A nova garota
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Uma pequena linha do tempo para demonstrar como eu sou azarada:
8 de novembro, na época em que eu estava hospedada no Suquinho — Quase mato Nico com o meu talento. Detalhe: evitei-o depois disso.
30 de junho, Acampamento Meio-Sangue — Resolvido o baiuiu com Nico, ele me convida para ver os fogos de 4 de julho.
4 de julho, Acampamento Meio-Sangue — Antes que eu veja os fogos com Nico, vou parar em uma porcaria de missão inútil.
Entre 5 e 15 de julho, Lugar Nenhum — Pra resumir, quase morri dezenas de vezes. Nico quase morreu dezenas de vezes. Chorei e dormi no ombro dele. Passamos por dezenas de cenas constrangedoras, lutamos um ao lado do outro, nos separamos por um tempo, quase morri mais algumas dezenas de vezes, fui salva por Nico. Voltamos para Nova York. Quase estrangulo Afrodite. Nico me beija. Descubro que tenho uma irmã.
17 de julho, Acampamento Meio-Sangue de novo — Consigo um lugar pra morar. Nico me pede em namoro. Um garoto é reclamado por Hermes. Nico some.
Belo resumo, hein? Esqueci alguma coisa? Acho que não.
Isso definitivamente não é de Zeus. Não mesmo. Mas que droga!
*****
Nenhuma notícia. Quando a noite chegou, eu estava em meu quarto brincando com Melody. Ela tinha arrumado um tapete de Super Twister com os garotos de Hermes e estava ganhando de lavada.
— Você é péssima. — Ela riu, com sua voz fina e bonitinha. Apesar de ter apenas quatro anos, um a mais do que eu tinha estipulado, ela falava notavelmente bem e era muito inteligente. Pois é, a minha cara. — Daqui a pouco vou começar a apostar.
— Você nem tem idade para isso. — Retruquei, me divertindo.
(n/Aut: Tenho certeza que você não estava deixando ela vencer.) (n/Julie: Não mesmo.)
— Diga isso ao juiz. — Ela rodou a roleta e anunciou: — Pé direito no vermelho. Quero ver como vai sair dessa.
Meu pé esquerdo estava no amarelo, minha mão direita no verde e a outra também no amarelo. Meu cotovelo esquerdo estava no azul e minha orelha direita, no verde. Minhas costas formavam uma ponte, e eu teria que cruzar a perna direita por cima da esquerda para conseguir. Droga. E Melody só gargalhava.
— Não perde por esperar. — Desafiei, mas caí feio quando tentei fazer o movimento. Minha irmã riu mais ainda. — Não é justo!
— E não é culpa minha se você é flexível como uma tábua. — Ela respondeu.
Fiquei boquiaberta. Uma garotinha quase doze anos mais nova que eu, que tinha o vocabulário dez vezes melhor. (n/Aut: Você está muito bem na fita, não é?) (n/Julie: Cale a boca!) (n/Aut: Não. Fobos, tem certeza que é filha sua? Porque o berçário pode ter trocado por uma de Atena, quem sabe...) (n/Fobos: Está dizendo que eu não sou inteligente?) (n/Aut: Ahn, claro que não, mas acontece...) (n/Atena: Parem de me meter nisso! Eu, pelo menos, sei que não é minha filha.) (n/Julie: Viram? Agora fora daqui, JÁ!)
Quando ia argumentar, ouvi uma batida na porta. Mesmo achando estranho alguém bater àquela hora, fui atender. Não me surpreendi quando dei de cara com Fobos no coredor.
— Hum... Oi. — Ele disse. — Como está tudo por aqui?
— Oi. — Respondi, sem saber o que dizer. — Mais ou menos.
— Mais ou menos?
— É. Por acaso não viu Nico por aí?
Não acredito que perguntei isso. Por que eu perguntei isso? Oh meus deuses. Devo estar com sono. Devo estar com problemas mentais, isso sim.
— Não. — Ele respondeu, confuso. — O que aconteceu?
— Nada. — Disfarcei. Fobos me interrogou com o olhar e, numa decisão louca, resolvi prosseguir. — Ele sumiu. Simplesmente sumiu.
— E... Você por acaso acha que eu tenho alguma coisa a ver com isso?
Pensei por um segundo.
— Não. — Respondi.
— Porque, sabe, eu não tenho. Quer dizer, lógico que eu fiquei meio bravo com ele, afinal como eu já disse você é minha primeira filha em mais de duzentos anos, assim tenho todo o direito de ficar com um pouco de ciúme da minha garotinha que mal saiu das fraldas e... Espera, o quê?
— O que, o quê? — Credo, que confusão. Mas... Bravo, ciúme, garotinha... Como assim? Essas palavras não deveriam ficar na mesma frase. E ele tinha dito isso muito rápido.
— Acredita em mim?
— Sim. Claro. — Falei, confiante.
— Obrigado. — Fobos parecia surpreso. Nesse momento, Melody apareceu na porta e contou que estávamos jogando Super Twister. A conversa se desviou por uns cinco minutos até meu pai anunciar que precisava ir.
Assim que ele saiu, tive uma pequena ideia. Teria que falar com Mirela de manhã...
— Vamos, tampinha. — Disse. — Hora de dormir. E amanhã talvez você tenha que ficar com a tia Miri.
Um detalhe: Mirela não gosta desse apelido. Mas pegou. Uma vez, ela até me disse que preferia que a chamassem por seu nome completo, ou de Nada. Essa aí era outra que amava As Vantagens de Ser Invisível. Mas tudo bem. Eu sempre achei que a personagem de Magia em Manhattan* combinava com ela, vegetariana, membro do Greenpeace, etc. Quando ela reclamava, eu dizia que chamaria ela de Mimmi**. Aí é que ela se irritava e começava com Juju, mas eu já tinha ganho a guerra.
— Onde você vai? — Minha irmãzinha perguntou. — Atrás do Nico?
Caramba. Ela é mesmo muito inteligente...
*Na série de Sarah Mlinowski, Miri é uma bruxa adepta aos movimentos verdes.
**Personagem de A Menina Que Brincava Com Fogo.
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