Notas iniciais
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Annabeth acordou com alguém berrando seu nome.

– Percy? – Perguntou, confusa. – Como chegou até aqui?

– Vim te resgatar, Annie. – Foi tudo o que ele disse. Tentou segurá-la no colo, mas não agüentou o peso. – Vamos, preciso que corra.

– Percy, você é louco?

Ele pegou o braço dela e saiu correndo, arrastando a garota. Ela trombou em alguns móveis e quando chegou ao lado de fora do quarto, Luke agarrou sua perna. Deu um grito.

– Me larga! – Berrou.

– Largue ela! — Percy repetiu. – Ou levará outro soco.

– Leve-a e perderá seus olhos. – Luke disse.

Percy largou Annabeth, deixando-a de lado. Levantou Luke pela gola da camisa e acertou um soco no meio da cara dele, mas o outro garoto soltou um sorriso cínico.

– É tudo o que consegue fazer, Jackson? Um único golpe? Você é um idiota.

Dessa vez foi Annabeth quem se irritou, caminhou até Luke e deu um chute em suas partes baixas, suspeitava que ele não pudesse mais ter filhos. O garoto caiu o chão, gemendo de dor.

– Nunca. – Disse, a voz tremendo de raiva – Nunca mais repita que ele é um idiota.

– Annie... – Disse o loiro.

– Sua mãe teria vergonha de quem você se tornou. Eu tenho vergonha.

Agarrou Percy pela gola da camisa e andou rapidamente até a porta de entrada, dando de cara com Atena.

– Nem ouse passar por essa porta. – A mãe advertiu. – A única pessoa que passará por ela será o Jackson. – Disse, colocando nojo no sobrenome.

– Não admito que desonre minha família. – Percy dise, firmemente. – E não admito que proíba Annabeth de sair. Ela trabalha, pode bancar-se por si mesma.

– Ela não nasceu sozinha, não aprendeu a andar sem incentivo, não está viva porque deu conta disso. Não fosse eu, já estaria morta. Não fosse eu e o pai dela, nem teria nascido.

– Não fosse você. – Disse Annabeth. – Eu poderia ser eu mesma.

Uma faísca de dor passou pelo semblante de Atena, substituída segundos depois por raiva.

– Cale a maldita boca. – A mulher se descontrolou. – E Jackson, saia da minha casa, você só serviu para desviar minha filha do caminho que preparei.

– Pois eu não saio. – Percy disse batendo os pés. – E quero ver você me tirar.

– Já que insiste...

Ela girou a maçaneta da porta do apartamento, abrindo a porta. Do lado de fora, um homem de óculos escuros, colete e carranca feia estava com os braços cruzados. Ares.

– Ares, tire esse garoto daqui.

Annabeth não sabia como a mãe tinha tido tempo de chamar Ares, e nem como ele chegara, mas sabia que não deixaria que ele tirasse Percy dali, não podia dar à mãe o sabor da vitória mais uma vez.

Correu, dando uma rasteira em Ares. O homem se estatelou no chão como uma panqueca, praguejando em uma língua desconhecida. Ela agarrou Percy e levou-o para o elevador.

– Uau! – Ele disse, passando a mão na testa. – Essa foi por pouco.

– Posso saber o que deu na sua cabeça? – A loira indagou.

Ele a encarou, seus cabelos estavam mais bagunçados que o de costume e isso o deixava mais jovem, mais desencanado. Era tão lindo... E estava tão perto.

– Eu disse que iria te salvar.

– Percy, você só piorou as coisas.

– Mas eu te tirei...

– Deixou minha mãe furiosa. Isso vai ser ruim para nós dois, ruim para o universo.

– Annie, eu não podia deixar você lá, com aqueles dois loucos.

– Minha Mãe não é louca, Percy. Só está nervosa, assim como Luke.

– Luke é um psicopata.

– Não, ele não é. Só está agindo de forma estranha, mas não é um psicopata.

– Você viu o que ele fez, Annie. Viu a ameaça. – Ele se sentou no chão do elevador, colocando a cabeça entre as pernas.

