A nova vida de uma alma sem lembranças

21 Capítulo 21 - A aldeia na floresta.


Notas iniciais
Postagem: 2020/10/04 23:32 Revisão: 2025/12/11 15:23

Eu acordei pouco antes do alvorecer do dia.

Myuka havia acabado de assumir a vigia.

Comecei a verificar meu equipamento como de costume.

Então eu preparei meu desjejum.

Myuka até me disse que eu poderia dormir mais, mas eu expliquei que era comum eu acordar esse horário.

Quando eu estava comendo Myuka começou fazer uma expressão confusa.

Uma mistura de espanto, nojo e pena.


— Isso é fruta de Kojo? Por que você está comendo essa coisa? — Ela perguntou enquanto parecia pronta para vomitar.

— É para tratar a doença de Estil, ela suga o excesso de energia mágica. — Respondi após engolir a fruta. — Depois de um tempo você se acostuma com o sabor horrível.

— Eu...eu sinto muito.

— Está tudo bem. A mestra Mayi me disse que eu seu aprender a controlar bem minha magia, quando eu for adulto eu não precisarei mais comer essa fruta.

— Espera um pouco. Você havia comido uma fruta dessas ontem? — Eu respondi que sim com a cabeça. — Então aquela magia monstruosa que você conjurou instantaneamente sem encantamento, você estava com a magia reduzida?

— Sim, mas não é bem assim que a magia funciona. — Eu respondi com um pequeno sorriso. — Pelo menos não a minha... Eu acho... Eu não sei se isso se aplica a todos, mas eu percebi que eu absorvo a magia ao meu redor.

— Como assim?

— Tudo tem magia, as árvores, a terra, até mesmo o ar e o meu corpo funciona como um forte sugador de magia, absorvendo a magia de todos os lugares. Se eu parar para prestar atenção eu sinto a magia entrando no meu corpo o tempo todo.

— Estranho, eu aprendi que nós geramos nossa própria magia. — Respondeu Myuka com a mão no queixo.

— Pode ser que sim, talvez sugar magia seja a própria doença de Estil agindo. — Então eu mostrei uma das frutas que eu tinha. — E a fruta de Kojo consome parte dessa magia que eu estou atraindo.

— Acho que entendi.

— Mas eu posso estar errado. Talvez se eu aprender mais sobre magia eu entenda melhor isso. — Com isso Myuka respondeu com um sorriso sem graça. Parece que estudar não é comum para os Elfos da Floresta também.


Depois dessa conversa eu comecei a meditar para espulgar minha magia.

Percebi que Myuka ficava me observando enquanto eu meditava, mas eu continuei me concentrando em remover o excesso de magia de meu corpo.

Logo a hora de vigia dela havia se passado e ela foi acordar os outros para continuarmos a viagem.

Os outros guardas estavam dormindo em seus próprios sacos de dormir, apenas Taime e eu dormimos na carroça.

Aliás, eu tenho minha própria barraca para dormir, eu só dormi na carroça nessa ocasião por conta do incidente anterior.


Nós terminamos de arrumar o pequeno acampamento juntos e pegamos a estrada com a Khadji já visível no céu de Oriohn.

Até tivemos outro confronto com monstros durante a viagem, mas foram monstros mais fracos e foi relativamente fácil combatê-los.

No final do terceiro dia estávamos chegando próximo à Aldeia Marima.

Nós acamparíamos mais uma noite e no próximo dia estaríamos na Aldeia.

Eu achei muito estranho pois não era para levar tão pouco tempo para chegar naquela Aldeia.

Então eu lembrei que eu passei o resto do dia desacordado após a batalha contra a Grande-Harpia.

Myuka tinha um pouco de conhecimento em magias de cura e cuidou de mim enquanto eles viajavam comigo desmaiado, enquanto Taime cuidou do meu corpo durante as poucas batalhas que ocorreram.

Eu fiquei espantado do começo, mas acabei me aliviando já que no fim deu tudo certo.


Nós chegamos na Aldeia Marima no final da tarde do quinto dia.

Já estava começando a ficar escuro e a beleza da Aldeia iluminou meus olhos e perfurou minha mente.

Quando eu coloquei meus olhos na Aldeia pela primeira vez eu desacreditei no que eu estava vendo.

Não era grande, pois era basicamente do mesmo tamanho de Khuma, mas era totalmente diferente.

Havia árvores diferentes dentro da aldeia, parecidas com as Sequoias-Gigantes de meu mundo original, elas só não eram tão altas, e suas folhas estavam amareladas.

Essas árvores eram tão largas que era possível construir cômodos dentro delas.

Também existiam construções em cima das árvores, abaixo de suas copas, com pontes de corda e madeira interligando-as e pontes e escadas ligando-as ao chão.

Em quase todo lugar existiam objetos parecidos com alguma fruta que emitiam uma luz fraca, como uma vela.

