A nova garota
28 Capítulo 28
Notas iniciais
POV Julie
Acordei com um latido.
Tinha dormido, no máximo, quatro horas. Eu estava realmente tentando andar o mais rápido possível, para reencontrar Nico o quanto antes.
Quando resolvi parar, não sentia as pernas. Até bebi um pouco de néctar para evitar ter que amputá-las.
Continuando, acordei com um latido. Só para explicar uma coisa, o latido de um cão infernal mais parece um trovão. Um trovão amplificado pelo mais potente dos auto-falantes. Mas lembre-se de colocar esse auto-falante do lado da sua orelha, e aí vai ter uma pequena ideia de um décimo do que eu ouvi.
Traduzindo: essa droga é muito alta. Não queira acordar assim.
— O que foi, caramba? — Gritei, e Rex me olhou assustado.
Posso ser um amor de pessoa o tempo todo.
(n/Aut: Jogando a modéstia longe, não é?) (n/Julie: Foi sarcasmo.) (n/Aut: Ah, assim sim.) (n/Julie: Apenas me deixe continuar.) (n/Aut: Fique à vontade.)
Isto é, se ninguém me acordar no meio da madrugada. Com um verdadeiro latido infernal. Caso isso aconteça, posso virar o próprio Hades.
(n/Hades: Me chamaram?) (n/Nico: Não.) (n/Hades: Me agradeça por não matar vocês, me fizeram perder tempo.) (n/Julie: Hey, sem mortes, nem torturas, nem estrangulamentos.) (n/Haddes: Mutilações, talvez?) (n/Aut: Nem pense nisso.) (n/Julie: Vocês querem, por favor, parar de me interromper?) (n/Todos: Certo, desculpe.)
Continuando, de novo, é... Esqueci onde eu estava. Acordei, confere. Latido, confere. Eu sendo a maior chata do mundo como sempre, confere. Agora sim.
— Desculpe. — Disse. — O que aconteceu?
Ele farejou o ar à frente. Olhei para onde o focinho dele apontava e dei de cara com meu deus favorito (empatado com Hermes): Apolo.
E o próprio sorria como se estivesse aparecendo na televisão. Procurei em volta, esperando encontrar uma daquelas plaquinhas de "Sorria, você está sendo filmado", mas não tive sorte.
— Como vai indo? — Ele perguntou.
— Ah, perfeitamente bem. — Falei, sarcástica. Já contei que fico meio sarcástica quando estou com sono? Não? Bom, agora já contei. — Mas ficaria bem melhor se você tivesse outro chocolate escondido aí.
— Desculpe, não tenho. Afrodite quase me matou, e a Hermes também, por causa daquilo. Eu só... Vim lhe entregar isso. — Ele estendeu a mão, e percebi que segurava...
Meu medalhão. O mesmo medalhão que minha mãe tinha ganhado de Afrodite. O que eu tinha herdado. O que a deusa da maluquice tinha me cobrado. O que eu dei a ela para poder encontrar Nico novamente. O que...
Ah, mas o que eu estou fazendo? Vocês já pegaram a ideia. Meu medalhão e ponto!
Hesitante, peguei-o e coloquei em volta do pescoço. Minha pele ficou gelada por causa do contato do metal frio.
— Mas... — Comecei, sem encontrar as palavras certas.
— É seu, apenas aceite. — Quer dizer que a missão tinha acabado? Ou eu ainda tinha que fazer mais alguma coisa? Como que lendo meus pensamentos, Apolo continuou: — Afrodite não devia ter lhe tirado isso. Mas, infelizmente, você ainda tem que encontrar Nico para poder voltar. Continua sendo a regra.
— E... — Eu estava realmente sem fala. — Hum... Estou muito longe dele, ainda?
O deus do sol sorriu.
— Faz ideia do quanto vocês andaram? Um ao encontro do outro, digo. — Meu coração deu um pulo quando ele disse isso. Fiquei muito feliz por descobrir que Nico tinha escolhido o mesmo caminho que eu. O sorriso de Apolo se abriu mais ainda. — Eu diria algumas horas de caminhada. Sossegue.
Dizendo isso, ele começou a brilhar. Não brilho do tipo oh-meus-deuses-aquele-gato-está-brilhando-no-sol de Edward em Crepúsculo. Foi mais do tipo ele-está-assumindo-sua-forma-divina-e-preciso-me-virar-para-não-morrer-vaporizada.
Fiz isso e, quando olhei novamente, ele tinha sumido.
Algumas horas...
(n/Aut: Você também, sofrendo de Síndrome de Eco?) (n/Julie: O quê?) (n/Nico: Depois eu explico. Ela é louca.) (n/Julie: Isso eu já sabia.) (n/Aut: Ei! Vamos ver quem é louca quando eu matar os dois.) (n/Julie: Não me toque.) (n/Aut: Além de Síndrome de Eco, também tem Síndrome de Nico?) (n/Nico: Como?) (n/Aut: Síndrome de Nico, é o "Não me toque".) (n/Nico: Garota, você não pode ser tão má assim.) (n/Aut: Obrigada, mas eu posso.) (n/Nico: Era mentira, você é o próprio Hades.) (n/Hades: Fui solicitado?) (n/Todos: NÃO!) (n/Hades: Pelo menos me avisem quando não estiverem me chamando, então!)
Esse pensamento me animou. Acho que andei uns 50 metros antes de topar com uma massa escura esparramada no chão.
Sinalizei para que Rex não latisse, eu não queria acordar o drakon. O enorme drakon azulado que devia ter quatro vezes o meu tamanho.
(n/Aut: Então nem era tão grande assim.) (n/Julie: Pare de me incomodar.)
Acho que era um bebê. Não era tão grande quanto outros que eu já tinha visto, mas mesmo assim poderia me devorar com uma única dentada. Deve ter sido por isso que eu tentei passar silenciosamente. Mas eu tinha que tropeçar no meu próprio pé e fazer o maior barulho, além de me espatifar nas costas do monstro. E ele acordou.
Por que as coisas não podem dar certo para mim ao menos uma vez?
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