A nova vida de uma alma sem lembranças
24 Capítulo 24 - Sobreviventes.
Notas iniciais
Já está escuro.
Estamos fora da estrada, acampados na beira da floresta.
Eu estou fabricando flechas para reposição das minhas e de Myuka também.
Geralmente ela repõe suas próprias flechas, mas Myuka está desacordada em sua barraca.
É a sua barraca, mas fomos nós que montamos para ela.
A Elfa está com febre e aparentemente tendo alucinações.
Kurio também está desacordado, mas ele está na carroça.
Ele está dormindo profundamente, também com um pouco de febre.
Louyi e Taime estão cuidando deles.
Pelo visto sobrou um pouco de veneno no corpo de Kurio, mas o organismo dele é o suficiente para esse pouco que sobrou.
Louyi parecia bastante abalado e preocupado no começo, mas agora ele está mais aliviado, pois a vida dos dois parceiros dele já não está mais em perigo.
— Dinus, eu preciso de mais água fria. — Louyi me chamou.
Estou gerando água mágica.
Como não é para consumo, não há problema em usar água mágica para abaixar a febre.
Eu sentia que ainda estava tremendo de medo.
A emoção da batalha apagou um pouco desse sentimento, mas encontrar com Orcs Renegados dava pavor em qualquer um.
Louyi também parecia abatido.
Ele estava exausto por conta do conflito e por ficar cuidando dos parceiros.
— Muito obrigado por hoje, você fez uma diferença enorme na batalha. — Louyi e eu estávamos sentados ao lado do corpo de Myuka.
— Eu... Vocês foram incríveis também. A sintonia entre vocês durante a luta foi impressionante. — Eu não sabia o que dizer, então apenas elogiei de alguma maneira.
— Lutas contra Renegados geralmente acaba com mortes. Nós tivemos sorte de sairmos todos vivos. Mesmo como estamos agora, ainda é uma grande vitória. — Louyi comentou cabisbaixo.
Nós ficamos um tempo em silencio dentro da barraca, apenas com o barulho da fogueira e do vento chacoalhando as árvores.
Myuka começou a resmungar novamente, enquanto tinha alucinações ou pesadelos.
Louyi segurou a mão dela para tentar acalmá-la.
Então ela acordou desesperada.
Ela nos olhou, olhou em sua volta e se acalmou.
— O que aconteceu? — Perguntou Myuka após respirar fundo.
— Você desmaiou após usar muita magia. — Respondeu Louyi. — O garoto aqui disse que sua magia não se esgotou, mas provavelmente pelo fato de ter usado muito mais do que está acostumada seu corpo não aguentou.
— Você ficará bem, só precisa descansar. — Eu completei para tentar ajudar.
— Onde está Kurio. — Myuka procurou por ele com seus olhos.
— Ele também está repousando. — Respondeu Louyi. — Ele também vai ficar bem.
De repente os olhos de Myuka se encheram de lágrimas, Louyi abraçou-a e ela começou a chorar.
Eu deixei os dois sozinhos e saí da barraca.
Taime estava ao lado da fogueira, preparando comida para nós.
Geralmente somos nós que preparamos nossa própria comida, mas dessa vez parece ter sido tudo fora do comum.
Eu disse a Taime que Myuka havia acordado e que ela estava bem.
Taime deu um sorriso discreto e olhou para a carroça.
Eu entendi o recado e fui olhar a condição de Kurio.
A febre dele já havia passado e ele não precisaria mais de água fria, mas ele ainda dormia profundamente.
Eu chequei e não conseguia sentir mais a presença da magia de veneno no corpo dele.
Mas pelo fato de ter lutado contra esse veneno, o corpo dele devia ter chegado à exaustão e agora precisava de muito repouso.
Olhando a ferida dele, eu acreditava que ficaria uma cicatriz grande, por mais que usasse magia de cura nele.
Um tempinho se passou e Louyi subiu na carroça também.
— Como ela está? — Eu perguntei.
— Ela voltou a dormir. Ela ainda precisa descansar bastante, pois a febre diminuiu, mas ainda não passou. — Louyi respondeu. — E como ele está?
— A febre de Kurio já passou. O veneno também já parece ter desaparecido. Agora ele só dorme profundamente. — Eu respondi.
Eu lembro de ter ouvido que eles eram amigos desde a infância.
Muita coisa deve ter passado pela cabeça de Louyi durante isso tudo.
— Você deveria descansar também. — Eu coloquei a mão no ombro de Louyi. — Afinal, eles são seus amigos, você passou por muita coisa hoje.
— Eu não posso... — Louyi começou a falar, mas eu interrompi.
— Por mais que eu tenha me apegado a vocês, minha cabeça ainda está mais fria que a sua. Pode deixar que eu tomo conta das coisas por aqui, enquanto você descansa.
— Mas eu... — Novamente eu o interrompi.
— Se acontecer alguma coisa eu prometo que eu te acordo.
Louyi ficou me encarando com uma cara de conflito, mas ele entendeu e concordou.
Então Louyi foi dormir, e eu passei a noite toda de guarda, alterando entre observar Kurio e abaixar a febre de Myuka, da qual acordou várias vezes durante a noite.
Eu usava a magia de detecção periodicamente para não sermos pegos de surpresa.
Taime foi dormir no meio da madrugada.
Dessa vez ele dormiu numa barraca, já que a carroça estava ocupada.
No final da noite Myuka já não tinha mais febre.
Quando o céu já estava clareando e a Khadji estava prestes a aparecer, Louyi acordou, eu relatei tudo a ele e fui dormir.
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