A nova vida de uma alma sem lembranças

13 Capítulo 13 - O grande teste.


Notas iniciais
Postagem: 2020/07/15 20:45 Revisão: 2025/12/11 15:16

Quase um mês se passou desde o incidente com o monstro lobo.

Eu fiquei esse período em casa repousando e quando eu voltei a caçar eu descobri que o Lobo de Chifre é um monstro bastante forte e bem difícil de ser abatido.

Não é raro que as vezes algum Elfo morria durante o confronto com um par desses lobos se os enfrentasse sozinho.

Mas ele é um monstro fácil de ser rastreado e geralmente os Elfos caçam esse monstro na espreita, abatendo-os sem se arriscar tanto.

Acontece que aquele dia eu havia entrado muito fundo na floresta e eu estava quase saindo do nosso território.

Naquele caso o Lobo estava fora da área que os Elfos geralmente caçam e foi atrás de mim quando sentiu meu cheiro.

Foi um raro acontecimento em que um não adulto conseguiu abater um Lobo de Chifre sozinho.

Então vários dos meus colegas estavam felizes de me ver de volta na floresta e voltando a caçar.

Houve muitos que me parabenizaram pelo feito.

Eu voltei a caçar com os adultos normalmente, mas com o aviso de não me afastar tanto da aldeia, pois eu poderia não ter a mesma sorte novamente.


Algo em torno de um ano se passou depois disso.

Eu já tinha mais de 8 anos.

Meu pai me chamava para as caçadas a monstros pequenos agora.

De alguma maneira eu havia conseguido uma espada.

Era uma espada curta, mas para mim era bem grande e pesada.

Quando eu lutei contra o Lobo de Chifre eu senti falta de uma espada.

A lança era muito grande e desajeitada para mim.

Como os Elfos não tinham o costume de lutar, só caçar, eles não usavam a espada, então eu não tinha com quem aprender o uso correto da espada.

Mas eu sabia algumas coisas sobre as artes marciais de minha vida passada, não na prática, apenas na teoria, também treinava com pedaços de madeira com meu pai.

Meu pai entendeu minha vontade de aprender a usar a espada, então ele me ajudou no treinamento.

Mesmo não sabendo usar a espada, ele tinha muita noção de combate e pôde me ajudar a praticar.

Eu não posso dizer que fiquei bom nisso, mas seria uma outra arma que eu poderia usar em alguma necessidade.

Meu instinto de sobrevivência gritou forte quando eu estava sem a lança e o arco não me parecia muito útil.


— Você está ficando bom, em breve eu não poderei te ajudar em seu treinamento com espada. — Disse meu pai enquanto treinávamos.

— Nunca há limite para a prática. — Eu respondi, reagindo aos golpes dele.

— A prática tudo bem, mas você não melhorará se não aprender algo novo, de alguém que sabe. — Ele me deu um golpe forte, do qual eu defendi, mas me surpreendeu.

— O que quer dizer com isso? Você me arrumou um professor de espada? — Perguntei revidando.

— Eu não fui tão longe. — Respondeu meu pai com um riso.


Então ele se afastou, saindo do meu alcance de ataque, fincou a espada de madeira que nós fabricamos juntos no chão, enxugou o suor na testa e olhou com seriedade para mim.


— Sua mãe e eu tivemos uma conversa ontem anoite. — Ele começou a dizer enquanto se apoiava na espada de madeira. — Eu acredito que você já pode viajar como desejado.

— É sério? — Eu disse apressado.

— Calma aí, eu não terminei. — Meu pai fez uma cara feia. — Sua mãe não concorda. Acabamos de receber a notícia que seu irmão terminou o treinamento, logo ele voltará para a vila. Eu tentarei encontrar um monstro para realizar um teste.

— Teste?

— Você lutará novamente sozinho contra um monstro. Nós estaremos de guarda e prontidão para te defender caso não consiga, mas se você conseguir derrotar outro monstro sozinho, com testemunho de vários outros caçadores, eu vou conversar novamente com a sua mãe.

— Hm. É inteligente, mas a mãe concordará?

— Eu dou meu jeito. — Meu pai soltou um sorriso com isso. — De qualquer maneira, espere seu irmão voltar para dá-lo as boas-vindas. Ele começará o treinamento de caçador também.


Então ficou acertado que a próxima vez que rastrearem um monstro não muito fraco, eu seria chamado para abatê-lo sem ajudas.

Se eu conseguisse, eu receberia a liberdade de viajar sozinho.

