A nossa liberdade vem da queda.
1 Janeiro, 2017.
Notas iniciais
Pov Ellora
2017. Novo ano, ano novo. Nova vida, vida nova. Não é assim que escutamos todos os finais e inícios de ano a partir das 23:59 do dia 31 de dezembro para 01 de janeiro?
Não, eu não sou contra o ano novo e todos os seus desejos que as pessoas declaram umas para as outras. Eu até gosto, inclusive recebo muitas mensagens de várias pessoas, e retribuo na mesma intensidade. Reciprocidade.
A questão não são os textos, a comida, a festa e o significado da palavra ano novo. O que me incomoda é que ano após ano eu tento mudar alguma coisa em mim, algo que me faça florescer todos os dias, da melhor forma possível! E que pessoas de luz me acompanhem sempre. O que nem sempre acontece... quase nunca pra ser mais realista.
A vida tem dessas não é? Pedimos uma coisa, nos comportamos direitinho, estamos sempre tentando ser gratos, mas ela dá um jeitinho de trazer uma desgraça para nossa vida. O que acaba dando até um desgosto de continuar vivendo...
Vocês devem estar se perguntando o que estou querendo dizer com tudo isso, ou não, podem simplesmente estar cagando para o que eu disse até agora...
Bom, sei que o título é '' Janeiro, 2017'', mas para vocês estenderem como tudo começa vamos precisar voltar ao dia 27 de dezembro de 2016:
Final do ano a minha mãe sempre vai a casa da minha vó. Passa alguns dias, semanas ou até um mês, o que não é problema pra mim, que particularmente deixo aqui que eu amo ficar sozinha. É libertador. Solidão.
Como em todos os anos, alguns amigos ficam comigo. Sejam eles homens ou mulheres, a maioria tem 16, 17, ou 18 anos... E para quem tem curiosidade, eu tenho 19 anos.
Continuando... Como em todos os anos, alguns amigos ficam comigo. Não ficam durante todo o período que a minha mãe fica fora, alguns passam dois ou três dias, tirando o meu amigo/irmão Matteo, que às vezes fica semanas comigo. Nunca foi um problema para a minha mãe, uma amizade que começou a muitos anos atrás não seria um problema agora. O amor e a confiança era algo totalmente perceptível a qualquer um que passasse algum tempo conosco.
Desta vez, não fiquei sozinha com o Matteo. Uma de nossas amigas, Luana, decidiu juntar-se a nós, já que a sua mãe viajava muito e, muitas vezes, a deixava sozinha em casa por muitos dias...
Como de costume, compramos algumas coisas para comer, pegamos o notebook para colocar o cabo HDMI e ficar dançando algumas músicas e assistir alguns filmes. Nada novo.
Às vezes descíamos para a área do meu condomínio, onde encontrávamos algumas pessoas para conversar, jogar algo ou só passar a noite. Bom, Luana tinha o costume de ficar com alguns rapazes, e eu sempre estive ao seu lado dando conselho, tentando abrir os seus olhos para que nada de ruim acontecesse com ela. A minha relação com meus amigos sempre foi a mesma. Dou a minha vida por eles.
Luana conheceu um rapaz que joga vôlei na seleção brasileira, e não vai caber a mim colocar o nome dele aqui, porém, esse rapaz não conseguia atender as expectativas que Luana colocava sobre ele. Como é uma menina que gosta de roupas curtas, sair, beber com os amigos, às vezes dorme fora de casa, o que pra mim não é errado, já que cada um faz o que bem quiser com sua vida desde que tenha consciência. Enfim, esse rapaz não gostava muito do seu estilo de vida e muitas vezes colocava pra fora palavras ruins, xingamentos, pressões psicológicas que muitas vezes afetavam Luana. Certo dia, esse rapaz decidiu romper tudo o que tinha com Luana, o que levou a garota a muitas horas de choro. Seja durante o dia, ou durante a noite.
Numa certa noite Luana pediu para que eu e Matteo conversássemos com o rapaz, pediu que ele desse mais uma chance, que ela ia mudar por ele ( o que para mim é o cúmulo do absurdo) e que ele desbloqueasse ela do whatsapp, ou atendesse suas ligações.
Cada um usou o teu celular para falar com Figueiredo ( vamos usar esse nome fictício para que a palavra ' rapaz ' não seja totalmente repetitiva e cansativa) o que não deu muito certo, já que o mesmo tinha total certeza do que tinha dito e feito. A todo momento Luana permaneceu ao nosso lado, lendo todas as mensagens e ouvindo todos os áudios que eram enviados por Figueiredo.
Como eu tenho costume de dormir tarde eu sempre fico mexendo no celular. Seja para fuçar as redes sociais, ouvir músicas, conversar com alguém ou ver algo aleatório no Youtube. Durante esse período, Figueiredo volta a conversar comigo, dizendo que queria que Luana fosse que nem eu, uma pessoa madura, que sabe o que quer da vida, que sabe conversar e por fim acabou falando que eu era muito bonita.
Agradeci pelo elogio e tentei ajudar mais uma vez a minha amiga. Conversa vai, conversa vem, Figueiredo começou com malícias durante a conversa. Planos para me encontrar sozinha com ele, comentar os desejos que passaram pela cabeça dele ao ver minhas fotos com Luana e com Matteo e pediu para que eu não comentasse, o que eu disse que ia fazer. Porém não prometi nada, o que ficou claro que ao amanhecer mostrei toda a conversa a Luana, mostrando que não se deve confiar em homens assim, que ela é suficiente e não precisava de ninguém dizendo ao contrário.
