A nova garota
27 Capítulo 27
Notas iniciais
POV Nico
Só quando eu resolvi que devia parar para descansar Eco foi embora. Ela olhava nervosamente para trás e depois para mim, tentando dar algum tipo de sinal. Eu a observava mudo.
Finalmente entendi o que ela queria dizer, uns cinco minutos de silêncio depois, e perguntei:
— Precisa ir?
— Precisa ir. — Ela concordou.
-Certo. Foi muito bom conversar com você. Até mais. — Disse, sorindo.
— Até mais. — Ela respondeu, acenando, e voltou correndo pelo túnel.
Observei minha amiga se afastar e pensei no tempo que demoraria para nos encontrarmos novamente.
Nos encontrarmos.
(n/Aut: Está com Síndrome de Eco, Nico?) (n/Nico: O quê?) (n/Aut: Só acho um pouco estranho você ficar repetindo o final das frases assim...) (n/Nico: Ah, me deixe em paz!)
Automaticamente, lembrei de Julie ao pensar nisso. Eu queria muito saber como ela estava, e, tenho que admitir, sentia saudade dela.
Desde que havia chegado ao Acampamento Meio-Sangue, eu percebi que ela não era a pessoa fechada e chata que eu pensei que fosse. Com o tempo, ela se tornou uma ótima amiga, com quem eu podia contar sempre que precisasse e para quem eu podia contar tudo.
Em apenas alguns dias de convivência, eu percebi que gostava de conversar com ela.
Quer dizer... Bom, vamos falar a verdade, ela não me acha louco, como a maioria das pessoas que conheço. Ela me ouve e entende o que digo. Talvez seja porque ela é tão maluca quanto eu.
Julie nunca se incomodou com o fato de eu a chamar de doida. Ela sempre sorri e diz que as melhores pessoas são assim. E querem saber de uma coisa? Eu concordo.
Na primeira vez em que nos encontramos, eu tive uma imagem errada dela. Pensei que não se importava com os outros, mas logo que a conheci entendi que estava muito errado.
E eu também gostava de falar com ela porque compartilhávamos dos mesmos ódios e frustrações. Ela nunca tinha se dado muito bem com Perséfone, assim como eu, tinha problemas com seu pai, assim como eu tenho com o meu. Era legal falar mal dos deuses e deixá-los ainda mais bravos conosco.
Porque os deuses sempre estavam bravos conosco. E os monstros, ninfas, sátiros, gigantes e outros semideuses também.
Quando se é louco, geralmente todo mundo sempre está bravo com você. Ainda mais se você ameaçar as pessoas com meias cheias de carne moída, mas isso é história para outro dia.
Como se não bastasse, ela já tinha me salvado de muitas enrascadas. Na última semana, quando eu tinha colocado uma aranha na cama de Bia Madison, a única garota esnobe do chalé de Atena, Julie não me dedurou.
Por isso eu a tinha convidado para ver os fogos comigo. Eu queria fazer alguma coisa legal, e essa foi a melhor ideia que eu tive.
Não que eu não quisesse de verdade ver os fogos com Julie, nada disso, eu queria muito.
Eu tentei mesmo fazer muitos amigos, depois que superei a morte de Bianca, mas confesso que Julie tinha sido minha melhor amiga até agora. Eu gostava muito dela, como se fosse uma irmã. Queria que nossa amizade nunca acabasse.
Eu já tinha absoluta certeza de que ela precisou conttinuar sozinha para completar a missão. Quer dizer, eu não jogaria fora uma amizade como a nossa por causa de uma coisinha boba dessas. Confiava muito em Julie, e acreditava que nos encontraríamos novamente em breve.
De repente, me lembrei de quanta risada tínhamos dado juntos. Se aquela pesquisa, "a cada 15 minutos rindo você ganha mais um dia de vida", estiver correta... É, eu e Julie seríamos imortais.
Lembrei também de cada peça que pregamos nos outros, e da coisa estúpida que eu disse a ela quando nos encontramos no acampamento pela primeira vez.
Vamos combinar, a Sra. O'Leary quase tinha me devorado vivo, e eu devia estar com baba de cachorro no cérebro, porque tudo o que disse foi "Gosto de cães", enquanto ela me olhava com uma cara que provavelmente queria dizer oh-meus-deuses-esse-garoto-é-doente.
Se eu fosse pensar em tudo o que tínhamos passado juntos, as confusões, as idiotices, as pegadinhas, ficaria a noite toda acordado.
(n/Aut: Uau. Filósofo.) (n/Nico: Não enche!)
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