Eu sinceramente achei que eles não me deixariam viajar até eu completar 12 anos, mas acredito que eles começaram a considerar mais cedo que o esperado por conta do lobo.

Até meu irmão voltar não foi rastreado nenhum monstro compatível, ou era muito fraco ou muito forte.


Então meu irmão voltou.

Ele já sabia magia.

Ele também surpreendeu a todos com a facilidade de aprendizado.

Ele já chegou sabendo magia de vento e de fogo, e logo ele aprenderia usá-los na caça.

Ele já sabia como usar a magia de acelerar a flecha, de incendiar a flecha e de explodir a flecha no impacto.

Para caça de animais só a flecha acelerada é útil, mas para caça de monstros as outras duas também são bastante importantes.

Acredito que um dia meu irmão será um caçador muito melhor que eu.


Quase um mês se passou de calmaria até que um monstro apareceu.

Dessa vez foi um Urso de Espinhos

Ele parecia um grande urso com os pelos de um porco espinho.

Como de costume suas patas ostentavam enormes garras, das quais também eram usadas para fazer armas por outras raças, então nós extraíamos essas garras e os espinhos para comércio.

Minha missão era derrotar o monstro sem danificar as partes comercializáveis.

Semanas antes meus companheiros de caça me ensinaram uma técnica de rastreio.

Parecia ser uma magia mista de vento que trazia até o conjurador algo como zumbido na direção que estava o monstro.

Como qualquer outra magia, existia um encantamento, da qual era bem curto comparado as outras magias que eu já havia visto, mas logo eu dominei sem necessidade de recitar.


Nós todos saímos para caçar esse monstro, vários caçadores veteranos e meu irmão que foi assistir uma caçada de monstro pela primeira vez.

Dos monstros que poderia aparecer nessa floresta, o Urso de Espinhos estava atrás apenas do Lobo de Chifre em dificuldade, por ser solitário.

Logo eu senti a presença do monstro.

Seus olhos emitiam um leve brilho roxo igual ao lobo e a coruja.

Senti um calafrio na espinha mesmo antes de avistar o monstro.

O grupo chegou sorrateiramente e cercou o monstro pelos galhos das árvores sem que o urso percebesse.

Apenas eu fiquei no chão.

Eu não poderia usar um ataque surpresa para passar no teste, eu teria que chamar a atenção do monstro e lutar com ele de frente.

Logo que me aproximei, o urso sentiu meu cheiro, se virou e começou a correr para me atacar.

Mesmo que eu quisesse eu não conseguiria atacar de surpresa mesmo, pois eu não era tão furtivo quanto meus colegas.

Eu preparei uma flecha ao mesmo tempo que meus joelhos tremiam com a corpo enorme do monstro crescendo em minha direção.

Percebi que todos os outros estavam com flechas preparadas para me ajudar caso parecesse necessário.

Eu não sabia a magia de acelerar a flecha igual ao meu irmão, pois não havia me ensinado.

Era apenas minha força física e habilidade contra a brutalidade daquele monstro.


Eu atirei uma flecha no olho do monstro, mas ele conseguiu prevenir a flechada com uma patada.

De qualquer maneira a flecha fincou na pata dele e atrasou a investida que ele fazia em mim.

Mas ele já estava bastante perto de mim, então eu tentei atirar a minha lança.

A lança atingiu o ombro do urso, no mesmo lado que a flecha atingiu sua pata.

O urso urrou de dor e abaixou para me atacar.

Um medo enorme tomou meu coração naquele momento.

A única coisa que eu pensei foi usar a minha magia para sobreviver.

Mas me neguei a me entregar ao medo.

Junto ao saque de minha espada, eu pulei em direção ao monstro e lancei um corte na garganta dele.

O corte foi letal, apesar de parecer superficial, o enorme urso caiu inconsciente no instante seguinte.

Flechas chegaram ao corpo dele no instante seguinte.

Elas haviam sido disparadas logo antes de eu sacar minha espada.

Os Elfos acreditaram que eu não conseguiria derrotar o monstro tão próximo e atiraram para me proteger.

Também perceberam o cheiro de medo que estava vindo de mim.

A maioria percebeu meu movimento com a espada só após atirar a flecha.

Mesmo assim todos viram o meu movimento e avaliaram meu combate.

Eu passei no teste.

Mas minhas calças estavam molhadas de maneira vergonhosa.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Agradeço profundamente qualquer apoio.