A nova garota

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Gente, hoje eu escrevi ouvindo essa música: http://letras.mus.br/manoela-gavassi/1741918/ Acho que ela seria a música da Julie pro Nico, né? Ou não, eu viajei. Ah, e mais uma coisa: Ouwnt Karen Betin... Obrigada pela linda recomendação, flor! Sério, eu amei sua linda perfeita! Esse capítulo é pra você!

Um pequeno fato sobre Nico: ele fala dormindo.

Nota mental: perguntar a ele sobre quem é Bianca.

Ele estava tenso, seus olhos se mexiam nervosamente embaixo das pálpebras. Parecia que estava tendo um pesadelo... Fiquei tentada a acordá-lo, mas algo me impediu de fazer isso. "Ele deve estar revivendo o maior medo ou algo assim" pensei. "Qual será? Tá, vou casualmente perguntar isso também, de manhã".

O único barulho que eu ouvia era o do rio. E Nico resmungando, claro. E algumas corujas nas árvores. E galhos quebrando... Hãn? Galhos quebrando? Ok, esse barulho eu não deveria estar ouvindo.

Desembainhei a espada e andei lentamente até a entrada da caverna, relutante por deixar meu amigo sozinho. Bom, ele ficar sozinho não é problema, mas dormindo, é.

Continuando, fiquei até surpresa com o que vi; três harpias caminhavam hesitantes pela mata na minha direção olhando apetitosamente para a cesta de mangas. (n/Aut: Isso já deveria ter estragado.) (n/Julie: Acha que eu sou idiota? Não responda. É lógico que colhemos algumas meio verdes para que ficassem maduras no tempo certo. Nem mais uma palavra ou eu arranco sua língua!)

As harpias são seres com cabeça de mulher e corpo de águia (n/Percy: Eu acho que é de galinha.) (n/Annabeth: Não, Percy, é de águia mesmo.) (n/Percy: Annie eu tenho certeza que é de galinha!) (n/Annabeth: Tá, tá, Cabeça de Alga.) (n/Aut: Em briga de marido e mulher eu não enfio a colher.) (n/Julie: Outro ditado idiota. Que besta no mundo vai ver um casal brigando e colocar uma colher no meio? E eu já falei pra calarem a boca e me deixarem narrar!). No acampamento, elas ajudam na limpeza.

O negócio era que eu não queria matá-las. Eu sabia que harpias poderiam ser bem úteis, se fossem valorizadas. E, bem, elas tinham uma certa ligação com Íris, que era uma deusa realmente legal. Acho que ela não ficaria feliz se eu matasse suas irmãs...

Além do fato de que eram três. Elas, algumas vezes, eram um pouco lentas, mas essas pareciam ter uma agilidade impressionante. Suas garras cortariam minha carne em questão de segundos. Se fosse apenas uma, eu daria conta sozinha. Duas? Com sorte. Três? Nunca.

Não pense que eu sou fraca, no dia em que você derrotar três harpias em bom estado sem nenhuma ajuda, eu vou virar um peixe. Não, melhor, eu vou COMER um peixe, que no meu caso é uma alternativa bem mais difícil de aceitar do que a primeira (posso até virar um peixe, mas no dia em que eu colocar essa coisa na boca as vacas vão voar). (n/Aut: Hera, querida, você vai criar asas?) (n/Hera: Eu vou é mandar o meu marido jogar um raio na sua cabeça, garota tonta!) (N/Aut: Tá atrasada, ele já jogou uns dez.) (n/Julie: Dá licença?)

Comecei a pensar num jeito de fazer a situação trabalhar a meu favor. Falei:

— Quem são vocês?

— Somos Aelo, Celeno e Ocípete. — Responderam em uníssono. — Queremos suas frutas.

Claro que elas queriam as frutas. O olhar faminto delas não era nada discreto. O que mais eu poderia fazer? Talvez me concedessem um favor se eu as entregasse. Por outro lado, levaríamos um bom tempo para buscar mais, já que nossa árvore estava a uns quatro quilômetros dali.

— Não posso entregá-las. Meu amigo e eu morreríamos de fome. — Exagerei. Mas, ao ver que elas pareciam zangadas, disse: — Porém posso dizer onde as encontramos. — Vi que elas ficaram curiosas, nem estavam olhando mais para a minha cesta, então continuei, apontando para o lado de onde tínhamos vindo: — Não é muito perto, mas vai valer a pena. Há muitas mangas. É só seguir naquela direção, em linha reta, e vão achar a árvore.

Elas se entreolharam inquietamente. Depois, a que parecia ser Aelo (não me perguntem por que, eu só acho que ela tinha mais cara de Aelo do que as outras) falou:

— Acho que a garota está dizendo a verdade. Iremos ver essa tal árvore que você diz, mas seria uma pena se estivesse nos enganando. Aelo, Ocípete, vamos. — Tá, acho que eu errei. Essa devia ser a Celena. Dizendo isso, elas foram embora. Ufa, no final nem tive que lutar.

