A nova vida de Annabeth Chase- HIATUS
14 Capítulo 27
Notas iniciais
Annabeth chegou tarde em casa, isso evitaria mais sermões da parte da mãe. Felizmente, a mulher estava adormecida no sofá, a cadeira de rodas ao seu lado. Luke deveria estar tomando banho, o barulho da água do chuveiro sugeria isso.
Havia contado brevemente sobre as brigas da família para Thalia e os outros amigos ,mas apesar dos pedidos deles, ela teve de voltar para casa. Estava exausta, o corpo dolorido devido ao dia de trabalho.
Caminhou até seu quarto, jogando-se na cama. Tomara banho na escola, após o trabalho. A zeladora não ficara muito feliz, mas não fez nada para impedir a loira.
Pegou o celular, checando se Percy havia enviado mensagem. E lá estavam dez mensagens não lidas, todas do rapaz. Annabeth sentiu o coração palpitar dentro do peito, não se falavam desde que ela a “salvara” de Atena.
“Oi, desculpe a demora” Digitou ela, rapidamente.
A resposta do moço foi instantânea.
“Sem problemas. Como foi a aula?”
“Ah, a mesma coisa de sempre. O que está fazendo de bom?”
“Falando com você. Ah, e observando os prédios à distância”
Annabeth corou, agradecendo por não estar falando com ele pessoalmente. Não queria parecer uma garotinha apaixonada.
“ Que bom. Eu estou escondida no quarto, agradecendo por minha Mãe estar dormindo. Tenho certeza de que em breve ela acordará e me dará um sermão sobre internatos na Suécia, Escócia ou qualquer outro lugar”
“Que droga. Mas por que está aí? Voltou para casa mesmo após tudo? Luke está aí, é um maluco”
“Eu sei, eu sei. Mas ela é minha mãe, Percy. Meu pai não gostaria que eu a abandonasse”
“Ele também Não gostaria que ela te mandasse para um internato para te separar dos amigos e do garoto que te ama.”
“Garoto que o quê?” Digitou ela.
“Ué, vai dizer que você não sabia?”
Ela riu. “Percy e suas percyses” Pensou.
“Posso te perguntar uma coisa?” Digitou ela.
“Claro.”
“O que somos, Percy? Quero dizer, não somos namorados, mas também não somos só amigos.”
“Tudo depende de você, Annie. Eu não hesitaria em sermos a primeira opção”.
Ela quase derrubou o celular no chão. Ouviu o barulho da cadeira de rodas da mãe e parou de digitar.
– Sabe,Annabeth, sempre me disseram que por mais ingrato que um filho seja, sempre volta para casa. – Disse a mulher. – Agora, se há uma coisa que não voltará essa coisa será sua porta do quarto caso não a abra nesse exato momento.
A menina não abriu a porta, apenas caminhou para o closet e começou a arrumar as roupas que jogara ali antes. Estavam amarrotadas, mas nada que um ferro de passar não resolvesse.
– Luke, pode abrir a porta para mim? – Pediu Atena. – Não me importo se a arrancar do batente.
– Claro. – Respondeu o rapaz.
Annabeth sentiu o peito apertar, aquele rapaz costumava ser seu amigo, sei porto seguro. Quem havia virado agora?
Ouviu enquanto Luke tentava arrombar a porta, sem sucesso. Convenceu-se de que ligaria para a Sra.Castelan assim que fosse possível,para informar que seu filho havia virado um maluco.
Antes que a porta ruísse, a loira girou a chave, abrindo-a.
– Olhe só, ela sabe abrir as coisas. – Atena zombou. – No formulário do internato colocarei isso como habilidade especial.
– Por que não coloca o fato de ter arrumado um emprego? De ter me mantido muito bem no tempo em que fiquei fora de casa? Ou melhor, por que não coloca a habilidade em suportar uma mãe maluca e um ex-amigo estranho?
Luke assumiu uma feição horrorizada,mas Atena nem se importou.
