A nova vida de uma alma sem lembranças

12 Capítulo 12 - Matar ou morrer.


Notas iniciais
Postagem: 2020/07/15 01:05 Revisão: 2025/12/11 15:16

Mais alguns meses se passaram desde o último incidente.

Eu passei a ficar mais ativo nas caças com os adultos.

Houve mais um caso de monstro do qual eu participei, mas foi um monstro rato não muito grande e eu até consegui acertar algumas flechadas no monstro.

Era um enorme rato do tamanho de um gato.

Provavelmente era a versão corrompida do animal que foi minha primeira caça.

Esse monstro foi identificado antes pelos caçadores, então meu pai me chamou para participar da caçada para me acostumar melhor com os monstros.

Geralmente alguém da minha idade não faria isso, mas meu pai tinha certo orgulho de mim e gostava de me treinar mais do que o comum.


Então finalmente chegou o aniversário de meu irmão.

Ele fez 12 anos de idade e estava deixando o vilarejo para treinar magia.

O tempo que ele ficaria fora dependeria de quanto tempo ele demoraria para aprender a controlar o básico da magia.

O restante ele poderia aprender durante a vida e no vilarejo, mas o básico já era tradição se aprender com os humanos da cidade vizinha.

Além disso nós aprendíamos sobre os outros seres durante essa época, então o povo do nosso vilarejo tratava isso como se fosse um ritual.

Uma grande festa foi feita para ele.

A minha festa de 6 anos e nem a festa dele de 6 foram tão grandes.

Não pela quantidade de pessoas, mas pela quantidade de comida.

Foi realmente muito bom ter tanta variedade de comida daquela vez.


Então logo eu faria 7 anos.

Eu já estava mais avançado na caça que a maioria dos jovens de menos de 18 anos.

Não era tão bom quanto os adultos, mas eu conseguia acompanhá-los.

Talvez em mais algum tempo eu conseguiria me virar sozinho e meus pais me deixariam viajar para outros lugares.

Então eu comecei a praticar mais ainda.

Saía para caçar sozinho ou em dupla e me esforçava ao máximo para obter os melhores resultados.

Até que aconteceu um incidente.


Pouco tempo após eu completar 7 anos, eu estava caçando sozinho, quando encontrei com um monstro.

Era um monstro lobo.

Ele possuía um cumprido chifre na testa, reto e apontado para trás.

Seus pelos eram espetados e duros como espinhos, da mesma maneira que acontecia com a coruja.

Suas patas eram desproporcionalmente grandes e as garras afiadas pareciam facas.


— Monstro! Monstro! — Logo que eu notei a presença dele eu gritei o mais alto que pude.


Mesmo assim, até alguém aparecer eu teria que sobreviver.

Então o monstro me atacou.

Eu consegui atirar uma flecha nele antes de seu enorme corpo chegar a mim.

Porém a flecha atingiu os pelos dele e se desviou sem infligir dano ao corpo.

Foi defletida como se o pelo dele fosse uma armadura natural.

Logo eu entendi que era preciso atingir algum ponto específico dele e não teria tempo de reação para atirar uma segunda flecha antes de ele chegar a mim.

Então eu pulei para o lado em uma rolagem para desviar da investida do lobo.

Ele passou reto e logo se recuperou para atacar novamente, por isso eu joguei o arco e peguei a lança em minhas costas.

A minha lança era pequena comparada ao dos adultos, mas era de tamanho perfeito para que eu utilizasse.

O arco seria inútil naquele momento, só que eu planejava me manter próximo dele para caso precisasse.

Mas eu não tive muito tempo para pensar e o corpo enorme do lobo já estava próximo novamente.

Eu me joguei no chão com um pulo para trás para desviar da segunda investida dele e tentar um contra-ataque.

Eu tentei atingir o pescoço dele com a lança assim que ele passasse por mim.

Porém eu não consegui atingir em um bom ponto e a pele dele acabou o protegendo do meu ataque novamente.

Logo em seguida, quando eu já estava me levantando para preparar para a próxima investida do lobo eu escutei o zunido de flechas se aproximando.

