A nova garota
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Uma dica: Se você, por acaso, estiver tentando completar uma missão completamente estúpida em uma floresta com a pessoa que você gosta por perto e sonhar com o dia no qual seu melhor amigo morreu por sua culpa, evite acordar chorando.
Pois é, sabem, mais um item para a lista de "Conselhos inúteis da Julie", junto com "beber muito café" e "não jogar um livro na cabeça da pessoa que você gosta". Como se alguém em sã consciência fosse fazer isso. Falo do café, esse negócio é horrível. Quanto ao arremesso de livro, pode acontecer com qualquer um.
Como eu disse, acordei chorando. Nico perguntou o que tinha acontecido e eu acabei contando tudo. Enquanto falava, tentei conter as lágrimas, mas elas continuavam escorrendo. Quando terminei, ele fez a última coisa que eu esperava: ele me abraçou. (n/Aut: Última? Você tá tão sem esperança assim?) (n/Julie: Bom, não era realmente a última, foi só pra dar ênfase...) (n/Aut: Aham, sei. E qual era a última de verdade?) (n/Julie: Bom, a ÚLTIMA coisa que eu esperava que ele fizesse era: bater na minha cara e dizer "Recomponha-se!") (n/Nico: Querem parar? Eu não faria mesmo isso.) (n/Todos: Só faltava fazer!)
Gente, sério, eu queria parar de chorar. Mesmo. Mas não consegui. Fiquei ali, molhando o ombro de Nico com lágrimas, por uns cinco minutos. Depois disso, acho que adormeci.
*****
Ótimo, outro sonho. Desta vez, eu estava embaixo de uma árvore, e na minha frente estava Afrodite.
— Oi, querida! — Ela disse alegremente. — Queria dizer que simpatizei com você. Todo aquele negócio com o Nico, que romântico! Posso te ajudar, mas vai ter que me ouvir. Primeiro, tire esse elástico do cabelo! Até no sonho você usa essa coisa horrorosa! Me dá isso aqui. — Ela arrancou o elástico, soltando meu cabelo.
Comecei a ficar com raiva, especialmente porque ela era a responsável por tudo aquilo. E eu não queria ajuda! Se Nico fosse gostar de mim, tinha que ser de verdade.
— Se tomar meu elástico, vou prender o cabelo com um cipó. — Ameacei.
Afrodite fez uma cara horrorizada. Foi até engraçado.
— Não ousaria. — Ela falou.
— Experimente. — Desafiei. Ela devolveu meu elástico, murmurou "Menina tola" e sumiu, me deixando sozinha.
*****
Já tinha passado da hora de eu assumir meu turno? Não sei. Tudo o que sei é que acordei de repente, e que eu ainda estava deitada no ombro dele. Oh meus deuses. Oh meus deuses. Oh meus deuses. Eu estava dormindo no ombro dele. Ai, que vergonha! Me afastei rapidamente, pedindo desculpas. Ele apenas sorriu.
— Amigos são para isso. — Disse. Aí ele me olhou pensativo. — Espera, já pode me ver, certo? — Concordei com a cabeça. — Que ótimo. Eu estava ficando assustado.
— Estou bem. — Ele estava assustado por minha causa? Oh meus deuses. Preciso me acalmar. — Minha vez de vigiar.
— Pode dormir mais um pouco. — Ele disse.
— Nada disso. Vamos, é minha vez. De manhã, temos que arrumar alguma coisa para comer. E um rio não seria nada mal, estou morrendo de sede. — Ele estendeu um cantil de água para mim, e eu arregalei os olhos. — Onde conseguiu isso?
— Tem um rio aqui perto. Por que acha que eu montei acampamento nesse lugar? Ouvi barulho de água. E, lá perto, talvez achemos alguma fruta para comer. E o cantil, bom, ele simplesmente estava lá. — Ele respondeu. Uau. Ele achou água. Bebi um pouco e insisti para que ele fosse dormir.
O resto da noite passou rápido, e logo o sol estava nascendo. Não queria, mas decidi acordar Nico. Ou isso, ou deixava ele ali enquanto procurava frutas. Chamei seu nome várias vezes até ele abrir os olhos, lentamente.
— Mais cinco minutos... — Resmungou.
— Nem pense nisso. Vamos, acorde. Não mandei você me deixar dormir mais do que devia. Estou com fome, você não? — Ele se virou para o outro lado. — Se eu nado como uma pedra, você dorme como uma... Bom, uma pedra também. — Me levantei. — Vou te deixar aqui. Vou achar uma deliciosa laranja e vou comer sozinha.
Finalmente, fiz ele levantar. Fomos até o tal rio que ele achou, e era bem grande. Bebi água e comecei a caminhar, procurando alguma coisa comestível. Eu estava morrendo de fome! De repente, Nico disse:
— Julie... Olha só que beleza. — Olhei para onde ele apontava e também vi... Uma maravilhosa mangueira. Corremos até ela e subimos rápido. — Atacar! — Ele brincou.
Acho que comi umas três, e Nico perdeu a conta. Depois, fiz uma cesta improvisada com cipós, agradecendo pelas aulas das náiades. Coloquei o máximo de frutas possível nela e desci da árvore. Nico ainda estava matando uma manga. Quando ele desceu, eu sorri.
— O que foi? — Perguntou.
— Deméter vai ficar muito orgulhosa por ver você comendo todas essas frutas. — Eu disse e ele me mostrou a língua. — Nossa, a maturidade em pessoa. — Comentei e ele riu, me mostrando a língua outra vez. Fiz a mesma coisa, e logo estávamos rindo como dois malucos.
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