– Coitada, acha que palavras irão me ofender. Cale-se, criança, pois não irá querer discutir comigo.
– Ela não era assim. – Disse Luke. – É tudo culpa do idiota do Jackson.
Em um impulso,Annabeth lançou-se para frente, agarrando o colarinho da camisa do loiro.
– Jamais. – Disse ela, com os dentes cerrados. – Jamais ouse chama-lo de idiota, o único que merece esse título é você.
– Que desonra. – Atena disse, balançando a cabeça. – Uma Chase defendendo um dos deles. Realmente me enoja a lavagem cerebral que fizeram na minha doce filha.
Annabeth não respondeu, apenas encarou a mãe. Esperou que, após a noite anterior, a mulher ficasse brava. Mas estava estranhamente calma,como se estivesse esperando por aquilo.
– Por que detesta tanto os Jackson, Atena? – Fez questão de não a chamar de mãe. – O que lhe fizeram?
– Por que não pergunta à Poseidon? Creio que ele ficaria honrado em lhe contar.
– Você era apaixonada por ele? – Indagou Annabeth.
Atena riu.
– Vocês, jovens, sempre acham que tudo se resume ao amor. Tolinhos, existem coisas muito mais fortes.
– Então me diga algo que seja mais forte. – A menina disse. – Pode falar.
– Não vou perder meu tempo citando minha lista de coisas mais importantes. Afinal, só queria lhe fazer uma pergunta: Escócia ou Irlanda? Os melhores internatos que achei ficam lá.
– Que tal um aqui em Nova York, se chama “apartamento dos Chase”. Ouvi dizer que é controlado por uma maníaca ao lado de um rapaz idiota, é como uma ditadura militar. Recebeu ótimas recomendações.
– Guarde seu veneno para outros momentos da vida, filhinha querida. – Atena zombou. – Luke, leve-me até meu quarto.
– Sim. – Respondeu ele, empurrando a cadeira da mulher.
Annabeth fechou a porta do quarto com um barulho ensurdecedor. Estava com muita raiva.
* * *
Três da manhã.
Annabeth finalmente pôde sair do quarto, tinha certeza de que todos os integrantes da casa estavam dormindo. Foi andando nas pontas dos pés até a cozinha.
– Indo beber água, Chase? – Indagou Luke.
“Droga”. Ela havia se esquecido de que o rapaz estava dormindo na sala.
Tentou voltar para o quarto, mas ele a prendeu contra a parede.
– Já vai? Achei que estivesse me procurando. – Sorriu, seus lábios exibindo um sorriso torto. A cicatriz de uma antiga luta ficou ainda mais destacada.
Sob as pálidas luzes que entravam pela janela, Annabeth percebeu que ele tinha hematomas da noite anterior.
– Me solta. – Rosnou ela. – Sinceramente, Luke, o que está acontecendo comigo? Costumava ser meu amigo.
Ele a prendeu ainda mais, segurando seus pulsos. A respiração da garota estava acelerada, estar contra a parede a deixava fraca, vulnerável.
– Eu cansei de ser amigo, Annie. Cansei de ser o mocinho que é deixado de lado.
– Acha mesmo que sua mãe gostaria de te ver assim? E quanto ao seu pai?
– Hermes sequer se lembra de que existo. E May é uma alucinada. – Ele disse, com raiva. Os pulsos de Annabeth doíam.
– Luke, está me machucando. – Disse ela, tentando se soltar.
– Nenhuma ferida é maior do que a de um coração. – Disse ele, se aproximando.
Ela sabia o que ia acontecer, e não podia deixar. Quando os lábios de Luke chegaram perto dos seus, deu-lhe uma cabeçada tão forte que chegou a ficar desnorteada.
Deixou o garoto jogado no chão e trancou-se no banheiro, desesperada por proteção, desejando mais do que nunca que Percy estivesse ali.
Aquele não era Luke, não podia ser.Y
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