A nova garota
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Lista dos cinco deuses que eu mais odeio (e a razão pela qual os odeio tanto):
5-Tio Suquinho (vulgo Hades), por proibir minhas Diet Cokes no mundo inferior. Eu as comprava com Hermes mesmo assim, quando ele não estava vendo, mas de todo modo ele proibiu.
4- Perséfone, por me fazer de escrava durante um ano inteiro. Graças a ela, eu tinha que ir ao Olimpo entregar mensagens dia sim, dia também. Eu devo ter cara de Hermes, só pode. Dá pra ver por que Dionísio reclama tanto.
3-Deimos, sem nenhuma razão específica, mas ele me assusta.
2-Fobos, por ser... Bem, pelo simples fato de ser Fobos.
E a deusa que eu mais odeio, em primeiro lugar, é:
1- Afrodite, por me fazer passar por toda essa babaquice. Se ela queria me ajudar, por que Heras (lê-se diabos) tinha me tirado do acampamento no dia em que Nico ia me levar aos fogos? Ela não podia ser tão burra assim, podia?
*****
A noite passou tranquilamente, e logo chegou a manhã. Bom, pelo menos é o que eu acho, já que começou a esquentar. Muito. Nico acordou sozinho, o que era um milagre.
— Megan Fox de novo? — Perguntei quando ele se sentou, esfregando os olhos.
— Não, hoje era a Taylor Swift. — Brincou, pegando uma manga do cesto. Bom, pelo menos eu acho que ele estava brincando. — O que será que vamos enfrentar hoje?
— Nem quero imaginar.
Assim que tomamos o "café da manhã", Nico acendeu uma tocha com alguma coisa que pegou dentro da nossa mochila (Apolo e Hermes, se vocês colocaram fósforos lá também vão receber um enorme abraço meu quando sairmos daqui) e começamos a andar, sempre em frente. Em frente. Em frente. Bifurcação. Bifurcação? O rio se dividia em dois nessa parte, então poderia ser qualquer um dos lados.
— Ah, ótimo, agora mais essa. Pra que lado vamos? — Nico perguntou, visivelmente irritado. No mesmo instante, ouvimos um barulho no túnel da direita e dissemos em uníssono:
— ESQUERDA! — E corremos feito loucos, como se não houvesse amanhã, pelo túnel da esquerda mesmo.
Mal passamos duzentos metros e ouvimos outro barulho, de água, e eu percebi um gigante Hiperbóreo brincando na margem do rio (que mesmo dividido continuava grande e fundo o bastante para nadarmos).
Nico rapidamente apagou o fogo e tentamos contornar o grandalhão, que parecia mais um bebê, mas acho que ele nos viu, do contrário não teria dito:
— Quem está aí?
Rapidamente, lembrei de uma história que Annabeth me contou, sobre como ela havia enganado o ciclope Polifemo. Não custava tentar.
— Ninguém. — Respondi, e pude perceber Nico me olhando como se eu fosse louca. (n/Aut: O que, de certa forma, não é completamente mentira.) (n/Julie: Eeeeeei!)
— Ninguém? — O gigante repetiu. — Onde está você, Ninguém?
— Ahn... — Vamos, Julie, pense! — Em Lugar Nenhum. Sou apenas sua imaginação.
Tá, podem rir. Essa seria uma história para contar para os netos...
— Oh. Certo. — O Hiperbóreo disse, voltando a brincar com a água. Depois disso, prometi a mim mesma que nunca mais chamaria Percy de burro.
*****
Quando olhei no cesto, vi que ainda nos restavam 15 mangas, 20 framboesas e algumas centenas de jaboticabas e groselhas. Se conseguíssemos economizar, acho que daria para mais alguns dias. Tá, quem eu estou querendo enganar? Tínhamos bastante comida. Daria para completarmos a tarefa.
Incrivelmente, não encontramos mais nenhum monstro ao longo do dia. Talvez os deuses quisessem nos dar uma folga. Para passar o tempo, fomos conversando:
— Certo, a primeira parte da profecia está completa. Os medos devem enfrentar para a tarefa completar. — Falei.
— Enfrentar os medos, confere. — Nico respondeu.
— Na escuridão, mas não total, o arco-íris será o sinal. Bom, estamos numa caverna escura e úmida, deve ter alguma abertura mais à frente que deixe passar luz o suficiente para um arco-íris.
— Caverna, arco-íris. Confere. — Ele parecia um robô falando.
— E para, finalmente, a tarefa completar, a jóia frágil deve se quebrar. Não entendi essa parte ainda.
— Não entendeu, confere.
— Nico, você não está prestando atenção! — Protestei.
— Não estou prestando atenção, confere. — Fiz uma cara zangada, e ele riu. — Estou brincando, puxa. Relaxe, geralmente as profecias não fazem sentido. Essa, por outro lado, faz sentido até demais. E acho que é isso que a torna ainda mais sem sentido. Isso faz sentido?
— Não muito. — Respondi, sem conseguir segurar o riso.
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