A nova garota
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Andamos um pouco até Annabeth parar. Ela se virou para Percy.
— Pode nos deixar sozinhas um pouco?
— Por quê? — Protestou ele.
— Conversa de garotas.
Ele saiu cabisbaixo, e eu achei aquilo realmente legal da parte dela. Quer dizer, dispensar o namorado para falar comigo. Ela olhou para mim.
— Julie, saiba que você pode falar sobre qualquer coisa comigo. — Disse. Mesmo assim, me senti desconfortável. Acho que era porque ela tinha uns 19 anos, e estava falando comigo de igual para igual. Vendo que eu não respondia, continuou: — Quero que me responda por que não olha nos olhos de ninguém. É timidez, ou tem algum motivo específico?
É claro que tinha um motivo específico, mas eu não ia sair contando por aí. Isso já tinha me causado muito sofrimento. Por outro lado, ela passava uma enorme segurança na voz. Resolvi contar tudo.
— Bom, é. Basicamente, eu herdei o dom do meu pai.
-Que seria...
— Eu... Eu consigo ver seu maior medo só olhando nos seus olhos, Annabeth. E isso supondo que eu consiga controlar, o que nem sempre acontece. Se eu não conseguir, você entra num tipo de transe, dentro do seu pior pesadelo. Da última vez... — Eu parei de contar, sentindo as lágrimas ameaçando cair. — Isso me assusta, tá? Não gosto de saber o medo das pessoas. Especialmente quando elas têm medo... De mim.
— Desculpe, eu não sabia. Mas é isso o que você faz? Afasta as pessoas antes que possa machucá-las? Eu acho que você deveria praticar esse seu talento e aprender a controlá-lo. Mas vamos mudar de assunto. Me conte sua história.
Não sei exatamente como, mas me senti segura para contar tudo a ela. Tudo mesmo, desde a parte na qual cresci num orfanato, assustando as outras crianças, a parte em que fui adotada por um casal (Marta e Alan Andrews), sobre meu melhor amigo David, até como todos eles morreram por minha culpa. Meus pais adotivos, num acidente de carro, causado por uma Fúria que estava me procurando. E David, atingido por um ciclope. Esse evento ainda me entristecia muito, porque eu podia ter feito alguma coisa; dois ciclopes nos atacaram na minha antiga escola. Eu consegui bater na cabeça de um deles com meu taco de baseball (que quebrou nesse dia), mas o outro foi atrás de David e... Eu não devia ter deixado ele sozinho. A culpa foi mesmo minha.
Annabeth também me contou sobre ela, e sobre Percy. E, sem querer, eu acabei descobrindo qual era o maior medo dela. Não eram aranhas, como se esperaria de uma filha de Atena. Ela tinha medo de perder o namorado.
Achei isso muito fofo, mas nem comentei. E foi aí que ela perguntou:
— Mas me conta: o quê há entre você e o Nico?
Pronto. Estou ficando nervosa. Ela enfiou um alfinete no balão da minha segurança. Um alfinete? Ela atacou o pobre balão com uma serra elétrica!
— Hum... É que.. — Pensei por um momento e resolvi contar a verdade. — Enquanto estive hospedada no Hades, eu encontrei o Nico uma vez... E ... Bom, quase matei o coitado com meu "talento". Desde aquilo, eu venho evitando me enontrar com ele. Mas que diabos ele está fazendo aqui?
— Ele fica aqui durante o verão. — Ela respondeu.
Oh meus deuses. Que perfeito. (n/Aut: cof, cof, sarcasmo, cof, cof) E se ele viesse falar comigo? Pra dizer a verdade, nunca tínhamos conversado. Fala sério, eu quase tinha matado o garoto de medo, sem exageros! O mínimo que eu poderia fazer era pedir desculpas, certo? Mas eu o evitei, ao invés disso.
— Ei, Julie! — Percy veio correndo e interrompeu meus pensamentos. — Quíron disse que seu quarto está pronto. Conversaram bastante?
-Sim, conversamos. -Me virei para ir à Casa Grande, mas Annabeth me chamou.
— Esqueci de perguntar quem é seu pai. Já imagino, mas quero ouvir de você. Vai me contar?
Me virei novamente para ela.
— Eu até conto, mas não vai gostar da resposta. Nem eu gosto. Meu pai é Fobos, o deus do medo.
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