A noite depois da festa da Mina
1 Capítulo Único
Notas iniciais
De qualquer forma, plágio é crime e será denunciado, peço a ajuda dos leitores caso apareça plágio da obra, por favor me avisem.
Voltando de uma festa entre amigos de colégio na casa da Mina Ashido, Deku desceu da carona que Mineta ofereceu para ele e seus três amigos: Iida, Ochako e Denki em frente ao ponto de ônibus o qual passava o transporte que o levava direto para casa.
Seus amigos se despediram animados dentro do carro depois de terem se divertido tanto na festa e conversado sobre coisas engraçadas no carro. Aquela carona quebrou um galho e tanto para o jovem de cabelos cacheados e verdes! Se não fosse ela ele demoraria muito para chegar em casa, pois teria que pegar um outro ônibus que demora bastante de chegar só para estar no ponto de agora.
Já eram onze e vinte da noite, a rua estava deserta e a única iluminação que tinha era a dos postes. O céu não estava estrelado apesar de escuro, apenas nuvens que ficavam rosadas à noite decoravam-na. A noite também não estava ao todo fria, mas Izuku vestia um casaco que trouxera por precaução, antes de sair de casa o noticiário avisou que poderia chover pela tarde.
Então ali estava ele, num ponto de ônibus deserto e mal iluminado de uma rua pobre e mal asfaltada — sua única companhia era o estado de alerta para qualquer perigo iminente.
Trinta minutos se passaram e Deku tinha consciência de que poderia ir à pé do ponto de ônibus até sua casa porque, como estava acostumado a passar por aquela região, ele já sabia uma rota mais curta andando rua acima.
Só decidiu esperar pelo ônibus porque era mais conveniente e supostamente mais seguro, mas estava começando a convencer-se de ir à pé ao imaginar que o veículo demoraria mais do que ele esperava.
Olhava toda hora rua adiante na indecisão de ir ou não sozinho — até aparecer um sujeito vindo da esquina todo encapuzado, recolhido e de cabeça baixa — o que impossibilitava ver seu rosto.
Ele, com certeza, não passou despercebido pelo esverdeado quando virou a esquina e não poder saber se o sujeito tinha cara de mal encarado não ajudou Midoriya a ficar tranquilo. O benefício da dúvida virou prejuízo e o encapuzado continuava seu caminho em direção ao outro, sem tirar as mãos dos bolsos dos casaco e sem mostrar a cara.
Deku não ia pagar para ver a desgraça acontecer, então, depois de olhar de esguelha umas três vezes o desconhecido que se aproximava, ele fingiu que não notou o outro chegando a foi andando rua a frente, como quem estivesse descontraído, só seguindo seu caminho.
Agora não tinha como voltar atrás, mas não lhe fazia mal, se o estranho fosse um cidadão comum eles continuariam em seus ritmos ou o cara pararia no ponto mesmo. Se não fosse, Izuku já tinha uma distância boa para fugir…
Mas o cara não parou no ponto de ônibus, quebrando a expectativa a qual Izuku achava tão certa, fazendo-o estranhar um pouco mais. Seu pisca-alerta na cabeça começou a piscar um pouco mais rápido.
Portanto a nova expectativa era o cara não começar a se aproximar de repente. Caso fosse alguém de bem, ele andaria no próprio ritmo e passaria por ele sem problemas. Deku olhou para trás demonstrando atenção, vendo todo o espaço por trás de si para mostrar ao sujeito que estava ciente das coisas já que muitos bandidos pegam suas vítimas somente quando estão distraídas, do contrário, eles desistem de fazer qualquer coisa porque o susto psicológico não funcionaria para mantê-las reféns do medo.
Mas o maldito desconhecido começa a acelerar o passo do nada! Midoriya, que olhava tudo de soslaio, xingava o cara por estar deixando ele mais preocupado com a situação que se encontrava. E essa não foi a pior… Enquanto o encapuzado se aproximava exatamente atrás dele, o jovem percebeu que havia um volume sobressaltado sob o tecido do casaco na lateral do quadril, parecia uma… Arma…
Midoriya subiu com as duas mãos juntas do rosto para os cabelos, empurrando-os para trás. O rosto de desespero reverberou sua conclusão:
“Caralho, é assaltante!”
Era desnecessário contar quantos ‘caralhos’ e ‘fudeus’ ele pronunciava dentro de sua cabeça, ele só apertou o passo também para distanciar-se do perigo.
Não adiantou muito porque o maldito continuou na sua cola e mantinha certa distância entre eles.
