Meus pais estão bem?
— Minha avó está bem sim. Lhe mandou lembranças. Mas meu avô eu não cheguei a conhecer, pois ele estava fora da vila quando passamos por lá.
— Entendi. E o que me dá a honra de receber um dragão em minha casa? — Lá estava aquela fala novamente.
— Muito prazer, como seu filho disse, me chamo Umbaku, sou um dragão que foi infectado com magia maligna dos Renegados, mas seu filho me salvou, removendo quase toda a magia do meu corpo, porém eu ainda preciso de tratamento para me curar completamente.
— Meu filho salvou? — Meu pai ficou impressionado, enquanto eu cumprimentava e abraçava meu irmão.
— Se esse é o caso, devemos nos apressar com o tratamento. Por favor, entrem. — Minha mãe respondeu rapidamente.
Quando entrei em casa eu notei que havia algo estranho, mas não sabia o que era ainda.
Algo na magia dentro de casa havia mudado.
Os elfos que nos acompanhavam voltaram a seus afazeres após entramos em casa.
Prontamente minha mãe preparou um chá com umas plantas estranhas que eu nunca havia visto ela preparar antes.
Ela disse que esse chá usava folhas de uma planta mágica que ajudava no tratamento que ela faria.
Ela pediu para Umbaku se deitar em minha cama e começou a recitar uma magia que eu não conhecia, com sua mão na testa do dragão em sua forma humanoide e a outra na altura do seu próprio queixo com a palma voltada para cima.
No momento que ela terminou o encantamento, um grande clarão apareceu em seu corpo e no corpo de Umbaku, notei também que qualquer lugar que estava molhado com o chá também estava brilhando.
O brilho era branco com um tom amarelado, como uma lâmpada incandescente.
Cerca de 2 ou 3 minutos se passaram e Umbaku caiu no sono.
A claridade sumiu logo em seguida.
— Já? — Perguntou meu pai. — Não foi muito rápido?
— Foi mais rápido do que eu achei que seria, mas aparentemente havia pouca energia maligna restante em seu corpo. — Respondeu minha mãe. — No fim foi necessário apenas purificar o corpo.
— Ele vai ficar bem? — Perguntei.
— Sim, está tudo bem agora. Ele vai dormir por um tempo, pois eu tive que usar a energia dele para curá-lo, mas assim que ele acordar estará terminado o tratamento. — Respondeu minha mãe.
— Quanto tempo ele vai dormir?
— Eu nunca tratei um dragão antes, então eu não faço ideia.
Então nós deixamos Umbaku no meu quarto e fomos para a sala colocar a conversa em dia.
Meu pai contou sobre os feitos do meu irmão como caçador, aparentemente ele já caçava melhor que eu.
"Aparentemente você foi a inspiração para ele se esforçar ao máximo." disse meu pai.
Então eu contei sobre minha viagem e das pessoas que eu conheci.
Falei sobre Murio e Taule em Trucia, disse que Mayi foi chamada para a capital, contei que estou trabalhando como guarda de carga, de Taime, Louyi, Kurio e Myuka.
Quando eu falei sobre Myuka, meu pai disse que conhecia, eles já caçaram juntos na última caça conjunta que aconteceu.
"Ela é uma elfa muito animada, não?" comentou ele com uma risada.
Então eu contei sobre o embate contra os Orcs Renegados.
Quando eu contei sobre isso, a expressão de medo tomou conta da face dos meus pais.
— Vocês foram atacados por Renegados? — Disse minha mãe assustada.
— Sim, nós conseguimos derrotá-los, mas Kurio machucou severamente seu braço durante o combate e pode ser que ele não consiga mais mexê-lo. — Respondi.
— Derrotá-los? Eram mais de um? — Perguntou meu pai surpreso.
— Sim, nós lutamos contra três, mas eram quatro, um estava escondido e acabou fugindo. — Eu respondi. Mas meus pais ficaram em silêncio com uma cara de espanto.
— Um deles fugiu? Nós precisamos reportar sobre isso. — Disse meu pai.
— Nós já fizemos isso em Fargath. — Eu respondi.
— Então vocês chegaram à Fargath? — Perguntou meu pai.
— Sim. Mas no caminho nós encontramos Umbaku com uma grande quantidade de energia maligna em seu corpo, por isso eu ajudei.
— Você sugou a magia dele e jogou fora com uma Kojo e meditação, certo? — Deduziu corretamente minha mãe.
— Exatamente, mas não foi o suficiente para curá-lo.
Nós continuamos conversando, comigo contando mais detalhes e voltando para falar sobre algo que eu havia esquecido.
Ainda havia algo errado na magia dentro de casa e eu estava curioso sobre isso.
Até que minha mãe voltou a falar sobre o braço de Kurio.
— Sobre o braço do seu amigo, vocês podem conseguir tratamento em Vegúrlia. — Comentou ela.
— Sim, será nossa próxima parada.
— Então você terá a chance de se reencontrar com Mayi. — Completou ela.
— Ah! Vegúrlia é a capital? Que bom. Espero poder encontrá-la.
— Você sabe? A Mayi trabalhou na capital quando era mais nova. Ela foi...
Nesse momento um grande estrondo e um tremor surgiu de meu quarto.
Eu fiquei preocupado com Umbaku, então eu corri para ver o que aconteceu.
Umbaku ainda dormia profundamente, mas ele havia se transformado em seu corpo Dracônico novamente.
Eu devia me lembrar disso, pois eu sabia que ele não dormia naquele corpo humanoide, mas acabei esquecendo.
Ele destruiu meu quarto e parte da casa.
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