Entrei novamente na caverna, e encontrei Nico sentado. Ele estava olhando para o nada e sua testa estava molhada de suor. Perguntei se estava tudo bem, e ele apenas concordou evasivamente e me disse para dormir. Não protestei, afinal meu turno já tinha acabado e eu não tinha percebido, mas estava morrendo de sono.

— Está com frio? — Perguntei, ridiculamente. Ele fez que não com a cabeça, parecendo confuso. — Ótimo, porque eu vou roubar sua jaqueta. — Desenrolei-a dos tênis dele e os devolvi, enrolando-a de novo no meu próprio All-Star e deitando em cima do resultado: meu mais novo travesseiro. Adormeci rápido.

*****

— Acorda, Julie. Vai, acorda. — Nico disse perto de mim. Muito perto. Levantei esfregando os olhos, e ele sorriu. — Bom dia, raio de sol.

— Raio de sol? Já tomou seus remédios hoje, Nico?

Ele não respondeu, apenas riu. E foi chegando mais perto. E mais perto. Oh meus deuses. Estou tendo um infarto. O rosto dele estava a dois centímetros do meu, então ele segurou meus ombros e... Começou a sacudi-los, dizendo:

— Julie, Julie!

— O quê? — Perguntei.

— Vamos, Bela Adormecida, é hora de acordar!

*****

Abri os olhos. Sério, eu abri os olhos, completamente confusa. Nico estava do meu lado, me olhando debochado. Ops, alarme falso. Eu estava sonhando. Eu estava sonhando! Oh meus deuses. Oh meus deuses elevado à milhonésima potência. Pensando bem, esquece isso, nunca fui muito boa em matemática. Mas eu estava realmente sonhando!

— Bom dia, raio de sol. — Ele disse, me fazendo engasgar. Olhei-o com os olhos arregalados e belisquei meu próprio braço, não tão discretamente quanto eu queria, para garantir que estava realmente acordada. — O que foi? Parece que viu um fantasma. Como está o seu pulso?

— Tudo bem. Um pouco melhor. — Falei, pensando desesperadamente em um outro assunto. — Ahn, acho que hoje devíamos arrumar mais alguns suprimentos, não sabemos quanto tempo vai durar nossa "caça ao tesouro". Bom, dá pra você ir na frente? Eu preciso fazer uma coisa antes.

Ele apenas concordou e saiu. Eu fui logo depois, procurando algum ramo de babosa para que eu pudesse lavar o cabelo. Não foi muito difícil encontrar, e logo eu estava pulando no rio de roupa e tudo.

Nem queria fazer a conta de quantos dias tinha ficado sem tomar banho... Pensando bem, eca.

Esfreguei o couro cabeludo com o óleo da babosa, mergulhei a cabeça para enxaguá-lo e, satisfeita, saí do rio e fui (tentar) secar minha roupa deitando ao sol.

Você pode pensar que isso é maldade, não fazer nada enquanto meu amigo estava procurando comida para nós dois. Mas claro que eu ia dar um tempo para ele descansar também, depois. Quando minha blusa e meu short já estavam secos, saí correndo à procura de Nico. Ele estava em cima de um pé de jabuticabas, e comia algumas enquanto jogava outras na cesta que estava no chão, cheia de outras frutas, como amoras silvestres e morangos. Mas reparei também numa frutinha pequena, redonda e laranja-avermelhada que aparecia aos montes.

— Nico di Ângelo, desça aqui agora mesmo! — Gritei. Ele veio rápido e parou na minha frente. — Você comeu isso? — Perguntei, mostrando-lhe a frutinha. Ele negou vigorosamente. — Isso aqui é briônia, podia ter te matado se você tivesse comido muito.

Ele ficou quieto. Joguei todas as briônias fora, e por sorte não havia mais nada venenoso.

— Desculpe. — Eu disse para Nico. — Só fiquei preocupada.

— Já é a segunda vez que eu quase me mato, obrigado. Essa aqui é comestível? — Perguntou apontando para uma frutinha vermelha-clara.

— Não. É dulcamara, ela ataca o sangue e o coração. Mas essa aqui você conhece! — Comentei correndo até um arbusto de framboesas. Ele pegou um pouco e jogou na cesta. Aí eu vi uma árvore que dava frutinhas de um vermelho intenso, com uma pontinha preta. Sorrindo, comi com gosto. — Minhas favoritas. Experimenta, Nico. — Terminei enfiando um punhado de groselhas na boca dele.

*****

Quando voltamos para a caverna, o sol já estava abaixando no horizonte. Ouvi um rosnado e me deparei com o Minotauro, farejando o ar onde havíamos montado acampamento.

— Okay, isso não é nada bom. — Sussurou Nico me puxando para trás, mas o monstro nos ouviu. — É, agora ficou bem pior...

Notas finais
Esse ficou bem grande... Gostaram? Comentem!