Izuku apertou mais o passo. Ele também.
…
Izuku começou a correr um pouco para desviar de algumas partes deformadas da calçada. Ele também.
…
Quando o estranho bateu o pé no chão com força de quem ia correr de verdade Izuku foi mais rápido e deu uma carreira. Correu igual um desgraçado.
“Foda-se!” pensou. Não queria saber de mais nada!
No entanto, o infeliz do homem de capuz começou a persegui-lo. O desespero foi total na cabeça do esverdeado que terminava de subir a rua (que era um morro pequeno) e estava descendo-a a toda velocidade.
“Meu Deus, lá vem o homem-macaco correndo atrás de mim!” cantarolou mentalmente.
Midoriya tentou ser o mais sagaz possível para escapar do assaltante, mas a rua não tinha becos por onde escapar e era toda aberta, ou seja, por mais que ele desviasse seu rumo o garoto não sairia do alcance do outro. Para completar, o assaltante corria tanto quanto ele.
Foi aí que o garoto não aguentou mais se conter, depois de descer a rua toda igual um maluco, ao chegar ao pé do morro ele começa gritar da maneira mais escandalosa que conseguia e pedia por socorro pensando somente em uma coisa:
“Caralho! Querendo me pegar! Se esse cara me pega ele vai me rasgar!”
Ele deu um grito mais curto após isso e decidiu cruzar a rua para afastá-lo, contudo, o cara de capuz pegou ele de jeito no meio da cruzada, tapou sua boca para ele parar de gritar e agarrou-o pela barriga.
— Midoriya! — a voz do estranho soou um pouco elevada pelo tom de repressão, porém não soôu nenhum pouco agressiva.
Assim que virou para fitar o outro a segurá-lo Deku reparou naquela face familiar com um olho cinza e outro azul, rosto tracejado e redondo e os lábios entreabertos de espanto por sua atitude desesperada.
— Todoroki! — Arregalou os olhos enquanto o bicolor o soltava. Deku chamou seu nome em total tom de reprovação, por outro lado, Shoto ainda não entendia o porquê daquilo tudo. — Seu filho da puta! — resmungou baixinho.
O bicolor permaneceu por trás dele e tirou o capuz, Izuku ficou de lado mirando-o puto pelo susto que lhe deu, por isso, bateu no braço dele de raiva, em seguida começou a bater por todo seu torso.
— Queisso! — Todoroki exclamou surpreso ao passo que tentava se defender dos tapas.
— Eu achei. Que você. Era. Um assaltante. Seu arrombado! — Cada ponto na frase era um tapa desferido em Shoto que resmungava ‘ais’ baixos. O ponto de exclamação foi um tapa na cara para finalizar, mas foi de leve.
— Foi mal… — desculpou-se finalmente entendendo a situação.
— Por que você não me chamou lá no ponto de ônibus ao invés de ficar me seguindo?! — Deku respirava forte, a noite estava ficando fria.
— Eu não sabia que era você , eu só te reconheci na subida do morro…
— E esse volume na lateral do quadril? Eu achei que fosse uma arma! — Deku apontou para o local citado. Shoto abaixou seu olhar naquela direção.
— Ah, é só o tubo das pulseiras de neon que a gente usou na festa. — O amigo levantou o casaco e a camisa mostrando a embalagem que ainda sobrava algumas pulseiras presa pela calça.
— Ai Todoroki… — levou a mão à testa descrente com a inconveniência dele, mas sorriu de leve, com pena do bicolor porque às vezes ele era inconveniente por causa de sua certa inocência, não por maldade…”Coitado” pensou por um segundo. — Eu achei que você era um homem- macaco querendo me assaltar!
— Homem-macaco? — repetiu surpreso. Na sua cabeça, aquela ideia era engraçada. Bufou um riso.
— É! Você nunca ouviu a história? Um ser que não tem alma e nem coração que quer pegar as pessoas e quando pega ele rasga! Eu achei que você ia me rasgar!
— Talvez. — disse pensando no outro sentido, sem demonstrar nada.
— Nunca mais faça isso de novo! Eu achei que você ia me matar! — colocou a mão no coração, esbaforido.
— Te matar eu não ia — comentou enlaçando seu braço direito no pescoço coberto do esverdeado — mas se você continuasse gritando quem ia te matar seriam os moradores.
