Assim os dias iam passando... os meses... da mesma forma : Hiro ficava me olhando, às vezes piscava o olho.

Logo chegam às merecidas férias, infelizmente aquela maldita escola teve a brilhante ideia de passarmos às ferias em um campo na outra cidade chamada Kaiora Mouler. Ficamos plantados esperando a porra do ônibus nos buscar por uma hora! Quando o ônibus chegou eu queria voar no pescoço do motorista e enfiar a cabeça dele no motor.

Eu me sentei no fundo, adivinha quem sentou do meu lado? Aquela mocreia que apanhou, seu rosto estava pior do que um dragão com febre amarela.

No meio do caminho até o inferno chamado campo Yara, o ônibus fez uns barulhos esquisitos por alguns minutos, até parar de vez.

O motorista ''pontual'' desceu e checou os pneus, os dois pneus de trás tinham furado. Infelizmente aquele viado, que além de chegar atrasado não sabe por a merda do estepe debaixo do banco!

Me levantei e fui em direção à porta, a professora tentou me segurar, mas eu mordi seu braço e ela gemeu um ''ai''. Desci e vi a onde estávamos, CA-RA-LHO! ESTÁVAMOS NO MEIO DO MATO! Chutei o pneu da frente com força.

– Alunos, se acalmem por favor! Nós vamos passar a noite aqui. Armem barracas em lugares claros.

Peguei uma barraca, Hiro perguntou se podia vir comigo e eu assenti com a cabeça, ele sorriu e nós caminhamos matagal à dentro, procurando algum lugar calmo e com bastante luz. Armamos a barraca com bastante dificuldade, pois o RETARDADO esqueceu de pegar aquelas madeirinhas que a gente prega no chão (¬¬).

A professora distribuiu comida, mas como a maioria parecia um saco sem fundo, a comida logo acabou.

Fizemos uma votação para quem iria procurar a comida, OS FILHOS DA PUTA VOTARAM EM QUEM? EM MIM E NO HIRO! OLHA QUE BELEZA!

Peguei um facão e Hiro uma lança, procuramos algumas árvores frutíferas, ouvi um barulho estranho, mas ignorei. Logo o barulho ficava cada vez mais alto e mais perto. Não vi direito, mas alguma coisa pegou Hiro e saiu correndo, eu fui logo atrás cortando as folhas e pulando pedras. As vezes notava às mesmas coisas...

– Porra... Estou perdida... Nessa maldita flo-resta...– Eu bufava de cansaço.

Andei reto, até achar uma caverna, alguns ruídos abafados vinham de lá, decidi entrar, vi algo se mexendo, talvez podia ser algum bicho selvagem... Fui caminhando cada vez mais, vi um tênis familiar... ERA O DE HIRO! Corri e cortei às cordas de suas mãos e seus pés.

– Obrigado!

– Não me agradeça! Venha, vamos sair daq...

Ouvi um estrondo enorme, umas pedras tinham caído na nossa saída. Tentei chutá-las, mas não deu certo.

– Droga!

– Podemos pedir socorro.– Hiro se aproximou e gritou — ALGUÉM NOS AJUDE!

– Ou podemos encontrar outra saída.

– Não! Vamos ficar aqui e pedir ajuda!

– Você fica aí então que eu procuro uma saída nessa maldita caverna!

Andei até o túnel da caverna, ouvia alguns barulhos, mas nem ligava, talvez podia ser Hiro e seus gritinhos de moça. Vi vultos passando.

– QUEM ESTÁ AI? APAREÇA E LUTE! DESGRAÇADO!

Nada, ninguém estava lá, era coisa da minha cabeça. Andei mais, a caverna tinha pequenos cristais roxos, que brilhavam mais que fantasia de passista.

Senti alguém atrás de mim, estava pronta para dar uma facada nesse infeliz.

– EI! TÁ DOIDA?

– VOCÊ QUE ACABOU DE FICAR DOIDO! ONDE JÁ SE VIU? ERA PRA VOCÊ ESTAR LÁ PEDINDO AJUDA!

– EU FICO PREOCUPADO COM VOCÊ E QUASE LEVO UMA FACADA!

– QUE SEJA!

Caminhei ignorando Hiro, avistei um lago, cristalino, parecia a água mais saudável desse mundo. Me ajoelhei para beber um pouco de água e vi uma figura, parecida com uma pessoa. Aquela figura submergiu, era uma mulher...

– Oi!– Notei escamas pra baixo de sua cintura. — Oush! Mulher-peixe?

– Santa ignorância. SEREIA SUA INÚTIL! SEREIA!

– OLHA COMO FALA HEIN! TE FAÇO SUSHI EM DOIS PALITOS!– (ba dum tsss)

A tal ''sereia'' começou a cantar, parecia um gordo cagando os 20k de hambúrguer em uma latrina escolar. Notei que Hiro andava todo torto... Meu Deus! Ela estava o enfeitiçando! Tentei puxar Hiro para trás, mas ele me jogou na parede. Logo ele já estava com metade do corpo na lagoa. Vi aquela sereia bonitinha se tornar uma mulher com dentes de piranha! ELA IA COMER O HIRO!

Pulei pra cima daquela vagabunda, estraçalhando seu corpo de mulher-peix... sereia. Chacoalhei-o, sua camisa estava toda babada.

– HIRO! SEU IMPRESTÁAAVEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEL!– Molhei meu dedo e enfiei na orelha dele.

Acordou em um minuto!

– PORRA! VOCÊ É MESMO MUITO RETARD... Porra de novo! Porque eu estou todo babado?

– Resumindo, uma piranha-sereia começou a cantar, te enfeitiçou e ia te levar pro jantar, eu salvei a sua vida fazendo ela de sushi. E você me agradece me chamando de retardada.

– D-desculpa.

– Tudo bem, pegue aquele pedaço de pau e vamos voltar.– Ele o fez e nós voltamos até a saída bloqueada.

Hiro bateu nas pedras com o pedaço de pau e uma delas se quebrou fazendo as outras caírem de uma vez. Nós pulamos as pedras e saímos. Hiro me abraçou, eu sem pensar, respondi o seu abraço.

– Hmmmmmmmmmmm, Hiro e Poeki... Olha que clima!– Todos fizeram um ''Hmmmmmm'' malicioso.

– CALADOS!– Meu rosto ficou quente, com certeza eu estava vermelha, Hiro também.

Logo logo anoiteceu, o motorista desgraçado saiu em busca de ajuda em algum lugar próximo. Eu me deitei mais cedo, pois aquela caverna me cansou muito. Pude sentir alguém se deitar ao meu lado, virei-me de bruços e dormi feito uma pedra.

Notas finais
Comentem pfvr *u* Abraço da Aiko.