Mal dormi de noite pois fiquei arrumando a bagunça que aqueles imbecis fizeram no meu quarto, e pra piorar, quebrei meu perfume e o cheiro tá uma peste do caralho. Joguei um pouco de desinfetante no quarto e passei o pano de chão uma ou duas vezes, não sou uma boa dona de casa, aliás, não sei fritar um ovo. Recebi uma ligação no meu celular, era da minha tia, que 20 anos atrás era uma modelo, aí embarangou de vez e foi morar em Portugal.

Telefone On

– Oi minha linda! Que saudades!

– Oi tia, saudades também.– E o prêmio de falsidade vai para...

– Olha, estou partindo para uma viagem longa, e o nosso filho adotado não quer vir conosco, então ele vai passar uns tempos aí! Tudo bem pra você?

– O QUE UM FILHO, VOCÊ TÁ DOIDA?

– Ótimo ótimo, tchau, beijo!

Telefone Off

– Vadia, desligou na minha cara.

Um cara vai vir morar comigo? E desde quando essa porra tem filhos? Bem, ela pode ter adotado ou pegado da rua. Se parente desse pra escolher, seria um mundo melhor cara. E essa merda que vai vir pra cá vai ter que ajudar nas coisas, porquê eu não sei fazer nada. Esperei esse ser infeliz que veio morar de favor na minha casa uns 30 minutos, até o senhor da recepção anunciar :

– O senhor Ray está subindo.

– Ok, obrigada.

Deixei a porta aberta e um ser chamado Ray apareceu com umas malas ENORMES! Entrou e me cumprimentou.

– Oi, você é a Poeki né?

– Sou.

– Prazer em conhecê-la.– Ele estendeu a mão, levei uns 3 segundos para raciocinar e apertá-la.

– É muito bonito seu apartamento.

– Obrigada. Vou te mostrar o quarto de hóspedes.

Ele me seguiu até o quarto e colocou às suas malas no chão. Se jogou na cama, desarrumando a gravata.

Eu sai e procurei algo pra comer nos armários, achei alguns hambúrgueres, pão, alface e tomate. Essa parte até que dá, mas o hambúrguer é um problema, não sei nem fazer pipoca muito menos CARNE! Ok, Poeki você consegue! Coloquei óleo na frigideira e 3 hambúrgueres. Peguei uma tampa de panela como escudo e virei eles com a espátula (Bob esponja!), ouvi uma risada, me virei e vi Ray gargalhando, seminu e com a cueca aparecendo, SERÁ QUE EU SOU UM ÍMÃ DE GENTE PELADA?

– Você é mesmo uma graça! Deixa eu te ajudar.– Ele fritou os hambúrgueres como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

– Não fica se gabando não.– Cruzei os braços.

Enquanto lavava o alface, Ray praticamente me encoxou! Tentei socá-lo, mas ele segurou à minha mão.

– QUANDO EU SAIR DESSA SITUAÇÃO, SUA MÃE VAI CHORAR MUITO NO SEU ENTERRO SEU DESGRAÇADO!

– Calma aí meu anjo.– Ele cochichou no meu ouvido.

Chutei a perna dele que o fez gemer um ''ai'', saí correndo e peguei uma almofada para me proteger daquele maluco.

– Você só está adiando o inevitável.– Eu andava em volta do sofá, desviando dele, saí correndo até meu quarto e fechei a porta.

Ele empurrava a porta e eu tentava à fechar, infelizmente, ele era muito mais forte que eu, conseguiu empurrar a porta e me derrubar no chão, ficando em cima de mim. Tentei me debater enquanto ele beijava meu pescoço, tentava socar o braço dele, encolhi às pernas tentando empurrar ele de cima de mim, felizmente consegui e corri para à sala, me escondendo atrás da estante. Ele me agarrou de novo, me deitando no sofá, eu gritava aos quatro cantos para alguém me ajudar, o filho da baranga é um tremendo tarado. Wi, quem eu menos esperava, entrou no apartamento e tirou Ray de cima de mim.

– Me solta!– Ray deu uma cotovelada na barriga dele que o fez gemer de dor.

Aquele maluco veio pra cima de mim de novo, dessa vez tentava tirar minha saia, eu segurava com toda a força que eu tinha, mas ele conseguiu tirar, me deixando apenas de calcinha. Wi foi pra cima dele, devolvendo a cotovelada, só que dessa vez, na cara, deixando o olho dele roxo.

– Você está bem?– Ele me ajudou a levantar, me dando a saia para me vestir.

– E você seu idiota? Ainda quer me agarrar?– Ray fez um não com a cabeça.

– Bom mesmo.– Wi cruzou os braços. — Bom, tchau Poeki.

– Tchau! E... obrigada.– Eu beijei sua bochecha, o fazendo corar de vergonha.

Depois que ele foi embora, eu e Ray não trocamos uma palavra, até ele vir à mim, me pedir perdão de joelhos.

– Me perdoe Poeki. Eu não posso fazer nada, fui criado assim pela sua tia.

– Tá tá, mas se você me agarrar de novo, eu juro que eu corto você em zilhões de pedacinhos.

– Sim senhora.– Ray fez continência, como se eu fosse um General.

Eu e Ray comemos o merecido jantar, jogamos Battlefield 4 no Xbox dele até ficarmos com sono e dormimos cada um em seu quarto. SEM AGARRAMENTOS.

Notas finais
Comentem Por favor *U* Abraço da Aiko.