A nova vida de uma alma sem lembranças
2 Capítulo 2 - Onde estou?
Notas iniciais
Acho que faz mais ou menos um mês desde que eu renasci.
Não sei ao certo, pois é difícil contar os dias com a rotina de um bebê.
Eu acordo com fome e minha mãe me alimenta, depois de beber meu leite eu sinto sono e volto a dormir.
Então eu tentei contar as vezes que minha mãe dormiu, só que isso não é garantido, pois as mães também não dormem corretamente quando estão com um filho recém-nascido.
Eu até tento não dar muito trabalho para ela, mas é natural a preocupação dela por mim, já que eu não choro para pedir por comida e ela teria que ficar adivinhando quando eu acordei.
Por isso quando eu acordo eu procuro chamar a atenção de alguma maneira para ela perceber.
Agora eu consigo enxergar um pouco melhor as coisas ao meu redor.
Só que com esse meu corpo não tenho forças para sair andando por aí.
O corpo de um bebê é realmente bem inútil.
Embora eu ache que a biologia por trás do nascimento de uma criança seja uma coisa maravilhosa, eu tenho a mente de um adulto em um corpo de um bebê, então isso é um incômodo.
Ou eu tenho sido carregado por minha nova mãe ou fico deitado em minha cama.
Acredito que eu tenha um ou dois irmãos mais velhos.
Ou melhor, há sempre uma ou duas crianças por perto nessa casa. Então deve ser um irmão e um amigo ou dois irmãos.
Eles parecem ter a idade bem próxima, por isso eu ainda não tenho certeza.
Além disso, eu ainda não entendi o idioma que é falado aqui.
Não se parece com nenhum idioma que eu me lembre.
Não que eu conhecia muitos idiomas.
Será que eu originalmente nasci em um lugar que não falava português e depois de um tempo me mudei?
Eu me lembro do idioma do país que eu vivi, mas eu conseguiria identificar e saber qual era alguns outros idiomas de alguns outros países.
Se eu escutasse alguém falando em mandarim, coreano, japonês, inglês ou algum idioma de origem latina eu acredito que saberia qual é, mesmo não entendendo.
Por esse idioma que eu escuto as pessoas ao redor falar eu poderia dizer que estou em algum país pequeno que tem um idioma não muito conhecido, pois eu nunca ouvi falar, além da etnia das pessoas daqui, principalmente da minha mãe que está sempre por perto, é muito estranho para mim, já que a pele dela é um pouco escura como um indígena sul-americano, com os cabelos ondulados, cheios e volumosos como de um escandinavo, e com uma cor preta bem escura, dependendo da luz ele parece ter um brilho azulado.
Seus olhos são castanhos, mas me parece ter um tom de cor estranho um pouco avermelhado do qual eu não me lembro de nada parecido, além de ter um formato um pouco asiático, como um indiano ou tibetano.
Mas eu não sei se minha visão ainda não está desenvolvida completamente e se só parece ter essa cor diferente.
Há também uma outra coisa me faz acreditar que é em algum lugar da remoto, pois os móveis da casa são bem rústicos, feito principalmente de madeira e argila.
A casa é feita de madeira, argila e tijolos.
Não encontrei coisas feitas de ferro.
Também não vejo nada feito de vidro ou de plástico.
Muito menos algo tecnológico.
Obviamente, não há energia elétrica.
Acho que em algum lugar do continente africano ou asiático deve haver condições assim, mas eu realmente não sei sobre isso.
A casa é muito simples e os móveis parecem ser bem antigos.
Tudo é de madeira.
Apesar disso os panos são belos e bem coloridos.
A roupa também é simples.
Minha mãe basicamente usa apenas alguns pedaços de pano enrolados em seu corpo.
Nada parece ser costurado.
São como as roupas gregas da antiguidade.
A iluminação é bem escassa, mas sempre é iluminado o suficiente para enxergar tudo que há por lá.
Embora eu acredite que minha visão ainda não esteja tão boa, então não posso ter certeza.
A luz do sol é muito bem aproveitada e durante o dia não se precisa de nenhuma outra fonte de luz.
Durante a noite apenas fogo é usado para iluminar, como velas, tochas e uma lareira.
Não há algo como lamparinas ou candelabros, pois até então não vi nada feito de metal.
Dentro da casa minha mãe não usa calçados.
Ela está sempre descalça e parece não se importar com isso, mesmo que o chão seja de terra.
Minha mãe e irmãos deixam seus cabelos do mesmo jeito.
Sempre cumpridos.
Mas minha mãe mantém ele solto, usando algumas tranças, enquanto meus irmãos prendem o cabelo com um rabo para baixo do pescoço.
A casa também não é muito grande.
Eu acho.
Acredito ter visto todos os cômodos da casa até agora.
Há uma sala onde está a porta que vai para fora.
Como se continuasse a sala, sem nenhuma divisória, fica uma mesa para as refeições.
Em um canto da sala há três portas, cada uma delas leva a um quarto.
A porta da esquerda é do quarto dos meus pais, que é o maior quarto da casa.
A porta do centro é do quarto dos meus irmãos.
E a porta da direita é o meu quarto.
Creio que o meu quarto e o quarto do meio têm o mesmo tamanho.
Em outra parede da sala tem outra porta, essa um pouco maior que as portas dos quartos.
Lá está a cozinha.
Também como uma continuação do cômodo, a lavanderia fica em um canto da cozinha, com uma porta própria para o exterior da casa.
Eu ainda não fui para fora dessa casa em nenhum momento.
Nem tive muitas oportunidades de ver pelas estranhas janelas redondas.
Só posso imaginar como é o exterior.
Mesmo assim há coisas estranhas e destoantes.
Como é o caso dos panos.
Eles estranhamente parecem ser de qualidade.
Minha própria roupa é bem macia e confortável.
Embora não saiba se possa dizer com precisão, já que eu não me lembro das sensações de tocar uma roupa em minhas memórias.
Só que comparado à simplicidade dos móveis e o tamanho da casa, não faz sentido a roupa ser feita com panos tão bonitos e ainda nem sequer estarem costurados.
Outra coisa destoante são os alimentos.
Por enquanto eu não tomei nada diferente do leite que me é dado.
Mas eu sempre vejo carne em casa.
Provavelmente é bem racionado, pois minha mãe e meus irmãos são bem magros.
Porém carne não é algo difícil de se ver na mesa de pessoas mais simples?
Eu não consigo entender.
Eu devo ter nascido em algum povoado próximo de alguma fazenda.
Parece algum lugar bem distante da civilização.
Pois as coisas parecem bastante rústicas por aqui.
Espero não ter nascido em uma família muito pobre, isso dificultaria muito a minha vida.
Apesar de não saber se eu era pobre ou rico em minha vida anterior.
...
Espera! O que estou pensando?
E se eu nasci em uma família pobre? Qual o problema?
Eu trabalharei duro para tirá-los da miséria.
Farei o meu melhor para ser o orgulho de minha nova família.
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