A nova garota
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Quinta-feira, 3 de julho
Sei que eu não costumo registrar datas, mas estava contando os dias para a queima de fogos. Naquela manhã, depois de me arrumar, passei na frente do espelho que Piper (do chalé de Afrodite) tinha me dado, e fiquei surpresa com o que vi... Olhando para mim, estava uma garota baixinha de cabelo castanho, liso, que chegava até as costas, olhos verde-esmeralda, e que usava a camiseta do acampamento. Até aí, tudo bem, mas a garota no espelho era mais magra do que eu lembrava que era, tinha uma postura bem melhor e sua expressão demonstrava... Bom, felicidade, coisa que eu não sentia havia muito tempo.
"Uau" , pensei. Eu tinha mudado bastante desde o dia em que cheguei. Então saí e fui em direção à minha primeira aula do dia: equitação. Eu gostava muito dessa aula, pois Percy me deixava montar em BlackJack. Acho que ele gostava de mim (BlackJack, não Percy, pelos deuses!) porque eu lhe dava alguns cubos de açúcar sempre que podia.
Depois de equitação, eu tinha arco-e-flecha com um garoto de Apolo. Esse eu posso afirmar com certeza que NÃO gosta de mim. Acho que em parte é porque uma flecha perdida minha quase o acertou. Ou não, sei lá.
Eu devo ser bipolar. Ou não, sei lá.
Ainda tive esgrima e escalada. Não era de se surpreender que, no meu tempo livre, eu estivesse exausta. Sentei na margem da parte funda do lago, tirei os tênis e coloquei os pés na água. Nem se passaram dez segundos, e alguém me empurrou, me fazendo cair dentro do lago. Eu estava preparada para fazer a pessoa engolir os dentes, pensando que seria um dos filhos de Ares ou Hermes fazendo graça. Mas, quando olhei, eu vi que estava enganada.
Agora eu gostaria de aproveitar a oportunidade para ressaltar que ainda não aproveitei a oportunidade para ressaltar nada. Isso aconteceu porque eu achei que a história estava legal demais para ser interrompida. Deixo meus usuais comentários de início de capítulo aqui: blá-blá-blá uma piada sem graça, blá-blá-blá alguma coisa completamente sem sentido, blá-blá-blá gatinhos assassinos. Pronto, estou muito melhor, podemos continuar.
Parado na margem do lago, estava Nico, se acabando de rir. "Ele me paga" , pensei.
— Ah, isso é muito engraçado, mesmo. Estou passando mal de tanto rir. — Eu disse, seca.
— É engraçado sim. — Ele respondeu. — Precisa de ajuda para sair daí? Você nada tão bem quanto uma pedra. — Completou, estendendo a mão.
Segurei-a, meu coração dando uma volta olímpica no peito. Ele estava me ajudando a sair, quando tive uma ideia para minha vingança. Eu puxei ele para dentro do lago, e percebi que tinha começado a rir também. Logo, estávamos parecendo dois idiotas, rindo como doidos.
De repente, Nico ficou quieto. Ele murmurou "Shhh" e apontou para um lugar pento de onde estávamos. Ali, ao lado de uma árvore, estavam Clarisse La Rue e Chris Rodriguez. Achei um absurdo que eles não tivessem ouvido nossas risadas, mas fiquei aliviada com isso. Se Clarisse descobrisse que tinha alguém ali, estávamos mortos.
— Acho melhor sairmos daqui. — Sussurou Nico. Concordei, nadamos para a margem e saímos do lago. Eu fui para meu quarto trocar de roupa.
Quando voltei, estava quase na hora do jantar. E foi quando eu vi...
Nico estava andando com o braço direito em volta do ombro de uma garota que eu não conhecia. Pela primeira vez, meu Speed Racer (vulgo coração) ficou quietinho ao vê-lo.
A garota era morena e tinha olhos dourados. Finalmente, Nico me viu e sorriu, começando andar até mim. Agora, provavelmente, ele ia me apresentar sua namorada, que não morava no acampamento. No fim das contas, talvez ele só tivesse me convidado para os fogos para ser legal... Mas eu fiquei muito, MUITO confusa quando um rapaz meio chinês apareceu e beijou a garota... Ok, isso foi meio estranho. Se ela não é a namorada do Nico, então quem é?
Os três andaram até onde eu estava, e Nico falou:
— Julie, eu quero que conheça alguém. Este aqui é o Frank. E esta é Hazel, namorada dele, e minha irmã. — Oh meus deuses. Irmã dele? Como eu sou idiota! — Eles vieram nos visitar do Acampamento Júpiter.
É, Annabeth tinha me contado tudo sobre esse lugar. Cumprimentei Frank e Hazel, ainda sem acreditar que ela era a irmã do garoto que eu gostava. Conversamos um pouco e ela lançou um olhar significativo para Nico, que eu não entendi muito bem. Estava tão perdida em pensamentos que até me assustei quando o Sr. D gritou:
— Judy Adams! Venha aqui!
Demorei um segundo para perceber que ele estava falando comigo, e fui até a varanda da Casa Grande, onde ele estava.
— Acabei de voltar do Olimpo, e aquilo está uma bagunça. Acho que vamos precisar de uma outra reforma da Annie Bell. — Ele estava dizendo.
— Annabeth. — Corrigiu-o Quíron.
— Que seja. — Então ele me viu. — Judy Adams, seu pai pediu que eu entregasse isso. — Ele me deu uma carta.
— É Juliet Andrews, senhor.
— Tanto faz. — Ele retrucou e depois resmungou, baixinho: — Fobos deve estar pensando que eu sou Hermes. Eu tenho cara de Hermes, por acaso? — Perguntou a mim.
— Não, senhor. — Ele falou mais alguma coisa que eu não entendi, e eu saí para abrir a carta. A letra no envelope era grosseira, e na carta em si haviam apenas duas palavras, bem no meio da folha:
BOA SORTE
Já estava na hora do jantar, então deixei tudo no meu quarto, me preocuparia com aquilo mais tarde. Só podia ser uma piada de Fobos, para me assustar. Ele adora fazer isso.
Comecei a pensar no dia seguinte. Ia ser um dia ótimo, eu iria assistir à queima de fogos de 4 de julho na praia com o Nico. Pelo menos, era o que eu achava...
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