A nova vida de uma alma sem lembranças
48 Capítulo 48 - Treino, aula e aprendizado.
Notas iniciais
Logo depois que eu deixei a praça e não podia mais ver Mayi, Myuka apareceu com um sorriso travesso e saltitante.
Eu reparei a diferença de comportamento dela entre ela estar trabalhando como guarda de carga e quando ela não está.
Quando eu estava trabalhando com ela, ela estava sempre alerta e quase o tempo todo séria.
Mesmo que ela brincasse e contasse piadas e histórias na guarda, ela não agia dessa maneira travessa e saltitante.
Agora ela está tão solta que parece até uma criança feliz.
Mas eu não me incomodo e acho isso legal.
É um lado que eu não esperava dela antes.
— E aí, Dinus. Como foi o reencontro?
— Foi ótimo. Não tenho nem como te agradecer por fazer isso possível tão rápido. — Eu respondi sorrindo.
— Então quer dizer que você vai ajudar o príncipe, hein? — Ela abaixou e falou baixinho perto de mim.
— Você escutou isso? Estava espiando?
— Mas é claro! Eu queria saber tudo que vocês conversariam. — Myuka voltou a ficar de pé normalmente, olhando para o céu.
— Então por que você não ficou conosco?
— Você não falaria tão abertamente algumas coisas se eu estivesse lá. — Ela sorriu como se caçoasse de mim.
— Bom... Tanto faz.
— E o que é essa coisa importante que ela quer te falar, hein? Estou curiosa. — Ela ainda olhava para o céu.
— Eu também estou curioso. Mas de todo jeito, muito obrigado por isso. Reencontrar Mayi foi muito bom. — Então eu a peguei desprevenida e abracei Myuka.
Ela parou de se mover.
Foi a primeira vez que eu a abracei sem que ela estivesse abaixada na minha altura, então eu basicamente abracei as pernas dela e minha cabeça ficou na altura de sua barriga.
Ela passou a mão na minha cabeça.
— Que bom que você gostou. — Ela parecia estar sem jeito. — Agora vamos. Você vai se atrasar para o seu treino.
Eu apenas respondi com um sorriso travesso de volta.
Myuka foi almoçar e eu fui para o meu treino.
Agora eu teria que comer na casa do mestre.
Não sei o que Myuka fará agora, já que conseguiu encontrar Mayi.
Talvez ela faça mais visitas nas casas de Kurio e Louyi.
Ou talvez ela arranje alguns serviços enquanto ela espera seu colega se recuperar.
Não adiantava eu ficar pensando sobre isso.
O treinamento hoje foi puxado como o outro.
Mas dessa vez eu fui sentir a exaustão nas minhas pernas 3 horas depois de começar.
Como eu almocei na casa do mestre, eu senti que tinha mais energia sem que enchesse minha barriga.
Mas a comida não era gostosa não, era apenas comestível mesmo.
Ele também me fez fazer mais força e foi mais rigoroso na correção da postura das minhas bases.
Eu estava ansioso para praticar com a espada, mas eu sabia o quão importante esse tipo de base era para o futuro e que eu devia levar muito a sério.
Necifran também ensinou alguns movimentos de esquiva com algumas das bases.
Mas minha base era dura e eu não conseguia mexer bem para esquivar estando na base.
Talvez mais para frente eu melhore isso e a esquiva se torne mais natural.
Ele disse: "Defender-se é bom, mas esquivar-se evita que você e sua arma sofra qualquer dano, além de lhe dar muito mais oportunidades de contra-ataque."
Então a esquiva era mais importante que o bloqueio.
Mas ele disse que existiam bloqueios que abriam a guarda do inimigo e que o uso da esquiva e do bloqueio deveria ser estudado durante o combate, analisando a situação e aplicando o melhor para aquele momento, por isso eu teria que aprender os dois até que eles tornassem naturais e espontâneos.
O treino chegou ao fim, minhas pernas não respondiam mais aos meus comandos.
Eu até conseguia andar, mas tudo doía e meus músculos estavam tão duros que dificultavam o movimento.
Necifran me deu um chá para beber.
Não era gostoso, mas eu senti meus músculos relaxarem um pouquinho e a dor passar bem pouquinho.
Aquilo era algum relaxante muscular?
Isso não seria ruim?
Até onde eu me lembre, tomar relaxante muscular depois do treino não é bom para os músculos.
Mas como ele era um dos melhores espadachim do mundo, ele devia saber o que está fazendo, então acho que é melhor acreditar que está tudo bem.
O dia terminou, Myuka não apareceu na estalagem até a hora que eu fui dormir.
Eu acordei no dia seguinte com um pouco de canseira muscular ainda.
Mas eu estava bem o suficiente para ir para a escola.
A aula hoje foi normal.
Finalmente contei para as crianças sobre o combate contra a Grande-Harpia.
Não falei que Louyi desmaiou, mas disse que ele foi arremessado para longe e que o quarto membro derrotou com um golpe misterioso a Grande-Harpia, mas depois ele desmaiou.
Não era de toda mentira, pois eu mesmo não sei exatamente como eu fiz aquilo.
Eu agi por impulso e por medo, então seria difícil reproduzir naturalmente aquele golpe.
Mas as crianças ficaram maravilhadas com a história.
Seus olhos brilhavam e elas me olhavam com desejo de estar no meu lugar.
Esperem só até eu contar sobre os Renegados e sobre o dragão!
No fim da aula, eu perguntei para a professora se ela poderia me ensinar um pouco sobre história e geografia.
Eu tinha certeza de que estava atrapalhando a vida dela, mas minha vontade de aprender superava o receio dessa vez.
Ela combinou comigo de ficar até a outra professora chegar para me ensinar um pouquinho por dia.
Eu contei que estava treinando espada, então nós combinamos de fazer isso apenas quando eu não tivesse treino.
Hoje ela me explicou o que ela aprendeu sobre a criação do universo, Oriohn e todos os seres vivos.
Basicamente a mesma história que Myuka me contou uma vez.
Eu não disse para a professora que eu já havia escutado essa história e deixei ela contar tudo novamente.
Principalmente para ver se existia alguma diferença entre o que Myuka me contou e o que ela me contaria.
Mesmo assim Mayuna disse que eu devia ter nascido já sabendo sobre isso e que ela mesma aprendeu de outro Elfo quando ela era nova e estava no treino mágico.
Expliquei para ela que eu nasci diferente dos Elfos normais e que provavelmente era por isso que eu gostava de viajar, diferente dos outros Elfos Negros, então eu não nasci sabendo sobre Yan e Oda.
Ela sorriu e concluiu a história.
Alguns minutos depois a outra professora chegou e nós fomos embora.
Esse dia eu passei inteiro sentindo o cansaço muscular.
De tarde eu pratiquei bastante a escrita, continuando a escrever aquele "Diário" que eu havia começado.
Eu escrevi sobre o dia que eu descobri que eu não era humano e sobre Oriohn.
O cansaço tomou conta da minha vontade e disposição, e eu fui dormir bem cedo esse dia.
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