Deku riu, afinal ele tinha razão, ainda mais agora que o menor relembrava toda a cena e como gritava engraçado. Até Todoroki deu uma risada, discreta e abafada, mas deu. A cumplicidade do momento fez Izuku também enlaçar seu braço esquerdo na cintura do maior e os dois caminharam juntos o resto da rua inventando a história do assaltante-macaco e como foi hilário aquele momento.
— Eu achei que você tinha pegado carona até em casa. Aliás, você não vai pra casa não? — O menor virou seu rosto para o maior tão próximo de si.
— Eu ia, mas… Sei lá, mudei de ideia… Posso ficar na sua casa essa noite? — Todoroki voltou-se para Midoriya idem.
— Claro. Mas sua família não vai ligar? — Ficou um pouco preocupado com a reação que eles poderiam ter. Ele sabia o quão era delicado.
— Não, eu só preciso avisar Fuyumi onde estou. Eu ligo pra ela quando chegar na sua casa.
— Gostou de ficar na minha casa semana passada, né?
— Eu confesso que… Eu gostei de dormir lá no seu quarto e daquela costeleta de porco da sua mãe… É uma delícia. Acho que nunca me senti tão bem dormindo no chão na minha vida. — os dois sorriram confortavelmente — Eu espero não atrapalhar sua mãe lá.
— Que nada! Minha mãe gosta muito de você, ela vai querer que você fique até o almoço se puder.
A partir daí Deku pendeu sua cabeça no ombro de Shoto, não muito perto, mas pendeu. A situação não podia estar mais confortável. Os dois estavam juntos, andando a noite, sozinhos e tendo uma conversa agradável, era um momento de paz interior que ambos guardavam. Ainda faltava mais um pouco para eles chegarem na residência.
— Gostou da festa, Todoroki? — Izuku perguntou puxando assunto. Ele não queria que o papo morresse ali e estava curioso para saber disso visto que festas não faziam o tipo dele.
— Gostei. — A resposta imediata e direta era um bom sinal, ele estava sendo sincero. Isso deixou Midoriya bastante feliz, vendo que seu amigo se divertiu. — E você?
Apesar de todo mal-entendido ter terminado em um caso agradável, Deku não desativou seu pisca-alerta e de longe ouviu um barulho de moto que vinha do mesmo trajeto que eles traçaram.
Da descida do morro apareceram dois caras numa motocicleta — quando ainda não dava para vê-los o ronco do motor era altíssimo, entretanto, ao se aproximarem dele e do bicolor ele percebeu que o som diminuía e interrompeu logo o clima que favorecia a rara vontade de conversar de Shoto.
O jovem de olhos esmeralda puxou Todoroki para mais próximo dele e com a cabeça inclinada paa perto do ouvido do maior, cochichou:
— Todoroki, tem dois caras numa moto atrás da gente. Disfarça e aperta o passo.
Todoroki, coitado, nem pôde dizer nada, sentiu seu braço sendo agarrado com força e arrastado um pouco mais para frente. Em seu íntimo, o heterocromático não estava dando a mínima para os dois possíveis assaltantes, só estava vidrado naquele calor dos braços do outro rodeando o dele, queria ficar assim mais um tempo e sentia-se muito bem com todas essas sensações omitidas naquele olhar centrado e inexpressivo dele.
— Eles estão vindo pra cá! — Deku cochichou de novo nervoso. Todoroki deu uma rápida olhada atrás e, realmente, eles vinham lentos demais.
— Midoriya, não me solta. — cochichou de volta.
O corpo do menor gelou e a coisa ficou tensa — Shoto viajando, os assaltantes chegando e o cu do Midoriya trancando. O piloto queria embicar a moto para cima deles para anunciar o assalto, no entanto o homem da garupa foi logo anunciando o roubo antes.
— Ei, ou! Parou aí, parou aí!
Parou o quê, meu irmão? Só foi ele falar que os dois meteram o pé varado dali, deram uma carreira para não voltar mais! Antes disso, Todoroki congelou a moto e os assaltantes nela com o gelo beirando até o pescoço.
— Corre, Midoriya! Corre! — gritou o maior no embalo.
Os dois correram iguais uns viados direto para casa do Izuku, não queriam nem saber! Só deixaram os assaltantes para derreter o sol quente do outro dia. O esverdeado achou aquilo uma baita sacanagem para um noite só, mas estava sendo engraçado oscilar entre o pânico e a diversão, Shoto só queria ficar perto dele mesmo, estava doido para dormir no chão do quarto dele (se é que entenderam).
E assim foi a noite depois da festa da Mina de Izuku e Todoroki.
Notas finais
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Obrigada pela atenção de todos! Espero que tenham gostado!
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