Ela ficou quieta por um tempo, mas agradeceu e disse muitas coisas que me deixaram feliz, como a confiança que ela tinha comigo, me chamou de irmã e que eu era uma boa pessoa por ter mostrado.
Até aí tudo bem, ou eu achava que estava tudo bem...
— Aonde vão passar ano novo? — pergunto ao sentar no sofá
—Hum... se forem fazer alguma coisa me chamem, por favor! Não quero ficar em casa. — Responde Matteo
Luana permanecia calada no banheiro. Não sabíamos se era por estar passando maquiagem ou se alguma coisa teria acontecido para isso.
—Luana? E você? — pergunto novamente
—Oi, Ellora! — responde virando — Não sei, vai sair?
— Uma prima nos chamou pra ficar com ela na casa da amiga. Cada um leva alguma coisa, você topa?
—Hum... tá bom! Eu vou pra casa mais cedo e passo no supermercado com minha mãe e compro.
—Oh, sua mãe voltou? — pergunto mexendo no meu celular
—Voltou hoje pela manhã e pediu que eu voltasse porque não queria ficar sozinha
—Hum... entendi...
—Vou fazer um brownie com raspas de limão! — diz Matteo sorrindo
—Ai... assim você acaba comigo! — falo rindo colocando a mão no estômago
(...)
Depois de um dia de correria comprando coisas para fazer os pratos
finalmente chamamos um uber e corremos para a casa da minha prima que fica do outro lado da cidade!
— Ellora, me dá uma ajudinha aqui... — diz Matteo entregando a bandeja
—Claro Teo, bota aqui.
Ele pega o celular e envia uma mensagem para Luana perguntando se ela vai mesmo a festa, para deixarmos avisado na portaria do prédio da garota onde passaríamos o ano novo.
—E aí, ela vem mesmo?
—Ela acabou de confirmar comigo. Está no supermercado comprando alguns pães...
—Ah, tá bom... Moço, é aqui!
(...)
— 5...4...3...2...1... FELIZ ANO NOVO!!
Ah... 01/01/2017! Ano novo!!
A festa estava ótima! Todos bebendo, comendo, dançando, conversando... tudo corria certíssimo pelos trilhos!
—Luana, por que está aí no canto?
—Estou no telefone com Figueiredo...
—O que?! Luana! Tu não disse que tinha encerrado as coisas com ele e que ia seguir sua vida?
—Ellora, namoral? me deixa. Você é uma ótima amiga, não é?
—Não sou eu que tenho que dizer isso.
—Hum... eu vou embora
—O que? hoje é ano novo!
—Eu sei, tenho mais o que fazer e com outras pessoas.
Apenas aperto a taça em minhas mãos enquanto vejo Luana descendo as escadas sem ao menos se despedir das outras pessoas...
—Matteo, Luana foi embora!
— O que? por que ela faria isso? macho?
—Uhum... — falo olhando ao redor da casa
—Ellora, não fica pensando nisso hoje, vamos dançar!
Solto um risinho e acompanho o meu melhor amigo.
Festa vai, festa vem, todos decidiram ir para as suas casas descansar. Ou apenas dormir alguns minutinhos para depois ir a praia.
No meu caso, tive que voltar a casa da festa anterior para ficar com o pessoal que mora lá conversando e comendo o que sobrou hahaha, o que para mim é maravilhoso.
—Por que Luana desapareceu?
—Jéssica, nem eu sei! — respondo dando de ombros
Ouvimos uma batida na porta e em seguida Luana aparece. Falando no diabo...
—Aonde se meteu? — pergunto
—Fui ao rio vermelho com um amigo
—Entendi... entra aí!
—Não, eu vim pegar a minha bolsa e voltar para lá, tchau gente.
Ela pega a bolsa e sai da sala. Ninguém se atreve a abrir a boca, até porque ninguém entendeu direito o que aconteceu...
O resto do dia foi tranquilo se comparado ao episódio incompreensível de Luana. A noite cada um foi para as suas casas, Matteo como sempre voltou comigo e com sua marmitinha com as sobras.
—Ellora?
—Oi Teo!
—Está sabendo o que Luana anda falando de você?
— O que? como assim? — pergunto confusa
—Olha...
Ele me entrega o celular e vejo uma mensagem num grupo do whatsapp onde ela fala que eu fui pega dando em cima do homem que ela estava, marcando coisas escondidas com ele e que ela só descobriu porque pegu o meu celular...
—Eu... eu não consigo acreditar nisso -falo caindo no sofá
—Não fique triste Loly... eu sei que você não fez isso! E você tem toda a conversa no teu celular esqueceu? Tem os áudios dele também...
—Eu sei Matteo, mas quem está no grupo não está aqui para ver qual é a verdade!
—Se quiser mandar no grupo e esclarecer as coisas...
—Tá bom, toma o meu celular... Vou tomar um banho!
—Tá bom, meu bem...
Levanto do sofá e vou até o meu quarto onde pego minhas roupas e a minha toalha. Não consigo acreditar no que estava acontecendo... acusada de traição? e com um homem como aquele? Por que ela faria isso comigo depois de três anos de amizade, ter morado comigo por meses quando a mãe se foi! dias e noites conversando, rindo, saindo, dando conselho, compartilhando sonhos... Não consigo acreditar que isso aconteceu...
Obrigada, Vida. Começamos 2017 pegando fogo!
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