– Eu ligarei para a mãe dele, isso vai se resolver.

– Não posso deixar-te em um ambiente inseguro, Annie, não posso.

Ela abaixou-se ao lado dele, no exato momento em que as portas do elevador se abriram. Eles se levantaram e, abrindo a porta das escadas de emergência, sentaram-se. Ali seria seguro, Atena nunca imaginaria que estavam escondidos naquele local. O ambiente estava escuro, já que era necessário acender as luzes no interruptor, porém nenhum dos dois as ligou, ficaram confortáveis no escuro, contando apenas com a presença um do outro.

* * *

Hazel

– Nico, você tem que comer um pouco. — Disse a garota, batendo na porta do quarto do meio-irmão.

– Me deixe sozinho.

– Nico, você vai desmaiar se não comer. Coma pelo menos a lasanha.

– Não quero. – Ele disse.

Ela desistiu de tentar fazê-lo comer, levou o prato para a cozinha e subiu novamente para seu quarto.

O quarto de Hazel era peculiar, o papel de parede era roxo escuro com alguns diamantes brancos estampados. Tinha sido escolha de seu pai, e ela agradecera, estava imaginando que ele escolheria alguma coisa infantil e muito “menininha”.

Jogou-se no divã branco que ficava em frente à janela, afastando a cortina para que pudesse ver a rua. Lá embaixo, viu Leo Valdez e Frank jogando algo com a bola. Leo às vezes era assim, inventava algumas coisas e usava Frank como cobaia. No início, não simpatizou muito com Valdez, ele a lembrava de uma pessoa do passado, de quando ela era criança. Mas hoje em dia se davam bem, na medida do possível.

Hazel muitas vezes se sentia sozinha, não era divertida como as outras garotas, não era tão viva e alegre, saltitante. Gostava de ficar em seu canto, com a timidez. Frank se dava bem com ela, mas sempre parecia olhar de forma diferente, com algo mais do que amizade e carinho.

Ela não reclamava, ele era um fofo.

Ouviu alguém bater em sua porta.

– Entre. – Disse.

Esperou ver a figura de seu pai, mas se surpreendeu ao constatar que quem entrara era Reyna.

– Com licença. – Disse ela. – Seu pai disse que eu poderia subir sem te chamar antes.

– Não, está tudo bem.

Levantou-se do divã, apontando para uma poltrona também branca ao lado da cama.

– Quer se sentar? — Ofereceu

– Não, o assunto é rápido.

– Ok.

– Como sabe, o aniversário de Thalia está chegando, Jason pediu para que organizássemos uma festa, e eu fiquei encarregada de convidar as pessoas.

–Certo. – Disse Hazel. Percebeu uma coisa diferente passar pelo rosto de Reyna ao mencionar Jason. A garota sempre gostara do menino, mas nunca demonstrava. E agora ele estava namorando seriamente, nem poderia imaginar quanta dor ela estava passando. Como se não bastasse, ela tinha uma quedinha por Percy, que estava cego por Annabeth. Hazel não pôde deixar de ter pena.

– Então, aqui está o convite. – Disse , estendendo um convite preto para a morena, que aceitou. – É só isso. Sabe me dizer se Nico está em casa?

– Está no quarto dele.

– Posso ir até lá, convidá-lo?

– Não sei se ele vai abrir a porta, mas pode tentar. – Sorriu, mas Reyna sequer movimentou o semblante.

Foi até o quarto do rapaz, bateu na porta.

– Hazel, eu não quero comer, me deixe em paz. – Disse, por cima da música italiana que tocava. Ela tinha um tom depressivo.

– Ei, eu não ia perguntar sobre comida. Reyna está aqui, quer conversar com você. Pode abrir a porta?

– O que você quer, Reyna? – Disse Nico.

– Preciso te entregar uma coisa.

A música foi desligada, e ele destrancou a porta de quarto.

– Pode entrar.- Disse. – Digo, só a Reyna pode entrar.

Notas finais
Só a Reyna, Nicozinho? To sabendo... Bjus *-*