Eu podia sentir que essas "lâmpadas" emitiam uma fraca magia, então imaginei que eram mágicas.

As grandes árvores também emitiam magia, só que era muito mais intensa.

Meus sentidos ficaram perdidos quando eu cheguei na aldeia, pois muita magia estava em minha volta.

Até fiquei preocupado que esse excesso de magia me faria mal, mas eles plantavam Kojo e eu também acabei me acostumando com a sensação em algumas horas.

Assim eu pude reabastecer meu estoque de Kojo, trocando por frutas, plantas e ervas que eu havia recolhido durante a viagem.


Nossa estadia na Aldeia duraria pouco e na manhã seguinte nós já estaríamos na estrada novamente.

Aquela não era a aldeia natal de Myuka, mesmo assim ela parecia conhecer bastante gente da aldeia e logo ela apareceu conversando com uma porção de Elfos.

Ela me apresentou seus conhecidos, além de alguns animais.

Os Elfos da Floresta amavam os animais de maneira diferente de qualquer outro ser.

Não era permitida a caça de animais nem o consumo de carne no perímetro da aldeia e os caçadores da aldeia caçavam apenas monstros.

Todos os Elfos de lá eram visualmente parecidos com Myuka, com cabelos que variavam entre loiro, castanho ou ruivo, e da mesma maneira que acontecia em Khuma, todos os Elfos tinham os olhos da mesma cor, no caso deles era alaranjado iguais aos de Myuka.

Por ser difícil conhecer um Elfo Negro menor de 12 anos, eu chamei um pouco de atenção.

Diferente dos Elfos Negros, os Elfos da Floresta eram bastante ativos e alegres, alguns deles andavam por entre as árvores cantarolando e dançando, algo que nunca seria visto na Vila Khuma.

Os Elfos Negros eram relativamente alegres e felizes com seu estilo de vida, mas eles eram mais sérios que esses Elfos, dançar e cantarolar era uma coisa difícil de se ver em Khuma.


A aldeia finalmente tocou minha alma com um ar de fantasia que ainda não havia caído a ficha para mim.

Eu realmente estava em outro mundo, totalmente diferente do planeta terra.

A Vila Khuma parecia uma aldeia indígena e a cidade de Trucia era um vilarejo medieval comum, parecido com o da terra.

Mas no caso dessa aldeia, era impossível encontrar qualquer coisa parecido na terra.

Um enorme sentimento de satisfação e felicidade tomou conta de mim, e finalmente fiquei realmente feliz por estar viajando.


— Então você é um Elfo Negro com espírito aventureiro, hm? — Quando menos percebi eu estava conversando com alguns Elfos da aldeia. — Isso é incomum, nunca vi um Elfo Negro assim.

— É verdade. Última vez que eu vi um Elfo de Khuma foi em uma batalha contra os renegados a algumas dezenas de anos. — Disse outro Elfo da aldeia. — Mas eles eram bem quietos e tímidos, embora ótimos combatentes.

— Além disso. Um Elfo Negro usando uma espada? — Perguntou uma elfa que também estava na conversa. — Ouvi dizer que eles não gostavam de espadas.


Embora houvesse muitas perguntas sobre mim, eu não estava incomodado com a situação e continuei conversando com o povo de Marima.

Algumas crianças da aldeia que brincavam por perto pararam e ficaram me observando com os olhos brilhantes.

Era interessante a diferença de costumes entre Khuma e Marima, mesmo estando tão próximas uma da outra.

Enquanto em Khuma os caçadores e fazendeiros eram importantes para os Elfos Negros, os cantores e artesões eram importantes para os Elfos de Marima.

Além, claro, dos animais.

Havia animais por todo o lado de Marima.

Era como se eles fossem cidadãos da aldeia.

Eles não eram tratados como animais de estimação, mas sim como amigos.

Eles me disseram que não, mas parecia que eles podiam conversar com os animais.

Então eles me explicaram que eles conseguiam entendê-los, por isso eles eram tão próximos.


No fim eu não consegui admirar toda tamanha beleza da cidade e já era noite e precisávamos dormir.

Nós dormimos em um estabelecimento da cidade, preparado para receber viajantes.

Algo como um hotel e que era construído dentro de uma das grandes árvores.

Também não havia custos para a hospedagem, só pela refeição, porém apenas o comerciante e seus guardas podiam pousar nesse estabelecimento.

A sensação de estar dentro dessa construção era diferente.

Mesmo assim a noite era fria como na cidade humana e mais uma vez eu senti um pouco de saudade do aconchego da minha cama em Khuma.

Dessa vez eu demorei para conseguir pegar no sono, por conta de estar muito animado, mas também estava cansado e quando consegui pegar no sono acabei dormindo profundamente.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Agradeço profundamente qualquer apoio.