Instantes depois 3 flechas atingiram o lobo com uma velocidade absurda.

Alguns Elfos já estavam se aproximando de mim e conseguiram atirar com precisão no lobo.

Infelizmente, mesmo penetrando o corpo dele, o pelo bloqueou e protegeu a maior parte do dano ao monstro.

Foi então que eu percebi que o lobo tirou o foco de mim em um instante.

Eu aproveitei a pequena oportunidade com a distração e atirei minha lança na direção do rosto dele enquanto corria para pegar meu arco novamente.

A lança atingiu a cabeça do lobo e conseguiu cortá-lo, mas não parou o lobo, que voltou a me atacar.

Antes que eu conseguisse chegar no arco o lobo já estava me alcançando.

No calor do momento a primeira coisa que eu pensei foi usar minha magia de água o mais forte possível para segurar o lobo até pegar o arco.

Então eu estendi minha mão esquerda para o lobo e, sem recitar a magia, eu usei jato d'água com tudo, enquanto estendia minha mão direita para pegar o arco.

A magia saiu com tanta força e atingiu o lobo com tanta pressão que ele foi arremessado e atingiu uma árvore.

Então eu percebi a força da minha magia.

Eu até cheguei a pegar meu arco, mas o lobo já estava morto.

Observando o cadáver do monstro, notei que minha magia deixou vários machucados no corpo dele, além de mais algumas flechas que os elfos atiraram em algum momento.

Não sei se com aquela magia eu derrotei o lobo, mas testei no cadáver dele e eu conseguiria perfurar os pelos dele com a mesma magia, apenas ajustando a intensidade e grossura do jato de água da magia.

Instantes depois os reforços chegaram e me encontraram ajoelhado ofegante e o lobo morto.

Meu pai estava entre eles e em seu rosto estava uma clara mistura de preocupação com admiração.

Ele se aproximou devagar para verificar se eu estava bem.


— Filho. Você está bem? Está doendo em algum lugar?

— Eu estou bem pai. — Então eu tentei me levantar, foi quando percebi que eu havia me ferido. — Ai!

— Não se mexa, você tem um corte enorme em seu ombro.

— Targo. Está tudo bem? — Outros Elfos se aproximaram.

— Preciso de pano, rápido. — Pediu meu pai, me pegando no colo.

— Eu consegui pai, acho que eu derrotei um monstro sozinho. — Eu tentei aliviar um pouco a situação.

— Eu vi filho, você foi demais. Agora fica quieto que eu vou...


Então eu desmaiei.

Acordei em casa.

Já era noite quando eu consegui me levantar.

Meu ombro estava enfaixado e eu sentia que havia colocado alguns remédios no meu machucado.

Eu devo ter me machucado quando ataquei o lobo com a lança por baixo.

Quando eu me levantei, eu estava sozinho no meu quarto.

Meus pais estavam na sala, preocupados, com o médico da aldeia conversando com eles.

Quando eu apareci na sala eles se assustaram, mas logo ficaram aliviados.


— Você devia estar deitado. — Disse minha mãe com os olhos inchados e cheios de lágrimas.

— Eu me sinto bem melhor, mãe. Obrigado por cuidar de mim e desculpe pelo trabalho que eu dei.

— Como eu estava dizendo, o corte é superficial. Ele apenas perdeu bastante sangue, mas o sangramento já está estancado e com um bom descanso e uma boa alimentação ele logo irá se recuperar. — Completou o médico.

— Eu disse, querida, que o nosso filho é durão igual ao pai. — Disse meu pai, mas era claro em seu rosto que ele também estava chorando a pouco tempo.

— Obrigado Miluce, por cuidar dos meus ferimentos. — Eu agradeci o médico.

— Foi um prazer atendê-lo, jovem Dinus.


Então o médico se despediu e deixou a nossa casa.

Minha mãe parecia querer me abraçar, mas ela também parecia ter receio de encostar em mim e abrir minha ferida, então eu fui até ela e a abracei devagar.


— Eu vou ficar bem mãe. — Ela me abraçou de volta.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Agradeço profundamente qualquer apoio.